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25 de fevereiro de 2013

Dreaming My Dreams

I'll be dreaming my dreams with you.

Sonhos sempre foram algo que me incomoda demais. Pra que tão vívidos? Pra que tão certos? Não quero ter, toda noite, esfregado na minha cara alguma coisa que quero e não posso ter. Sonhar é bom, mas acordar e perceber que foi um sonho não é lá tão bom.

Minha mente se esvaece em meio a imagens confusas e medos escancarados enquanto meus olhos se fecham pro mundo, meu corpo não sente, mas a alma se faz presente em cada detalhe de sensação, que traz à tona a vontade de que se torne real.

As verdades ditas no silêncio barulhento da mente viajando por dimensões alternativas à noite são aquelas a mais serem temidas. Tudo que não é dito em voz alta enquanto estamos acordados ronda nossa quietude, quando estamos sozinhos e ninguém mais pode ouvir.

Culpa. Talvez seja por isso, talvez não. Prefiro pensar que sonhos não são vontades surreais ou desejos que o corpo não pode ou não deveria executar. Gosto de pensar que sejam sinais. O que, às vezes, os torna ainda piores.

Não quero que nada esteja andando errado, não quero que meus sonhos estejam me levando a um patamar inconsciente de dúvida ou tristeza. "Talvez não queira dizer nada", eu continuo repetindo comigo, mas essas coisas inacabadas sempre são trazidas de volta no escuro. 

É quase que impossível encontrar uma interpretação plausível pra esse tipo de sonhos, por isso talvez não haja um sentido, mas acordar e sentir aquele desconforto da surrealidade não é a melhor forma de abrir os olhos pela primeira vez no dia. 

Queria entender, queria explicar pra mim mesma, queria resolver, me comunicar, descobrir qual é o problema, queria entender, apenas. Sentir-se perdido em meio a mensagens que podem nem sequer ser destinadas a mim... num grande poço de ilusão.

Não estou fugindo de nada, não estou escondendo o que penso, quanto menos algo que esteja sentindo. Assim, não consigo entender por que toda noite esses sonhos ressurgem. Será que há algo a ser entendido? Se algo estivesse claro, ao menos...

Procuro pela última resolução, e talvez assim eu pare de deitar minha cabeça no travesseiro e continuar sendo artomentada pelas coisas que eu não parei pra resolver. Enquanto isso, espero que tudo esteja bem e que eu só esteja, mesmo, enlouquecendo. 

O que é uma das maiores probabilidades...

9 de fevereiro de 2013

Juventude ("Podcast")


Estava andando na rua e pensando sobre o que estava acontecendo ao meu redor, quando decidi que escreveria sobre.

Aí percebo que não lembraria de tudo que pensei mais tarde; decidi gravar em áudio. O unico jeito de fazer isso sem se passar por completamente louca seria fingindo estar conversando no celular. 

Mas nada impede que isso seja mesmo, algo louco. 

P.S.: cortou o final, quando eu dizia que iria desligar, pois estava chegando no posto de gasolina e não queria explodir nada.

6 de fevereiro de 2013

The sky begins where there's no more land.

Ela apagou as luzes e olhou pra mim, disse que teríamos a eternidade inteira em uma noite. 

Eu teria que ser forte, eu teria que aguentar, resistir à tentação. O que não significava que o faria. Pra mim, ter que fazer jamais significou tarefa feita. Sou criança teimosa, gosto do que não pode. Sempre me disseram que não podia, por isso que eu quis.

Aos pés da cama, uma luminária japonesa de formato cilíndrico reflete formatos curiosos nas paredes, é uma coisa um tanto quanto interessante. Do meu lado tem uma vela acesa, do lado dela, outra. Essa é toda iluminação que teremos pra essa noite.

Tenho que te contar, garota, eu nunca gostei muito da claridade. Teu corpo envolto na fumaça do incenso, diante da iluminação da vela ao teu lado, ah, me deixa imaginar... Essa música ao fundo me dá vontade de dançar, quer dançar comigo?

Só mais três noites antes de voltar pra casa; eternidades inteiras pra aproveitá-las. Te tirei pra dançar no meu sonho ontem também, será que hoje podemos prolongar essa dança? Ah, gata, o céu começa onde não existe mais terra... vamos pra lá comigo?

Poderia contar as essências que emanam daqui, se não estivesse ocupada demais me tornando uma delas. Não há mais corpo aqui, só espírito. Só me resta uma sensação, essa mesma que é a causa das minhas insônias.

Agora já não é mais possível sentir o estremecer dos corpos que deixamos lá embaixo, estamos alto demais pra descer, então me deixe continuar sonhando. Deixa que o fluxo nos leve mais pro alto, sinta a liberdade de ser apenas essência, apenas espírito.

Um deja vu de sonhos me provoca arrepios da primeira à última vértebra, não há nada que eu não possa ver daqui de cima. Vejo tua alma, vejo a minha também. Vejo nossa dança desenhando com cores vivas pelo vazio desse universo. E de outros também.

Estamos descendo devagar, atingindo a terra firme; e o final dessa dança, também. Com direito à gritos, assovios, aplausos e suspiros. Mas a viagem só chega ao fim se nós quisermos; sempre podemos continuar amanhã à noite... ou mais tarde.

Enquanto houver fôlego, tudo aqui é nosso. Sabemos tudo, somos tudo, podemos tudo. Do início ao fim, descobrimos que nada tem início... nem fim.

4 de fevereiro de 2013

I'm all about chances, madness and mayhem.

So catch me if you can.

Tenho mania de dizer que as coisas se resolvem sozinhas. Quase me crucificam quando eu aconselho alguém dizendo isso. Sabe, isso é tudo necessidade de resolução imediata de coisas que não se resolvem à pronta entrega, leva tempo... e a gente tem que aceitar a espera.

As coisas não fazem tanto sentido quanto faziam há um tempo atrás, mas não porque elas mudaram, tudo continua igual. Quem mudou fomos nós. É aquele velho ditado do rio, "não é possível entrar no mesmo rio duas vezes". Confirmando, tudo muda. 

Assim eu penso, já se comprovou de todas as formas que tudo realmente vai se resolvendo aos poucos, vai se desfazendo. Porque afinal, as coisas passam e mudam; podem não mudar de forma, de tamanho, mas mudam de essência. 

Hoje me disseram que sou positiva demais. É demais acreditar que as coisas podem ser sempre boas, puras e fáceis de se lidar? Se é demais, então continuarei sendo um exagero. Mas aí eu lembro que já sou um exagero; um exagero de palavras, um exagero de esperança.

Bons exageros, acredito. Mas falando em exageros, eu lembro daqueles dispensáveis, o exagero de problemas, de dúvidas, de sentimentos ruins... Conhece o tipo de pessoa que adora criar problemas pra si mesma, assim, do nada? Pois então, esse tipo de exagero.

Sabe, a vida é um tanto quanto simples. É fácil demais viver, e isso faz com que o ser humano precise de problemas e situações a serem resolvidas, porque parece que o simples não agrada tanto quanto o complicado. Mas isso acontece desde sempre, estou errada?

Tem dias que dá vontade de sacudir cada um desses pelos ombros, dar uma meia dúzia de tapas e se indignar, gritar, perguntando o que diabos precisa pra perceber tudo de bom que está sendo desperdiçado. Gente complicada...

É tão fácil entender o ciclo da vida... todos os dias vejo gente chorando pelos cantos por ter "perdido" alguém. Como disse no texto anterior, a culpa não é do amor, é de vocês! Entenda, de uma vez por todas, NADA É PRA SEMPRE! Nem a sua paixão, nem o seu cachorro (infelizmente), nem você mesmo.

Me pergunto, por que ainda precisamos nos derreter chorando pelo que perdemos, se sempre soubemos que não o teríamos pra sempre? Tem coisas que apenas acontecem, e no futuro a gente entende porquê. No futuro, quem sabe, vejamos que foi para o melhor.

Afinal, tudo é pra melhor. Gosto de acreditar assim, ao menos. Não machuca, não dói, não precisa de conserto.

1 de fevereiro de 2013

So let's have a talk about love, shall we?

Eu sei que somos amigos há muito tempo, mas hoje não vou te apoiar. Me desculpa, mas acabei por ver coisas que me fizeram entender que tu não és tão verdadeiro quanto dizem por aí. Não que tu mintas ou algo do tipo... mas desaparece o tempo inteiro, sem contar quando machuca milhares.

Estive ao seu lado até ultimamente, mas tudo que fizeste pra mim foi me dar alguns momentos bons e desaparecer do mapa, fingir que nunca existiu. E aí quando volta, promete de toda forma que é pra ficar, mas sempre vai embora.

Qual é a tua? Tu és controlador, domina as pessoas e faz elas fazerem o que tu queres e da forma como queres. Por ti, pessoas já assassinaram, foram assassinadas, tiraram a própria vida, atravessaram o mundo, fizeram músicas, filmes, poemas e livros. E ainda assim, és ingrato.

Eu olho pra trás e te vejo machucando. Olho pros meus amigos, te vejo fazendo-os sorrir por um tempo, depois arrancando seus corações fora, fazendo-os acreditar que tu és tudo que eles têm. Mentiroso. Pra todo lado que vejo o que tu fazes, só vejo destruição.

Mas a culpa não é tua, é? A culpa é de quem está contigo, sempre. A culpa é de quem te vê, de quem te ouve, de quem te sente. É claro, ninguém te entende... és um enigma, ninguém consegue descobrir qual o teu propósito, pra que tu estás onde estás.

E eu também não sei... não entendo por que tu te mostra por aí durante um tempo, faz surgirem alguns sorrisos, causa frio na barriga e aquela sensação gostosa de palmas da mão suando e pupilas dilatando. Eu prefiro fechar meus olhos e não te entender, assim está bom.

Sabe, eu cansei de tentar te colocar no lugar certo, porque parece que lá não é teu lugar. Teu lugar certo é no lugar errado. No dia que eu te entender, no dia que eu conseguir te colocar no lugar certo, no dia que eu não tiver meus planos inteiros derrubados por ti, aí quem sabe a gente converse.

Por enquanto, quero distância de ti, de todos os teus efeitos e, principalmente, das tuas causas. Antes de te entender, eu preciso entender a vida, que é um tanto quanto mais importante do que tu, perdão pela sinceridade. Não te desconsidero, mas não te faço prioridade.

Vou te manter por perto, é claro, não dá pra viver sem a tua presença. Mas não conto contigo. Não confio meus dois olhos fechados ao teu redor. Um deles continua aberto, te vigiando o tempo inteiro. Ainda espero que o teu lugar seja onde eu quero que tu esteja, juro.

Esse lugar vai demorar um pouco pra chegar, ainda. Mas quando ela chegar, trata de fazer o teu papel direito e parar de desaparecer da minha vida. Quando ela chegar, te coloca no lugar que eu disser e fica por lá mesmo, ok?

E, ah, Amor? Não ouse estragar meus sonhos de novo, desgraçado! 

Desde já, agradeço.
Com amor (e todo direito à ironia), Mabon.