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29 de abril de 2011

Blinded By The Light

Estrelas. Elas estão sempre lá. Nós recebemos a luz das estrelas muitos anos depois de elas já terem morrido. Estrelas mortas.

É olhando pra estrelas que eu encontro o que eu não estive procurando. Encontro o que eu nem sequer imaginei ser possível. Eu encontro a parte de mim que quer esquecer tudo e construir uma vida em prol de alguém. Talvez não seja possível que eu consiga, talvez a minha insignificância perante os fatos me impeça de ser capaz de fazer alguém completamente feliz, esquecendo que não há ninguém mais a quem eu deva essa mesma felicidade.

Talvez parte de mim acredite que isso não existe. Ou apenas quer que não exista.

Mas as estrelas também não existem. E mesmo assim estão lá. São apenas corpos queimados, mortos no infinito do universo, perdidas na vasta escuridão. Mas ainda, cada uma delas, diferente. Tão importantes e notáveis pra nós, humanos, que "estrela" é quase um elogio, quando dito à alguém. São estudadas por muitos homens, observadores, alguns que dedicam suas vidas apenas para isso.

Meros humanos. Mortais. Assim como as estrelas.

Aquelas estrelas morreram, mas continuam ali, visíveis. E quanto à nós? O que isso tem a ver com nós? Bom, nós mudamos. Nossos desejos antigos morrem, são substituídos. Aqueles desejos, características nossas, que antes queimavam, tomavam nossa mente e coração, estes mesmos estão mortos. Mas eles continuam lá. Presentes dentro de nós.

Cada coisa que um dia desejamos, cada mudança que passamos, isso tudo. Isso são nossas estrelas. Coisas que olharemos pra trás anos depois e ainda as veremos ali. Desejos que nos fizeram mudar, pensamentos que nos fizeram crescer. E em cada um, uma estrela. Há uma morte dentro de nós. Uma coisa que um dia acreditamos, e com o tempo, passamos a desacreditar.

Nós mesmos acabamos matando nossos desejos, assim como o próprio céu mata suas estrelas. E isso tudo vai refletir durante muito tempo dentro de nós. São coisas que carregaremos até o último fôlego de vida que houver em nós.

Mas enquanto vivermos, enquanto isso refletir em nós, assim seremos. Marcados pelo que desejamos. Pelo que acreditamos. Seremos velhos com alma de criança, pois o que fomos no passado continua refletindo em nós. Assim como ninguém muda completamente, ninguém pode apagar quem realmente é. Então, acreditando uma vez, passaremos a vida inteira refletindo isso.

A luz? Ilumina, mas cega. E todas essas estrelas mortas dentro de nós, um dia serão tão fortes e reluzentes que nos cegarão.

Esse é o dia em que percebemos quem realmente somos e deixamos a luz dentro de nós iluminar alguém.

Wanna Hold Her

-Quem?
-Não sei.
-Mas então... porque?
-Porque eu não sei.

Truques.
Maldito coração.

Depressão Musical

Hoje eu estava sem nada pra fazer e resolvi ouvir música. Coloquei a mesma playlist de sempre, que logo começou a me aborrecer. Mil quatrocentas e não sei quantas músicas e NENHUMA me agradava. Mas então fui encontrar, dentre todas as milhares de discografias que eu tenho, alguma que me animasse.

Vasculhando tudo, Cassia Eller.

Então eu fiquei pensando sobre algumas coisas, imaginando, lembrando...
Sempre tem UMA música que lembra algo triste, que dá aquela vontadezinha de chorar, mas sempre tem aquela que você chega a fechar os olhos pra cantar junto, pra lembrar daquele momento gostoso onde essa música te guia.

E, como sempre, a música é o instrumento que desperta os sentimentos que estão imersos dentro de nós. Alguém que não gosta de ser visto chorando, quando ouve a música certa, não economiza nas lágrimas. Lágrimas de alegria, de tristeza, de saudade... apenas pedaços de nós escorrendo pelos nossos olhos em estado líquido.

Aquela voz aveludada que te faz pensar longe, aquela letra que lembra exatamente o que você já havia deixado o tempo levar pra mais longe. Música é sempre o que traz as lembranças de volta, e com elas cada emoção que sentimos naquele tempo, onde as lembranças eram o presente.

Mas afinal, que é música, senão a provocação dessas memórias? Pra mim, cada música que lembra um momento, uma pessoa ou um acontecimento, traz de volta também os cheiros, os sentimentos, cada detalhe de tudo.

Por isso achar a música certa tem sido tarefa difícil pra mim. Provocar as memórias certas, buscar o que vai me fazer continuar sorrindo. Um significado. Eu quero trazer essas lembranças à tona e tenho tentado encontrar o gatilho certo que vai fazer isso por mim. Então, Cassia, mais uma vez salva meu dia e traz todas as lembranças que eu queria.

Hoje Cassia conseguiu arrancar de mim a única lágrima que eu não consegui expelir. Aquela que eu precisava deixar cair. Agora me trouxe de volta a liberdade pra encontrar outras músicas que não me lembrem nada, só pra guardar esse momento.

E essa parte eu deixarei pra Skank.

27 de abril de 2011

Have you ever fall for a girl?

A mesma coisa que você. Já?

Eu já. Várias vezes. Pela mesma garota, por outras garotas. Por meses, anos, dias, segundos. Garotas apaixonantes. Quais? Todas elas. São... garotas. E há, no mundo, algo mais incrível que a mente de uma garota?

E dizem que eu não sei me apaixonar por uma garota apenas. Mas como, se na minha vida existem tantas garotas apaixonáveis?

Alguém pra contestar? É, meu coração realmente bate por algumas dez garotas por vez. Mas por todas da mesma forma. Pode ser que durem segundos, mas aquilo mesmo é especial.

Tem como superar isso? Bom, no fim, a culpa é delas mesmo.

15 de abril de 2011

Diário?

Se eu tentasse manter um diário, talvez eu me arrependesse muito mais das coisas que eu deixei de fazer quando tive oportunidade.

Mas resolvi resumir todos os diários que eu poderia ter escrito aqui, agora. Assim:

Nasci numa manhã de maio, manhã de frio. Assim, meu dia preferido consiste em uma madrugada fria e confortável. Pacífica, mas sempre hiperativa. E eu fui crescendo em teimosia e persistência, onde se formou uma cabeça dura. Mudar de ideia ou ceder uma opinião sempre foram grandes dificuldades.

Desde sempre, alegre e com aquele bom humor contagiante. Música sempre foi uma grande paixão, meu ponto positivo. Ao longo dos anos, se formou uma garota largada, com carinha de menino e coração frágil. A aparência rude tentando disfarçar a sensibilidade. 

Eu era a garota diferente de todo o restante da família. Fui o tipo criança-prodígio, mas isso logo desapareceu. Tive minha infância em grande harmonia com a natureza, e geralmente é perdida dentro de trilhas, coberta de árvores, onde eu me sinto livre e segura.

Tempo passava e eu perdia a essência de mim, me deixava levar pelos padrões que fui aprendendo dentro de casa. Padrões que minha família julgava corretos, mas que me faziam sentir presa, fingindo ser algo que eu não era. Nesse meio tempo eu cresci, fiz amigos, quebrei a cara, aprendi a tocar guitarra, o que mais tarde viria a ser a coisa mais importante em mim. E eu cresci, amadureci. 

Nessa altura da minha vida, conheci um movimento, um conjunto de padrões. Esses padrões que eu havia seguido em infância, mas não sabia. Resolvi voltar. Peguei minha bagagem, joguei fora tudo que era fútil, tudo que não me acrescentaria coisas positivas.

E isso tudo me fez sentir... livre, viva. Eu me tornei alguém diferente, passei a ver o mundo de outra forma. Abri minha cabeça, aceitei diferenças e pessoas que antes eu não aceitava, deixei de lado todos os meus preceitos e preconceitos e aprendi que cada um tem uma forma de ser, e, não é porque eu não sou como estes que vou rejeitá-los de qualquer forma. Aprendi que não sou superior por seguir algo que os outros não seguem, ou por acreditar em algo diferente.

Com o tempo, descobri que defeitos são bons e necessários, pois nos lembram que qualidades existem e estão ali para serem notadas. Passei a ser positiva e percebi que a vida é curta demais pra se lamentar por qualquer erro, e que devemos lamentar pelas coisas que não fizemos.

Cada dia que se passava, alguém diferente de mim me ensinava algo novo e isso foi algo fascinante pra mim. E tem sido ainda. Aprendi a tomar críticas como algo construtivo e depender delas. E a coisa mais importante de tudo isso, foi que eu descobri que cada pessoa que passa pela nossa vida, é alguém que nos faz crescer. Cada um que se torna importante, mesmo que brevemente, é alguém que vai mudar algo em nós.

E hoje, 15 anos daquela manhã de maio, de nada que fiz, me arrependo. Só do que deixei de fazer. Mas o tempo passa e os dias voam. Lamentações, portanto, são apenas uma perda de tempo. Por esse motivo, hoje eu não olho pra trás. Ajo, sinto, penso, sigo em frente. E eu sou alguém melhor do que já fui, venho melhorando a cada dia.

Meu nome é Natalia, tenho alguns trezentos apelidos, mas Pokemon é o mais... interessante deles. Sou adepta ao punk rock e ao riot grrrl, ainda sou a mesma garota largada com cara de menininho, ainda sou a mesma garota que ama se perder no meio das árvores e sentar na grama molhada numa madrugada fria com um cobertor e alguém especial pra abraçar. Música, hoje, é minha vida. 

A minha banda e as coisas que eu escrevo são tudo que eu tenho. Valorizo as coisas pequenas em alguém, repudio futilidade e superficie. Gosto de fazer as pessoas ao meu redor se sentirem bem e me sinto bem em ser útil à alguém. Sou covarde e tenho medo de me arriscar, mas estou aprendendo a me soltar mais. E eu? Eu sou uma criança que esqueceu de crescer. Meu coração é de criança.

Talvez voltar a ver o mundo como uma criança tenha sido a melhor coisa que já aconteceu pra mim.

14 de abril de 2011

Me perguntaram

"O que mais há pra ver nos olhos de alguém, além da sua cor?"

E eu respondi: "Há muito além de cor. Olhando no fundo dos olhos de alguém desconhecido, conseguimos ver suas reais intenções, medir sua sinceridade. E, quando se olha nos olhos de alguém importante pra você, consegue-se ver seus sentimentos, perceber sua alma. Olhares são mais importantes que palavras. 

Palavras mentem, machucam, cortam, matam. Olhares consolam, confortam, ajudam, choram, sentem, expressam. Olhares jamais mentem. Um olhar vale mais que mil palavras. Vãs, maldosas, cheias de falsidasde. Olhares, sinceros, verdadeiros, reveladores. É isso que se vê nos olhos de alguém: seu mundo inteiro."

E existem pessoas que eu faço questão de buscar a sinceridade nos seus olhos. São olhares inocentes que buscam profundamente no pensamento. Nesses vens e vais de divagações, descobri que se pode conhecer alguém apenas olhando nos seus olhos. Descobri que cada pessoa desperta em nós um olhar diferente. E as vezes há mais de uma pessoa que nos desperta um olhar especial.

Mas há UMA pessoa na sua vida inteira que vai despertar seu olhar protetor, mas ao mesmo tempo seu olhar irresponsável. Aquela que vai olhar pra você e só isso vai ser o suficiente pra te fazer sorrir, sorrir com seu melhor sorriso. É essa que vai te fazer chorar de alegria, essa é a mesma pessoa que vai te dar os melhores momentos da sua vida. Essa que vai fazer seus olhos brilharem só de falar o nome dela, só de sentir o cheiro dela.

E, na minha vida existem muitos alguéns que me fazem olhar diferente. Houveram pessoas que me fizeram melhor, e que me fizeram mais forte. De todas as pessoas que um dia despertaram um olhar diferente em mim, só tenho a agradecê-las. Meu caráter foi construído aos poucos com a ajuda de cada um desses olhares. Olhares que eu desejo ver de novo, olhares que eu sinto saudade.

Agora, posso dizer que há alguém que me faz ver o mundo diferente, mais bonito, positivo. Há alguém que desperta em mim um olhar protetor e irresponsável. Sincero e diferente. E cada vez que eu olho pra ela e ela sorri, eu sorrio. É um instinto incontrolável. A maneira como ela me olha, como eu a olho, a maneira como nos vemos. É alguém com quem eu poderia passar a minha vida inteira, quem eu não imagino minha vida sem. 

Ela é a melhor parte de mim.

E acho que é isso que as pessoas dizem quando tem alguém por quem elas passariam o inferno. E eu passaria o inferno por ela. Carregando-a. Porque eu sei que cada vez que eu a faço se sentir melhor, eu me sinto a melhor pessoa do mundo. Me sinto especial. 

E, mesmo que eu esteja no meu pior, ela sabe me fazer sentir especial. Eu a amo mais que qualquer pessoa no universo. Se ela sabe? Sim, ela sabe. Ela sente o mesmo? Sim, sente. Como eu sei? Eu olhei nos olhos dela. E eu nunca disse que é essa forma de sentimento, mas eu sei que quando ela olha nos meus olhos, ela sabe disso tudo.

E isso vem à tona toda vez que as mesmas palavras surgem na minha cabeça e eu lembro daquele tempo onde tudo era novo e estranho... isso tudo é o que me faz forte pra ser melhor, mas ao mesmo tempo me desarma e me traz covardia, medo de se estragar tudo que eu já construí.

Mais forte que a minha covardia é meu próprio medo de perder tempo demais e acabar no nada, vazia.
Talvez a parte de mim que tem medo de perdê-la seja mais forte.