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1 de outubro de 2013

O Senhor do Tempo

Sou viciada no tempo. É uma mania, uma fissura, e, acima de tudo, um vício. Ter sempre um relógio (ou vários) à mão. Não sei se é mania de pontualidade ou o quê. Eu prezo pelo meu tempo; não gosto de perdê-lo.

Não me considero uma pessoa apressada, mas nunca me desafio demais a perder tempo. De vida? Tempo, pra mim, não é dinheiro; então não me pergunte quanto vale meu tempo. Não faço parte dos exploradores. Mas conhecimento, exploro no tempo, no que disseram as outras pessoas no passado, que tipos de histórias elas contaram...

Meu tempo, apesar de sempre parecer curto, é infinito. Não nesta carcaça, no entanto... e é esse mesmo, o tempo que não me permito perder. Essa vida, como as outras, tem um propósito. Conhecimento amplo e mente aberta, espírito curioso, porém calmo; é o que nos levará a cumprí-lo.

Cumprir, no tempo, significa encerrar uma ação. Ou um ciclo de ações, uma "fase". Linhas do tempo, buraco de minhoca, livros de História, dimensões; para cada um destes, há um espaço de tempo, um tipo de contagem, uma importância. 

Cada caso é um caso, como os astros. Planetas, estrelas, galáxias, universos, luas, buracos negros, imensidão, para cada um é um tempo. Marcá-lo, portanto, não é besteira. Pelo contrário, é sábio! O homem marca o tempo sem saber muito bem o por quê, acha jurando que é seu senhor. 

Contá-lo não o faz dominá-lo. 

O homem nada mais é que seu escravo. O tempo nos mata. Ou melhor, carrega o corpo para cada vez mais perto de sua morte. Sua casca sofre os efeitos do tempo, nasce enrugado e, se tiver sorte (ou não), dessa mesma forma morrerá.

É o regente da vida corpórea; determina os "quandos". Podemos, mesmo que temporariamente, fugir do tempo? Impossível! Nem com um DeLorean, nem com mecanismo algum. O corpo não volta no tempo. O espírito, no entanto, se livre das algemas que nos prendem no corpo; mas voltamos a ele, sempre, por meio do "fio prateado" nossa (quase) garantia de que a alma não se desprenda da casca antes do tempo. 

E, num piscar de olhos, me foram levadas embora duas folhas preenchidas por completo e uns bons minutos que teria pra matar. Eu o mato com o ataque de imaginação; livros, artes, pensamentos... 

Enquanto isso, vou marcando o tempo, não só o vendo passar, como também sendo agente ativo de sua passagem. Perco a conta todos os dias de quanto tempo perdi. É inevitável. Afinal, todos nós perdemos tempo, antes de começarmos a entender a vida, embora jamais cheguemos à compreensão plena. 

Afinal, já disse o sábio Cazuza, "o tempo não pára".

R.M.

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