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14 de setembro de 2011

New life, old memories - Capítulo 3

Durante as aulas, um silêncio absoluto entre Bruna e eu. No intervalo, sentamos num banco em frente ao nosso bloco e ficamos aproveitando aquela noite gostosa de verão. Bruna me contou sobre a vida dela e eu contei um pouco da minha. 

Compartilhamos histórias e descobrimos que nossos quartos no prédio dos estudantes eram bastante próximos. Não comentei nada sobre Mila, por mais que ela insistisse que eu contasse o que tanto me incomodava. Me tornei bastante fechada depois de tudo isso.

Ela me interrogava como criança descobrindo o novo robô falante que ganhou de aniversário. E eu só respondia o necessário. Me contou sobre a família dela, sobre os amigos, sobre a escola, os ex-namorados, trabalho... 

Nisso tudo, tivemos uma vida bastante semelhante. Ela conseguiu romper uma barreira que, desde o incidente, ninguém mais havia rompido: eu estava compartilhando sorrisos com alguém que não era Mila. Doía pensar nisso, então resolvi afastar o pensamento da minha cabeça.

Bruna não era daquela cidade e conhecia poucas pessoas, assim como eu. Tínhamos pensamentos parecidos, gosto musical idêntico, princípios semelhantes. E, como se não bastasse termos nos conhecido na porta de uma sala de aula (da mesma forma que conheci Mila, há muitos anos atrás), logo havia percebido que teríamos a mesma afinidade.

E a cada minuto com Bruna, eu me perguntava se essa amizade seria boa ou ruim pra mim. Estar perto de alguém que tanto me lembrava Mila poderia me fazer sentir menos falta dela, o que era bom e terrível ao mesmo tempo.

Olhei para o nada e passei alguns segundos assim, refletindo sobre o que estava acontecendo. Ela parou de falar e ficou me olhando.

- No que você está pensando? - Está aí uma pergunta que Mila nunca me faria, pois sempre sabíamos exatamente no que a outra estava pensando.

- Numa amiga minha que deixei na minha cidade...

- Muito sua amiga ou só amiga?

- Minha melhor amiga! 

- Hm... deixou porquê?

- O assunto que evitei a noite toda... Está na hora da nossa aula, vamos lá?

- Desculpa, estou perguntando demais, né? Se te incomoda, pode falar, eu paro!

- Não, só não me sinto a vontade pra falar sobre isso... pelo menos não ainda. Durante o café, quem sabe, eu fale um pouco sobre isso, ok?

- Certo... - Ela disse, parecendo incomodada. Não me senti bem com aquilo e sorri e a abracei, pra descontrair. Logo que fiz isso, percebi que agi exatamente da forma que costumava agir com Mila. E ela agiu exatamente da forma que Mila agia: se afastou, me olhou, sorriu e devolveu o abraço.

Continua...

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