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10 de dezembro de 2014

Emptyness

Acordo todos os dias sentindo um peso enorme nas minhas costas, sem saber porque o destino me fez acordar pra ter de suportar mais um dia. Sou assombrada por uma culpa que não é minha, por um fardo que não é meu. Todo final de ano as coisas tendem a se renovar, mas tudo que se renova, antes se destrói. A partir da destruição, surge o novo, mas isso tem um alto custo. Mudanças doem, e doem muito. É como ter uma doença óssea que faça seus ossos crescerem demais. Vai doer. Não há um dia que eu passe sem pensar em tudo o que está acontecendo e me esvaia em lágrimas. Não estou sendo forte o suficiente pra suportar essa mudança.

Eu sei, elas acontecem por uma razão, e sei também que é para o melhor. Essa mudança que chega até mim no presente momento ainda não se mostrou por completo, e ainda não sei se é uma mudança abrupta ou apenas uma melhoria, uma adaptação. Torço pra que não seja mais dolorido do que já está sendo, pois sei que me recusarei a suportar. Nesses dias escuros, amigos têm surgido e me dado todo o apoio que lhes foi possível, mas talvez eu não esteja me permitindo sair dessa tão fácil. Quero resoluções, quero acabar com esse sentimento que me esmaga todos os dias, com essa angústia, com essa dor tenebrosa que é não saber o que me espera, o que está acontecendo, desconhecer os porquês de tudo isso.

Enquanto eu agonizo, vejo que estou sozinha nessa, e só eu estou agonizando e morrendo um pouco mais a cada dia por dentro. Meu ser suplica por paz, por tranquilidade; meu corpo, por saúde. A cada dia que se passa, me vejo afundando um pouco mais, mesmo quando penso que já estou saindo debaixo dessa lama toda. Ressoa na minha mente, Om Mani Padme Hum, mas é muito difícil ver isso agora. Por vezes nem lembro ao certo o que me aflinge, o que está me desgastando. Me vejo aos prantos mesmo sem saber porquê. Quero voltar à vida, deixar de ser essa criatura mórbida cheia de aflições e tristezas, quero me libertar dessa dor e poder voltar a sorrir de verdade, quero poder evoluir, caminhar sempre em frente e deixar de estar estagnada. Queria ver que você se importa também.

Não tenho distrações, não tenho afazeres que possam me fazer desviar o pensamento disso tudo, não tenho nada a que eu possa me agarrar pra poder fingir que isso não está acontecendo e esquecer que dói como dói. Só tenho a dor, a lembrança, a angústia. Ainda não consegui tirar nada de bom dessa dor, mas espero que o tempo me traga bons frutos, aprendizados, e que isso me torne mais forte, que eu aprenda a não repetir a história.

Espero, de todo o meu coração, que as coisas se resolvam da melhor forma possível, e que eu possa voltar a viver, voltar a ser feliz e sorrir.

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