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3 de dezembro de 2015

Propulsão


Atônito, levado a contemplar uma imensidão inalterável, porém instável, ele se curva diante da própria sombra. Já não sinto mais extremidade alguma, e os pensamentos fluem silenciosos agora. Sou observador. Peço pela paz e não sou atendido, sociedade desumana! Minha paz está em paz, mas não sou capaz de fechar meus olhos para o mundo. Sei que ser o que sou é ser o Eu Sou. So Ham. Inalo a vida, a paz e a sabedoria, e num sopro suave exalo toda a negatividade que permeia os tempos mais obscuros que já vi. Não espero mais pela bondade, mas sei que um dia virá. Mira, mirá. 

A vida me testa a cada instante, me faz persistir, me faz acalmar, compreender, aceitar. Jamais esperar. A espera é o atestado de que não soube esquecer o tempo que só existe aqui. Quero subir mais alto. Quero ver-lhes de lá, pequenos como formigas, como outrora também fui. Sabendo que não há saída nem alternativa, a escolha de viver e estar é a única disponível. A renúncia só serve para o que não mais me serve. Contemplei e vi. Entendi onde está o sofrimento do mundo, e assim fui capaz de transcender meu próprio. Dor e dor. A chuvinha que chuviscou e o chamego que me deixa, me deixou. Aqui. Agora. Para que ninguém mais fique para trás. Sonho. Ilusão. Corpo. Sentido.

A cada dia, séries de certificações da realidade comprovam que nada é real. Hologramas ambulantes, átomos dançantes, células transeuntes. Quero libertar. Quero livre. Quero ser. Liberdade. Ao transcender corpo e mente, só espírito me resta. Sopro de vida, energia criativa, madeira e metal, fogo e vapor, água e vento. Te convido ao meu devaneio, mas te peço que deixes para trás tudo o que és, que agora vais descobrir-te eu. E eu, tu. Sou tu e sou tudo, sou teu mesmo escudo. Sonhei o sonho colorido de um pintor e pintei o amor cinza escuro, porque vi que não existe amor. Sou amor. Sou. So Ham.

Quebre estes cadeados pra mim, por favor? Grato sou, grato serei, sei. Nada sei. Nada sou. Estou. Estou corpo, estou fôlego, estou vivo. Estou criador, sou criador, receptor, estou em toda parte. Sou eu, sou Deus, sou tu, és Deus, somos. Que a vida que nos banha de confusões nos permita sentir a ilusão de acordar de um sonho que sonhei todo dia. Assim, incompreensível. Transformando prefixos "in" em yin, regenerando e internalizando. Quando eu me curo, curo a ti. Espalhe ao mundo. Receba. Sinta. Viva, esteja vivo e seja vida. Não habito um pedaço de carne em vão. Nem tu. Desperta! Já é chegada a aurora que traz ao mundo boas novas, ouça-as! Inverto para que o fogo queime impurezas e me permita ouvir com clareza. Sem mais delongas, sem mais confusões, sem mais distrações. Quero ser. Sou. So Ham. 

Postos aqui, fragmentados, na ilusão da separação. Deixe cair o véu do ego e verás que falo a verdade. Somos o mesmo, és todos, sou todos, somos. Que te falta a compreender? Que te falta ver? Pra tanta dor, ninguém tem peito, mas dá-se jeito! E ele foi, partiu-se para a floresta, sozinho, mas viu que não estava só. Era parte de tudo, viu-se tudo, sentiu. E soube, subiu. A casca que o envolvia já não mais era carne. Era luz. Era. É. Sou. 

SO HAM!

2 de dezembro de 2015

RE - Começo

E olha que Mercúrio nem está retrógrado...

Saudações, terráqueos e ainda persistentes leitores deste blog. Muitas coisas mudaram, e esse tem sido um ano muito intenso, que tem me feito aprender e rever muitas coisas. O último post já não tem mais significado algum, mas os seguintes, sempre terão! Venho, por meio deste, anunciar o recomeço do blog, em que provavelmente muitas coisas (que considero negativas) do arquivo serão excluídas (então se forem curiosos, aproveitem agora!) e o teor aqui mudará em alguns detalhes. Pra começar, no more babação de ovo por ninguém!

As coisas passam, até uva passa, e as pessoas também. Nada é eterno e ninguém entra na nossa vida pra ficar, aceitem ou não. Aceitar, já sabem, né? Dói menos! Tentando e me esforçando pra jamais nutrir qualquer sentimento negativo, percebi que é bem difícil querermos sempre o bem das pessoas que nos fazem mal, mas exercitando muito, um dia chegamos lá. Não desejo a você(s) nada que não desejaria pra mim. Tenho percebido uma maldade desenfreada nos últimos dias, e uma intensa vontade de ferir e negativizar, vinda de algumas pessoas. Talvez não seja essa a intenção inicial, mas aí fica a dica: verifique suas reais intenções, estão de acordo com suas atitudes? São benéficas ou podem trazer consequências negativas?

Energia de fim de ano sempre vira uma bagunça, todo mundo parece incorporar a loucura e começamos a agir de formas que nem sempre correspondem com aquilo que gostaríamos de fazer/falar. Sem tempo pra arrependimentos, que nada nos agregam, o que foi feito foi feito e não tem volta. Ainda lembrando, como sempre, que todas as coisas acontecem exatamente como devem, seja isso compreensível ou não, sejam elas positivas ou não (ou não pareçam, ao menos), agradáveis ou não. Com isso, tentemos compreender uns aos outros e lembrar que vivemos em sociedade, e que quanto mais harmonia houver, melhor viveremos, e seremos capazes de estar em comunhão e aprendizado constante uns com os outros.

Não estagnemos, as mudanças estão chegando cada vez mais rápido e com maior intensidade, e as energias são sentidas muito mais facilmente nesse período. Dessa forma, deixemos de lado tudo o que acontece no âmbito externo, o melhor que temos a fazer é nos internalizar e encontrar o verdadeiro "eu" latente que grita pra ser libertado. Isso só é possível com o desapego e com a morte do ego, coisa que já tratei mais a fundo anteriormente, e caso fique a curiosidade, sempre estou à disposição para uma conversa desse teor!

Enfim, o objetivo aqui é apenas canalizar uma energia nova, completamente desconhecida, e assimilar os fatos com aceitação e tranquilidade, sempre! Bom final de ano pra todos nós, e que saibamos a cada dia renovar nossas energias pra seguir lutando pelas coisas que acreditamos e queremos pra nós! Aho, paz, amor, luz e sabedoria!

LIBERDADE!

20 de julho de 2015

Half of my Gemini, whole of my heart

Ela tem um cheiro suave de baunilha com um toque da doçura de um sorriso de menina, mas nada é mais encantador do que seu coração de mulher, de filha, de amiga. Mulher que embarcou em minha vida e me trouxe o caos, embrulhou todos os meus medos, dores e pesares e me fez jogá-los escada abaixo, junto com todas as tralhas que insistia em carregar comigo sem pensar no peso que elas me causavam. Ela dizia ser cretina, mas eu só via o azul de seus cabelos me trazendo a paz que eu tanto queria. 

Tivemos de passar pelo caos pra que pudéssemos desfrutar da ordem que se seguiria, tivemos de nos deparar com o fim e a distância pra que pudéssemos ver que o começo ainda não havia chegado, e que a proximidade se tornaria lei a ser seguida rigidamente. Nos vimos longe tão cedo, que foi o receio dessa distância que nos aproximou, e nos tornou, como os astros quiseram, um par de almas gêmeas, ela metade de mim, eu metade dela, quase uma pessoa só, mas duas, e quatro também. Ela é, agora, o inteiro do meu coração.

É a estação da luz, onde fui morar quando estava tudo escuro dentro do meu coração, a mulher que tenho que toda vez pedir pra que tire a roupa da janela, pois quando vejo ela sem dona, eu penso na dona sem ela. Minha batida suave de bossa-nova e MPB, meu sambinha clássico, minha loucura, insanidade, lucidez, acidez, minha manhã de sol depois de noites infindas de pupilas dilatadas. Ela chegou sutil, roubou meu fôlego e meu discernimento, me fez aceitar a mudança que a vida trouxe.

Ouvi um sussurro de leve no ouvido, que me dizia que as chances estavam ali, era só agarrá-las. O medo me segurava, o receio de ferir, mas a vontade me dominou e me tomou para si, assim como a garota que emana o aroma de baunilha. Já se passou algum tempo desde que tudo virou de cabeça para baixo, que a vida me virou do avesso, me fez bailar entre minha coragem e meu altruísmo e me fez perceber que minha felicidade vale mais do que qualquer dor, porque a dor passa, mas uma chance desperdiçada pode nunca mais voltar.

Hoje eu a olho e vejo nela uma parte de mim que há muito tempo conheço e amo, como se fôssemos a mesma pessoa, um ser só. Dentro desse mesmo ser, as divergências são pequenas e se tornam insignificantes diante do sentimento que sustentamos. E há tanta coisa por vir, ver e viver ainda, que meus sonhos me mostram aos poucos os vislumbres dessa vida que nos espera. Desse pouco tempo que se passou, aprendi que a vida é bonita e tranquila conforme o sentido que atribuímos a ela. Pude compreender muitas das vontades do Universo para estas duas vidas que se cruzam há tantas eternidades.

Mas no fim do dia, é ela que me lembra, la vie est belle, não importam os pesares e apesares, porque apesar de tudo a pesar, tudo vai ficar leve, se você me levar.

15 de maio de 2015

Chosen

O Universo, um grande organismo; nós, suas pequenas células, assim como tudo o que há. A humanidade, quase que um câncer, vem sendo moldada aos poucos, e transformada novamente em células boas. É um tratamento que leva muito tempo e tem muitos efeitos colaterais. Mas esse não é meu foco; agora quero falar sobre ser escolhido.

Nesse nosso mundo, possuímos conceitos pra cada coisa, nomes, substantivos, determinações. Longe desses conceitos, vemos uma gama de energias sem definição qualquer, que não é humanamente possível rotular. Já sabemos (ou alguns de nós sabemos) que não nascemos nem morremos, apenas nosso corpo passa por estes ciclos de vida e morte. Nós, o verdadeiro "eu" de cada um de nós, é eterno (não no sentido de "durar para sempre" apenas, mas no sentido atemporal da palavra "eterno"; nossa alma desconhece o tempo, isso está apenas em nossas mentes) e imortal.

Dentro destes corpos, onde estamos sucetíveis às mazelas do mundo e às fatalidades, encontraremos todos a morte. A morte física, que tanto nos assombra sem razão, e nos pega de surpresa. Ou às vezes, não. A maioria de nós já ouviu falar sobre experiências de quase morte, as chamadas EQM, em que o corpo morre por alguns segundos e a consciência do indivíduo ascende a um nível superior, nos instantes em que está alerta de sua própria morte. Isso pode mudar uma vida inteira. Assim como existem essas experiências, que são mais raras (por normalmente não ficarem só no "quase"), também existem outras formas de mudança abrupta que causam um certo "despertar" da consciência. Na sua maioria, essas mudanças nos atingem como grandes ondas de sofrimento. Isso mesmo, sofrimento. Por quê? Porque aí você é obrigado a fazer uma escolha: desistir de tudo e deixar o sofrimento tomar conta, viver infeliz (ou apelar para o suicídio) OU acabar de vez com o sofrimento. Essa busca pelo fim do sofrimento é o que nos leva a buscar conhecimento. Se formos "sortudos" (ou sábios), encontraremos caminhos penosos e difíceis, porém muito eficazes.

A presença, por expemplo, o estado alerta de estar no agora, que é essencialmente (apenas se utilizando de conceitos mais atuais e impactantes, de fácil compreensão) a iluminação, alcançar o chamado e tão sonhado Nirvana (ou Moksha, aí depende do olho cultural que está vendo). Sabendo disto tudo, lembro-vos das mudanças do mundo e das lindas almas (novas ou não) que estão nascendo neste planeta pra trabalhar neste despertar coletivo da humanidade. Dentre estas almas, temos também as crianças das estrelas (Google is our friend). E agora, sobre meu foco, os escolhidos. Pode ser apenas especulação, mas foi algo que senti como verdade, e de certa forma, é um ponto de vista bastante pertinente.

Somos células do grande organismo, certo? Milhares e milhares de nós; precisamos do ciclo. Precisamos morrer para renascer, precisamos regenerar. Fiquei pensando, tanta gente morre tão jovem, sem ter tido tempo de viver, quem dirá de cumprir seu propósito, sua missão. E tantos passam a vida inteira na negligência por esta missão, esquecem-se que estamos aqui por razões grandiosas, divinas e magníficas, e não vão adiante em sua evolução espiritual. Padecem sem fechar o ciclo, e estarão sujeitos a um novo nascimento, continuarão presos ao Samsara e ao Karma. A maioria dos seres humanos está culturalmente preso a padrões que vêm de longa data, e essa prisão causa uma dependência da mente de uma forma que o homem pensa dominá-la, mas está tão cego que permite que seu eu interior seja determinado por seu passado, gerando o ego, o falso eu interior que nos mantém distantes da Fonte, da essência mãe de todas as coisas, que nos conecta a tudo e a todos. Então, a verdade que me atingiu foi que essas pessoas que morrem cedo demais, são como um "aborta" do Universo. Algo no caminho saiu de uma forma que vai marcar esse indivíduo e impossibilitá-lo de alcançar seu objetivo na vida. Então, aborta a missão, recebe um treinamento, um "remember" em outra dimensão renasce em outro corpo, em novas circunstâncias, e aí se inicia uma nova chance de libertação.

Aquela velha história do "cada caso é um caso" também se encaixa aqui. Embora eu pense que quase tudo é reversível, como as pessoas dizem por aí sem saber o que isso significa, "God works in misterious ways". Há um grande "link" na humanidade, e todas as coincidências intrigantes levam consigo grandes intenções do Universo pra nós. Cabe a nós, aqui, compreendermos esses sinais, essas intenções, e deixarmos o Universo nos levar no caminho que será o melhor pra nós; "go with the flow".

29 de abril de 2015

Faceless

Não são apenas rostos sem expressão, mas cabeças sem rosto que perseguem e perturbam o sono, sem que muito incomodem por estar ali, afinal, já fazem parte de uma rotina constante, absurda e quase que degenerada. Estão acontecendo coisas grandes demais pra nossa inconsciência; são imperceptíveis, mas regem todo o fluxo da vida. E nós aqui, distraídos demais com as artimanhas da mente, não compreendemos ainda que não estamos no controle, e seguimos alimentando a ilusão. Ilusão esta que nos manda diretamente para uma terceira dimensão fixa, estável e estagnada. Além desta dimensão, além do véu da ilusão, há a grandiosidade de uma luz que está sempre presente e muito visível; não aos olhos dominados por mentes, é claro. "Subi, subi, subi", mas me encontrei ainda ali, sentada em uma cadeira, imóvel, incapaz de qualquer movimento. Hipnose.

E eu me vi ali, pequena demais, porém sem forma alguma, e assim, gigantesca. Há muito que ser entendido ainda, muito conhecimento entregue sem explicações, e muitas revelações que ainda sou incapaz de compreender. Neste âmbito do espírito, me nego a tentar um palpite, e aguardo pelos encaixes naturais da vida para que cada informação e cada conhecimento tome seu devido lugar, e me mostre a natureza divina desta luz. Sem permitir a cegueira, cerro de leve meus olhos ao olhar para esta grande luminosidade brilhante que cai sobre a Terra nesta grande era de Aquário. Mudanças estão por vir, e muitos de nós estarão fadados ao fracasso, pois este reside na mente, e os homens ainda não estão livres de seu domínio. Não lhes falta informação, lhes falta força de vontade, e também algumas gotinhas de fé. Ver para crer ou crer para ver? Nenhum dos dois; me recolho em silêncio e meditação. Vejo, ouço e sinto; não penso. 

Sinto, e sinto que não estou presa a esta Terra, sinto que me falta ter os pés no chão, pois a cabeça flutua demais depois de uma viagem às alturas como esta de que recém retornei. Sei que meu corpo não delimita minha forma, e essa forma, sinto a cada dia mais intensamente. Coisas estranhas e sem explicação acontecem todos os dias, e tudo isso nos leva a crer que fomos escolhidos (ou talvez tenhamos nos oferecido a isso) para sermos agentes dessa grande mudança. Somos preparados, todos os dias, e levados a encontrar formas de romper com nossos velhos padrões mentais de subordinação a uma velha verdade em que não mais acreditamos, porque agora estamos além do nível mental inconsciente; somos a consciência além da forma, somos a verdade e a pureza do Ser. O Ser, o Não-manifesto, o silêncio, o vazio, o espaço entre o que há, a ausência, o nada; a única coisa que não é uma ilusão. E mesmo assim, ao me deitar todas as noites, os mesmos padrões me bombardeiam com mesmices sem explicação ou sentido aparente.

Tanto conhecimento para pouca compreensão de nada vale. Mas a paciência e a certeza de que tudo acontece como deve faz com que cada informação se encaixe em seu lugar no tempo devido, para que aí se abram portas de percepção e compreensão que nos levam a um nível de consciência muito mais amplo do que antes nos encontrávamos. Se disto tudo, nada compreendes, todas as suas dúvidas serão sanadas, e todo o seu questionamento, silenciado; basta buscar e estar atento. O seu nível de presença determina sua compreensão, e talvez essa presença não lhe permita compreender o conhecimento em si, mas o fará aceitar o que é como é, e pacientemente aguardar para que cada coisa esteja em seu lugar. Aí, tudo estará claro, tudo será luz, e sua consciência será iluminada pela compreensão de todos estes conhecimentos que ficaram presentes por tanto tempo como dúvidas. Vejo o momento em que o véu cai acontecendo repetidas vezes, e vejo a humanidade se esvaindo em alegria plena, pois a compreensão virá e trará a completude do Ser. 

De todas estas coisas, tomo para mim como verdade as revelações que me foram feitas tantas vezes, e passo adiante, mesmo que saiba que muitos ouvintes não serão capazes de entendê-las neste presente momento. Sempre nos deparamos com situações em que nos questionamos o que devemos fazer, e ficamos confusos; normalmente, nessas situações, tomamos atitudes desnecessárias de que provavelmente nos arrependeremos mais tarde. Assim, digo, que quando a confusão chegar e não soubermos como nos portar diante de determinadas situações, que nada façamos, apenas aceitemos e observemos o que é. Tudo estará em seu devido lugar, e não cabe a nós tentar mudar uma situação que sabemos que nada podemos fazer, ou que o pouco que fizermos não surtirá o efeito desejado. Trata-se de poupar-se, enquanto cria-se uma consciência de aceitação, o que gera um estado de paz permanente e abundante, independente das circunstâncias externas. Que sejamos transparentes para as circunstâncias, que elas passem através de nós, que a mente silencie seus julgamentos, pensamentos e observações, e que estejamos em posição de observação do pensador, que estejamos alerta, conscientes, presentes no agora, sabendo que isto é tudo o que realmente existe; o restante é ilusão.

Assim como o tempo é ilusão, as lágrimas de sofrimento coletivo da humanidade se farão rios de abundância de uma consciência coletiva que está nascendo. Que venha a Nova Era de Aquário, e que traga consigo uma inundação de presença e a paz do Ser, e que todas as nossas dúvidas permaneçam em paz absoluta, aguardando pacientemente as respostas. Que alcancemos, assim, a iluminação. 

Paz, luz, amor. Namastê!

16 de fevereiro de 2015

Time Ticking Time

Às vezes só precisamos de um pouco de tempo. Tempo pra aceitar, pra compreender, pra se adaptar, colocar a cabeça no lugar.

Nem sempre as coisas acontecem como desejamos, ou nem sempre o que queremos é o melhor pra nós. Assim, costumamos nos decepcionar quando nossos planos não dão certo ou nossas vontades não se concretizam. É a mente nos fazendo pensar que, porque não conseguimos o que esperávamos, não temos motivos pra estarmos felizes, não temos do que nos alegrar. Nossa mente frequentemente nos prende em um labirinto de sentimentos que não são verdadeiramente nossos, e de vontades que nutrimos sem sabermos onde nos levarão.

O Universo tem um plano pra todos nós, e tudo o que nos acontece está saindo exatamente como deveria para que esse plano se cumpra. Nossa compreensão e aceitação para com tudo isso é o que determina para onde iremos, qual caminho trilharemos. Se formos resistentes, teimosos, birrentos e se quisermos que tudo aconteça conforme nossas mentes inquietas demandam, nos debateremos como animais dentro de jaulas, aprisionados pelos nossos próprios desejos e pensamentos. Por um outro lado, quando aceitamos, compreendemos e apenas seguimos o fluxo da vida pra nós, passamos a nos tornar mais conscientes, interpretar os porquês de tais acontecidos, entender seus motivos e seus resultados em nossa vida. Ganhamos grandes aprendizados, pois nos abrimos para eles e os aceitamos com amor e sabedoria.

Um dos grandes problemas da humanidade é a luta, a tal da "perseguição dos sonhos", que na verdade é uma busca desenfreada pela concretização de desejos vazios. Sonhos são as nossas paixões, nossas metas para a vida, e não nosso desejo de companhia, bens materiais, sossego, estabilidade financeira, etc. Isso são desejos que a sociedade em que vivemos impõe pra nós e poucos conseguimos fugir dessa "felicidade padronizada", que na verdade, de feliz não tem nada. Muitos podem dizer que constituir família, ter estabilidade financeira, casa própria, carro na garagem e um emprego que lhe sirva e atenda às suas necessidades é o suficiente para levar uma vida feliz. Mas afinal, será que é mesmo o suficiente?

Alguns também dizem que não podemos ser felizes se não conhecermos a nós mesmos. Mas o que é conhecer a si mesmo? Saber nossos gostos, vontades e anseios? Compreender nossos próprios medos? Ou vencê-los? Conhecer a si mesmo é um desafio, um caminho árduo que poucos decidem trilhar, pois o autoconhecimento não é dado "de mão beijada". Ele é conquistado aos poucos, ao longo de uma trilha em meio à natureza onde você pode estar sucetível a alguns perigos, mas será grandemente recompensado quando chegar ao seu destino. E também há quem diga que a felicidade está nas coisas mais simples da vida, o que jamais deixará de ser completamente verdade. Apreciar as belezas da vida, a singularidade da natureza e de tudo o que temos todos os dias, sermos gratos por cada detalhe, é esse o início do caminho para alcançar a felicidade.

Sobre isso, não nos resta dúvidas. Temos a necessidade de buscar uma vida feliz, e cada um de nós, com suas convicções, a busca de uma forma diferente. Algumas coisas nessa vida são questão de opinião. Outras, são questão de conhecimento. Não é questão de opinião que nós somos todos um só, parte de um grande todo, rico em diversidades e variadas formas de vida, mas isso é algo que só vai concordar comigo quem tem esse conhecimento, quem já teve esse "insight". Aqueles que ainda estão presos à sua visão obsoleta do mundo jamais se renderão a dizer que vem do mesmo lugar e é feito da mesma coisa que aquele "irmão" que desprezam. Existem alguns conceitos incontestáveis, mas só não contestam aqueles que possuem o conhecimento da verdade por trás destes conceitos. Indiscutivelmente, não os citarei. Esse é um conhecimento a ser buscado dentro de nós mesmos, onde as verdades fluem silenciosas, longe de nossas mentes inquietas, no âmbito mais profundo da alma.

Dito tudo isto, lembro do motivo que me fez iniciar este texto e retomo meu pensamento inicial. Às vezes vemos alguns sinais, temos sonhos, ou mesmo nossa intuição nos fala que algo está errado e teimamos por desconfiar que não. Nós, humanos, somos incansáveis numa busca por "soluções" dentro de nossas mentes confusas e errôneas. Queremos mudar nossas vidas, nos descontentamos com a sociedade, nos anojamos com o comportamento de algumas pessoas, mas não fazemos muito por isso, não saímos do lugar. Talvez não por falta de vontade de tomar uma atitude, mas por procurar a resolução no lugar errado: na raiz de todos os males. Nossas mentes são instrumentos de confusão. Antigamente, o homem era muito envolvido com a magia, o subliminar, a espiritualidade. Assim, a vida destes povos era dirigida por suas almas. Tínhamos consciência de que não éramos um corpo, apenas possuíamos um. Estávamos alertas aos sinais que nossas almas nos davam, e tínhamos uma aceitação muito maior e mais flexível para com os fatos da vida.

Hoje, somos controladores, queremos tudo do nosso jeito e no nosso tempo. Por que da mudança? Ao longo do tempo, o homem foi se afastando de sua alma, guardando-a em uma caixinha escura dentro de sua mente e deixando aquele setor um tanto quanto inacessível. O materialismo começou a surgir, a ganância tomou conta dos sentimentos dos homens, e o desejo de possuir passou a comandar a sociedade. A partir daí, a alma saiu do comando para dar lugar à mente. Humanidade sem espiritualidade, homens fracos, falta de sabedoria. A escuridão assolou a humanidade por muito tempo até que algumas almas começaram a despertar. Há um consenso sobre um grande despertar de consciência ter ocorrido em meados dos anos 60 e 70, e um novo grande consenso sobre um grande despertar estar ocorrendo agora, entre os anos de 2012 e 2017. Diz-se, neste mundo de despertos, que as almas que estão acordando agora a si mesmas são aquelas que escolheram renascer nesse período tão crucial para nosso planeta, pois estamos passando por tempos determinantes, e muitas grandes mudanças e transformações acontecerão nesse tempo.

Ainda assim, mesmo com tantos sinais, mesmo com tanta gente desperta mostrando o caminho, muitos ainda insistem na cegueira e na surdez, na paralisia evolutiva. Enquanto alguns de nós seguimos por um caminho que levará a uma grande luz interior, outros ainda escolhem por continuar nos padrões sociais: família, trabalho, casa, dinheiro. O que estes não sabem é que é, sim, possível constituir família, ter um bom emprego, casa e algum dinheiro (nesse caso, o necessário, não quantias exorbitantes e além do que precisamos para viver) e trilhar um caminho de luz, estando despertos para a vida, deixando a alma comandar. Estes são normalmente os que sempre tem algo a reclamar, e que nunca se cansam de querer mais; mais dinheiro, mais conforto, mais bens, mais, mais, mais.

Se estamos despertos, conseguimos perceber esta diferença claramente nas pessoas, conseguimos reconhecer irmãos de caminhada que buscam o mesmo que nós, e também conseguimos distinguir quem são como pedras que amarramos a nós mesmos e insistimos em carregar conosco pelo caminho, mas não farão nada além de nos atrapalhar, nos cansando e nos fazendo demorar muito mais para alcançar nossos objetivos. Não podemos obrigar ninguém a seguir por onde escolhemos seguir, apenas apontar o caminho e desejar o melhor para estas pessoas. Mas também não podemos nos apegar a "pesos mortos" e insistir em carregá-los conosco, mesmo sabendo que deveríamos deixá-los para trás. Nós estamos acostumados demais a aceitar os atrasos que as pessoas nos causam, justamente por nos apegarmos a elas de uma forma que nos impede de pensar que nosso caminho é muito mais importante do que uma companhia que não realmente nos acompanha, mas que temos de carregar nas costas.

Por isso, aceitação. Devemos aceitar que algumas pessoas simplesmente não compreenderão nossas convicções, não entenderão nossa sabedoria e a verão como viagem, piada, misticismo. Precisamos entender que alguns estão amarrados demais aos modos de vida que a sociedade nos propõe, e que nossas visões de diversão certamente não baterão com as destas pessoas. Almas despertas não buscam por bebedeiras desenfreadas, multidões cheias de negatividade implícita, diversões sem embasamento algum, vãs. Enquanto isso, a grande maioria das pessoas que conhecemos não nega um porre e uma festinha de pegação. E é por esse exato motivo que são pessoas de energias bagunçadas, que não conseguem encontrar um equilíbrio dentro de si mesmas, que sempre encontram uma parede para "dar de cara" e depois sair reclamando de tudo o que lhe acontece, como se fosse resolver o problema (mas na verdade, só lhe trará alguns mais).

Livre-mo-nos do peso que essas pessoas nos trazem, mesmo que às vezes doa deixá-las para trás, mesmo que às vezes tenhamos amado alguém que não quer seguir conosco, mesmo que isso nos traga algum sofrimento. Lembre-se, estamos num caminho em que, quando chegarmos ao nosso destino, não haverá mais sofrimento algum. Ele é passageiro, temporário, suportável. O desapego é a lei que todos os que alcançaram a iluminação comprovaram que devemos seguir. Tanto material quanto o desapego que devemos praticar todos os dias, dos pensamentos ruins, dos sentimentos ruins, das manias, das reclamações, das ações impensadas. Dessa forma, conseguimos viver com leveza, conscientes, acordados.

Te dizer, moça... eu sei que há tempos estamos nessa enrolação, sei que ainda não conseguimos nos distanciar como deveríamos, mas estamos negando o que já sabemos que deve ser feito. Eu estou seguindo, estou crescendo, aprendendo, evoluindo, acordando. Mas você, você quer ficar aí parada, bebendo sua caipira e engolindo seus próprios demônios sem conhecê-los nem enfrentá-los, fazendo sua festa pra depois chegar em casa, bêbada e vazia. Não é este o tipo de vida que levo, não é este o tipo de companhia que eu quero ou preciso, pois estaria apenas carregando uma pedra amarrada às minhas costas em um caminho que já não é fácil por sua natureza. Pra que eu iria querer dificultar ainda mais? Por isso, estou te largando, te deixando ir, te deixando pra trás. Pra que a minha leveza não seja prejudicada, pra que eu consiga caminhar e evoluir com facilidade e tranquilidade, sem ter de sentir a dor de carregar um peso desnecessário.

Eu tenho te mostrado o caminho, te falado sobre as coisas da alma, da consciência e do Universo, e você tem tratado como loucura, com o desprezo que você sempre dirigiu a tudo o que não lhe diz respeito ou não lhe agrada. Como já citei, não posso te empurrar pela porta, apenas apontá-la. Você quer ficar do lado de fora, então nada mais posso fazer. Não me permitirei continuar a carregá-la comigo, mesmo que a ame. Seus pensamentos, suas reclamações, suas maldições, tudo isso é como um veneno pra mim, e não posso me permitir contaminar. Quero que saiba que cresci ao teu lado, e que serias muito bem vinda ao meu se quisesse caminhar comigo, mas algo me diz que isso não acontecerá. Não julgarei tua vida, assim como espero que não julgues a minha. Um dia um sábio mestre disse que a luxúria traz o desejo de possuir, que traz o desejo de matar. Vi em teus olhos a raiva, o ciúmes, o medo e a dor. Não os quero voltar a ver.

Preferia estar sob condições diferentes, mas, como falei, aceitação é a chave da evolução, então aceito meu aprendizado e minha condição, aceito a distância, aceito a saudade que talvez vá sentir, aceito tudo isto, em troca de estar leve, estar livre pra caminhar tranquila, sem fardos. Já te falei isso tudo inúmeras vezes e você ainda não me permitiu partir. Continua me prendendo como vingança de algumas coisas que fiz e falei antes dos meus aprendizados, quer insistir que eu não vá, mas não quer ir para onde eu vou. Não te carregarei, caminhe por suas próprias pernas se assim quiser. Se não quiser, não me acompanhe, fique para trás, e me deixe seguir em paz. Espero que um dia sua alma acorde e lembre de tudo que lhe falei, espero que você não sofra, que encontre a paz e a felicidade que deseja, quando aprender a procurá-las nos lugares certos.

Que aprendamos, todos nós, todos os dias, que tenhamos sabedoria para deixar ir, deixar para trás tudo o que não nos acrescenta e não nos leva para frente. Que a vida seja leve, que tenhamos compreensão, que saibamos aceitar tudo o que encontrarmos no caminho.
Que assim seja, e que assim se faça.

B.b.
R.M.

30 de janeiro de 2015

Love is the answer

Hoje ao acordar, percebi uma energia diferente no ar. Tudo estava mais leve, mais bonito, mais cheio de uma harmonia quase que transcendental. Fechei meus olhos ao levantar a cabeça para o sol, que há pouco acordava, ainda se espreguiçando, e pedi liberdade. Então, liberdade, me pegue no colo, me leve pra longe, faça minha alma escalar a colina mais alta e dali, voar.

Esse tem sido um tempo de reflexões, retrospecção e grandes aprendizados. No mundo, vemos grandes tragédias, atentados, terrorismo, guerra, morte, dor, sofrimento, as consequências dos atos dos homens para com o planeta e seus grandes castigos para o mau uso que dele fazemos. E enquanto isso, está se levantando uma grande legião, uma energia intensa que vem de um exército de luz e de amor, e a revolução está cada vez mais próxima. Sabemos por comprovações científicas que nosso mundo não mais abrigará vida em algum tempo, e uma grande catástrofe natural está por vir. Essa catástrofe marcará o fim de mais uma era e o início de uma nova. Como outros planetas, talvez a Terra se torne realmente inabitável, talvez tenhamos de migrar para outro planeta, ou talvez a mudança não seja tão abrupta como imaginamos, mas apenas uma redução populacional considerável, em que pouquíssimos sobreviverão. Ainda acredito mais na teoria do novo planeta, embora eu espere não fazer parte desta migração.

Fora as questões científicas, sociais e a tragédia iminente que nos aguarda em um futuro imprevisívelmente e relativamente próximo, ainda estamos vivos, ainda vivemos na Terra, ainda somos humanos. Pensar sobre o futuro é necessário, porém preocupar-se com ele é tolo. Muitos de nós somos um tanto quanto relutantes diante de situações complicadas, mas alguns já começaram a acordar e compreender que todas as coisas acontecem exatamente como devem ser, que nada é por acaso, e que tudo o que acontece tem uma razão determinada, e só cabe a você compreender a mensagem e fazer o que deve ser feito. Somos expostos a muitos acontecimentos que gostaríamos de evitar, e tudo o que isso quer nos trazer é algum aprendizado, para o qual deveremos estar atentos para ouvir e compreender, pois se não prestarmos atenção no que nos é ensinado uma vez, aquilo não nos será repetido, e teremos de experenciar outras coisas ruins a fim de aprender uma lição que deixamos pra trás. É como percorrer um labirinto e chegar ao centro dele sem antes ter passado na seção que continha uma chave para abrir a porta que se encontra no final do labirinto, a porta que leva ao aprendizado supremo e à evolução da mente para a sua libertação e a ascenção da alma no comando da sua vida.

Um dos aprendizados que nos tem sido passado de novo e de novo e de novo e o homem insiste em não querer compreender, é que o amor é a resposta para todas as mazelas do mundo. A dor, o sofrimento, a guerra, as discórias, o desrespeito, a depressão, a falta de compaixão, a tristeza, a frieza, a solidão, a doença, a desnutrição, a fome, a sede, a morte. E como o amor poderia ser a resposta pra tantas coisas que "independem" de um sentimento como este? Simples! Se todos os seres humanos amassem incondicionalmente ao seu próximo, não haveria dor, pois sempre haveria alguém para lhe confortar, e assim não haveria sofrimento, nem depressão, nem tristeza, nem frieza, nem solidão. Se todos os seres humanos amassem incondicionalmente ao seu próximo, não haveriam guerras, nem discórdias, nem desrespeito, nem falta de compaixão, e todos se uniriam para acabar com a desnutrição, com a fome e com a sede. E se o homem tivesse seus olhos abertos para o amor, veria que a morte, na verdade, não existe.

Sendo um pouco mais realistas e não esperando que, da noite para o dia, a humanidade acorde cheia de amor ao próximo (e a si mesmo, o que é grandiosamente importante e não tem nada que ver com o ego), podemos começar a cultivar o amor dentro de nós mesmos. Às vezes podemos ter dúvidas de como poderíamos fazer isso, e talvez às vezes seja difícil praticar o amor enquanto outros praticam o ódio e o desrespeito para conosco, mas devemos permanecer firmes e não nos igualar àqueles que agem de formas que só gerarão karmas e mais karmas, além de fazer mal para si mesmo. Quando digo que o amor é a resposta, também me refiro à transformação que acordar para o amor gerará em você. Quando você começar a acordar com o pensamento de que todo dia é um novo dia, um novo começo, uma nova chance para sermos diferentes, sermos melhores, quando você começar a sair da sua cama agradecendo por mais um dia que surge, independente do clima, independente de ter de ir trabalhar, independente de qualquer coisa, você vai começar a se sentir muito mais leve, cheio de energia e disposição para passar pelo seu dia fazendo coisas boas que lhe façam se sentir ainda melhor.

Para cultivar o amor, é simples, mas primeiro devemos estar acordados e conscientes de nossos próprios pensamentos. Devemos começar a compreender que o que nós pensamos não é, exatamente, fruto de nossa alma, mas de nossa mente, e a mente é um instrumento quase que maligno, que adora criar problemas "insolucionáveis" e enigmas que nos deixam confusos e desnorteados. A mente é um tremendo "puxa-tapetes", e devemos aprender a mandar nela, controlar o que ela atrai para nós. Nossos pensamentos serão o que atrairemos, então precisamos manter a mente organizada de uma forma que pensemos apenas coisas boas, produtivas, e, principalmente, cheias de amor e luz. Assim, depois de começarmos a alertar a nós mesmos sobre o que pensamos, podemos começar a colocar dentro de nós o pensamento "dentro de mim, só permito o amor" e repetir pra nós mesmos em mentalizações cheias de coisas boas, para que esse pensamento se perpetue e se consolide dentro de nós, e que isso seja tudo o que atraímos para nossas vidas. E então, devemos parar de olhar pras pessoas com pré-julgamentos e olhar a TODAS, por mais difícil que possa parecer, com amor. Todos precisamos do amor, todos queremos o amor, mesmo que inconscientemente. Somos seres de puro amor, somos almas movidas pelo amor, e por isso a humanidade tem perdido a força de suas almas, pois não mais pratica o amor.

Hoje em dia, tenho percebido que muitos começaram a acordar e praticar o amor como sua lei, deixar a alma guiar suas vidas e desligar-se de suas mentes humanas problemáticas e falhas, e isso me enche de esperança. Tenho esperança pelo mundo, pois sei que o amor tem um grande poder de transformação e transmutação, e que conforme as pessoas forem acordando, elas estarão contagiando outras com sua grande alegria, sua paz, sua luz e, principalmente, com sua capacidade de amar incondicionalmente a tudo e a todos, e assim, respeitar todas as coisas com igualdade, tratar a natureza com um grande apreço e um enorme carinho. E no fim, é mesmo o amor, que nos leva a conhecer a nós mesmos, a vivermos em completa harmonia, a sermos sábios, e também, a sermos plenos.

E no fim, é mesmo o amor.
É mesmo, o amor.
Amor.
B.b.
R.M.

19 de janeiro de 2015

Something about your own happiness

Os últimos dias parecem ter sido intensos (talvez até mesmo pesados) para muita gente. Das coisas que aprendi e conclusões que tomei sobre esse início de ano um tanto quanto conturbado, compartilharei alguns sentimentos, pensamentos, questionamentos, e talvez até algumas reflexões que sejam úteis para alguns. Tenho estudado e lido bastante sobre viagens astrais, Cosmos, energias, chakras, equilíbrio, e tenho entendido e sentido algumas coisas que antes não eram acessíveis a mim. Assim, aprendi que quanto mais buscamos algo para trazer para nossa vida, mais sentiremos sua presença e seu desenvolvimento dentro de nós.

Encontrei um certo equilíbrio, mantive a paz, a cabeça no lugar e a alma no comando. Mas aí surgem situações pesadas e cheias de sensações e sentimentos ruins, carregadas de negatividade, justamente como um teste. Perdi o controle, como já era esperado. Fui testada e reprovei brutalmente no teste, mas logo que caí, me permiti sentir por algum tempo, sofrer, sentir uma dor quase que física pra tentar explicar os problemas que a minha própria mente criou dentro de mim. Depois de algum tempo de auto-torturas, me levantei, me purifiquei, me renovei, e cá estou, de pé novamente, limpa, livre, em paz.

Talvez mais alguns testes me encontrem em algum tempo, talvez eu falhe novamente, ou talvez eu já tenha aprendido a lidar desta vez, aprendido a manter a calma diante de situações difíceis, a discernir os problemas reais dos problemas que minha mente inventa pra bagunçar minha vida, por mera diversão. Houve um colapso de energias boas e ruins, em que as boas acabaram sendo massacradas debaixo dos meus pés, por mim mesma, com a minha permissão. Mas hoje acordei renovada, pois isso foi o que busquei. E dessa forma, aprendi que quando queremos algo de verdade, sempre conseguiremos.

Tirando de toda essa experiência, que pode ter sido cruel e bastante negativa, algum aprendizado, terei bastante a dizer. Primeiramente, para todos aqueles que, assim como eu, estão recém se recuperando do final de um relacionamento, digo: não sacrifique sua felicidade por alguém que não sacrificaria nada por você, não faça nada do que você sabe que não fariam por você também, não se torture, não se critique, não se inferiorize por alguém que não fará nada além de te diminuir ainda mais. Não se sinta pequeno, porque essa é a última coisa que você é. Não seja dependente, não pense que sua vida acabou, não espere nada de ninguém, não alimente sentimentos vazios e sem reciprocidade, não chore, não demonstre, não sofra, não desista, apenas deixe ir.

Libertação, o ponto principal de todo meu aprendizado. Devemos nos libertar de tudo e qualquer coisa que possa nos prender, pois estarmos presos a coisas e pessoas é o que nos traz sofrimento de tempos em tempos, porque coisas se acabam e pessoas se vão, além de nos decepcionar constantemente. Precisamos aprender a nos amar de tal forma que nada possa ser maior do que nós mesmos, que zelemos por nosso bem-estar e por nossa paz, e que nada seja capaz de nos abalar. O mundo é cheio de gente com o desejo de destruição, com vontade e sede de poder, e de todos os que seguem essa linha, nenhum terá compaixão ou pena na hora de passar por cima de você para conseguir o que quer. Não seja um tapete, não permita que as pessoas determinem seu estado de espírito, não se deixe dominar por ninguém.

Sei que talvez, para alguns, seja difícil se desprender de determinadas pessoas, de coisas a que nos apegamos ao longo da vida e hoje achamos que não conseguiríamos viver sem elas, mas eis a verdade, estamos todos enganados. Nascemos nus, sem dentes, sem cabelo, sem absolutamente nada. Viemos ao mundo livres, e vamos nos prendendo conforme a cultura nos molda. Nos prendemos primeiro à mãe, depois aos brinquedos, e assim por diante, continuamos a vida inteira presos em pessoas e coisas, alterando-as conforme nossas novas supostas necessidades e nossos desejos humanos e carnais, que acabam por se tornar sentimentos a que nos viciamos, assim como drogas, por nos proporcionarem alguns bons momentos e algumas calmarias, que certamente não durariam para sempre.

Assim como drogas pesadas, que viciam química, fisica e psicologicamente, nossos vícios em pessoas e coisas são altamente destrutivos. Uma breve comparação se explica através de um relacionamento qualquer. Quando estamos no auge do vício, queremos a pessoa o tempo inteiro, e qualquer instante longe já nos deixa morrendo de saudades e querendo-a novamente. E quando os problemas começam a surgir, perdemos a cabeça, falamos coisas que não sentimos, não pensamos, não gostaríamos de ter dito e nem sequer pediremos desculpas, pois a intenção é machucar tanto quanto estamos sendo machucados. Nosso mecanismo natural de defesa, e não adianta negar, eu sei que você também age desta forma. É uma atitude essencialmente humana, da mente.

Na abstinência (ou no final do relacionamento), entramos em crise, nos desesperamos, e frequentemente agimos da pior forma possível. Dificilmente buscamos ajuda, pois a maioria de nós ainda se permite estar no fundo do poço (enquanto alguns se jogam de cabeça nele, só se permitir ainda é bastante aceitável). Não que isso seja ruim, pois, pra mim, por exemplo, me permitir sentir e perceber que estou chegando ao fundo do poço é o que me possibilita fazer alguma coisa para sair de lá, tomar uma atitude. E sobre tomar atitudes, às vezes, quando se tratam de pessoas, não é a melhor opção. Às vezes as atitudes que pensamos em tomar não são exatamente o que deveríamos fazer, não são o melhor e não trarão a melhor reação. Portanto, como muitos sempre nos aconselham e normalmente ignoramos, a melhor opção na hora do desespero é respirar fundo, lembrar que nascemos sozinhos e assim morreremos, que nada levaremos desse mundo e que ninguém vai morrer de amor, buscar distrações e tentar manter a mente sempre ocupada com coisas boas e positivas e apenas "dar tempo ao tempo".

Porque às vezes o tempo cura, às vezes ele remenda, ou também destrói por completo, muda, troca de lugar, apresenta novas pessoas, novos amores, novos lugares, novos estilos de vida e, principalmente, novos aprendizados. Por isso, a melhor forma que encontrei de viver é estar livre, sem nada esperar de ninguém, porque assim, as decepções que poderíamos ter se reduzem em pelo menos metade, e nos possibilitamos ter muito mais alegrias, sermos muito mais felizes e termos muito menos preocupações e crises existenciais. Nossa sociedade nos ensinou a sermos sempre dependentes de algo ou alguém para sermos felizes, e isso é o que faz com que exista tanta gente infeliz por esse mundo. Precisamos aprender que a felicidade está dentro de nós, e que nós somos mais do que o suficiente para fazermos a nós mesmos felizes, que isso nos basta.

Ainda me falta muito para chegar ao aprendizado de que necessito para alcançar meus objetivos e minha evolução espiritual, mas sei que me foi dada a missão de compartilhar tudo isso com o máximo de pessoas possível, e por isso, cumpro com o meu papel, passando adiante meus aprendizados para quem quiser seguí-los e tomá-los para sua vida.

Que meu aprendizado sirva a ti também. Paz, luz, liberdade, amor.
B.b.
R.M.

9 de janeiro de 2015

Metamorphosis

Enquanto muitos de nós ainda dormem, alguns poucos já começaram a despertar. 

Todos os dias, nos esquecemos de que somos seres de luz, seres feitos de energia e conectados a tudo e a todos, porém "presos" ao corpo e à natureza humana, que corrompe nossa energia pura com os devaneios e confusões da mente. Somos auto-suficientes, porém treinados como cavalos com viseiras para andar em harmonia com a lei humana e social, fazendo com que nossa intuição seja constantemente menosprezada, e nossos sentidos, limitados. Temos, neste mundo, a religião, que limita todo o campo vasto e gigantesco da religiosidade e da espiritualidade como num cabo de guerra, cada um puxa para o seu lado. 

Vivemos em um tempo de guerras, lutas, imposições, opressões e intolerância, e agora acabamos de entrar em um ano de transição, que talvez seja trágico, ou talvez grandioso, ou ambas as coisas, pra alguns de nós. Esquecemos frequentemente que tudo é relativo, que somos individuais, porém não precisamos ser individualistas. Nossas diferenças, que deveriam nos tornar seres únicos e preciosos, acabam por nos dividir, categorizar e nos colocar em posição de xeque frente a outras ideologias e formas de pensamento.

Estamos sempre preocupados demais com nós mesmos, e nos limitamos a pensamentos racionais e mundanos, esquecendo da nossa pequenez, nos tornando seres humanos pretensiosos demais para olhar para o horizonte e ver além da linha que divide o céu do oceano. Parece que conforme o tempo passa, menos as pessoas olham umas para as outras com compaixão, menos buscam entender e compreender suas dificuldades, suas emoções, suas opiniões e seu modo de vida. Hoje em dia, já nascemos "prontos para julgar", e somos criados em uma cultura que vê isso como algo nada mais do que natural. 

Ainda assim, mesmo sendo tantas as mazelas da humanidade de nossa era (como se antes desta era não fossemos cheios de mazelas), conseguimos destacar um ou outro em meio à multidão que prefere dar o pão que tem em mãos a se saciar enquanto assiste alguém morrer de fome, mesmo que não literalmente. Sabemos que muitos "ajudam como podem", mas não é disso que estou falando. A humanidade está doente, e sua deficiência é a falta de duas vitaminas essenciais, o amor e a compaixão. 

Mas tenho percebido que nossa pequenez está se limitando ao corpo humano, ao animal, e que alguns de nós já estão começando a ver seu espírito como seu verdadeiro corpo. Não podemos nos limitar a pensar que a vida é só o que conhecemos, e não podemos jogar toda nossa fé em algo desconhecido apenas por medo de assumir alguns riscos. A vida é arriscada, nascer é arriscado, viver nesta sociedade é quase suicídio, não podemos viver temerosos de buscar coisas novas, novos conhecimentos, novas verdades, novas possibilidades. 

Tudo o que conhecemos é pouco demais pra abranger o Universo inteiro e tudo o que nele há, que, convenhamos, ainda muito é completamente desconhecido e, por enquanto, inacessível à nossa ciência. É chegado o tempo, irmão, está na hora de acordar! Existem dimensões inteiras esperando por você e por mim também, pra que trabalhemos no auxílio às almas que necessitam, e pra que possamos nos unir e despertar a consciência das multidões e das grandes massas. Seu corpo te torna apenas um grão de areia na Praia do Cassino, mas a sua alma está conectada com toda a grandeza do Universo, e você, eu e todo o Cosmos somos um. Você é gigantesco.

Precisamos começar a compreender que nosso campo de visão é extremamente vago e limitado, mas que com os olhos da alma, tudo podemos ver, tudo podemos ser. Somos grandiosos seres de luz, e nossas mãos são aguardadas para o trabalho. O mundo espiritual precisa de curadores, de auxiliadores, de gente disposta a aceitar todos os "riscos" do desprendimento, da libertação e da evolução, tanto mental quanto espiritual, pois se o espírito está consciente e acordado, a mente deve estar evoluída para recebê-lo com ternura e apreço, e não para bloqueá-lo. 

Muitas vezes, tentamos evoluir e crescer espiritualmente, mas esquecemos de evoluir nossa mente e acabamos por sermos bloqueados, pois de que adianta treinar o espírito para ser sábio se a mente ainda comanda nossas ações e nos torna seus prisioneiros? Quero que, assim que você tiver a oportunidade de ir até o topo de uma montanha ou uma praia, onde você tenha uma visão privilegiada da natureza ou do oceano, sem que os traços da cidade atrapalhem sua observação, você se sente olhando para o horizonte e pare pra refletir na sua imensidão. Reflita sobre o tamanho do nosso planeta, sobre o seu tamanho, e pare pra observar as estrelas e refletir sobre a grandeza de todo o Universo.

E depois de ter feito sua observação e suas reflexões, quero que você compartilhe suas conclusões, seja comigo, com sua família ou com seus amigos, mas o importante é que você contagie alguém mais com o sentimento que tomou conta de você enquanto você fazia suas reflexões e tomava suas conclusões (ou elaborava teorias) sobre a vida e o Cosmos. Mas para isso, há uma regra: independente se você possui ou não uma religião, esqueça isso por completo. Não pense em uma divindade, mas em uma energia. Se você é cristão, pagão, muçulmano, judeu, ateu ou seja lá o que for, deixe toda a sua cultura, sua identidade e sua religião de lado ao refletir. Esteja aberto, seja grande, aceite todo e qualquer pensamento, teoria e reflexão que vier à sua mente (e anote-o, se preferir - ou se for esquecer). Liberte-se das tecnologias ao fazer isso, esteja livre de todo e qualquer apego que você tiver, esteja completamente livre. 

Você não precisa estar sozinho, mas vai precisar de uma companhia que esteja em sintonia com você e com uma energia limpa e purificada, para que não hajam interrupções ou interferências na troca de energias que ocorrerá entre você e todo o Universo. Depois da experiência, estude, leia, e leia muito! Seja e pratique a mudança, se transforme, seja o que o Cosmos lhe disser que você é. Conecte-se com o mais profundo da sua alma, medite, se assim sentir que deve. Tente se libertar de todo e qualquer pensamento que te faça retornar ao seu dia-a-dia e à vida que você deixou na cidade, dê um "reset" em si mesmo, limpe-se, renove-se. 

Assim, eu garanto, essa será a experiência mais grandiosa e lúcida que você terá na vida, se nunca fez algo desta natureza. Observe toda a vida ao seu redor e valorize-a como sendo parte de você. Uma parte de você certamente morrerá e será deixada para trás nesta experiência, e esta será só a parte que não lhe faz bem e que não te faz evoluir. Do que sobrar de você, tenha a consciência de que é grande, e de que é luz. Seja e espalhe luz, seja e espalhe amor, seja e espalhe compaixão. Certamente, sua vida não será mais a mesma, e nem a de todos os que te cercam, pois serão contagiados com tua energia radiante e intensa. 

Que estejamos unidos como assim o somos desde o início dos tempos, que sejamos um com o Cosmos, que estejamos em harmonia conosco e com toda vida que nos cerca, que façamos apenas o bem a tudo e a todos, e que sejamos inspiração para todos aqueles que desejam acordar, que nos tornemos mestres, capacitadores, auxiliadores, facilitadores. 

Que sejamos plenos.
Paz, luz, amor!
B.b.
R.M.

8 de janeiro de 2015

A whole new year, a whole new life

Pensando bem, vale a pena fazer uma breve retrospectiva do ano que se foi.

2014 começou com o pé direito, numa virada de ano linda, à beira-mar, com alguém que amo, com pessoas boas e cheio de grandes expectativas, gratidões e vitórias que ainda estavam por vir. Ainda assim, iniciei meu ano desempregada, e estava na luta e na procura por algum lugar bacana que me acolhesse e me desse a oportunidade de crescer profissionalmente e aprender coisas novas. Fui surpreendida com um lugar maravilhoso, cheio de pessoas maravilhosas. Me Gusta Casa de Tapas me acolheu de uma forma que eu jamais esperaria. Lá, encontrei uma nova família. Pessoas de bom coração, cheias de coisas pra me ensinar, o restaurante espanhol mais insano da cidade só me trouxe ganhos.

Logo encontrei mais um lugar como este, a Colvale, um lugar igualmente repleto de pessoas de bom coração, cheio de aprendizados e realizações. Lá aprendi que não precisamos exatamente cozinhar o que gostamos de comer pra sermos satisfeitos, ou ter o posto que gostaríamos, porque o que mais vale é o ambiente e a grandiosidade de preparar algo com carinho e dedicação para outras pessoas. Outra nova família pra mim, mesmo que breve. Em março se iniciaram as atividades da Universidade em que ingressei, e encontrei meu lugar na História, literalmente. Minhas paixões foram confirmadas, meu ofício iniciado, e minha futura profissão não é apenas ser uma professora de História, embora tenha descoberto em mim uma ensinadora cheia de paixão. Grandes ambições, de certa forma, mas com uma pequenez tamanha que só o futuro pode mostrar tudo o que minhas viagens e estudos reservaram pra mim.
 
No primeiro semestre, fiz grandes amigos, além de confirmar antigos com os quais tinha pouco contato. Enquanto isso, dividia um apartamento com outras quatro pessoas e aprendia a ter um certo jogo de cintura para colocar diferenças de lado e tentar entender que o jeito das pessoas não iria mudar, e que eu teria de aguentar isso caladinha, porque eu não seria ouvida e nem levada em conta. Aprendi também que minha opinião pouco importava para muita gente, e que tudo o que queriam era ter alguém com quem gritar para descontar as opressões sofridas em outros ambientes, dos quais eu não tinha nada que ver.

Algum tempo depois, ofereci uma proposta de emprego em uma nova empresa que se iniciaria, a partir da iniciativa de alguém que, no tempo, era meu cunhado. Aceitei a proposta, que inicialmente me traria um bom salário e quatro rodas, mas não foi bem assim. Assumi grandes responsabilidades neste novo emprego, e me vi praticamente sozinha cuidando dos atendimentos de uma empresa de informática, algo que eu jamais me imaginaria fazendo. Clientes e mais clientes, associando Sr. Computador e Me Gusta, trabalhei "como uma condenada" para poder sustentar minha independência. No segundo semestre, passei a ver as coisas de uma forma um pouco diferente. Estudei Antropologia e encontrei uma nova paixão. Desenvolvi um estudo sobre o Xamanismo e Ayahuasca, participando de um ritual com uso da planta de poder. Ao longo deste estudo, aprendi muito sobre mim, sobre a vida, sobre o Universo, o Cosmos e tudo o que é e o que há, mas isso foi apenas minha "iniciação no caminho da luz".

A partir daí, algumas coisas começaram a desmoronar, como o casamento da minha irmã e meu namoro. O casamento acabou não tendo jeito, e hoje meu chefe é meu ex-cunhado. Sinceramente, ainda mantenho as coisas em ordem dentro da minha cabeça e separo trabalho-família, mas minha vontade era de espancá-lo com um taco de baseball até que seus olhos explodissem pelo que ele fez com a minha irmã. Ainda mantenho a calma, mas a vontade é exatamente a mesma. Quanto ao meu namoro, ele também acabou, mas não acabou ao mesmo tempo (se é que dá pra compreender isso). Ao mesmo tempo que houve uma grande evolução quanto à minha amizade com uma ex-namorada minha, pois havia tentado durante muito tempo acertar as coisas com ela e continuar a conversar numa boa, sem pretensões ou ressentimentos. Ao conseguir um, perdi outro (por outros motivos mais, mas este foi o fator final).

Passei a tentar ver as coisas de formas diferentes, sentir diferente também. Me vi à beira do desespero durante diversas e incontáveis vezes, me deixei afundar e ter o meu "fundo do poço" do ano, porque nenhum ano se passa sem cairmos no poço ao menos uma vez. A partir do momento em que me levantei e pedi pra que me jogassem uma corda, consegui escalar de volta ao topo e ver o sol brilhando forte pra mim. Percebi que a luz me queria mais perto, e comecei a andar até ela novamente. Conheci uma cachoeira e me banhei em suas águas pela primeira vez, e aquele lugar cheio de boas energias me trouxe uma renovação mental e um "trampolim" para o que viria nos próximos dias. 
 
Mais algum desespero, mais alguns problemas, acabei por deixar minha independência de lado e retornar à casa dos meus pais, onde percebi que as coisas haviam mudado (e muito!), e isso muito me agradou. O clima de guerra e brigas havia cessado, e agora eu poderia falar livremente, pois não tinha nada mais a esconder. Num certo dia em que resolvi sentar para meditar, a carne do almoço me encheu de culpa pelo sangue que fora derramado e agora estava dentro de mim. A partir daí, iniciei minha nova jornada no vegetarianismo. Dessa vez (pois já havia tentado antes), fui apoiada pela minha família, que passou a fazer pratos alternativos vegetarianos para mim, e, assim, diminuir consideravelmente a quantidade de carne consumida pela família, que hoje não mais necessita de sangue animal todos os dias.

Conquistei meu ápice de fim de ano quando comprei uma barraca. Sim, uma coisa tão simplória e "pequena", de certa forma, foi o que me possibilitou fazer a viagem da minha vida. Logo recebi a notícia de que teria quinze dias de férias, e acionei os contatos para programar a viagem mais louca que já fiz. Lucas, um amigo recente que havia conhecido no ritual acima mencionado, estaria disponível e aceitou a proposta de pegar a estrada rumo à Santa Catarina, meio que sem um destino definido ainda. Conseguimos um carro econômico emprestado para que pudéssemos ir o mais longe possível com o pouco dinheiro que tínhamos, ensinei ao Lucas como fazer colares com pedra castroada e fizemos um intensivo de artesanato para levarmos para vender na praia. Encaminhamos tudo e saímos de viagem logo após o natal, que passei com a família em sua nova igreja, onde fui muito bem recebida e fiquei muito feliz de minha família estar frequentando um lugar que realmente vive o que prega e não é cheio de hipocrisia e julgamentos.

Pegando estrada no dia de natal, aprendendo que não se deve confiar em um GPS, conhecendo as lindíssimas praias da Pedra do Frade, Garopaba e uma prainha deserta depois da trilha, acampando no Siriu e aprendendo que pra acampar é necessário ter uma lona impermeável, passando perrengue já na primeira noite, pegando novamente a estrada pela manhã em direção à Guarda do Embaú, se perdendo umas cinco vezes (pelo menos) na BR-101 e perdendo a entrada pra Guarda, chegando na Pinheira, descobrindo que campings são caros pra caralho, montando novamente o acampamento, comprando uma lona provisória, encapando a barraca, fazendo a trilha para a Prainha, conhecendo um casal muito gente boa, Pati e Gui, subindo até a Pedra do Urubu, vendo a imensidão infinita do oceano, refletindo sobre como somos pequenos e pretensiosos, pegando trilhas erradas, caindo, errando e se fodendo, mas ainda assim, se divertindo muito, fazendo muitas saunas na barraca, andando de caiaque no rio da Guarda, rindo pra caramba da galera caindo, aprendendo a remar, tentando encontrar a trilha certa para o Vale da Utopia, encontrando uma família linda de amigos, conhecendo a filha linda desse casal iluminado, Jony, Carol e Cristal nos guiaram até o Vale, onde encontrei minha casa. A Praia do Maço, linda, um yin-yang perfeito cheio de energia renovadora vinda diretamente de um lindo mar de vida e perfeição. E lá ficou um pedaço do meu coração, pra sempre, no Vale da Utopia, onde voltaríamos para passar a virada do ano mais cheia de energia e mais intensa possível.

No último dia do ano, ao cair da noite, nos embrenhamos mato a dentro com um Alice na língua quase batendo. Do topo da montanha, antes de chegar na Praia do Maço, chamávamos o Vagner aos berros, dávamos sinais de lanterna e os recebíamos de volta, uma energia e uma vista inexplicável. Chegamos, nos instalamos próximo à fogueira, abrimos a primeira espumante e acendemos o primeiro, pois a alegria era grande demais. Comemoramos o final de um ano, e esperávamos pelo início do próximo. Do céu, caíam gotas suaves, que às vezes ficavam um pouco mais fortes. Nos refugiamos sob o telhado do Bar do Maço, onde havia uma enorme transmutação de energia entre todas as pessoas que lá estavam, e cantavam e dançavam sem instrumento algum, apenas seu instrumento natural, suas próprias vozes. 
 
Foi neste momento que houve um grande chamado que ecoou através do Vale da Utopia, um chamado para a planta, para o verde, para o poder que a Cannabis nos traz, e para também, sua paz. E a banda tocou, e o ano virou, e o maracá não parava de soar em nossas mãos, e os olhos já não viam mais da mesma forma, as coisas já não estavam mais em seu normal. Os fogos de artifício não ressoaram no Vale, mas os víamos de longe, na ilha de Florianópolis, pequenos como nós. Lá, ressoavam isqueiros, maracás, prensadas, tosses, chamados, Vagners, Luísas, fogueiras estalando, gente cantando, gente dançando, gente batendo palmas, gente feliz. E o primeiro do ano foi aceso, e o brinde foi feito, e os abraços foram trocados entre conhecidos e desconhecidos, todos transmutando boas energias, paz e muito, mas muito amor.

Tivemos de ir embora no meio da madrugada, mas isso não nos desanimou. Aproveitamos o dia seguinte como se fosse o último, pois realmente era (neste verão), e seguimos viagem até Arroio do Sal, Lucas e eu, para podermos aproveitar os últimos dias de férias com nosso querido amigo Bob. Passamos uma noite um tanto quanto desconfortável no carro, e aproveitamos o segundo dia do ano para descansar e comer bem, pois há dias estávamos nos alimentando mal. Depois de muitas noites dormindo em um colchonete dentro de uma barraca (muito mais confortável do que pode parecer), dormimos em camas de verdade. Ali conhecemos mais algumas pessoas, e, pela primeira vez no ano, vimos o sol dar as caras, surgindo no horizonte, e a lua descendo para dar o seu lugar ao Astro-Rei.

Voltamos à cidade, à rotina, à vida normal, mas os aprendizados foram trazidos conosco. Deste ano que se passou, não preciso dizer que tiro apenas as coisas boas, pois todas foram, cada uma de uma forma especial. Um ano cheio de conquistas, aprendizados, lutas e vitórias, mas derrotas, também. Foi um tempo de crescimento mental e, principalmente, espiritual, em que pude desfrutar das melhores coisas da vida e da juventude, em que vi coisas lindas e grandiosas, em que me senti muito pequena e gigante ao mesmo tempo. Neste ano que fica pra trás, aprendi que a vida é grande demais para caber em nosso campo de visão, e que somos pequenas formiguinhas num grande Cosmos, porém conectadas a tudo e a todos, sendo, nós mesmos, todo o Cosmos.

Entendi que energia é algo grandioso, e que todos temos a capacidade de sentí-la, mas precisamos tirar de nós o bloqueio que nossa mente e nosso corpo meramente humano nos impõe, pois podemos vencê-lo e ultrapassar esta pequena barreira para que possamos ver o horizonte como ele realmente é, infinito. A vida tem me ensinado muito sobre mim, sobre minha alma e minha jornada. Tenho compreendido que meu desejo e meus sonhos de grandes viagens, grandes estudos e grandes auxílios (sejam eles físicos, materiais ou espirituais, ao que me for possível) são nada mais, nada menos do que o propósito da minha alma, o motivo de eu estar aqui. Hoje, não sou mais a mesma pessoa que entrou em 2014 com o pé direito, mas a pessoa que encontrou 2015 como sendo uma grande cachoeira de boas energias, e me colocando debaixo de sua queda para recebê-las por inteiro, e como um oceano calmo e tranquilo, mas sempre com ondas de transmutação e renovação, com sua maré sábia e poderosa para que guie e determine a vida e seus ciclos.

Agora eu sei, agora eu sou, Universo.

E a todos aqueles que compartilharam comigo da energia presente no Vale da Utopia nesta virada de ano, deixo a vocês, novamente, o chamado...

MAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAACOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOONHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Paz, amor, luz!
B.b.
R.M.