Os dedos dela se enroscaram nos meus, as mãos dela puxavam minha camiseta e, em fusão com as minhas mãos, tocavam minha barriga e arrancavam outro daqueles arrepios. Lembrei dos tempos que dividia cama com Mila. Geralmente dormíamos abraçadas, mas com ela eu era livre... ou não tanto quanto pensava ser.
"Que ótimo, Ana! Está dividindo cama com uma garota que você está desesperadamente a fim e está te provocando loucamente e você aí, se fazendo de forte quando sabe que não vai durar até o próximo minuto. E pior: pensando em outra garota. Que lésbica, hein!"
- Minha mente me condena! - Sussurrei para o nada sobre o último pensamento que tive.
- O que tu disse?
- Disse que minha mente me condena... o último pensamento que tive acabou com a frase "que lésbica, hein", se referindo a mim...
- Ana, te rende!
- Não.
- Ok, última chance: te rende!
- Não vou me render.
- Eu disse que era a última chance!
- E o que tu vai fazer? Me obrigar? - Ih, o medo bateu de novo. Calma aí... quando é que ele tinha ido embora?
- Exato!
Ela se escorou num braço, meio sentada, soltou minha mão e levou a sua até meu rosto. Foi inevitável, me virei de frente pra ela. E, bom, ela me beijou. Tanta coisa passou pela minha cabeça naquele momento, que a única coisa que eu consegui fazer foi afastá-la e fazer uma afirmação tosca.
- Ok, o teste falhou.
- Como assim? Não gostou?
- O contrário... eu senti tudo que eu esperava que algum cara me fizesse sentir e... foi com uma garota que eu consegui sentir isso!
- Que coincidência!
Nos olhamos por alguns segundos com a ajuda da única luz que tínhamos ali: a tela do notebook da Bruna. Diferente de tudo que eu já havia feito, pensado ou tentado, eu tinha uma garota na minha cama. Ela sorriu. Talvez minha cara estivesse, novamente, transparecendo muito meus pensamentos.
- Tu nunca poderia jogar poker... - Entendi a piada e, realmente, eu transparecia demais.
- Tu daria uma ótima vendedora.
- Por quê?
- Poder de persuasão.
- Ah, isso eu sempre soube. - Ar de convencida, me convenceu.
- É errado?
- O que?
- Eu te querer agora mais do que antes.
- E isso é muito?
- É.
- Bom, eu sinto o mesmo... então acho que não é errado.
- Ainda precisamos dormir, lembra?
- Perdi o sono.
- Eu também.
- Quer fazer outra coisa?
- Fechou.
Continua...
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