Não pude dizer que não estava feliz com tudo isso, mas senti a consciência pesando. Mila de novo. Eu tinha alguns motivos pra achar a ideia completamente normal, mas estava achando tudo louco demais. Ainda estava presa à Mila.
Passei alguns momentos recuperando a consciência enquanto nos arrumávamos pra procurar emprego novamente. Meu celular tocou e eu atendi correndo, esperando que fosse Mila. Era de um emprego. Queriam que Bruna e eu voltássemos lá pra uma entrevista, porque eles haviam gostado de ambas.
Disseram que era só pra oficializar, mas se quiséssemos, era contrato certo. O salário era bom, a oferta era ótima. E trabalharíamos juntas. Saímos correndo pra lá. Eu estava com uma estranha confiança que me parecia um tanto nova.
Proximidade. Não sei se era bom, mas parecia ótimo. Afinal, um novo paralelo havia se aberto pra nós agora, tudo estava muito mais claro. As coisas estavam dando certo.
- Tu parece estar pensativa. Muita bagunça nessa cabecinha? - Ela me abraçou num gesto de afeto inesperado.
- Estou sim... mas não é bagunça. Estou pensando que agora está tudo se resolvendo. Gostei disso tudo.
- Tudo mesmo? Hm... - Provocações ilimitadas desde ontem à noite.
- Tudo, tudo!
- E será que vamos dar certo com tudo também?
- Quais partes?
- Nós... esse emprego... a faculdade... será?
- Bom, somos dedicadas... Acredito que sim!
- Não sei não, hein... estou em dúvida sobre nós.
- Como assim?
- Não sei se aguento sem me apaixonar por ti.
- Não seria um problema, já que eu também não sei.
- Vamos deixar assim...
- ... e ver o que acontece. - Ih, completando frases, Ana?
- Isso aí! - Ela sorriu - Você viu minha camiseta? - Disse rindo.
- Hm, essa que tu está vestindo?
- Ah, eu já vesti? - Começamos a rir da proeza. Me incomodou o pensamento de que Mila fazia essas trapalhadas o tempo todo também.
- Ê, vai lá terminar de se arrumar, vai!
- Ok, você quem manda.
Saímos correndo pra chegar cedo lá. Era uma livraria muito bacana, tinha seção de usados e um café. Super completa, nos atraiu logo de cara e deixamos currículo. Quando chegamos lá, deu pra notar que eles costumavam contratam bastante gente como nós: universitários de cursos semelhantes.
Começaríamos no dia seguinte. Ótimo! Ainda tinha algumas poucas coisas pra resolver, mas o resto estava se acertando. E muito bem, por sinal. Até que meu celular tocou. Era Mila. E eu não sabia esconder nada dela.
- Bom dia, Aninha!
- Pode me chamar de "trabalhadora" agora, também, haha.
- Sério? Que maravilha, cara! Fico feliz por ti.
- E é um combo, ainda. A Bruna foi admitida no mesmo lugar!
- Ih, acho que estou com ciúmes dessa Bruna, hein...
- Ê, como assim?
- Ela tá sempre contigo por aí e eu não. Não vai ficar mais amiga dela do que minha hein! E não quero saber de vocês duas dividindo camas! - Opa...
- Hm, porque?
- Oras, eu deveria ser a única garota com quem tu dorme. - Não aguentei, ri.
- Bom... er...
- Tu já dividiu cama com ela? - Mila sabia soar apavorada.
- Er...
- Que bom que tu não sabe esconder nada de mim. Não quero saber, vamos acabar com isso já, já, ok?
- Hey, não! - Soando cada vez mais transparente.
- Tu não andou pegando ela também, né? - Ops.
- Por que tu tá me perguntando isso?
- Ah, Ana, qual é... só tu não sabia que tu é lésbica.
- Como? - Agora eu que estava soando apavorada.
Continua...
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