Não tenho aparecido muito por aqui ultimamente, mas é como dizem, o drama inspira, mas a felicidade ocupa demais a mente, não deixa espaço pro ócio, pro tédio e, como consequência, pra criatividade. Discordando. Na verdade, só não tive sobre o que escrever.
Ou tive, mas não quis. Enfim, as coisas ficaram bem estranhas pra mim e digamos que ainda não voltaram ao normal. Como um resumo, o texto anterior diz muito. Certo, isso e mais alguns detalhes. Indo em frente, explicarei alguns desses detalhes...
Sempre disse que sou uma pessoa de muita sorte por poder confiar com a minha vida em quase duas mãos cheias. Um a menos. E era um dos que eu mais confiava... quem diria? Não eu, certamente. Gente mentirosa, dissimulada, falsa e "vida dupla" ao estilo 007-amigo-pau-no-cu, dispenso!
Estive lendo alguns dos meus textos dos últimos dois meses, lembrando de como ficou minha vida durante uma das últimas crises, passando pelo tempo que as coisas melhoraram pra mim e voltando ao bom e velho drama. Certo que não voltei ao drama por completo, o equilíbrio se manteve.
Fora tudo isso, a volta à leitura e a falta de coisas pra fazer trouxeram minha criatividade de volta. Em partes. No momento, a garota que inspirou os quatro últimos meses das minhas paixonites desenfreadas por esse blog está num hospital se recuperando de uma cirurgia.
Como eu disse, num dia acordo e tudo está normal, no dia seguinte minha namorada tem uma trompa só. Parece piada, mas eu não estou rindo. Não foi nem remotamente divertido, na verdade. No texto anterior, expressei um desapontamento que logo passou.
Não por completo, claro, mas passou. Diante da situação, me conformei que seria "pai" (ou pãe, como sugeriu uma amiga) e até passei a gostar da ideia, imaginar como seria daqui oito meses e alguns dias. E pasmem, nem a tragédia deu certo pra mim.
Na verdade, saberei se deu certo quando o futuro me mostrar os motivos. Por enquanto, só imagino mesmo. Depois de ser traída de todas as formas possíveis pelo cara que se dizia meu melhor amigo, meu irmão, lidei com a situação melhor do que o imaginado e mesmo assim não "fluiu".
Enfim, não serei mais "pãe" por enquanto. No futuro, certamente, já que agora meu senso paternal está todo afloradinho e "pronto pra uso" (dentro de 9 meses). Mas a novidade da vez é outra: eu a amo demais! Ok, ok, não tem nada de novidade, mas só pra deixar claro que eu nem sabia que a amava tanto assim...
Agora, cada vez que olho pra ela, sinto vontade de escrever poemas sobre os traços do seu rosto, sobre a forma como ela dorme com a boca entreaberta e os lábios dela se movem, sobre a minha tentativa balbuciante de admirar mulher tão linda.
Por assim ficamos sobre ela, antes que eu comece a me contorcer de saudade e vontade de vê-la, o que se dificultou ainda mais pelo fato de ela estar hospitalizada. Amanhã, quem sabe, conseguirei cuidar dela até que receba alta na quinta-feira.
E por fim, quero contar-lhes sobre uma mudança... Em Stone Fields, escrevi que havia entendido que eu teria de mudar. Em I'm Complete, comecei a deixar claro o início da mudança. Muitas coisas aconteceram desde então e eu tenho enfrentado meus medos.
Medo de insetos voadores já está quase abolido da minha vida. Medo de ficar sozinha, check! E o último, que perdi nesse sábado, foi o medo de me perder em uma festa. Explicarei: depois de muito tempo sem sair à noite, prometi que assistiria ao show de uma banda de amigos meus (mind blowing, a propósito).
Cheguei lá sozinha e já vi quem não queria ver (o tal amigo que me traiu). Era a banda dele que estava no palco quando entrei (e já não estava mais sozinha), curti algumas músicas e percebi que o desgraçado deu uma de covarde, tocou e deu no pé. Pf, que maricas, fugindo de mim!
Ou quem sabe ele tenha percebido a muralha de amigos fortões que eu encontrei por lá e resolveu ser sensato e manter uma distância confortável de mim. Covarde, porém razoavelmente esperto, já que não ia sobrar muito dele e não se resumiria ao esbarrão brutal que ele levou.
Tinha conhecidos por toda parte. Não fui com ninguém até lá, cheguei sozinha e saí da mesma forma, mas pude andar por todo o bar sem que me incomodasse com a falta de alguém sempre do lado. Foi uma superação e tanto pra alguém que não suportava passar um segundo sozinha em shows.
Rammstein cover, eu nem sei as letras de cor! Mas gritei junto, pulei, cantei enrolando a língua (é só alemão, tenho esse direito), suei naquele calor infernal (mas isso acho que todo mundo também fez), fiz daquele o melhor show que já assisti nessa cidade. Era uma infinidade de gente!
E no final, medos superados, desafios enfrentados, muros derrubados. Agora é caminhar pelos destroços, juntar o que ainda é útil e colocar na próxima construção. Mas essa, queridos, vai ser bem melhor! Aprendi a dizer que a vida nos esbofeteia quando não entendemos a lição da forma fácil. Estou ainda com as marcas dos dedos nas minhas bochechas.
Assim pretendo continuar. Cada vez que vejo essas marcas no espelho, percebo que fui forte o suficiente pra encontrar a saída mais fácil antes que minha vida desmoronasse. O pior já passou, isso eu sei. Por mais que as coisas ruins batam à porta agora, sou mais forte e mais durona, vão se assustar e sair correndo.
Mas isso é de agora, isso é do último aprendizado, é de enfrentar os medos e conhecer a si mesmo. Não tem nada mais forte que eu nesse mundo agora, não tem problema nenhum que vai conseguir me derrubar. Vão precisar de algumas toneladas de concreto pra me calar dessa vez, terão de me enterrar viva se quiserem minha desistência.
Me livrei do que é ruim (isso inclui um certo "amigo", pra que fique claro) e agora só tenho a ganhar. Que venham as boas coisas, então! Que essa cicatriz cure logo, que tiremos logo os pontos e sigamos em frente com o que a vida tem de bom guardado pra nós. Estou aqui, preparada pra tudo que vier, esperando todas as chances que me forem dadas.
E do fôlego que é feito o meu interior, que dele se componha cada molécula do meu ser. Invencível. Ah, eu sou, sim, e não me diga que não (modéstia à parte).
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