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17 de março de 2012

One Night Fairy Tale - Parte 1

Ela pegou o isqueiro da minha mão e acendeu meu cigarro. Mal pude ver seu rosto enquanto ela o fazia, a escuridão do local me impossibilitava de ver qualquer coisa claramente. E faça-se a luz, por favor? Não, não iria funcionar.

Pude ver um sorriso malicioso bem de canto enquanto a chama do isqueiro ainda iluminava a ponta do meu cigarro. Não pude evitar sorrir de volta. Eu a ofereci o cigarro, mas não consegui ver sua reação a isso. Bom, ela pegou o cigarro, se aproximou da minha boca. Peruana, que eficaz.

- Quer dar uma volta? - Que voz deliciosa era aquela? 

- Pra onde? - Ótimo, claro, pedir pra onde é a melhor coisa que você poderia dizer agora. Isso aí, campeã!

- Algum lugar com... luzes, quem sabe? - Lendo meus pensamentos? Mas já?

Apenas sorri e ela me ofereceu sua mão. De alguma forma (ainda não entendi bem como) conseguimos nos desvencilhar da multidão e sair daquela festa. Que, por sinal, estava bastante chata até eu decidir fumar um cigarro. A banda era razoável, mas não agradou muito, numa visão geral.

Fora do bar, eu soube que conhecia aquela garota de algum lugar... aquele rosto não poderia ser estranho. E não era! Pelo menos eu acho... lembro-me vagamente de a ter visto cantar com uma banda esquisita naquele mesmo bar. A banda não era o máximo, mas também não deixava a desejar. Ao menos eles sabiam como animar o público.

Ela tinha aquela típica cara de "estou te tirando daqui pra te levar pra melhor noite da sua vida e nunca mais aparecer na sua frente outra vez". E, bom, era mais ou menos isso que eu estava precisando. Ela me guiou até a casa ao lado do bar, que era onde eu havia ouvido falar que os donos do bar moravam.

Abriu a porta de uma forma que deixava clara que não tinha ninguém em casa e, que se tivesse alguém, não se incomodaria. Um ambiente bastante diferente, não tinha muitas luzes, só algumas luminárias num estilo new age, completamente inesperado, vindo de alguém como ela.

Pegou um baseado de cima do balcão da cozinha e acendeu. Nenhuma palavra dita até aqui. Eu apenas olhava pra ela, um tanto quanto perplexa. O que diabos aquela garota tinha? O que ela queria? Ela levantou a cabeça e seus olhos atravessaram a cozinha até encontrarem os meus, na porta, imóveis.

Caminhou até mim, acendeu o baseado e o entregou a mim. Minha vingança: peruana. Ok, não só isso, dessa vez. Finalmente, certo? Ela parecia esperar por mim, esperar que eu guiasse toda a situação. O que era realmente ótimo. Esse é exatamente meu papel favorito.

As almofadas da sala pareciam um lugar bastante confortável pra terminar aquele baseado. E foi o primeiro pensamento, assim como o primeiro ato. Porque a melhor parte do jogo todo é provocar o desejo, a demora, mas dentro do tempo correto. E eu sempre soube qual era esse tempo...

Apesar do fato de eu estar meio que morrendo de curiosidade pra conhecer seu quarto, estava morrendo de vontade de ver como ela reagia à provocação. Ela apenas me olhava esperando que eu tomasse o primeiro passo. E eu fazia o mesmo. Ela queria, não? Então ela teria que vir pegar.

E assim permanecemos, nos olhando por alguns minutos. Que, por sinal, pareceram uma eternidade.

- Você tem um nome? - Eu sabia que ela não ficaria calada por muito tempo... mas que forma era aquela de perguntar meu nome?

- Minha mãe esqueceu de me dar um, mas quando eu cresci, notei que era necessário pra viver nesse mundo. Hoje sou conhecida como Emilie. E você? 

- Nani. - Ela provavelmente não tinha um vocabulário muito vasto.

O silêncio se fez presente novamente, e assim se manteria até que ela o quebrasse novamente. Ela teve coragem o suficiente pra acender meu cigarro no bar, não? Que fosse da mesma forma agora, sem ninguém olhando. Estava um tanto quanto curiosa pra saber o que aconteceria depois disso.

Não foram muitos minutos até que ela começou a falar.

- Ok, tem algo que eu quero te mostrar. Vem comigo? - Apenas me levantei e a segui pela casa. Ela abriu a porta dos fundos e me mostrou um jardim. Muito bem cuidado, por sinal. Alguém naquela casa tinha uma grande paixão por natureza. E pelo visto era ela. Que surpresa, hein!

Ela pegou minha mão novamente e me levou até o centro do jardim, onde estendeu um pano na grama e se deitou olhando para o céu. Deitei ao seu lado em silêncio e assim permanecemos por mais alguns segundos. Até que ela começou a falar. 

Continua...

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