Estrelas. Elas estão sempre lá. Nós recebemos a luz das estrelas muitos anos depois de elas já terem morrido. Estrelas mortas.
É olhando pra estrelas que eu encontro o que eu não estive procurando. Encontro o que eu nem sequer imaginei ser possível. Eu encontro a parte de mim que quer esquecer tudo e construir uma vida em prol de alguém. Talvez não seja possível que eu consiga, talvez a minha insignificância perante os fatos me impeça de ser capaz de fazer alguém completamente feliz, esquecendo que não há ninguém mais a quem eu deva essa mesma felicidade.
Talvez parte de mim acredite que isso não existe. Ou apenas quer que não exista.
Mas as estrelas também não existem. E mesmo assim estão lá. São apenas corpos queimados, mortos no infinito do universo, perdidas na vasta escuridão. Mas ainda, cada uma delas, diferente. Tão importantes e notáveis pra nós, humanos, que "estrela" é quase um elogio, quando dito à alguém. São estudadas por muitos homens, observadores, alguns que dedicam suas vidas apenas para isso.
Meros humanos. Mortais. Assim como as estrelas.
Aquelas estrelas morreram, mas continuam ali, visíveis. E quanto à nós? O que isso tem a ver com nós? Bom, nós mudamos. Nossos desejos antigos morrem, são substituídos. Aqueles desejos, características nossas, que antes queimavam, tomavam nossa mente e coração, estes mesmos estão mortos. Mas eles continuam lá. Presentes dentro de nós.
Cada coisa que um dia desejamos, cada mudança que passamos, isso tudo. Isso são nossas estrelas. Coisas que olharemos pra trás anos depois e ainda as veremos ali. Desejos que nos fizeram mudar, pensamentos que nos fizeram crescer. E em cada um, uma estrela. Há uma morte dentro de nós. Uma coisa que um dia acreditamos, e com o tempo, passamos a desacreditar.
Nós mesmos acabamos matando nossos desejos, assim como o próprio céu mata suas estrelas. E isso tudo vai refletir durante muito tempo dentro de nós. São coisas que carregaremos até o último fôlego de vida que houver em nós.
Mas enquanto vivermos, enquanto isso refletir em nós, assim seremos. Marcados pelo que desejamos. Pelo que acreditamos. Seremos velhos com alma de criança, pois o que fomos no passado continua refletindo em nós. Assim como ninguém muda completamente, ninguém pode apagar quem realmente é. Então, acreditando uma vez, passaremos a vida inteira refletindo isso.
A luz? Ilumina, mas cega. E todas essas estrelas mortas dentro de nós, um dia serão tão fortes e reluzentes que nos cegarão.
Esse é o dia em que percebemos quem realmente somos e deixamos a luz dentro de nós iluminar alguém.