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23 de outubro de 2013

Alívio

Durante dois meses minha vida foi um inferno.

Sempre acreditei que quando não fazemos o que amamos, somos infelizes. Em fevereiro encontrei um emprego que jurei ser o melhor do mundo. E realmente foi, por algum tempo. Em meados de julho, mais pro final do mês, pra ser mais específica, as coisas começaram a ir mal. Não pretendo especificar os acontecimentos, mas a partir disto, passei a sentir dores de cabeça frequentes.

Desde então, eu acordava e dormia com fortes e persistentes dores, e nenhum remédio mais fazia efeito. Cheguei a acreditar que estava começando a adoecer fisicamente, mas minhas dores tinham feito raízes e sido ligadas ao stress que comecei a passar no meu trabalho. O lugar que havia sido pra mim, o melhor, foi se tornando o motivo da minha tristeza.

Investiguei de toda forma, gastei em médicos, exames e remédios caros. Entristeci. Não via mais saída pra mim, não via motivos plausíveis pra tanta dor. Morfina já não me acalmava mais. Todo dia, minha vontade era apenas chorar, o dia inteiro, deitada na cama do quarto escuro, já que acender as luzes pioraria minha dor. Sair do meu refúgio pra trabalhar era meu pior pesadelo.

Cheguei ao estágio em que eu acordava triste e ia dormir mais triste ainda. Não havia remédio pra minha doença, a não ser a demissão. Eu tive a esperança de que as coisas mudassem e que, talvez, tudo não passasse de um sonho ruim, que eu acordasse e voltasse a ser tão bom quanto era. Mas isso não aconteceu. 

Eu não desisti, tentei de toda forma que me foi possível. Não aguentei. Chorei muito durante esses dias em que nada parecia dar certo pra mim. Chorar me pareceu a única forma de aliviar minhas preocupações. Não funcionou. Daí pra diante, tudo contribuiu para o acontecido de ontem pela manhã. Humilhação eu não aceito! 

Atingi o limite da paciência, pedi minha demissão, peguei minhas coisas e saí. Hoje pela manhã assinei meu pedido de demissão, e me encontrei numa situação ainda mais chata. Fui liberada dos trinta dias de aviso prévio ontem, em meio à discussão que ocasionou minha saída, e hoje isso foi negado. Honestidade é algo que eu sempre prezei muito. A máscara caiu.

Então, agora, livre, só espero que meus direitos me sejam dados por inteiro e de forma justa e correta, como eu mereço. Dei meu suor e sangue por aquele trabalho, fiz o meu melhor todos os dias que estive lá, mesmo não aguentando mais a pressão que me era imposta. Justiça seja feita, e que eu nunca mais seja burra novamente de confiar em alguém dessa forma.

Quero que cada dia que eu aguentei me seja recompensado da devida forma. Que venha o justo ao justo e a justiça ao injusto. Tudo que eu sofri por isso vai voltar triplicado pra quem me fez sofrer. É o karma e dele não há escapatória. 

Hoje acordei feliz. Leve, livre, de cabeça limpa e descansada. Acordei tranquila. Tudo acontece pro melhor, certamente. Todos os dias de cão me serão recompensados, isso é garantido. Embora seja triste e não fossem os meus planos, me sinto bem em saber que me livrei do peso que estava me incomodando, e agora o sol pode voltar a brilhar pra mim. 

Pela manhã já tive a confirmação de que a Findha vai, sim, seguir agora pra dois shows no mês que vem, meio na corrida, mas dará tudo certo, como sempre deu. As coisas vão voltar a dar certo agora que o incômodo foi excluído. 

Diga adeus à estagnação, a vida voltou a ser linda!

20 de outubro de 2013

Agonias de ódio diante da decepção

"O que adoece as pessoas é viver uma vida que não desejam, não escolheram e não suportam." 

É triste perceber que o que parecia o melhor lugar do mundo agora é o mesmo que te causa aversão, que te faz contar os segundos pra não estar mais lá. É triste também ter um carinho e uma consideração enorme pelas pessoas e dar seu melhor pra ajudá-las, mas ao longo do tempo, perceber que eles não fazem o mesmo por você. 

A gente sente, fisicamente, as consequências disso. Dezoito anos na cara tentando encontrar um problema de saúde que praticamente não existe. O problema é outro. Mas o mais triste de tudo é saber que você vai ter que ficar se mordendo de raiva mesmo, quieto, sem poder fazer o que gostaria. A tristeza se transforma em revolta e em raiva, mas mesmo assim, não deixa de ser tristeza. 

Acordamos e vamos dormir com vontade apenas de chorar pela impossibilidade de fazer algo por nós mesmos. Procuramos outras saídas, vamos em frente, aguentamos e tentamos manter a cabeça no lugar, tentamos não "perder as estribeiras", porque se isso acontecer, trocaremos a liberdade por um portão de barras e um karma interminável. 

Pode parecer exagero, mas em meio às lagrimas de decepção com o que tem me seguido nos últimos tempos, o único sorriso que me aparece é quando a imagem das minhas mãos estrangulando alguns pescoços surge em mente. Como pra mim não resolveria muito, tiro sangue dos meus lábios pra suprimir a raiva que sinto enquanto sofro as "consequências" de ter caído na ladainha dos que antes pareciam bons. 

Não consigo acreditar que as pessoas sejam capazes de tanta falsidade, mentira e sujeira. Disso tudo, concluo que absolutamente ninguém no universo merece ou é digno de confiança, até que me prove o contrário. Meu pé foi posto pra trás e ali ficará pra sempre. Desconfiança. 

Enquanto o inferno segue, estudo a lei e descubro meus direitos, descubro até onde eles podem e até onde eu posso, pra que cada exigência faça jus ao seu devido direito de exigir. Caso não o faça, usarei da justiça que me é disponibilizada como "cidadã" pra que cada deslize me seja devolvido justamente. 

Quero que todos os dias do inferno que tenho passado sejam sentidos na pele por quem tem o feito existir. De forma tripla, quádrupla, até quíntupla se possível. Minha saúde abalada por simples prepotência e estupidez pode não voltar a ser o que era antes, mas isso terá volta. Espero que nessa vida ainda. 

Que dessa forma seja o inferno pra vocês, que os meus desejos de todos os dias façam da vida de vocês o pior pesadelo do mundo. Eu não desejo mal a quase ninguém. Com apenas duas exceções. Merecido, eu digo, até demais. Em pouco tempo verei deslanchar o mundo que vocês ostentaram pra si mesmos e desabar a grana em que vocês quiseram nadar. Não vai acontecer. 

Talvez seja isso que os traga a maior de todas as bênçãos da vida... 
A morte.

1 de outubro de 2013

Brisa do Mar

Sabe aquelas histórias de filmes, quando duas pessoas que têm, aparentemente, nada em comum, se envolvem de forma inesperada e inexplicavelmente intensa?

Era o segundo dia do terceiro mês, nos conhecemos ocasionalmente mais ou menos uma semana antes. Ninguém esperava, foi um "acidente". Não nos afastamos mais. Desde então, a cada dia, o clima aumentava. No início ninguém sabia o que estávamos fazendo, ou sequer o que queríamos com aquilo tudo.

O tempo se passou e, junto com ele, passamos por altos e baixos também. Por pouco não chegamos ao fim, mas voltamos com tudo e com ainda mais paixão. A cada dia, agora, era o amor que crescia. 

E hoje eu acordo sabendo que é ao lado dela que quero acordar todos os dias, que é ela quem vai me salvar, "my wonderwall". Ela é meu sim e meu não, ela é meu sorriso, minha harmonia, meu equilíbrio, é todas as minhas manias. 

Ela é a mulher que eu amo.

"Vocês têm uma aura linda... acreditam em almas gêmeas? Sabe aquela frase, 'cuide bem do seu amor'? Então, cuida bem dela!" - Segurança do Artistos 

Pode deixar, eu vou cuidar, e vou tratar de fazê-la a mulher mais feliz desse mundo, porque é isso que ela faz de mim. 

"Tu és pra mim um xuxu que colhi na vida." - Mike Wazowski

Sobrecarga

Excesso de peso, cabeça cheia, stress, negatividade, tudo acaba sendo trazido junto. Certamente algum deles veio primeiro. No seu caso, qual foi?

Stress foi o meu; excedi o limite de peso jogado em cima, minha cabeça encheu tanto que ainda não parou de doer, o que acabou por me deixar negativa, e, por conseguinte, só atraiu "piora" pra mim. Hoje visitei um médico, pois fui muito bem avisada de que minha saúde está correndo riscos. Não é normal, afinal, acordar e dormir durante semanas a fio, sempre com fortes dores de cabeça.

Cheguei ao ponto de transbordar o que me incomodava, de ver o fim quando ele ainda estava muito longe. Limpei tudo, mandei embora. Varri com a sujeira a minha negatividade e todas as energias ruins que têm me rondado nos últimos tempos. Semanas, pra ser mais específica... umas seis a oito, com intensificação há três.

Não é por ter muito por fazer, é por me importar demais com pequenos detalhes. Mas as coisas podem estar mais sérias do que parecem. Fiz uma média, e por cada coisa boa que me acontece, tenho sempre o bloqueio sobre ela: intermináveis dores de cabeça.

Duas coisas ainda me salvam; minha mulher e ganja; só elas sabem fazer aliviar minha dor. Mesmo que por algum tempo apenas, é valiosíssimo o tempo que ganho de cabeça leve. Eu sei que, apesar de tudo, não tenho muito que reclamar... tenho estado sob influência das coisas que não deveriam me afetar, e meu corpo está dando os sinais.

Assumo, então, espírito calmo, mente serena e tranquila, voz ativa e não mais passiva, domínio do meu bem-estar e do meu equilíbrio. Eu tenho tudo o que preciso.

Estas marcas permanecem por enquanto, mas me mantenho firme, aguentando. Em breve poderei sentir o sol bater no rosto sem estreitar meus olhos ao máximo e cobrí-los do ataque que a luz direta causa no meu cérebro. Vai passar.

Estarei em contato com as energias superiores, com os regentes do universo, com os elementais, dimensões e canais. Buscarei o alinhamento dos meus chakras e a cura através da chama violeta. Transmutação, sanidade, cuidado. Busco a paz e o equilíbrio de espírito. A vontade é clara.

Com isso, declaro, por escrito: não me deixarei vencer.

Blessed be.
R.M.

O Senhor do Tempo

Sou viciada no tempo. É uma mania, uma fissura, e, acima de tudo, um vício. Ter sempre um relógio (ou vários) à mão. Não sei se é mania de pontualidade ou o quê. Eu prezo pelo meu tempo; não gosto de perdê-lo.

Não me considero uma pessoa apressada, mas nunca me desafio demais a perder tempo. De vida? Tempo, pra mim, não é dinheiro; então não me pergunte quanto vale meu tempo. Não faço parte dos exploradores. Mas conhecimento, exploro no tempo, no que disseram as outras pessoas no passado, que tipos de histórias elas contaram...

Meu tempo, apesar de sempre parecer curto, é infinito. Não nesta carcaça, no entanto... e é esse mesmo, o tempo que não me permito perder. Essa vida, como as outras, tem um propósito. Conhecimento amplo e mente aberta, espírito curioso, porém calmo; é o que nos levará a cumprí-lo.

Cumprir, no tempo, significa encerrar uma ação. Ou um ciclo de ações, uma "fase". Linhas do tempo, buraco de minhoca, livros de História, dimensões; para cada um destes, há um espaço de tempo, um tipo de contagem, uma importância. 

Cada caso é um caso, como os astros. Planetas, estrelas, galáxias, universos, luas, buracos negros, imensidão, para cada um é um tempo. Marcá-lo, portanto, não é besteira. Pelo contrário, é sábio! O homem marca o tempo sem saber muito bem o por quê, acha jurando que é seu senhor. 

Contá-lo não o faz dominá-lo. 

O homem nada mais é que seu escravo. O tempo nos mata. Ou melhor, carrega o corpo para cada vez mais perto de sua morte. Sua casca sofre os efeitos do tempo, nasce enrugado e, se tiver sorte (ou não), dessa mesma forma morrerá.

É o regente da vida corpórea; determina os "quandos". Podemos, mesmo que temporariamente, fugir do tempo? Impossível! Nem com um DeLorean, nem com mecanismo algum. O corpo não volta no tempo. O espírito, no entanto, se livre das algemas que nos prendem no corpo; mas voltamos a ele, sempre, por meio do "fio prateado" nossa (quase) garantia de que a alma não se desprenda da casca antes do tempo. 

E, num piscar de olhos, me foram levadas embora duas folhas preenchidas por completo e uns bons minutos que teria pra matar. Eu o mato com o ataque de imaginação; livros, artes, pensamentos... 

Enquanto isso, vou marcando o tempo, não só o vendo passar, como também sendo agente ativo de sua passagem. Perco a conta todos os dias de quanto tempo perdi. É inevitável. Afinal, todos nós perdemos tempo, antes de começarmos a entender a vida, embora jamais cheguemos à compreensão plena. 

Afinal, já disse o sábio Cazuza, "o tempo não pára".

R.M.