Atônito, levado a contemplar uma imensidão inalterável, porém instável, ele se curva diante da própria sombra. Já não sinto mais extremidade alguma, e os pensamentos fluem silenciosos agora. Sou observador. Peço pela paz e não sou atendido, sociedade desumana! Minha paz está em paz, mas não sou capaz de fechar meus olhos para o mundo. Sei que ser o que sou é ser o Eu Sou. So Ham. Inalo a vida, a paz e a sabedoria, e num sopro suave exalo toda a negatividade que permeia os tempos mais obscuros que já vi. Não espero mais pela bondade, mas sei que um dia virá. Mira, mirá.
A vida me testa a cada instante, me faz persistir, me faz acalmar, compreender, aceitar. Jamais esperar. A espera é o atestado de que não soube esquecer o tempo que só existe aqui. Quero subir mais alto. Quero ver-lhes de lá, pequenos como formigas, como outrora também fui. Sabendo que não há saída nem alternativa, a escolha de viver e estar é a única disponível. A renúncia só serve para o que não mais me serve. Contemplei e vi. Entendi onde está o sofrimento do mundo, e assim fui capaz de transcender meu próprio. Dor e dor. A chuvinha que chuviscou e o chamego que me deixa, me deixou. Aqui. Agora. Para que ninguém mais fique para trás. Sonho. Ilusão. Corpo. Sentido.
A cada dia, séries de certificações da realidade comprovam que nada é real. Hologramas ambulantes, átomos dançantes, células transeuntes. Quero libertar. Quero livre. Quero ser. Liberdade. Ao transcender corpo e mente, só espírito me resta. Sopro de vida, energia criativa, madeira e metal, fogo e vapor, água e vento. Te convido ao meu devaneio, mas te peço que deixes para trás tudo o que és, que agora vais descobrir-te eu. E eu, tu. Sou tu e sou tudo, sou teu mesmo escudo. Sonhei o sonho colorido de um pintor e pintei o amor cinza escuro, porque vi que não existe amor. Sou amor. Sou. So Ham.
Quebre estes cadeados pra mim, por favor? Grato sou, grato serei, sei. Nada sei. Nada sou. Estou. Estou corpo, estou fôlego, estou vivo. Estou criador, sou criador, receptor, estou em toda parte. Sou eu, sou Deus, sou tu, és Deus, somos. Que a vida que nos banha de confusões nos permita sentir a ilusão de acordar de um sonho que sonhei todo dia. Assim, incompreensível. Transformando prefixos "in" em yin, regenerando e internalizando. Quando eu me curo, curo a ti. Espalhe ao mundo. Receba. Sinta. Viva, esteja vivo e seja vida. Não habito um pedaço de carne em vão. Nem tu. Desperta! Já é chegada a aurora que traz ao mundo boas novas, ouça-as! Inverto para que o fogo queime impurezas e me permita ouvir com clareza. Sem mais delongas, sem mais confusões, sem mais distrações. Quero ser. Sou. So Ham.
Postos aqui, fragmentados, na ilusão da separação. Deixe cair o véu do ego e verás que falo a verdade. Somos o mesmo, és todos, sou todos, somos. Que te falta a compreender? Que te falta ver? Pra tanta dor, ninguém tem peito, mas dá-se jeito! E ele foi, partiu-se para a floresta, sozinho, mas viu que não estava só. Era parte de tudo, viu-se tudo, sentiu. E soube, subiu. A casca que o envolvia já não mais era carne. Era luz. Era. É. Sou.
SO HAM!