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26 de dezembro de 2012

I'll be coming home next year

E já começaram as perguntas sobre o que quero pro ano que vem, o que espero desse ano que vai entrar daqui uns dias, como foi o ano que passou, o que eu fiz de bom, quem eu fui durante esse ano. E cá estão as minhas respostas pra essas questões:

Começando do mais importante, o ano que passou foi altamente produtivo. Nota-se pela minha ausência por aqui, que deixa claro que eu tive uma vida. Numa retrospectiva breve, contarei mais ou menos o que aconteceu na minha vida esse ano.

Logo nos primeiros dias do ano, eu tinha uma banda nova e um relacionamento não tão novo. Nos mesmos primeiros dias, eu já não tinha mais esse relacionamento. Isso me destruiu, mas a banda foi algo que me ajudou a ficar de pé. 

No segundo mês, eu era um trapo de ser humano. Me entorpecia até não poder mais, procurava diversão em lugares que certamente não encontraria, pensava e esperava demais de quem eu sabia que não deveria esperar. Foi aí que decidi parar de beber. Desde então, mantive minha decisão.

A pior festa da minha vida me rendeu algo que eu nunca esperaria, algo que me fez entender porque eu queria tanto ir naquela festa, mesmo sabendo que lá não teria nada pra mim. Mas eu só entendi isso bem mais tarde... por enquanto, eu me mantinha na minha próxima paixão, seguindo com um bom emprego e uma banda.

Em abril, eu não tinha mais um emprego. Em maio eu não tinha mais uma banda. Em junho eu não tinha mais outro relacionamento. Em julho eu tinha outro relacionamento de novo. Em setembro eu morava em Farroupilha. Em outubro, voltei pra Caxias. E houve uma turbulência.

Essa turbulência me desconcertou. Eu caí e me ergui majestosamente, me tornei forte e corajosa. Enfim, eu mudei, me tornei alguém de verdade. No final de novembro, tudo estava resolvido de novo e eu tinha outro emprego. Não tão bom, mas um emprego. E outra banda. Outras, na verdade.

No início de dezembro, eu tinha show marcado, aprendi a fazer artesanato (e descobri que é um ótimo negócio), havia voltado a ler, começado a treinar artes marciais, corrigido a postura da minha coluna, superado traumas e criado forças.

Evoluí, me vi crescendo extremamente rápido. E as coisas começaram a melhorar consideravelmente. Detalhes à parte, esse é o resumo do meu ano. Conheci pessoas, participei de eventos insanos, me arrisquei, vivi e amei. Foi, definitivamente, um ano marcante.

E agora, o que espero do ano que vem? Que me surpreenda! Não crio expectativas sobre nada, então está garantido que esse próximo ano vai me surpreender. Com o que tenho agora, as chances de esse ano começar ótimo são gigantescas!

O que eu quero? Primeiro, quero muitos shows, quero minha banda se tornando conhecida aos ouvidos de "all the young punks", e todos os outros "young kinds". Mas nisso, digo jovens de alma, não de corpo, obviamente. Falando em corpo, pretendo desenvolver minha mobilidade, voltar a andar de bicicleta de vez, criar resistência física e aprender muito mais sobre artes marciais.

Quero trabalhar, juntar uma grana, comprar minha próxima guitarra, voltar a compor fluentemente, conseguir um emprego melhor, começar a escrever o livro que tenho em mente, continuar com o artesanato e aprender formas novas, melhorar na guitarra, voltar a fazer camisetas e sair mais nos fins de semana.

Assim que puder, quero resolver essa coisa de semi-relacionamento esquisito. Espero fazer isso ainda na primeira semana do ano, na verdade. Fora isso, pretendo me equipar com bússola, canivetes, facas, coturno, lanternas e derivados, pra quando resolver me enfiar no meio do mato (que ultimamente não tem sido algo muito raro de ocorrer).

E de espírito, busco apenas evolução. Venha o aprendizado que vier, é pra isso que estamos vivos.

25 de dezembro de 2012

Skin on skin

Era um olhar violento, cheio de desejo. Uma troca de pensamentos e fantasias completamente silenciosas. Entre quatro paredes; ainda, cheio de riscos. Pedia por violência, implorava por prazer. Absolutamente válido. Selvagem e cruel. O literal "nu e cru". 

Um festival de sons e cheiros, uma mistura de essências externas e internas. Naquele calor, um toque era o suficiente pra criar uma combustão; daquele tipo que você torce pra que queime por completo, só deixe suas cinzas. E realmente queima. E volta ao normal. Aí queima de novo.

Paixão, luxúria, desejo, perdição. Um corpo completamente à mercê, apenas esperando que o fogo se iniciasse. Dois corpos envoltos em movimento e calor, criando uma energia tão forte que quase torna-se visível aos olhos humanos. 

De sua melhor característica, do seu maior devaneio, do motivo dos seus sonhos obscenos, sem pudor algum. Tudo que está ali é tudo o que realmente importa. O passado e o futuro não existem. Só o prazer do agora. Varre todo e qualquer pensamento, deixa apenas o prazer.

Roçar de corpos, de fragmentos. Roçar de lábios, quase-beijos. Intermináveis jogos de sedução, provocações. Sadismo. Dominação. Liberta as mãos que estão presas e entrega-se ao tato. Se demora e sente cada canto, cada centímetro de pele, de corpo.

E assim continua, pele na pele, olho no olho. Uma briga de imposições, uma luta dançada, uma dança sincronizada. O ritmo que segue é o mesmo que faz corpos voarem pelos ares, se jogarem no chão, se prenderem contra paredes. Ou, se preferir, subirem nelas.

A dança pela qual o corpo mais anseia, a carne mais sofre. A entrega, a criação de uma energia intensa, cheia de força e autonomia. Tanta autonomia que a mente fica ao léu, não manda mais. Agora, quem manda é o corpo. E somente ele.

Combustão hormonal, insanidade mental. Now cut the crap and let's have sex.

22 de dezembro de 2012

Disguise

Parei dentro daquele lugar e me sufoquei. Olhares pairam sobre mim. Nervosos, tornam-se meus juízes, examinam de cima abaixo, em busca de algo ainda mais chocante pra poder incluir na sua crítica. Tive problemas em segurar o riso.

Como as pessoas são engraçadas, te olham tão assustadas em um dos dias que você mais se sente "normal". Dá pra entender esse povo? Eles dizem que querem gente diferente, que admiram a quebra de padrões; aí olham com essa cara pra alguém que realmente destrói a rotina...

Não pude evitar algumas gargalhadas enquanto era examinada por tantos olhares críticos. "Eu deveria ter exagerado no visual hoje", pensei. E quanto mais eu ria, pareciam me julgar ainda mais. Gente, calma, meu sangue é O+ também!

Mas qual o problema? Já estava prestes a perguntar pra alguém se eu tinha um alface no dente ou se estava usando plumas de pavão na cabeça pra chamar tanta atenção... Se eu estivesse num salto 15 amarelo-gema e com umas plumas rosa-chiclete no pescoço seria bem mais justo me olhar assim.

Meus olhos pequenos e vermelhos não ajudam muito, cada lado que olho tem alguém me encarando com um olhar "MAS PUTA QUE PARIU, O QUE QUE É AQUILO LÁ?" que me deixa até com vontade de andar com uma plaquinha "DEZ REAIS POR ENCARADA", quem sabe eu ganho uma grana.

Aí eu paro pra pensar, sou tão estranha assim? Sério, sejam sinceros comigo, eu tenho algum problema que só eu não perceba ou alguma coisa do tipo? Eu realmente não me importo com esses olhares furtivamente engraçados, na verdade, me divirto bastante com eles...

Mas queria entender o que há de tão estranho e diferente em mim pra que todo olhar que eu atraio seja tão agressivo e cheio de julgamentos. Eu não perco nada, quem precisa tirar o disfarce e aprender a ser o que realmente é, definitivamente não sou eu. 

Olho pra qualquer lado e estou cercada por um exército de tochas, foices e enxadas. Fecho meus olhos, encontro minha invisibilidade; e saio de mansinho, sem sequer ser notada. Quando voltarem às suas realidades, não será notável meu desaparecimento. 

E mais uma vez, tive a chance de ser uma presença incômoda num ambiente perturbador e fedido. Obrigada a todos vocês que contribuiram pra que eu me sentisse uma aberração da natureza e pudesse rir da cara de cada um. 

Nota de rodapé: vocês são todos feios e tão fedidos quanto aquele lugar.

13 de dezembro de 2012

Ch ch ch ch ch changes

Tudo tem mudado. O espírito, a atmosfera, as energias, tudo. Tão pouca coisa permaneceu nos últimos tempos, que mal posso dizer que sou a mesma pessoa. As coisas mudaram, e não posso dizer que pra melhor ou pra pior. Apenas mudaram.

Crescemos, aprendemos, sofremos e choramos. Mas também rimos, brincamos, acontecemos e amamos. Eu sei que não é fácil viver nesse mundo, mas que outra escolha temos? Já que estamos aqui, olhemos pro lado positivo, façamos o que nos dá prazer.

Não há nada pior do que estagnar. Então, sigamos em frente, nos adaptemos às mudanças... afinal, nada nessa vida é fixo, tudo é mutável. Se você está vivo, está sujeito a mudar também. 

Sabe quando você coloca aquela música pra tocar e te traz de volta todas aquelas lembranças, todos os sentimentos que tinham sido depositados em meio àqueles versos? E sabe quando você ouve a si mesmo cantar essa música com a voz tropeçando em lágrimas?

A melhor parte disso é perceber como você soube se erguer das cinzas e se tornar alguém melhor, mais forte. E acima de tudo, mais compreensivo, tolerante e sábio.

Nesse meio tempo, aprendi o que é, literalmente, o equilíbrio do espírito. A imparcialidade e neutralidade diante das coisas do mundo, das coisas carnais. É quase impossível ao ser humano não se afetar com os sentimentos mortais, mas é esse equilíbrio que o permite fazê-lo.

Cada vez que me ponho diante de uma tela ou um pedaço de papel em branco, o que surge pra mim é o mesmo: o equilíbrio. Tenho focado muito de mim em conseguir atingir esse estado pleno de paz, de tranquilidade.

O estado em que por mais que as coisas afetem, não incomodam mais. Um sentimento é só um sentimento, é passageiro, é mutável. Deixa que o tempo leve-o ou molde-o da forma que o destino quiser, o importante disso é ser imparcial, manter-se no mesmo lugar.

Tantas mazelas, tantas tristezas... no entanto, tanta coisa boa pra desfrutarmos.

Mas por algum motivo, as palavras andam fugindo de mim ultimamente. Não componho mais, não escrevo, não crio. Tem sido difícil encontrar uma inspiração ou sequer um tempo pra isso, mas logo voltaremos à ativa. Por enquanto, é isso, meu novo devaneio sobre a mudança. 

Algum tempo daqui, terei mais o que dizer. Enquanto isso, as mudanças continuam acontecendo...