Páginas

18 de março de 2012

One Night Fairy Tale - Parte 4

De repente, ouvimos a porta bater. E alguém bater na porta.

- Nani, trouxemos almoço, acorda e vem comer! 

- Já vamos! - Afirmou sorrindo e me olhando de uma forma que me fez rir. 

- "Vamos"? Hm, ok, haha. - Disse a voz do lado de fora, provavelmente já imaginando a história toda. 

Alguns minutos disso, nos levantamos, nos vestimos e caminhamos até a cozinha. A ideia de ser apresentada aos seus amigos daquela forma me causou um certo frio na barriga. Batata frita, Coca-Cola e nuggets. Saudáveis eles, hein...

- Bom dia, Scoobies! - Já ouvi isso em algum lugar... - Essa é a Emilie, a garota da mesa três. - Ok, "garota da mesa três"? Era assim que ela me chamava antes de saber meu nome?

- Bom dia, garotas. Pelas caras de vocês, posso indicar que a noite foi boa... A propósito, prazer, eu sou a Lu, e esse cara é o Marcos.

- Prazer conhecê-los... vocês são os donos do Pub, certo? 

- É, digamos que começamos o negócio e deu certo por acidente. - Disse Nani, quando olhavam e sorriam um para o outro, deixando claro que a história do bar seria tanto quanto engraçada.

De certa forma, me senti confortável entre seus amigos também, o que foi estranhamente bom. Almoçamos juntos, assunto não faltou. Muitas opiniões em comum, muitas histórias pra contar. Estar com eles me fez lembrar de como era quando eu tinha meus amigos por perto.

Não faz muito desde a última vez que pensei sobre isso... talvez Nani fosse meu ponto de escape, a forma eficaz de trazer minha velha vida de volta, trazer as coisas boas que eu tinha de volta. E na minha cabeça, tudo que havia ali era ainda melhor do que o que eu tinha antigamente.

Quando estávamos terminando de comer, Lu comentou sobre um festival que iria acontecer durante a tarde, num parque local, uma edição de um dos festivais mais legais que acontecem na região e Nani oficializou o convite.

- Não sei... eu tenho que ir pra casa antes, depois decidiria se vou. - Apesar de estar morrendo de vontade de ir, eu realmente precisava ir pra casa pensar um pouco. Sozinha. Mas não queria fazer exatamente isso...

Por um lado, quis que Nani fosse comigo até em casa... por outro, queria sair logo daquela atmosfera de perfeição da velha vida e voltar a minha realidade e ter certeza que aquilo tudo não voltaria pra mim de forma alguma. 

Ela parou na porta pra se despedir, mas ficou esperando que eu dissesse algo sobre me acompanhar até lá. Eu a dei um beijo de despedida que deixou a cena com gosto de "continua no próximo episódio" (o que claramente era uma ótima opção pra mim no momento).

Saí porta afora e, quando olhei pra trás, ela estava com o sorriso que dizia "te espero voltar em breve". E eu voltaria. Cheguei em casa e me joguei na minha cama pra pensar sobre tudo que havia acontecido nas últimas 14 horas da minha vida.

As melhores 14 horas da minha vida.

Revirando meu quarto, encontrei um vinil antigo que eu mantinha sempre por perto. Creedence. Separei-o pra quando Nani estivesse por ali pra ouví-lo comigo. Deixei o dia passar, mesmo querendo ter ido ao festival com Nani e "a gangue", mas achei que fosse melhor me manter um tanto distante por alguns dias.

A semana começou normal, sem sinal de Nani em lugar algum. Quinta-feira pela manhã percebi um panfleto junto com a minha correspondência. Sexta seria Halloween e teria uma festa no Lake Of Fire, o pub da Nina. Bom, eu não poderia deixar de ir nessa festa.

Noite de sexta-feira chegou e lá estava eu, na porta do pub. Nina estava na entrada cuidando das comandas. Quando me viu, chamou Lu, me foi ao meu encontro. 

- Te proponho uma janta antes. - Ela sorriu, tornando impossível negar o convite.

- Você não tem que ficar aqui na entrada?

- A Lu aguenta pra mim por umas horas... recém abrimos o bar e vai demorar pro pessoal começar a chegar. E aí, topa?

- Ok, vamos! - Eu sorri, ela me puxou pela mão e me levou até sua casa. A sala estava diferente... tinha um círculo formado por velas, incenso, cristais criando formas no chão e duas almofadas dentro do círculo de velas. Bastante impressionante, eu diria.

- Hoje é noite de Halloween... eu já percebi que temos algumas crenças em comum e sei que você gostaria de fazer algo especial pra noite de hoje. Então eu preparei um ritual. É bastante tranquilo e se trata de uma conversa, apenas.

- Que tipo de conversa? 

- O tipo silencioso de conversa. 

Nos sentamos de frente uma pra outra, cada uma em uma almofada. Ela recitou alguns parágrafos de um livro, mas era latim e ainda tenho algumas dificuldades em traduzir longos textos. Falou alguma coisa sobre invocar a Deusa e conversar com ela sem falar absolutamente nada por si.

Quando terminou de recitar uma frase de fechamento do ritual, pressionou minhas mãos contra as suas e abaixou a cabeça. Pude sentir que fiz o mesmo, mas inconscientemente. Ao nos olharmos novamente, ficamos perplexas, imóveis. E em silêncio.

Alguns bons minutos se passaram enquanto acontecia a conversa mais louca da minha vida. Nenhuma palavra estava sendo dita ali, mas meus pensamentos e os de Nani estavam completamente conectados e, junto das vozes incontroláveis das duas mentes, havia uma terceira.

Saímos desse transe e entramos em outro. Inevitável, digamos assim. Nada do que eu tinha ouvido nos minutos anteriores havia sido muito claro, mas tudo me parecia bastante óbvio agora. Certamente, nada daquilo que Nani me inspirava era sequer parecido com o que havia no meu passado.

Não, não, era bem melhor!

Continua...

17 de março de 2012

The Basement - There's pot all over my tits

Boa noite, queridos fãs inexistentes/imaginários da Holy Cow que eu devo ter desapontado as hell por ter levado tanto tempo pra postar algo novo sobre a banda.

Enfim, hoje foi um dia não mais do que comum pra nós, exceto pelo fato de termos um microfone um tanto quanto mais potente (pelo fato de não ter sido derrubado 1512 vezes no chão) agora e, finalmente, dá pra ouvir o que eu canto. 

Fizemos uma música nova hoje, que se chama The Last Song, mas não gravamos ainda. Abrimos o repertório, incluindo, assim, duas músicas novas, plus essa que compusemos, resulta em 5 covers e 3 próprias. Passadas por cima, ok, mas já é algo. 

A propósito, essa The Last Song fui eu quem escrevi (no news) e, bom, como sempre, fala de uma garota. Mas dessa vez é baseada em fatos pouco mais reais do que as duas outras que eu escrevi sobre garotas. Essa é um padrão, seguindo a ideia de Foo Fighters e Sleater-Kinney, que ambas as bandas possuem músicas com esse nome, onde falam sobre alguém. Pela última vez.

Então, isso foi meio que uma promessa minha... escrever essa música foi declarar que nunca mais escreverei nada pra essa garota ou sobre ela. Afinal, foi um tipo de "fechamento". By the way, cansei de levar bolo de quem eu convido pro ensaio, então, caso tenha sido convidado e me deu bolo, VAI TE FODER!

Caso contrário, you're still welcome to come.

Mas né, esse ensaio foi ótimo e, como todos, extremamente engraçado. E no próximo sábado tem de novo. Can't wait. 

Por hoje é isso aí, depois dos três textos abaixo, minha criatividade meio que se esgotou. Mas é isso aí, boa noite, durmam bem e até mais!

One Night Fairy Tale - Parte 3

Ela se levantou e me ajudou a levantar, me guiou de volta pra dentro de casa, abriu a porta do que parecia ser seu quarto, que era tão confuso quanto ela. Misturava tanta coisa ao mesmo tempo, mas mantinha um padrão escuro e simples. A complexidade estava apenas nos detalhes.

Escolheu um vinil e colocou pra tocar. Acho que ela tinha encontrado minha banda favorita. Lynyrd Skynyrd. Ela tinha um gosto musical admirável. Fora o fato de conservar o hábito do disco de vinil. Fechou a porta atrás de mim, fez um gesto que basicamente resumia um "fique à vontade". 

Realmente, uma garota de poucas palavras. Direta, mas subjetiva, confusa e complexa, mas de uma forma simples e tranquila. Não o tipo de garota que se vê todos os dias, obviamente. Ela estava escorada contra a parede. Sob a luz uma luminária de lava apenas, não teria muito o que melhorar na cena.

Ou teria. Caminhei até ela, segurei suas mãos levantadas contra a parede, ela sorriu. E aí estava dado o início do meu jogo de provocação. Ela era surpreendente... do nada, começava a cantar junto com a música que estava tocando como se não estivesse prestando muita atenção em mim. E aquilo só melhorava mais ainda.

Andou em direção a uma espécie de altar que tinha em seu quarto, acendeu um incenso e se deitou em sua cama como se eu nem estivesse ali. Isso me enfurecia de uma forma que despertava em mim uma vontade de obrigá-la a prestar atenção em mim e em mim. Exatamente por isso, concluo que era proposital.

E, bom, foi exatamente isso que eu fiz. Por incontáveis horas (que não tive tempo de contar), consegui prender sua atenção em mim e somente pra mim. Pegamos no sono depois que o sol já havia nascido. Aí eu entendi, finalmente, o que ela quis dizer sobre querer a noite de volta quando amanhecesse. 

Quando acordei, ela me observava de uma forma... peculiar. Ao lado, uma xícara de café, uma carteira de cigarros e um baseado. Olhei pra preparação dela por alguns instantes e quando voltei meus olhos pra ela, ela sorria de uma forma que me fez rir. 

- Esse é pra depois do café, - Disse olhando para o baseado - pra dar tempo de preparar o almoço. 

- Ok, agora você cozinha também? 

- Não, mas suponho que você cozinhe... eu corto os legumes. - Aquela cara de criança que havia aprontado... como diabos, em uma noite, aquela garota conseguia criar em mim esse tipo de sentimento? Eu sorri, não pude evitar. Peguei a xícara de café e a convidei para dividi-la, já que notei que só havia uma.

- Já tomei café, esse é o seu. 

- E... como você sabia que esse era meu cigarro favorito? 

- Mencionei que te observei bastante, né? Não subestime minha capacidade de observação! - Falou com ar de super heroína. Ela era mesmo uma garota que não se encontra por toda parte.

- Ok, ganhou vários pontos por prestar atenção. E qual é a do misticismo? Você não tem cara de quem acredita em algo além de... anarquia. E, bom, seu quarto meio que deixa claro que suas crenças abrangem pouco mais que isso.

- Pois é, isso é uma longa história que você pode ir descobrindo com o tempo.

- Tempo? - Acho que acabei de deixar claro que só pretendia estar ali por uma noite. Ela me olhou com um certo ar desapontado. Precisava consertar de alguma forma, não me fez bem vê-la daquela forma. - Por que não me explicar agora? Temos tempo suficiente...

Para o meu alívio, ela sorriu. Levantou e pegou um livro sem título. A capa era toda preta, o que me pareceu ser um diário. Esse pensamento logo se refez quando ela o abriu e começou a ler a primeira frase que continha no livro. 

- "No mundo inteiro, poucas coisas são inevitáveis. Uma delas é acreditar. Numa ideia, numa filosofia, numa religião, num deus, em qualquer coisa. Apenas acreditar. Isso é, digamos que um ponto de partida para nós, seres humanos. Nós precisamos acreditar em algo, não importa o que seja." 

Ela fechou o livro, colocou no mesmo lugar de antes e se sentou ao meu lado.

- O que eu acredito não tem um rótulo. Pra mim, nada é completamente certo ou completamente errado. É tudo relativo. Assim, tudo que eu acredito é uma mistura de um monte de coisas que, na minha visão, são relativamente corretas e positivas. E... bom, é isso.

- Uau, você realmente não é o tipo que dá pra ler facilmente...

E aquele sorriso que ela mantinha no rosto o tempo inteiro estava começando a me provocar algo que há muito não sentia. Nem sequer lembrava como era sentir isso. Pudera, tanto tempo estive me mantendo distante de todas as pessoas que um dia poderiam me fazer perceber isso de novo.

Percebi que ela tinha uma mania... aquela garota não funcionava sem música. Demorei pra perceber, mas quando acordei, ela havia mudado o disco. Pearl Jam. Eu poderia conviver com ela sem me cansar durante um longo tempo. E quando isso passou pela minha cabeça, é, bom, foi bastante impressionante.

Ela se levantou e me ofereceu uma camisa sua pra vestir. Ainda eram 9:37 da manhã, então ainda teríamos tempo pra começar a pensar em nos vestirmos.

Continua...

One Night Fairy Tale - Parte 2

- Hoje é noite de lua cheia, mas ela não está aqui, eu não consigo vê-la, ela não está lá em cima. - Ela afirmou, com um certo ar de tristeza.

- Claro que está, mas seu campo de visão é muito limitado pra vê-la daqui. - Isso era uma tentativa de consolo?

- Pois é... nem sempre nós podemos ver o que temos na nossa vida, mas as coisas estão lá. E nós ficamos esperando pelas coisas que nós vamos poder ver, mas quando elas chegam, nós queremos de volta as coisas que não podíamos ver antes. Assim é quando amanhecer. Eu vou querer a noite de volta, mesmo que não pudesse ver a lua.

Ok, qual era o ponto ali? Estava começando a ficar confusa... aquela era a garota que você procuraria pra um tempo de diversão e nada mais que isso. E de repente ela começa a me dar uma lição de vida? É isso? Tá, mas pra que, afinal?

- E no fim, nós estamos sempre assim, não? - Continuou - Estamos sempre procurando pelo que não temos e esquecemos de procurar no escuro pela coisas que nós já temos. 

- Onde você quer chegar com isso? - Ela virou o jogo, pelo visto... agora eu que não queria a provocação.

- Bom... eu sempre estive aqui no mesmo lugar. Te servi bebidas quase todo final de semana, subi no palco diversas vezes e você parece nunca ter me visto antes. Mas no dia que acendi seu cigarro numa escuridão quase que completa, você notou que eu estava lá. Estranho, não?

Como diabos eu nunca havia notado aquela garota? E quem era ela? Onde eu estive esse tempo todo pra perceber que ela existia e estava bem debaixo do meu nariz? E o mais importante: o que ela queria me dizer com tudo isso?

- Eu percebi algumas coisas sobre você... eu sei muito sobre você e nunca precisei fazer perguntas. Mas aposto que você não sabe nada sobre mim. Eu tenho uma leve impressão de que você me olhou e pensou a mesma coisa que todo mundo pensa, certo? Uma noite, nunca mais. 

- Pensei, admito. Mas... por que isso? Qual é a finalidade de tudo isso?

- Garota, não se apresse em saber as coisas que não devem ser apenas ditas. Tem coisas no mundo que a vida não ensina diretamente... só deixa a entender. E é assim que funciona aqui também. Provável que isso não vá a lugar algum, mas eu gosto de tentar e ver o que acontece.

- Então isso é um teste? É isso? - Ela estava me irritando de uma forma... bom, tanto quanto atraente.

- Não, isso é um aprendizado, um bom momento. Me diz que você não gosta de ficar chapada e olhar pras estrelas deitada na grama. E o melhor disso... filosofar, soltar alguns pensamentos que estavam presos dentro de você e não sairiam a qualquer hora.

- Claro que eu gosto...

- Mas você pensou que eu tinha te trazido aqui pra outra coisa, né? - Me interrompeu - Eu sei, todo mundo pensa.

- Você faz isso com todas as garotas que traz pra cá? 

- Não... só com as que eu acho que vale a pena fazer isso. É um ritual tanto quanto especial pra mim.

- E com quantas você já utilizou desse ritual pra conquistar? 

- Contando com você, uma.

Precisei me calar. Aquela garota tinha algo que não era comum... na verdade, nunca havia visto nada parecido em ninguém que já tivesse cruzado a minha vida. Ela... bom, prestava, digamos assim. Quem diria, não? Ela me olhou percebendo meu silêncio, eu soube o que seus olhos queriam me dizer. 

Ela me chamava pra perto. Deitei escorada no seu braço onde continuamos olhando pras estrelas por alguns minutos mais. Por mais que não houvesse uma palavra sequer, era confortável. O silêncio, seu abraço, deitar na grama e olhar pro céu, tudo com ela estava sendo confortável.

- Eu quero te perguntar algo... - Disse aguardando uma aprovação. Ela abaixou a cabeça como para me ouvir melhor e continuei - Qual a finalidade disso? Você não me respondeu.

- A finalidade é te apresentar algo que você nunca teve antes. 

- E como você sabe disso?

- Relutância.

- Você não é muito de grandes explicações, não? - Ela apenas sorriu, reafirmando o que eu havia dito. 

- Então... eu tenho te visto há mais ou menos um mês e meio entrando no meu bar todo fim de semana e sentando no mesmo lugar. Sozinha. Rejeitando todo e qualquer convite que te fazem. Notei que você não carrega nenhuma aliança ou sinal de pertencer à alguém e você meio que virou um tipo de fascinação minha... uma curiosidade, digamos assim.

- E qual era a do jogo de sedução, então? 

- Eu não poderia chegar até você sem a minha máscara e sabia disso... quem olha pra mim, cria uma imagem e eu acabo usando isso como um escudo pra quem eu sou de verdade. Poucos conhecem essa parte de mim, poucos cruzam essa linha da minha vida. E eu quis te mostrar meu mundo...

- É fascinante, devo admitir... - Sorri e pude sentir que ela estava sorrindo também. Acho que eu havia acabado de apertar o botão "start" de um conto de fadas de uma noite.

Continua...

One Night Fairy Tale - Parte 1

Ela pegou o isqueiro da minha mão e acendeu meu cigarro. Mal pude ver seu rosto enquanto ela o fazia, a escuridão do local me impossibilitava de ver qualquer coisa claramente. E faça-se a luz, por favor? Não, não iria funcionar.

Pude ver um sorriso malicioso bem de canto enquanto a chama do isqueiro ainda iluminava a ponta do meu cigarro. Não pude evitar sorrir de volta. Eu a ofereci o cigarro, mas não consegui ver sua reação a isso. Bom, ela pegou o cigarro, se aproximou da minha boca. Peruana, que eficaz.

- Quer dar uma volta? - Que voz deliciosa era aquela? 

- Pra onde? - Ótimo, claro, pedir pra onde é a melhor coisa que você poderia dizer agora. Isso aí, campeã!

- Algum lugar com... luzes, quem sabe? - Lendo meus pensamentos? Mas já?

Apenas sorri e ela me ofereceu sua mão. De alguma forma (ainda não entendi bem como) conseguimos nos desvencilhar da multidão e sair daquela festa. Que, por sinal, estava bastante chata até eu decidir fumar um cigarro. A banda era razoável, mas não agradou muito, numa visão geral.

Fora do bar, eu soube que conhecia aquela garota de algum lugar... aquele rosto não poderia ser estranho. E não era! Pelo menos eu acho... lembro-me vagamente de a ter visto cantar com uma banda esquisita naquele mesmo bar. A banda não era o máximo, mas também não deixava a desejar. Ao menos eles sabiam como animar o público.

Ela tinha aquela típica cara de "estou te tirando daqui pra te levar pra melhor noite da sua vida e nunca mais aparecer na sua frente outra vez". E, bom, era mais ou menos isso que eu estava precisando. Ela me guiou até a casa ao lado do bar, que era onde eu havia ouvido falar que os donos do bar moravam.

Abriu a porta de uma forma que deixava clara que não tinha ninguém em casa e, que se tivesse alguém, não se incomodaria. Um ambiente bastante diferente, não tinha muitas luzes, só algumas luminárias num estilo new age, completamente inesperado, vindo de alguém como ela.

Pegou um baseado de cima do balcão da cozinha e acendeu. Nenhuma palavra dita até aqui. Eu apenas olhava pra ela, um tanto quanto perplexa. O que diabos aquela garota tinha? O que ela queria? Ela levantou a cabeça e seus olhos atravessaram a cozinha até encontrarem os meus, na porta, imóveis.

Caminhou até mim, acendeu o baseado e o entregou a mim. Minha vingança: peruana. Ok, não só isso, dessa vez. Finalmente, certo? Ela parecia esperar por mim, esperar que eu guiasse toda a situação. O que era realmente ótimo. Esse é exatamente meu papel favorito.

As almofadas da sala pareciam um lugar bastante confortável pra terminar aquele baseado. E foi o primeiro pensamento, assim como o primeiro ato. Porque a melhor parte do jogo todo é provocar o desejo, a demora, mas dentro do tempo correto. E eu sempre soube qual era esse tempo...

Apesar do fato de eu estar meio que morrendo de curiosidade pra conhecer seu quarto, estava morrendo de vontade de ver como ela reagia à provocação. Ela apenas me olhava esperando que eu tomasse o primeiro passo. E eu fazia o mesmo. Ela queria, não? Então ela teria que vir pegar.

E assim permanecemos, nos olhando por alguns minutos. Que, por sinal, pareceram uma eternidade.

- Você tem um nome? - Eu sabia que ela não ficaria calada por muito tempo... mas que forma era aquela de perguntar meu nome?

- Minha mãe esqueceu de me dar um, mas quando eu cresci, notei que era necessário pra viver nesse mundo. Hoje sou conhecida como Emilie. E você? 

- Nani. - Ela provavelmente não tinha um vocabulário muito vasto.

O silêncio se fez presente novamente, e assim se manteria até que ela o quebrasse novamente. Ela teve coragem o suficiente pra acender meu cigarro no bar, não? Que fosse da mesma forma agora, sem ninguém olhando. Estava um tanto quanto curiosa pra saber o que aconteceria depois disso.

Não foram muitos minutos até que ela começou a falar.

- Ok, tem algo que eu quero te mostrar. Vem comigo? - Apenas me levantei e a segui pela casa. Ela abriu a porta dos fundos e me mostrou um jardim. Muito bem cuidado, por sinal. Alguém naquela casa tinha uma grande paixão por natureza. E pelo visto era ela. Que surpresa, hein!

Ela pegou minha mão novamente e me levou até o centro do jardim, onde estendeu um pano na grama e se deitou olhando para o céu. Deitei ao seu lado em silêncio e assim permanecemos por mais alguns segundos. Até que ela começou a falar. 

Continua...

10 de março de 2012

That's not me killing time... that's time killing me

Sabe aquele dia que todas as coisas dão super certo e cooperam pra que você tenha um dia produtivo e calmo, sem nenhum motivo pra estresse? Então, não é hoje!

Por quê? Bom, começando pelo fato de o ensaio ter sido cancelado porque a baixista teria que trabalhar. Até aí tudo bem, transferimos pro domingo. Aí o baterista me liga cancelando porque sua avó está no hospital e ele precisa ir lá.

Tive que trabalhar, acordei cedo pra caralho e uma professora da OG me liga dizendo que estava chegando na minha casa pra matar tempo. ÀS SETE E QUINZE DA MADRUGADA!

Chegando no trabalho, aquela coisa estava fervendo logo que coloquei meu pé lá. Telefone que não parava de tocar, gente que não parava de solicitar 1512 coisas ao mesmo tempo. Ainda não entenderam que tem UMA recepcionista pra 580 alunos.

Pra melhorar meu dia, meu almoço demorou tipo, umas duas eternidades pra chegar na mesa. Devorei aquele xis de uma forma cruel e meio que... não foi legal pro meu estômago.

À tarde, todas as lojas que eu QUERIA ir estavam milagrosamente fechadas. Tive o desprazer de ver um bêbado fodendo uma árvore e, como se não bastasse, perseguindo a Nanda e eu.

Me atrasei pra chegar em casa, levei um puta xingão, a Nanda estava podre e não quis ficar pra comermos batatas fritas e assistirmos Buffy, aí não tinha comida pra mim em casa, visto que meus pais sairam.

Tive que comer amendoim salgado, Nescau cereal e uma tentativa de cachorro quente. Tomei um banho com incenso aceso enquanto meus pais não estavam e quase caí de sono vendo Buffy, sendo arduamente interrompida por vizinhos querendo vaga no estacionamento.

Agora, pra completar tudo isso, caí da internet desde uns 5 minutos até decidir escrever esse texto e continuo assim. Meu player só toca choradeiras do caralho e não encontra minhas gritarias.

Ah, e eu estava no meio de uma conversa bastante interessante. Daora a vida, hein!

E, a propósito, postei essa merda roubando os fios da internet do meu pai, já que a minha não volta nem que eu escale o quarto andar do prédio pra pegar sinal perfeito (y).

3 de março de 2012

The Basement - Are you ready for the best part of your fucking life?

E pra enfeitar esse post, nada melhor que nossa foto gay com flores nas orelhas, haha.

Então hoje foi o dia das decisões. Reunião da banda, discussão de relacionamento, hoje foi o dia de lavar a roupa suja. E, afinal, hoje descobrimos que isso é, pra todos nós, a melhor parte das nossas vidas.

Hoje foi o dia que ensaiamos levando mais a sério, que precisamos cozinhar pra ter o que comer (e, por sinal, foi uma refeição digníssima), que tivemos que andar uma cara numa rodovia federal até um posto pra conseguir comprar uma Pepsi (que era super barata, aí sobrou dinheiro pra Heineken, que depois rendeu chaveiros de tampinha).

Fizemos nosso setlist hoje, que promete muito, a propósito. A reunião aconteceu no escuro, com uma vela acesa no meio da sala, acompanhada de fritas que ganhamos da mãe e da irmã da Nanda (são um amor, não?) e a Pepsi que compramos no posto super longe.

Colhemos flores, tiramos fotos idiotas na estrada, (Nanda) batemos a cabeça em placas, corremos pra não morrer atropelados, cumprimentamos carros que passavam e ficavam nos olhando (gente com flores nas orelhas deve ser meio exótico)... e afinal, hoje foi o dia mais produtivo da história da Holy Cow.

Bom, isso tudo fora nosso almoço debaixo de uma árvore. Ser pobre até pode ser bastante divertido...