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29 de janeiro de 2013

Sonhei.

Sonhei que as árvores mais verdes me cercavam, que eu me sentia em casa, que o ar mais puro refrescava meus pulmões. Visitei o paraíso essa noite. E nada poderia me machucar ali, era meu lugar, somente meu. Ninguém mais o conhecia, ninguém o visitava, ninguém jamais houvera pisado ali. Além de mim.

Esse lugar era repleto de quedas d'água, pequenas fontes de água cristalina, doce e em temperatura agradável. Por detrás de uma barreira de bananeiras e coqueiros, havia outro paraíso. Uma praia calma, de areias brancas e mar leve, transparente como piscina.

Havia uma barreira de pedras ao lado esquerdo, um lugar a ser explorado, uma nova curiosidade a ser sanada. À noite, deitada na areia da praia, era possível ver as estrelas, contá-las, nomeá-las. Durante o dia, poderia conhecer a mata, cada "oásis" na redondeza.

Eu tinha tudo. Fontes inesgotáveis de sobrevivência, paisagens lindíssimas, eu tinha absolutamente tudo. Mas material, eu não tinha nada; me sentia livre. Nada a perder, nenhuma decisão a ser tomada, apenas a paz de estar ali, e era tudo que eu precisava. 

E como sonhos vão e voltam, eu dormi na praia, acordei na estrada. Acordei migrando, conhecendo, vagando. Como é bom ser um sonhador... noite após noite, visito um lugar diferente, conheço algo novo. E dia após dia, sigo buscando meus sonhos inconscientes.

Saí. Saí mundo afora, sem nada, carregando apenas sonho, amor, vida e vontade de viver. No meu sonho, eu saí quando cheguei, ainda não fiz minha parada. Viajei por dentro de mares, alcancei o topo de colinas, montes, vulcões e monumentos. 

Toda história, toda vida que se passou por mim, cada instante que gravei em memória, de alguma forma, foram minhas rodas por essa viagem. Estou correndo o mundo, amigo, de mochilão, deixando tudo que tinha pra trás.

Pra ver se faço uma boa continuação ou pulo logo pra um novo começo de uma vez. Quero ainda cantar no topo do Everest, como todo mundo quer, quero navegar por cada oceano, adentrar cada mar e grande rio desse planeta. 

E depois que conhecer esse, que me venham os outros! Em outras vidas, outras viagens, em outras dimensões ou planos astrais, ainda vou conhecer esse universo inteiro, foi o que meu sonho me disse. Sou exploradora, tenho alma inquieta de curioso.

Vamos ver, quem sabe te pego na estrada, quando estiver pedindo carona, querendo deixar pra trás tudo que te impede de ver o mundo, de conhecer. E quem sabe, fazer esse sonho palpável.

7 de janeiro de 2013

From now on

Estive pensando sobre os últimos dois anos da minha vida, parando pra olhar pro meu presente, pro meu passado e pra todas as minhas possibilidades nesse meio tempo. Ando percebendo as pessoas verdadeiras, criando laços fortíssimos e rompendo os inúteis. 

Nos dois últimos anos, muitas coisas aconteceram. Mudanças, sim, mas aprendizados, na sua maioria. Convidativos a uma mudança, é claro. Sempre que necessário, um upgrade aqui, um ali, é mais do que útil. Vez que outra, algo diferente na vida sempre faz bem.

Mas me refiro aos acontecidos. Quero dizer, passei várias vezes pelas mesmas situações. A diferença entre elas era o meu ponto de vista. Aprendi a ver as coisas de todos os ângulos, de todas as ideias possíveis, nem que fosse apenas pra bom entendimento.

Por isso, com o tempo, comecei a ver a diferença entre quem eu era e quem eu sou agora. O crescimento do meu espírito, a evolução da minha mente, do meu físico e, principalmente, da minha essência. Pude perceber a saliência do conhecimento em mim agora. E me alegrei.

Não há nada mais delicioso do que olhar pra sua própria vida e dizer "eu gosto disso, eu gosto do que eu me tornei", do que notar que está indo no caminho certo, que vai alcançar seus objetivos, que basta andar em frente, seguir na evolução. 

Vejo as coisas melhorando, vejo minha reação aos problemas de uma forma mais suave, principalmente. Nada mais assusta tanto quanto um dia e isso é ótimo. Os ares mudaram, por mais que os acontecimentos e os problemas continuam os mesmos. 

No final, quem mudou não foi a minha vida, fui eu.

5 de janeiro de 2013

And it's over. Again.

No meio da noite, sem conseguir ver um centímetro a frente do nariz, andando na direção, seguindo o lugar de costume, adentrando as árvores, buscando um tempo diferente. Não uma, nem duas, mas três fogueiras. Três fogueiras espetaculares. 

Chimarrão na roda, mente feita, carne (e uns vegetais) assando, gente dormindo pelos cantos. Virar a noite no meio do mato, enfrentando os insetos com incensos, lutando pela permanência ali e fazendo fogo, acendendo velas em pontos estratégicos.

Como alguns disseram, "é assim que começam os filmes de terror". Que comece meu terror, então! Era tudo que eu esperava, na verdade. Que algo muito ruim acontecesse comigo. Mas só comigo, não estou procurando um matadouro. 

Mas no final, nada ruim aconteceu. A noite seguiu deliciosa, até que foi substituída pelo dia. E assim continuou, uma delícia. O dia, em si, foi horrível. Pra mim, ao menos. Meu corpo acabou de acordar, mas meu espírito não conheceu descanso algum. 

Depois de tanto deixar claro que as coisas não mais me afetariam, que meu espírito passaria impune por todo tipo de experiência, escondi a queda do mesmo. Dormindo. Ao menos, a queda foi amenizada por alguns detalhes. Ainda está caído, mas não faz tanta falta assim.

Na verdade, não faz falta alguma. É o fato de dar a saída de uma coisa da vida e perceber que ela se foi. A ideia do "nada dura pra sempre" na prática. Isso sou eu, me deixando abalar pelo final de uma das coisas que não duram pra sempre. 

Uma das únicas que algum dia eu esperei e quis que durasse, mas sempre soube que não iria. De qualquer forma, nunca consegui tal façanha, e agora não seria a primeira vez. Mas agora não é hora de lamentar ou deixar isso afetar ainda mais. 

Vamos encerrar esse ciclo e guardar a pontinha do durex pra na próxima vez não ter que sofrer procurando. Deixa que o vento leve de novo, leve pra longe. Mas dessa vez, não traga mais de volta. Já está certo, é a ida, a despedida. Que caia a ficha, que desmorone o mundo, mas não muda.

O segredo é aceitar. Tudo vai e volta de vez em quando. Mas às vezes só vai. E a gente tem que deixar.