Essa é a história de um homem que tinha muita sorte. Um dia ele desejou que todas as pessoas ao redor dele tivessem a sorte dele. Até hoje ele não sabe como perdeu sua sorte.
- Eu costumava ter sorte, doutor. Eu tinha muita sorte. Mas...
- Mas?
- Mas agora... eu não tenho mais. Agora eu só atraio coisas ruins.
- Hm... que tipo de coisas ruins?
- Eu tinha um emprego perfeito. Fui demitido. Eu vivia fazendo festa, sempre me dava bem com todo mundo. Agora muita gente me esqueceu, poucos me sobraram. Tudo que eu faço sempre dá errado... e eu estou indo à loucura com isso.
- Por que você acha que isso acontece?
- Se eu soubesse, não estaria aqui. - Erick virou as costas e saiu do consultório. Realmente, o Dr. Sobrosa não estava ajudando em nada.
"Tanta boa vontade, meu desejo de ajudar é incessável", pensa consigo. Pobre Erick, ainda não aprendeu que às vezes não podemos ser super heróis, não podemos ajudar todo mundo.
Erick chegou em casa cedo naquela tarde. Pelo menos ele ainda tinha sua esposa, o que era um atestado de que sua sorte não tinha ido embora por completo. Ou talvez a sorte dela.
Ele era um cara bacana, divertido, simpático e prestativo. Aquele tipo que nunca se recusa a ajudar quando percebe a necessidade. Era esse o cara que todo mundo queria ter por perto. Esse tipo que estava sempre sorrindo, não importando a situação.
- Boa noite, querido. Como foi seu dia? - Raquel, sua esposa, sempre tão prestativa e gentil quanto ele.
- Melhor do que ontem... - Mesmo com toda a má sorte, ele continuava otimista. Admirável, não?
- Mas não melhor do que amanhã!
- Eu realmente espero isso... pelo menos ainda tenho a minha família.
- Agora e pelo resto da vida!
Ele queria evitar contato com qualquer coisa quebrável. Desde o dia que perdeu sua sorte, quebrou dois computadores, queimou um microondas e um forno elétrico e derrubou o armário de louça, quebrando quase tudo que continha nele.
Chegava em casa, tomava um banho gelado pra não arriscar de queimar o chuveiro e ia dormir. No chão. E nada de lençóis elétricos!
Duas coisas ele não sabia: primeiro, ele não havia perdido sua sorte, mas a doado. E, depois, todas as pessoas ao seu redor eram um amuleto. A partir do momento que ele estivesse sozinho, nada daria certo. Com alguém junto, tudo sairia perfeito.
Certo dia ele disse que queria sua sorte de volta.
Todas as pessoas ao seu redor passaram a ter o azar que ele provou.
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