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7 de setembro de 2011

New life, old memories - Capítulo 1

Passei horas brincando com o "canudo" que me entregaram no dia da nossa "formatura" e olhando praquele poster na minha parede. Finalmente havia me formado, mas parecia estar faltando alguma coisa. Lembro como se fosse ontem daquele meu último primeiro dia de aula.

Esse tempo todo ouvindo música e pensando no que faria da minha vida agora. Era meu primeiro dia de faculdade e eu nem sequer sabia o que iria vestir. Olhei pro lado, a janela estava aberta, o sol estava começando a baixar... hora de me mover.

Fiquei pronta e saí de casa sozinha, deixando todo mundo que tentou contato comigo pra trás. Hoje era o único dia da minha vida em que eu não estava me sentindo mal em estar sozinha. Entrei no campus e encontrei alguns conhecidos. Um oi de canto pra ser simpática e uma ignorada.

Mapa na mão, encontrei meu bloco. Primeira aula: Comunicação, História e Sociedade. Além de não ter a menor ideia do que fazer, também não tinha o menor senso de localização. Ok, me perdi no bloco. Possível? Bom, eu consigo!

Pelo menos encontrei a cantina. Nada sábia decisão, resolvi comprar um expresso pra me acompanhar enquanto não encontrava minha sala. 

- Perdida? - Me virei pra trás e pasmei. O que diabos aquele garoto estava fazendo no mesmo prédio que eu, na mesma faculdade e, mais importante: na mesma cidade? "Such a dush!"

- Não, mas parece que você está! - Sempre é bom fingir que está tudo bem.

- Estou mesmo. Qual sua aula agora? - Porque ele ainda insistia em ser legal? 

- "Como desviar do seu ex-colega idiota" e a sua? - FACEPALM!

- "Saindo de fininho", a qual colocarei em prática antes mesmo de saber sobre o que se trata!

Medo? Tinha motivos! Nunca soube quem era mais idiota: eu, por ter sido legal com ele e o ajudado com a minha melhor amiga ou ele por não tê-la valorizado como deveria. Ou quem sabe ela, por ter se cortado durante meses e afundado o nariz em drogas quando ele terminou com ela.

Exatamente por isso que ela não estava ali comigo. Tínhamos feito tantos planos praquele primeiro dia e ela nem podia estar ali. Estava internada em uma clínica de reabilitação. E a crise depressiva dela ainda não havia passado. Sem esquecer como ela foi parar naquela clínica...

Certo dia ela não atendeu o celular. Mas não foi uma ligação, nem um momento. Foram 87 ligações não atendidas, 21 mensagens não respondidas e milhares de toques de campainha. Consciente do problema, resolvi invadir. Seus pais haviam viajado sem saber da sua depressão e isso piorou toda situação.

Quebrei uma janela e entrei correndo, chamando por ela. Ouvi aquele "choro-soluçante" que eu já conhecia. A encontrei sentada debaixo do chuveiro sabe-se lá há quanto tempo funcionando, com uma gilete quebrada na mão, cheia de sangue.

Torniquete ainda no braço, seringas pra todo lado. Não sei quanto tempo fazia que ela estava ali, mas tive certeza de que tinha sorte por estar viva. Ou não. Agarrei algumas toalhas enquanto chamava uma ambulância, limpei tudo pra que ela não se encrencasse demais.

Como a conhecia bem, soube dizer onde guardava as drogas que ela não quis me contar. Não estava em condições de fugir, o que facilitou minha ajuda. Logo a ambulância chegou e os paramédicos me arrastaram pra fora de lá. Enquanto lutava contra eles, percebi que ela estava tendo convulsões. 

Sentei na escada da frente, abaixei minha cabeça e chorei por intermináveis minutos. Saí de lá apenas quando abriram a porta a chutes, gritando pra que eu saísse da frente. Passaram com a maca, a enfiaram dentro da ambulância e fecharam uma porta... perdi minhas esperanças de vê-la de novo depois disso.

- Hey, garota! É sua amiga? Você pode vir junto. - Um paramédico abriu a porta. Não hesitei, saí correndo e entrei. Fecharam as portas atrás de mim e aceleraram.

Continua...

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