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30 de março de 2011

Enquanto todos socializam...

Tantos se sentem tão sozinhos...

Antigamente víamos aquele clima de boa vizinhança, todos na rua se conheciam, faziam almoços nos domingos, se importavam uns com os outros. Agora vemos pessoas conversando, parecendo bons amigos, mas as angústias já não são mais conhecidas.

Se um dia fomos do tipo que sentávamos juntos e realmente conversávamos, isso passou.Tanto que o índice de suicídios aumentou consideravelmente ao longo do tempo. Vemos muito mais pessoas depressivas nos últimos dias. Isso se chama solidão. Ninguém mais se importa com o próximo. 

Quando um dia houve coleguismo e as pessoas costumavam ser solidárias umas com as outras, renunciando a si mesmos pra que pudessem ver a alegria de alguem, não existia esse enorme índice de desespero. Não podemos mais culpar a pressão da sociedade, pois a sociedade são todos nossos "amigos".

Se não podemos contar com eles, se sabemos que nos verão com outros olhos quando conhecerem nossas tristezas, dores ou segredos, nos retraímos. Cada vez que nos sentimos pressionados por guardarmos um segredo que explode dentro de nós e PRECISAMOS contar pra alguém, nos sentimos milhares de vezes mais solitários.

O mundo está cada vez mais cheio de pessoas falsas que mentem pra ser bem recebidas ou guardam toda a sinceridade pra largar sobre você de uma vez só. E nós nos aproximamos dessas pessoas, quando na verdade estamos nos afastando cada vez mais destes. Não os conhecemos realmente, pois estes não mostram sua verdadeira personalidade.

Assim, enquanto ninguém mais tem a mesma intimidade, não vemos conjuntos de pessoas, mas apenas pessoas. Criaturas solitárias com grande necessidade de intimidade com outro ser humano. Mas a parte mais engraçada sobre tudo isso, é que hoje em dia todos conhecem a todo mundo. Temos milhares de "amigos em comum", mas pouquíssimos destes são os que realmente nos conhecem.

Se formos contar, afinal, as pessoas que nos conhecem são raras, podemos contar nos dedos. E, como não se compra pessoas de confiança no super mercado, valorização é o mínimo pra criar aproximação.

Casais a Serem Lembrados - Willow e Tara (Buffy, The Vampire Slayer)

Alerta de spoiler.

Quem já viu Buffy, A Caça-Vampiros, ficou fascinado pelo casal lésbico da serie. O único casal que começou de uma forma bastante inocente e “bonitinha”.

Willow Rosemberg e Tara Maclay se conhecem na faculdade, num grupo de Wicca, quando ambas discordam de todo o resto do grupo.
                
           Elas passam a se encontrar sem o restante do grupo pra fazer alguns feitiços simples que acabam, boa parte, em comédia. Descobrem que, juntas, são extremamente poderosas e visitam-se frequentemente, tornando-se quase um hábito. Tornam-se grandes amigas e, com a volta triunfal de Oz, ex-namorado da Willow, à cidade, ela percebe que ama Tara e faz uma visita inesperada ao seu quarto, num dia que a luz da cidade havia caído. Willow leva com ela uma “vela flamejante”.

Nesse momento ela abre o jogo com Tara, que diz que entende que ela deve estar com quem ela ama. E aí acontece a cena mais esperada da temporada: Willow diz que já está com quem ela ama. Depois disso elas aparecem namorando no seriado, mas sem muito anúncio, em virtude de ser um “experimento”, onde o escritor da serie, Joss Whedon, não sabia se isso poderia prejudicar a serie, então ele prefere esperar algumas temporadas só observando a audiência.

As cenas onde elas aparecem juntas são leves, descontraídas, engraçadas e extremamente fofas. Elas são, definitivamente, um exemplo de casal que, certamente, milhões de casais (incluindo heteros) invejam. Assim, durante uma temporada inteira, o contato máximo entre elas é andar de mãos dadas ou contar estrelas no terraço, dormirem abraçadas...

Na 5ª temporada é quando Joss se arrisca pela primeira vez, colocando um beijo entre elas. De toda a serie, esse foi o casal que mais durou (considerando as circunstâncias) e, foi também, o casal mais inocente. Até que, no início da 6ª temporada, Willow se torna viciada em magia (o seriado acaba tratando isso como um vício em drogas) e isso passa a prejudicar o relacionamento delas. Tara propõe que Willow passe uma semana sem fazer nenhum tipo de mágica.

No dia seguinte Willow tenta um feitiço de esquecimento e controle da mente que dá errado. Isso acaba fazendo todo o elenco perder a memória, até que o cristal usado por ela é quebrado e Tara decide dar um tempo no namoro até que Willow se recupere do vício. Ela consegue se recuperar, Tara nota a mudança e aparece na porta do quarto de Willow dando um discurso de “volta pra mim” lindíssimo. Aí Joss arriscou tudo e fez com que a comemoração de reatamento delas fossem dois dias seguidos na cama, que são as cenas mais engraçadas e as melhores expressões faciais da serie.

E, quando elas finalmente resolvem sair da cama e usar roupas, um garoto que perdeu uma luta pra Buffy se revolta e aparece no quintal dela com um revólver. Nisso, ele dá seu discurso de fracassado e distribui tiros. Um destes se aloja certeiramente no coração de Tara. Willow a vê morrer instantaneamente, a segura nos braços e é tomada pela raiva e sede de vingança. Essa é a parte da serie descrita como “Dark Willow” (Willow das Trevas). Ela vai em busca de vingança e vive os momentos que farão ela se arrepender por todo o restante da serie.

Algum tempo depois ela visita o túmulo de Tara e provoca lágrimas em qualquer um que esteja assistindo à serie. Esse é, na minha opinião, o casal que mais deixou saudade. Apesar de Willow seguir em frente, Kennedy entrar na serie e elas fazerem o outro casal mais bonitinho, Tara deixou um vazio enorme.

Willow e Tara foram, de longe, o casal lésbico mais inocente que eu já vi. De uma visão mais crítica, diria que Joss soube muito bem como introduzir algo completamente experimental na serie, fazendo com que a inocencia parecesse intencional.

E, pra finalizar, um vídeo do casal, só pra deixar vontade. Do episódio 07, 6ª temporada, Once More, With Feeling (Mais uma vez, com sentimento), o musical aqui