Talvez ela não tivesse percebido, mas o que ela queria dizer com "eu deveria ser a única garota com quem tu dorme" e seguindo isso com a frase "só tu não sabia que tu é lésbica"? Acho que já estava delirando e imaginando coisas.
- Ana, eu sempre percebi que tu era diferente das outras gurias e... meio gay. Mas, bom, não vejo nenhum problema nisso, por que tu veria?
- Tu não tá usando nada, né, Mila? - Pude sentir a "poker face" dela e tive de rir com isso.
- Ah, Aninha, vai te catar! Eu já me liguei que tu anda curtindo essa Bruna aí, só quero saber se tu também está curtindo com ela. - Deu ênfase no "com".
- Deixa isso pra lá e outra hora eu te explico, ok? Agora me fala sobre você. - Não dei tempo de escolha.
- Então, estou saindo da clínica... agorinha. E em uns dois dias estarei aí.
- Uau, que maravilha! Mas e agora, como fica minha ansiedade?
- Essa tu mata com a Bruna...
- Hey, hey! Pára com isso!
- Parar com o quê? Só estou falando o que eu sei que vai acontecer, oras. Tu não sabe esconder, já te disse isso.
- E tu não consegue conter o ciúme, né? - Mila é do tipo que só provoca quando há algo que ela quer que passe despercebido.
- Verdade! Mas afinal, não te ligarei até estar chegando aí pra combinar tudo, então morra de saudade de mim. Ou melhor, fique viva e não desconte a saudade em ninguém, me entendeu?
- Aham, aham. Estarei intacta e pronta pra matar a saudade de ti - com ênfase - quando tu vier.
Mais algumas provocações, despedidas e, bom, eu estava dividida.
Não sei bem em que parte dessa conversa eu achei que Mila também tivesse "algo" por mim. O mesmo algo que eu tinha por ela. Ou pelo menos eu esperava isso. Bruna foi me encontrar dizendo que notou que saí correndo sem dizer pra onde ia com cara de decepção.
Ah, droga!
O que diabos eu estava fazendo? Perdeu a cabeça, Ana? Eu estava me envolvendo com um clone da garota que eu realmente gostava. E pra quê? Bom, eu obviamente não saberia responder. Bruna me abraçou com ar protetor e, bom, eu fiquei sem ação.
Voltamos pra casa num silêncio esquisito, mas parecia familiar. Aquele silêncio onde as mentes estão conectadas, sabe? Pois é, esse mais assustador aí mesmo.
Continua...
Continua...