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18 de março de 2012

One Night Fairy Tale - Parte 4

De repente, ouvimos a porta bater. E alguém bater na porta.

- Nani, trouxemos almoço, acorda e vem comer! 

- Já vamos! - Afirmou sorrindo e me olhando de uma forma que me fez rir. 

- "Vamos"? Hm, ok, haha. - Disse a voz do lado de fora, provavelmente já imaginando a história toda. 

Alguns minutos disso, nos levantamos, nos vestimos e caminhamos até a cozinha. A ideia de ser apresentada aos seus amigos daquela forma me causou um certo frio na barriga. Batata frita, Coca-Cola e nuggets. Saudáveis eles, hein...

- Bom dia, Scoobies! - Já ouvi isso em algum lugar... - Essa é a Emilie, a garota da mesa três. - Ok, "garota da mesa três"? Era assim que ela me chamava antes de saber meu nome?

- Bom dia, garotas. Pelas caras de vocês, posso indicar que a noite foi boa... A propósito, prazer, eu sou a Lu, e esse cara é o Marcos.

- Prazer conhecê-los... vocês são os donos do Pub, certo? 

- É, digamos que começamos o negócio e deu certo por acidente. - Disse Nani, quando olhavam e sorriam um para o outro, deixando claro que a história do bar seria tanto quanto engraçada.

De certa forma, me senti confortável entre seus amigos também, o que foi estranhamente bom. Almoçamos juntos, assunto não faltou. Muitas opiniões em comum, muitas histórias pra contar. Estar com eles me fez lembrar de como era quando eu tinha meus amigos por perto.

Não faz muito desde a última vez que pensei sobre isso... talvez Nani fosse meu ponto de escape, a forma eficaz de trazer minha velha vida de volta, trazer as coisas boas que eu tinha de volta. E na minha cabeça, tudo que havia ali era ainda melhor do que o que eu tinha antigamente.

Quando estávamos terminando de comer, Lu comentou sobre um festival que iria acontecer durante a tarde, num parque local, uma edição de um dos festivais mais legais que acontecem na região e Nani oficializou o convite.

- Não sei... eu tenho que ir pra casa antes, depois decidiria se vou. - Apesar de estar morrendo de vontade de ir, eu realmente precisava ir pra casa pensar um pouco. Sozinha. Mas não queria fazer exatamente isso...

Por um lado, quis que Nani fosse comigo até em casa... por outro, queria sair logo daquela atmosfera de perfeição da velha vida e voltar a minha realidade e ter certeza que aquilo tudo não voltaria pra mim de forma alguma. 

Ela parou na porta pra se despedir, mas ficou esperando que eu dissesse algo sobre me acompanhar até lá. Eu a dei um beijo de despedida que deixou a cena com gosto de "continua no próximo episódio" (o que claramente era uma ótima opção pra mim no momento).

Saí porta afora e, quando olhei pra trás, ela estava com o sorriso que dizia "te espero voltar em breve". E eu voltaria. Cheguei em casa e me joguei na minha cama pra pensar sobre tudo que havia acontecido nas últimas 14 horas da minha vida.

As melhores 14 horas da minha vida.

Revirando meu quarto, encontrei um vinil antigo que eu mantinha sempre por perto. Creedence. Separei-o pra quando Nani estivesse por ali pra ouví-lo comigo. Deixei o dia passar, mesmo querendo ter ido ao festival com Nani e "a gangue", mas achei que fosse melhor me manter um tanto distante por alguns dias.

A semana começou normal, sem sinal de Nani em lugar algum. Quinta-feira pela manhã percebi um panfleto junto com a minha correspondência. Sexta seria Halloween e teria uma festa no Lake Of Fire, o pub da Nina. Bom, eu não poderia deixar de ir nessa festa.

Noite de sexta-feira chegou e lá estava eu, na porta do pub. Nina estava na entrada cuidando das comandas. Quando me viu, chamou Lu, me foi ao meu encontro. 

- Te proponho uma janta antes. - Ela sorriu, tornando impossível negar o convite.

- Você não tem que ficar aqui na entrada?

- A Lu aguenta pra mim por umas horas... recém abrimos o bar e vai demorar pro pessoal começar a chegar. E aí, topa?

- Ok, vamos! - Eu sorri, ela me puxou pela mão e me levou até sua casa. A sala estava diferente... tinha um círculo formado por velas, incenso, cristais criando formas no chão e duas almofadas dentro do círculo de velas. Bastante impressionante, eu diria.

- Hoje é noite de Halloween... eu já percebi que temos algumas crenças em comum e sei que você gostaria de fazer algo especial pra noite de hoje. Então eu preparei um ritual. É bastante tranquilo e se trata de uma conversa, apenas.

- Que tipo de conversa? 

- O tipo silencioso de conversa. 

Nos sentamos de frente uma pra outra, cada uma em uma almofada. Ela recitou alguns parágrafos de um livro, mas era latim e ainda tenho algumas dificuldades em traduzir longos textos. Falou alguma coisa sobre invocar a Deusa e conversar com ela sem falar absolutamente nada por si.

Quando terminou de recitar uma frase de fechamento do ritual, pressionou minhas mãos contra as suas e abaixou a cabeça. Pude sentir que fiz o mesmo, mas inconscientemente. Ao nos olharmos novamente, ficamos perplexas, imóveis. E em silêncio.

Alguns bons minutos se passaram enquanto acontecia a conversa mais louca da minha vida. Nenhuma palavra estava sendo dita ali, mas meus pensamentos e os de Nani estavam completamente conectados e, junto das vozes incontroláveis das duas mentes, havia uma terceira.

Saímos desse transe e entramos em outro. Inevitável, digamos assim. Nada do que eu tinha ouvido nos minutos anteriores havia sido muito claro, mas tudo me parecia bastante óbvio agora. Certamente, nada daquilo que Nani me inspirava era sequer parecido com o que havia no meu passado.

Não, não, era bem melhor!

Continua...

Um comentário:

  1. Muito massa seu blog! Achei ele pelo leskut mas perdi o seu perfil, me manda ele aí?

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