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17 de setembro de 2011

New life, old memories - Capítulo 4

Depois do outro silêncio durante as aulas, saímos pra um café. Descobrimos um problema: nenhuma das duas conhecia direito a cidade pra saber onde teria um café aberto tão tarde. Concluímos que seria um tanto perigoso procurar um café aberto numa segunda feira à noite e fomos pra casa.

- Meus colegas de quarto estão arrumando sei-lá-o-que por lá, está uma bagunça! Sorte a sua não ter de dividir seu quarto. - Ela era tão sutil quanto Mila pra criticar alguma coisa.

- Se você quiser, pode passar um tempo por aqui... é grande demais só pra mim. E, bom, eu gostei de ti. Tu me lembra essa amiga que deixei na outra cidade. - Falei já me arrependendo. Passar tanto tempo com ela iria ser estranho.

- Tu não se incomoda mesmo? 

- Claro que não! Se quiser, podemos ir pegar suas coisas agora...

Ela sorriu e fez sinal pra que fôssemos buscar as malas. Como fazia pouco tempo que estávamos ali, não havíamos desfeito as malas ainda, o que facilitaria essa transição de quartos. Em pouco tempo, já estávamos de volta, com tudo arrumado. Arrumamos as duas camas, que eram colchões improvisados no chão mesmo.

Dividimos umas cervejas enquanto conversávamos. Logo o assunto veio à tona e ela me perguntou novamente sobre minha tal amiga.

- Ok, então. Ouviste falar sobre uma menina que usava heroína e se cortava, que foi encontrada debaixo de um chuveiro...? Deu uma repercussão louca, enorme! 
- Ah, sim, ouvi! Camila-alguma-coisa, certo? - O descaso em sua voz atingiu fundo, doeu.

- Minha melhor amiga, a Mila. Fui eu quem encontrou ela. Os pais dela estavam viajando, notei a ausência dela e invadi a casa dela pela janela da sala. Isso tudo por culpa de um garoto.

- Nossa, Ana, e eu te lembro ela? - A indignação fez meu sangue subir.

- Ela estava em depressão, ok? Aquele garoto era nosso amigo, ele era apaixonado por ela e ela mal o conhecia. Eu os apresentei, ela se apaixonou por ele, começaram a namorar e ele foi um idiota com ela. Ela ficou super mal, não conseguiu superar.

- Ok, desculpa, eu não queria criticar...

- Tudo bem... eu defendo muito ela. A mídia fez algo horrível com ela. Agora todo mundo sabe quem ela é, ela mal pode sair de casa e todo mundo comenta algo.

- Bah, isso deve ser horrível. Mas porque tu deixou ela lá? Porque não ficou?

- Ela me obrigou a vir. Ela sabia o quanto eu tinha lutado por isso e não queria que tivesse sido tudo em vão. Me ameaçou e chantageou. Se eu não tivesse vindo, não sei o que ela teria feito. Aí, resolvi vir mesmo. Mas vim o caminho inteiro chorando, queria ter ficado lá.

- Ela estava certa de não te deixar desistir! Eu faria o mesmo.

- Viu? Por isso que você me lembra ela.

- E isso é... bom?

- Ainda não sei, talvez eu me sinta culpada de sentir menos a falta dela quando tu está por perto... e isso seria ruim. Ou poderia ser bom... já que ela era a única pessoa no mundo que me conhecia de verdade. Quando eu vim pra cá, vim sozinha, sem nada e ninguém. Aqui, saber que tu está do meu lado, é reconfortante... é como se eu já tivesse vindo contigo, como se não tivesse nada faltando.

- Tu parece ser uma ótima amiga, sabia? Podes contar comigo sempre que precisar!

- "Tu és eternamente responsável pelo que cativas", hein. - Brinquei

- Então tu és eternamente responsável por mim, Ana! - Ela sorriu e me abraçou quando percebeu uma lágrima caindo.

Continua...

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