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8 de janeiro de 2015

A whole new year, a whole new life

Pensando bem, vale a pena fazer uma breve retrospectiva do ano que se foi.

2014 começou com o pé direito, numa virada de ano linda, à beira-mar, com alguém que amo, com pessoas boas e cheio de grandes expectativas, gratidões e vitórias que ainda estavam por vir. Ainda assim, iniciei meu ano desempregada, e estava na luta e na procura por algum lugar bacana que me acolhesse e me desse a oportunidade de crescer profissionalmente e aprender coisas novas. Fui surpreendida com um lugar maravilhoso, cheio de pessoas maravilhosas. Me Gusta Casa de Tapas me acolheu de uma forma que eu jamais esperaria. Lá, encontrei uma nova família. Pessoas de bom coração, cheias de coisas pra me ensinar, o restaurante espanhol mais insano da cidade só me trouxe ganhos.

Logo encontrei mais um lugar como este, a Colvale, um lugar igualmente repleto de pessoas de bom coração, cheio de aprendizados e realizações. Lá aprendi que não precisamos exatamente cozinhar o que gostamos de comer pra sermos satisfeitos, ou ter o posto que gostaríamos, porque o que mais vale é o ambiente e a grandiosidade de preparar algo com carinho e dedicação para outras pessoas. Outra nova família pra mim, mesmo que breve. Em março se iniciaram as atividades da Universidade em que ingressei, e encontrei meu lugar na História, literalmente. Minhas paixões foram confirmadas, meu ofício iniciado, e minha futura profissão não é apenas ser uma professora de História, embora tenha descoberto em mim uma ensinadora cheia de paixão. Grandes ambições, de certa forma, mas com uma pequenez tamanha que só o futuro pode mostrar tudo o que minhas viagens e estudos reservaram pra mim.
 
No primeiro semestre, fiz grandes amigos, além de confirmar antigos com os quais tinha pouco contato. Enquanto isso, dividia um apartamento com outras quatro pessoas e aprendia a ter um certo jogo de cintura para colocar diferenças de lado e tentar entender que o jeito das pessoas não iria mudar, e que eu teria de aguentar isso caladinha, porque eu não seria ouvida e nem levada em conta. Aprendi também que minha opinião pouco importava para muita gente, e que tudo o que queriam era ter alguém com quem gritar para descontar as opressões sofridas em outros ambientes, dos quais eu não tinha nada que ver.

Algum tempo depois, ofereci uma proposta de emprego em uma nova empresa que se iniciaria, a partir da iniciativa de alguém que, no tempo, era meu cunhado. Aceitei a proposta, que inicialmente me traria um bom salário e quatro rodas, mas não foi bem assim. Assumi grandes responsabilidades neste novo emprego, e me vi praticamente sozinha cuidando dos atendimentos de uma empresa de informática, algo que eu jamais me imaginaria fazendo. Clientes e mais clientes, associando Sr. Computador e Me Gusta, trabalhei "como uma condenada" para poder sustentar minha independência. No segundo semestre, passei a ver as coisas de uma forma um pouco diferente. Estudei Antropologia e encontrei uma nova paixão. Desenvolvi um estudo sobre o Xamanismo e Ayahuasca, participando de um ritual com uso da planta de poder. Ao longo deste estudo, aprendi muito sobre mim, sobre a vida, sobre o Universo, o Cosmos e tudo o que é e o que há, mas isso foi apenas minha "iniciação no caminho da luz".

A partir daí, algumas coisas começaram a desmoronar, como o casamento da minha irmã e meu namoro. O casamento acabou não tendo jeito, e hoje meu chefe é meu ex-cunhado. Sinceramente, ainda mantenho as coisas em ordem dentro da minha cabeça e separo trabalho-família, mas minha vontade era de espancá-lo com um taco de baseball até que seus olhos explodissem pelo que ele fez com a minha irmã. Ainda mantenho a calma, mas a vontade é exatamente a mesma. Quanto ao meu namoro, ele também acabou, mas não acabou ao mesmo tempo (se é que dá pra compreender isso). Ao mesmo tempo que houve uma grande evolução quanto à minha amizade com uma ex-namorada minha, pois havia tentado durante muito tempo acertar as coisas com ela e continuar a conversar numa boa, sem pretensões ou ressentimentos. Ao conseguir um, perdi outro (por outros motivos mais, mas este foi o fator final).

Passei a tentar ver as coisas de formas diferentes, sentir diferente também. Me vi à beira do desespero durante diversas e incontáveis vezes, me deixei afundar e ter o meu "fundo do poço" do ano, porque nenhum ano se passa sem cairmos no poço ao menos uma vez. A partir do momento em que me levantei e pedi pra que me jogassem uma corda, consegui escalar de volta ao topo e ver o sol brilhando forte pra mim. Percebi que a luz me queria mais perto, e comecei a andar até ela novamente. Conheci uma cachoeira e me banhei em suas águas pela primeira vez, e aquele lugar cheio de boas energias me trouxe uma renovação mental e um "trampolim" para o que viria nos próximos dias. 
 
Mais algum desespero, mais alguns problemas, acabei por deixar minha independência de lado e retornar à casa dos meus pais, onde percebi que as coisas haviam mudado (e muito!), e isso muito me agradou. O clima de guerra e brigas havia cessado, e agora eu poderia falar livremente, pois não tinha nada mais a esconder. Num certo dia em que resolvi sentar para meditar, a carne do almoço me encheu de culpa pelo sangue que fora derramado e agora estava dentro de mim. A partir daí, iniciei minha nova jornada no vegetarianismo. Dessa vez (pois já havia tentado antes), fui apoiada pela minha família, que passou a fazer pratos alternativos vegetarianos para mim, e, assim, diminuir consideravelmente a quantidade de carne consumida pela família, que hoje não mais necessita de sangue animal todos os dias.

Conquistei meu ápice de fim de ano quando comprei uma barraca. Sim, uma coisa tão simplória e "pequena", de certa forma, foi o que me possibilitou fazer a viagem da minha vida. Logo recebi a notícia de que teria quinze dias de férias, e acionei os contatos para programar a viagem mais louca que já fiz. Lucas, um amigo recente que havia conhecido no ritual acima mencionado, estaria disponível e aceitou a proposta de pegar a estrada rumo à Santa Catarina, meio que sem um destino definido ainda. Conseguimos um carro econômico emprestado para que pudéssemos ir o mais longe possível com o pouco dinheiro que tínhamos, ensinei ao Lucas como fazer colares com pedra castroada e fizemos um intensivo de artesanato para levarmos para vender na praia. Encaminhamos tudo e saímos de viagem logo após o natal, que passei com a família em sua nova igreja, onde fui muito bem recebida e fiquei muito feliz de minha família estar frequentando um lugar que realmente vive o que prega e não é cheio de hipocrisia e julgamentos.

Pegando estrada no dia de natal, aprendendo que não se deve confiar em um GPS, conhecendo as lindíssimas praias da Pedra do Frade, Garopaba e uma prainha deserta depois da trilha, acampando no Siriu e aprendendo que pra acampar é necessário ter uma lona impermeável, passando perrengue já na primeira noite, pegando novamente a estrada pela manhã em direção à Guarda do Embaú, se perdendo umas cinco vezes (pelo menos) na BR-101 e perdendo a entrada pra Guarda, chegando na Pinheira, descobrindo que campings são caros pra caralho, montando novamente o acampamento, comprando uma lona provisória, encapando a barraca, fazendo a trilha para a Prainha, conhecendo um casal muito gente boa, Pati e Gui, subindo até a Pedra do Urubu, vendo a imensidão infinita do oceano, refletindo sobre como somos pequenos e pretensiosos, pegando trilhas erradas, caindo, errando e se fodendo, mas ainda assim, se divertindo muito, fazendo muitas saunas na barraca, andando de caiaque no rio da Guarda, rindo pra caramba da galera caindo, aprendendo a remar, tentando encontrar a trilha certa para o Vale da Utopia, encontrando uma família linda de amigos, conhecendo a filha linda desse casal iluminado, Jony, Carol e Cristal nos guiaram até o Vale, onde encontrei minha casa. A Praia do Maço, linda, um yin-yang perfeito cheio de energia renovadora vinda diretamente de um lindo mar de vida e perfeição. E lá ficou um pedaço do meu coração, pra sempre, no Vale da Utopia, onde voltaríamos para passar a virada do ano mais cheia de energia e mais intensa possível.

No último dia do ano, ao cair da noite, nos embrenhamos mato a dentro com um Alice na língua quase batendo. Do topo da montanha, antes de chegar na Praia do Maço, chamávamos o Vagner aos berros, dávamos sinais de lanterna e os recebíamos de volta, uma energia e uma vista inexplicável. Chegamos, nos instalamos próximo à fogueira, abrimos a primeira espumante e acendemos o primeiro, pois a alegria era grande demais. Comemoramos o final de um ano, e esperávamos pelo início do próximo. Do céu, caíam gotas suaves, que às vezes ficavam um pouco mais fortes. Nos refugiamos sob o telhado do Bar do Maço, onde havia uma enorme transmutação de energia entre todas as pessoas que lá estavam, e cantavam e dançavam sem instrumento algum, apenas seu instrumento natural, suas próprias vozes. 
 
Foi neste momento que houve um grande chamado que ecoou através do Vale da Utopia, um chamado para a planta, para o verde, para o poder que a Cannabis nos traz, e para também, sua paz. E a banda tocou, e o ano virou, e o maracá não parava de soar em nossas mãos, e os olhos já não viam mais da mesma forma, as coisas já não estavam mais em seu normal. Os fogos de artifício não ressoaram no Vale, mas os víamos de longe, na ilha de Florianópolis, pequenos como nós. Lá, ressoavam isqueiros, maracás, prensadas, tosses, chamados, Vagners, Luísas, fogueiras estalando, gente cantando, gente dançando, gente batendo palmas, gente feliz. E o primeiro do ano foi aceso, e o brinde foi feito, e os abraços foram trocados entre conhecidos e desconhecidos, todos transmutando boas energias, paz e muito, mas muito amor.

Tivemos de ir embora no meio da madrugada, mas isso não nos desanimou. Aproveitamos o dia seguinte como se fosse o último, pois realmente era (neste verão), e seguimos viagem até Arroio do Sal, Lucas e eu, para podermos aproveitar os últimos dias de férias com nosso querido amigo Bob. Passamos uma noite um tanto quanto desconfortável no carro, e aproveitamos o segundo dia do ano para descansar e comer bem, pois há dias estávamos nos alimentando mal. Depois de muitas noites dormindo em um colchonete dentro de uma barraca (muito mais confortável do que pode parecer), dormimos em camas de verdade. Ali conhecemos mais algumas pessoas, e, pela primeira vez no ano, vimos o sol dar as caras, surgindo no horizonte, e a lua descendo para dar o seu lugar ao Astro-Rei.

Voltamos à cidade, à rotina, à vida normal, mas os aprendizados foram trazidos conosco. Deste ano que se passou, não preciso dizer que tiro apenas as coisas boas, pois todas foram, cada uma de uma forma especial. Um ano cheio de conquistas, aprendizados, lutas e vitórias, mas derrotas, também. Foi um tempo de crescimento mental e, principalmente, espiritual, em que pude desfrutar das melhores coisas da vida e da juventude, em que vi coisas lindas e grandiosas, em que me senti muito pequena e gigante ao mesmo tempo. Neste ano que fica pra trás, aprendi que a vida é grande demais para caber em nosso campo de visão, e que somos pequenas formiguinhas num grande Cosmos, porém conectadas a tudo e a todos, sendo, nós mesmos, todo o Cosmos.

Entendi que energia é algo grandioso, e que todos temos a capacidade de sentí-la, mas precisamos tirar de nós o bloqueio que nossa mente e nosso corpo meramente humano nos impõe, pois podemos vencê-lo e ultrapassar esta pequena barreira para que possamos ver o horizonte como ele realmente é, infinito. A vida tem me ensinado muito sobre mim, sobre minha alma e minha jornada. Tenho compreendido que meu desejo e meus sonhos de grandes viagens, grandes estudos e grandes auxílios (sejam eles físicos, materiais ou espirituais, ao que me for possível) são nada mais, nada menos do que o propósito da minha alma, o motivo de eu estar aqui. Hoje, não sou mais a mesma pessoa que entrou em 2014 com o pé direito, mas a pessoa que encontrou 2015 como sendo uma grande cachoeira de boas energias, e me colocando debaixo de sua queda para recebê-las por inteiro, e como um oceano calmo e tranquilo, mas sempre com ondas de transmutação e renovação, com sua maré sábia e poderosa para que guie e determine a vida e seus ciclos.

Agora eu sei, agora eu sou, Universo.

E a todos aqueles que compartilharam comigo da energia presente no Vale da Utopia nesta virada de ano, deixo a vocês, novamente, o chamado...

MAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAACOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOONHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Paz, amor, luz!
B.b.
R.M.

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