Se eu tentasse manter um diário, talvez eu me arrependesse muito mais das coisas que eu deixei de fazer quando tive oportunidade.
Mas resolvi resumir todos os diários que eu poderia ter escrito aqui, agora. Assim:
Nasci numa manhã de maio, manhã de frio. Assim, meu dia preferido consiste em uma madrugada fria e confortável. Pacífica, mas sempre hiperativa. E eu fui crescendo em teimosia e persistência, onde se formou uma cabeça dura. Mudar de ideia ou ceder uma opinião sempre foram grandes dificuldades.
Desde sempre, alegre e com aquele bom humor contagiante. Música sempre foi uma grande paixão, meu ponto positivo. Ao longo dos anos, se formou uma garota largada, com carinha de menino e coração frágil. A aparência rude tentando disfarçar a sensibilidade.
Eu era a garota diferente de todo o restante da família. Fui o tipo criança-prodígio, mas isso logo desapareceu. Tive minha infância em grande harmonia com a natureza, e geralmente é perdida dentro de trilhas, coberta de árvores, onde eu me sinto livre e segura.
Tempo passava e eu perdia a essência de mim, me deixava levar pelos padrões que fui aprendendo dentro de casa. Padrões que minha família julgava corretos, mas que me faziam sentir presa, fingindo ser algo que eu não era. Nesse meio tempo eu cresci, fiz amigos, quebrei a cara, aprendi a tocar guitarra, o que mais tarde viria a ser a coisa mais importante em mim. E eu cresci, amadureci.
Nessa altura da minha vida, conheci um movimento, um conjunto de padrões. Esses padrões que eu havia seguido em infância, mas não sabia. Resolvi voltar. Peguei minha bagagem, joguei fora tudo que era fútil, tudo que não me acrescentaria coisas positivas.
E isso tudo me fez sentir... livre, viva. Eu me tornei alguém diferente, passei a ver o mundo de outra forma. Abri minha cabeça, aceitei diferenças e pessoas que antes eu não aceitava, deixei de lado todos os meus preceitos e preconceitos e aprendi que cada um tem uma forma de ser, e, não é porque eu não sou como estes que vou rejeitá-los de qualquer forma. Aprendi que não sou superior por seguir algo que os outros não seguem, ou por acreditar em algo diferente.
Com o tempo, descobri que defeitos são bons e necessários, pois nos lembram que qualidades existem e estão ali para serem notadas. Passei a ser positiva e percebi que a vida é curta demais pra se lamentar por qualquer erro, e que devemos lamentar pelas coisas que não fizemos.
Cada dia que se passava, alguém diferente de mim me ensinava algo novo e isso foi algo fascinante pra mim. E tem sido ainda. Aprendi a tomar críticas como algo construtivo e depender delas. E a coisa mais importante de tudo isso, foi que eu descobri que cada pessoa que passa pela nossa vida, é alguém que nos faz crescer. Cada um que se torna importante, mesmo que brevemente, é alguém que vai mudar algo em nós.
E hoje, 15 anos daquela manhã de maio, de nada que fiz, me arrependo. Só do que deixei de fazer. Mas o tempo passa e os dias voam. Lamentações, portanto, são apenas uma perda de tempo. Por esse motivo, hoje eu não olho pra trás. Ajo, sinto, penso, sigo em frente. E eu sou alguém melhor do que já fui, venho melhorando a cada dia.
Meu nome é Natalia, tenho alguns trezentos apelidos, mas Pokemon é o mais... interessante deles. Sou adepta ao punk rock e ao riot grrrl, ainda sou a mesma garota largada com cara de menininho, ainda sou a mesma garota que ama se perder no meio das árvores e sentar na grama molhada numa madrugada fria com um cobertor e alguém especial pra abraçar. Música, hoje, é minha vida.
A minha banda e as coisas que eu escrevo são tudo que eu tenho. Valorizo as coisas pequenas em alguém, repudio futilidade e superficie. Gosto de fazer as pessoas ao meu redor se sentirem bem e me sinto bem em ser útil à alguém. Sou covarde e tenho medo de me arriscar, mas estou aprendendo a me soltar mais. E eu? Eu sou uma criança que esqueceu de crescer. Meu coração é de criança.
Talvez voltar a ver o mundo como uma criança tenha sido a melhor coisa que já aconteceu pra mim.
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