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19 de outubro de 2011

New life, old memories - Capítulo 13

Talvez ela não tivesse percebido, mas o que ela queria dizer com "eu deveria ser a única garota com quem tu dorme" e seguindo isso com a frase "só tu não sabia que tu é lésbica"? Acho que já estava delirando e imaginando coisas.

- Ana, eu sempre percebi que tu era diferente das outras gurias e... meio gay. Mas, bom, não vejo nenhum problema nisso, por que tu veria?

- Tu não tá usando nada, né, Mila? - Pude sentir a "poker face" dela e tive de rir com isso.

- Ah, Aninha, vai te catar! Eu já me liguei que tu anda curtindo essa Bruna aí, só quero saber se tu também está curtindo com ela. - Deu ênfase no "com".

- Deixa isso pra lá e outra hora eu te explico, ok? Agora me fala sobre você. - Não dei tempo de escolha.

- Então, estou saindo da clínica... agorinha. E em uns dois dias estarei aí.

- Uau, que maravilha! Mas e agora, como fica minha ansiedade? 

- Essa tu mata com a Bruna...

- Hey, hey! Pára com isso!

- Parar com o quê? Só estou falando o que eu sei que vai acontecer, oras. Tu não sabe esconder, já te disse isso. 

- E tu não consegue conter o ciúme, né? - Mila é do tipo que só provoca quando há algo que ela quer que passe despercebido.

- Verdade! Mas afinal, não te ligarei até estar chegando aí pra combinar tudo, então morra de saudade de mim. Ou melhor, fique viva e não desconte a saudade em ninguém, me entendeu?

- Aham, aham. Estarei intacta e pronta pra matar a saudade de ti - com ênfase - quando tu vier. 

Mais algumas provocações, despedidas e, bom, eu estava dividida.

Não sei bem em que parte dessa conversa eu achei que Mila também tivesse "algo" por mim. O mesmo algo que eu tinha por ela. Ou pelo menos eu esperava isso. Bruna foi me encontrar dizendo que notou que saí correndo sem dizer pra onde ia com cara de decepção.

Ah, droga!

O que diabos eu estava fazendo? Perdeu a cabeça, Ana? Eu estava me envolvendo com um clone da garota que eu realmente gostava. E pra quê? Bom, eu obviamente não saberia responder. Bruna me abraçou com ar protetor e, bom, eu fiquei sem ação.

Voltamos pra casa num silêncio esquisito, mas parecia familiar. Aquele silêncio onde as mentes estão conectadas, sabe? Pois é, esse mais assustador aí mesmo.

Continua...

15 de outubro de 2011

New life, old memories - Capítulo 12

Não pude dizer que não estava feliz com tudo isso, mas senti a consciência pesando. Mila de novo. Eu tinha alguns motivos pra achar a ideia completamente normal, mas estava achando tudo louco demais. Ainda estava presa à Mila.

Passei alguns momentos recuperando a consciência enquanto nos arrumávamos pra procurar emprego novamente. Meu celular tocou e eu atendi correndo, esperando que fosse Mila. Era de um emprego. Queriam que Bruna e eu voltássemos lá pra uma entrevista, porque eles haviam gostado de ambas.

Disseram que era só pra oficializar, mas se quiséssemos, era contrato certo. O salário era bom, a oferta era ótima. E trabalharíamos juntas. Saímos correndo pra lá. Eu estava com uma estranha confiança que me parecia um tanto nova.

Proximidade. Não sei se era bom, mas parecia ótimo. Afinal, um novo paralelo havia se aberto pra nós agora, tudo estava muito mais claro. As coisas estavam dando certo.

- Tu parece estar pensativa. Muita bagunça nessa cabecinha? - Ela me abraçou num gesto de afeto inesperado.

- Estou sim... mas não é bagunça. Estou pensando que agora está tudo se resolvendo. Gostei disso tudo.

- Tudo mesmo? Hm... - Provocações ilimitadas desde ontem à noite.

- Tudo, tudo! 

- E será que vamos dar certo com tudo também?

- Quais partes?

- Nós... esse emprego... a faculdade... será?

- Bom, somos dedicadas... Acredito que sim! 

- Não sei não, hein... estou em dúvida sobre nós.

- Como assim?

- Não sei se aguento sem me apaixonar por ti.

- Não seria um problema, já que eu também não sei.

- Vamos deixar assim...

- ... e ver o que acontece. - Ih, completando frases, Ana? 

- Isso aí! - Ela sorriu - Você viu minha camiseta? - Disse rindo.

- Hm, essa que tu está vestindo?

- Ah, eu já vesti? - Começamos a rir da proeza. Me incomodou o pensamento de que Mila fazia essas trapalhadas o tempo todo também.

- Ê, vai lá terminar de se arrumar, vai!

- Ok, você quem manda.

Saímos correndo pra chegar cedo lá. Era uma livraria muito bacana, tinha seção de usados e um café. Super completa, nos atraiu logo de cara e deixamos currículo. Quando chegamos lá, deu pra notar que eles costumavam contratam bastante gente como nós: universitários de cursos semelhantes.

Começaríamos no dia seguinte. Ótimo! Ainda tinha algumas poucas coisas pra resolver, mas o resto estava se acertando. E muito bem, por sinal. Até que meu celular tocou. Era Mila. E eu não sabia esconder nada dela. 

- Bom dia, Aninha!

- Pode me chamar de "trabalhadora" agora, também, haha.

- Sério? Que maravilha, cara! Fico feliz por ti.

- E é um combo, ainda. A Bruna foi admitida no mesmo lugar!

- Ih, acho que estou com ciúmes dessa Bruna, hein...

- Ê, como assim?

- Ela tá sempre contigo por aí e eu não. Não vai ficar mais amiga dela do que minha hein! E não quero saber de vocês duas dividindo camas! - Opa...

- Hm, porque?

- Oras, eu deveria ser a única garota com quem tu dorme. - Não aguentei, ri.

- Bom... er...

- Tu já dividiu cama com ela? - Mila sabia soar apavorada.

- Er...

- Que bom que tu não sabe esconder nada de mim. Não quero saber, vamos acabar com isso já, já, ok?

- Hey, não! - Soando cada vez mais transparente.

- Tu não andou pegando ela também, né? - Ops.

- Por que tu tá me perguntando isso?

- Ah, Ana, qual é... só tu não sabia que tu é lésbica.

- Como? - Agora eu que estava soando apavorada.

Continua...

12 de outubro de 2011

New life, old memories - Capítulo 11

Suave, gentil, macia, de rosto lisinho pela falta da barba por fazer, cheia de curvas e... tão diferente! Tudo que eu não gostava num homem não existia nela. E, tudo que eu gostava, estava e predominava nela. Me perdi naquela novidade durante um tempo que eu não tive tempo de contar.

Ela respondia aos meus toques de formas tão inesperadas quanto lhe era possível. Ali, eu não a conhecia. E ela também não parecia saber o que eu pensava. Ambas de nós, exploradoras, crianças com brinquedo novo. Ou com o cachorrinho novo... que o prazer é recíproco.

Exato, reciprocidade! Era isso que estava faltando quando o segundo personagem era um homem. E eu havia descoberto qual era o gosto da reciprocidade naqueles minutos insanos. Nenhuma das duas sabia bem o que estava fazendo, mas ambas de nós estávamos descobrindo um universo paralelo do qual não queríamos mais sair.

Aos poucos eu percebia algumas coisas novas e sensações que eu não tinha a menor ideia de que poderiam existir.E aquilo era tudo, ela era, durante aqueles instantes, uma extensão de mim. A extensão que eu realmente não queria que saísse dali.

Incontáveis bons momentos, pegamos no sono ali mesmo, dividindo cama, abraçadas. Tão quente e confortável, assim como dormir com o ursinho preferido numa noite de inverno e sentir que ele te esquenta e não quer nada mais de ti além de companhia.

Por que tão linda? Por que tão suave? Por que tão confortável? Por que tão... mulher? Apaixonante mulher. E aquela vontade de ficar ali por todo o tempo que a vida me permitisse viver. Como se ela fosse o meu destino, o meu hoje e amanhã, o começo e o fim.

Ela certamente era o começo. "Eletric blue eyes", como diz a musica do Cranberries, assim eram os olhos dela. Passaram pra mim aquela eletricidade e cá estamos, num paralelo de corpos quentes, despidos de sensatez, racionalidade e... bom, essa parte já ficou bem clara.

O cheiro suave de mulher infestando minha mente e todos os meus sentidos. Nessa noite, meus sonhos foram... explosivos. Secretamente, eu queria isso há muito mais tempo que havia percebido. E agora que eu tinha, não negaria mais.

Pela manhã, eu a acordei com um beijo suave no ombro.

- Hm... que horas são?

- Uau, tão a pergunta que eu queria agora! - Respondi cheia de sarcasmo.

- Desculpa, deixa eu acordar de novo. - Fingiu estar dormindo. - Ok, agora é a parte que tu refaz o beijo pra eu acordar...

- Ah, ok... - Disse rindo e "obedeci a ordem". Ela fingiu "re-acordar" sorrindo.

- Eu meio que perdi completamente a noção do tempo com a noite de ontem e gostaria de saber que horas são pra ter uma pequena ideia se podemos aproveitar mais um pouco por aqui ou temos que levantar logo... bom dia! - Sorriu e me fez sorrir. Criança brincalhona.

- Temos mais duas horas - Falei com ênfase na hora, soando como "você pode ir em mais dois brinquedos antes de irmos embora do parque" e recebi a mesma resposta que se essa tivesse sido a minha afirmação.

- Opa, então melhor começar a aproveitar agorinha! Não quero correr o risco de ficar inútil e cansada mais tarde, então temos que deixar um tempo pra recarregar...

- Quem manda aqui não sou eu mesmo, então...

Bom, eu havia me rendido de todas as formas que era possível uma rendição. Meu medo se confirmou estar correto, porque, bom... eu não reclamaria por um segundo daquela noite. E nem ousaria recusar uma repetição dela. Então, estava correto: eu era lésbica.

E pelo que parecia, Bruna também. Mas dessa vez, eu não queria lutar contra isso.

Continua...

8 de outubro de 2011

New life, old memories - Capítulo 10

Os dedos dela se enroscaram nos meus, as mãos dela puxavam minha camiseta e, em fusão com as minhas mãos, tocavam minha barriga e arrancavam outro daqueles arrepios. Lembrei dos tempos que dividia cama com Mila. Geralmente dormíamos abraçadas, mas com ela eu era livre... ou não tanto quanto pensava ser.

"Que ótimo, Ana! Está dividindo cama com uma garota que você está desesperadamente a fim e está te provocando loucamente e você aí, se fazendo de forte quando sabe que não vai durar até o próximo minuto. E pior: pensando em outra garota. Que lésbica, hein!" 

- Minha mente me condena! - Sussurrei para o nada sobre o último pensamento que tive.

- O que tu disse?

- Disse que minha mente me condena... o último pensamento que tive acabou com a frase "que lésbica, hein", se referindo a mim...

- Ana, te rende!

- Não.

- Ok, última chance: te rende!

- Não vou me render.
- Eu disse que era a última chance!

- E o que tu vai fazer? Me obrigar? - Ih, o medo bateu de novo. Calma aí... quando é que ele tinha ido embora?

- Exato!

Ela se escorou num braço, meio sentada, soltou minha mão e levou a sua até meu rosto. Foi inevitável, me virei de frente pra ela. E, bom, ela me beijou. Tanta coisa passou pela minha cabeça naquele momento, que a única coisa que eu consegui fazer foi afastá-la e fazer uma afirmação tosca.

- Ok, o teste falhou.

- Como assim? Não gostou?

- O contrário... eu senti tudo que eu esperava que algum cara me fizesse sentir e... foi com uma garota que eu consegui sentir isso!

- Que coincidência! 

Nos olhamos por alguns segundos com a ajuda da única luz que tínhamos ali: a tela do notebook da Bruna. Diferente de tudo que eu já havia feito, pensado ou tentado, eu tinha uma garota na minha cama. Ela sorriu. Talvez minha cara estivesse, novamente, transparecendo muito meus pensamentos.

- Tu nunca poderia jogar poker... - Entendi a piada e, realmente, eu transparecia demais.

- Tu daria uma ótima vendedora.

- Por quê?

- Poder de persuasão.

- Ah, isso eu sempre soube. - Ar de convencida, me convenceu.

- É errado?

- O que?

- Eu te querer agora mais do que antes.

- E isso é muito?

- É.

- Bom, eu sinto o mesmo... então acho que não é errado. 

- Ainda precisamos dormir, lembra?

- Perdi o sono. 

- Eu também.

- Quer fazer outra coisa?

- Fechou.

Continua...

5 de outubro de 2011

New life, old memories - Capítulo 9

- É tarde, melhor dormirmos. - Eu ainda esperava que ela desistisse. Por algum motivo, sabia que ela não desistiria.

- Eu quero fazer esse teste.

- Como?

- Juntaremos os colchões e dormiremos próximas. Se não conseguirmos controlar a vontade, vamos ver no que dá.

- Sabia que eu tenho medo de ti, Bru?

- Por quê? - Aquela cara de criança que rouba doce e nega que roubou causou um arrepio na minha espinha, o que me fez ter certeza de que eu a queria.

- Por isso! 

- Isso o que? - Entende e se faz de desentendida.

- Porque eu sei que eu quero e eu sei que tu não hesitaria.

- Não hesitaria mesmo! - Sorriso safado, "ô, droga!".

- Ok, desisto. - Fechei o notebook e joguei os livros pro lado.

- O que? Por quê? - Cara de bebê chorão. Estava ficando difícil aguentar. Se fossem os velhos tempos, com Mila (que não me provocava), eu a abraçaria e daria uma mordida na bochecha dela. Mas não era Mila, era uma garota que queria tanto quanto eu (ou talvez mais). 

Eu a ignorei, virei para o outro lado e me cobri. Milhares de coisas passaram pela minha cabeça e uma delas foi que eu havia esquecido de terminar o trabalho... maldita Bruna, me distraiu. Me sentei de novo e abri o notebook, sorte que havia deixado tudo aberto. Deixei parecendo manha... não foi intencional.

Terminei o último texto e enviei para o e-mail que a professora havia solicitado e repeti o processo: desliguei, me virei e deitei. Me cobri até o pescoço e, bem no fundo, fiquei morrendo de vontade que ela colocasse o colchão ao lado do meu e "executasse o plano de teste".

E bem no fundo, eu sabia que ela faria. Olhei pra trás esperando que ela não visse, mas ela viu. Ela caiu na risada quando percebeu minha cara de "estou torcendo pra que tu não tenha levado em conta que eu te ignorei e venha aqui me provocar e estou cuidando cada movimento teu e esperando que tu não perceba".

E era exatamente isso. Ela não quis dar o braço a torcer. Apagou a luz e deitou. Ou pelo menos eu achava isso até sentir ela levantando meu cobertor e deitando ao meu lado. Novamente: "ô, droga!". Isso seria um tanto difícil... tanto de aguentar, quanto de aceitar.

- Por que tudo isso? Pra que negar algo que tu quer? - Ela sussurrou no meu ouvido me causando outro daqueles arrepios. E ela percebeu.

- Negar o que? Tu? - Não consegui segurar a risada. Nem eu conseguia acreditar no que estava dizendo.

- Isso! - Ela riu e eu senti seu hálito na minha nuca. Por um momento, pensei em me virar de frente pra ela, mas não virei. - Eu vou fazer isso tão difícil pra ti até que tu se renda! - Já estava difícil, o que viraria se ela fizesse piorar?

- Ok, eu vou me render... - Opa, arrependi. - Mas não hoje. - Não deu pra consertar.

- Quem te garante?

- Eu!

- E desde quando tu se garante de algo?

- Ok, venceu.

- Então se rende?

- Não! Ainda...
- Ainda.

- Ainda! - Repeti, dando ênfase.

Ela segurou minha mão por baixo da coberta e brincou com os meus dedos. Eu sentia sua respiração no meu ombro. Era início do ano numa cidade quente e estávamos debaixo de um cobertor. Traduzindo: esquentou. Ainda não sei se a culpa foi do calor da cidade e do cobertor ou da temperatura dos nossos corpos. 

- Estou com calor. - Resmunguei.
 
- Tira a roupa, oras. - Nenhuma de nós ficou séria. O problema era que ela fazia piada falando sério.

- Ou quem sabe o cobertor...?

- Aí não tem a mesma graça, né, duh! 

- E quem sabe tu vai pra tua cama? Aí fica mais confortável e menos quente pra ambas...

- Quem disse que eu quero menos quente? E estou achando bem confortável assim... - Eu também. Tudo.

Continua...

1 de outubro de 2011

New life, old memories - Capítulo 8

Ela tinha razão... influenciaria diretamente na minha felicidade. Mas eu estava completamente perdida. Minha família já era completamente contra milhares das minhas ideias, ainda teria mais isso? Sorte que agora eu morava em outra cidade e não os teria no meu pé o tempo todo!

- Bom, não posso dizer que não sinto vontade de ficar com garotas também...

- Isso é uma tentativa de consolo, Bruna? Porque se é, falhou! - Disse isso e começamos a rir de nós mesmas.

- Parecemos duas garotinhas pré adolescentes descobrindo que gostamos do mesmo garoto.

- A diferença é que são garotas!

- Ah, Ana, tu tem de parar de lutar contra isso! Não é saudável.

- Bru, já parou pra pensar quanto minha vida vai mudar por isso?

- Mas eu estou aqui pra te ajudar o tempo todo... não precisa ter medo. Tu só precisa se deixar ser feliz!

- Certo, tu está aqui, mas tu não é o sapatão da história.

- Quem disse?

- Oras, e precisa?

- Já não mencionei que não posso dizer que não sinto vontade de ficar com garotas né?

- Mencionou e, bom, eu totalmente pegaria a Addison de Private Practice, o que não significa que eu seja lésbica.

- Mas pode significar que tu é bi...

- Ah, agora eu sou indecisa, também?

- Eu não disse isso... mas tu ainda precisa dar uma chance a isso, ver se faz sentido.

- Tu sente atração por alguma guria? Tem ideia de quanto estranho é? Não, né? Não podes falar por mim... não é na sua cabeça que tem essa confusão toda.

- Eu nunca disse isso, também.

- E vai me dizer que sente?

- Nunca me aproximei tanto de uma pessoa que eu nem conhecia direito e muito menos dividi quarto com ela sem ser necessário.

- Aham, tá, agora tu sente atração por mim? Qual é, conta outra, vai!

- Não me diz que tu não sentiu atração nenhuma por mim... tu disseste que eu te lembro a Mila! Isso significa que tu sente algo também.

- Senso de proteção, vontade de te... morder.

- Beijar?

- Eu disse morder.

- Hm, onde? - Ela sorriu, descontraindo aquele clima tenso que eu havia criado. E me fez sorrir junto. - Viu só? Admitiu!
- Não disse nada, só ri do que tu disse. - Na verdade, nem eu sabia o que sentia.

- E que tal se eu fosse sua cobaia? 

- Ficou louca? 

- Não, oras. Tu quer me morder - Disse com ar sarcástico sem conseguir conter o sorriso -, eu quero ficar contigo... não vejo nenhum problema.

- Eu vejo!

- Por quê?

- E se eu gostar? - Eu morria de medo da talvez única coisa que faltava pra que eu fosse feliz por completo.

- E se eu gostar? - Ela repetiu minha frase com ênfase, deixando claro que ela também corria o risco. - E se nós gostarmos? 

- Bom, acho que aí ambas de nós teríamos um problema.

- Ou poderíamos só descobrir o que acontece se a gente gosta.

Continua...