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5 de outubro de 2011

New life, old memories - Capítulo 9

- É tarde, melhor dormirmos. - Eu ainda esperava que ela desistisse. Por algum motivo, sabia que ela não desistiria.

- Eu quero fazer esse teste.

- Como?

- Juntaremos os colchões e dormiremos próximas. Se não conseguirmos controlar a vontade, vamos ver no que dá.

- Sabia que eu tenho medo de ti, Bru?

- Por quê? - Aquela cara de criança que rouba doce e nega que roubou causou um arrepio na minha espinha, o que me fez ter certeza de que eu a queria.

- Por isso! 

- Isso o que? - Entende e se faz de desentendida.

- Porque eu sei que eu quero e eu sei que tu não hesitaria.

- Não hesitaria mesmo! - Sorriso safado, "ô, droga!".

- Ok, desisto. - Fechei o notebook e joguei os livros pro lado.

- O que? Por quê? - Cara de bebê chorão. Estava ficando difícil aguentar. Se fossem os velhos tempos, com Mila (que não me provocava), eu a abraçaria e daria uma mordida na bochecha dela. Mas não era Mila, era uma garota que queria tanto quanto eu (ou talvez mais). 

Eu a ignorei, virei para o outro lado e me cobri. Milhares de coisas passaram pela minha cabeça e uma delas foi que eu havia esquecido de terminar o trabalho... maldita Bruna, me distraiu. Me sentei de novo e abri o notebook, sorte que havia deixado tudo aberto. Deixei parecendo manha... não foi intencional.

Terminei o último texto e enviei para o e-mail que a professora havia solicitado e repeti o processo: desliguei, me virei e deitei. Me cobri até o pescoço e, bem no fundo, fiquei morrendo de vontade que ela colocasse o colchão ao lado do meu e "executasse o plano de teste".

E bem no fundo, eu sabia que ela faria. Olhei pra trás esperando que ela não visse, mas ela viu. Ela caiu na risada quando percebeu minha cara de "estou torcendo pra que tu não tenha levado em conta que eu te ignorei e venha aqui me provocar e estou cuidando cada movimento teu e esperando que tu não perceba".

E era exatamente isso. Ela não quis dar o braço a torcer. Apagou a luz e deitou. Ou pelo menos eu achava isso até sentir ela levantando meu cobertor e deitando ao meu lado. Novamente: "ô, droga!". Isso seria um tanto difícil... tanto de aguentar, quanto de aceitar.

- Por que tudo isso? Pra que negar algo que tu quer? - Ela sussurrou no meu ouvido me causando outro daqueles arrepios. E ela percebeu.

- Negar o que? Tu? - Não consegui segurar a risada. Nem eu conseguia acreditar no que estava dizendo.

- Isso! - Ela riu e eu senti seu hálito na minha nuca. Por um momento, pensei em me virar de frente pra ela, mas não virei. - Eu vou fazer isso tão difícil pra ti até que tu se renda! - Já estava difícil, o que viraria se ela fizesse piorar?

- Ok, eu vou me render... - Opa, arrependi. - Mas não hoje. - Não deu pra consertar.

- Quem te garante?

- Eu!

- E desde quando tu se garante de algo?

- Ok, venceu.

- Então se rende?

- Não! Ainda...
- Ainda.

- Ainda! - Repeti, dando ênfase.

Ela segurou minha mão por baixo da coberta e brincou com os meus dedos. Eu sentia sua respiração no meu ombro. Era início do ano numa cidade quente e estávamos debaixo de um cobertor. Traduzindo: esquentou. Ainda não sei se a culpa foi do calor da cidade e do cobertor ou da temperatura dos nossos corpos. 

- Estou com calor. - Resmunguei.
 
- Tira a roupa, oras. - Nenhuma de nós ficou séria. O problema era que ela fazia piada falando sério.

- Ou quem sabe o cobertor...?

- Aí não tem a mesma graça, né, duh! 

- E quem sabe tu vai pra tua cama? Aí fica mais confortável e menos quente pra ambas...

- Quem disse que eu quero menos quente? E estou achando bem confortável assim... - Eu também. Tudo.

Continua...

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