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28 de junho de 2012

Licking vomit wouldn't be so weird.

Hey, você aí, o que te escandaliza? Gays? Lésbicas? Moicanos? Cristãos? Ateus? Bruxos? Me diga, o que diabos te faz arregalar os olhos?

Hoje foi um dia de críticas. Tanto contra o visual, quanto contra o ideal, apenas críticas. Muitas delas, vazias, sem argumento algum. Sabe quando algo te choca e você só vai contra isso, sem nem sequer buscar conhecer os motivos das outras pessoas?

Então, não foi nada demais, apenas criei coragem pra sair com meu moicano levantado, com aparência de sujo, já que foi arcado com sabão e cuspe. Mas chegou a ser engraçado ver o olhar das pessoas pro meu cabelo. 

Acho que se eu estivesse comendo merda ou lambendo vômito alheio do chão não seria tão esquisito. Gente espantada, como se nunca houvesse visto um moicano na vida. Galera, na boa, muito boleirinho já roubou esse cabelo e vocês nunca se espantaram.

Talvez o tamanho ou a aparência grotesca mesmo, porque não consigo ver onde minhas correntes e as cores escuras das minhas roupas fossem influenciar no tipo dos olhares que eu atraí hoje. Foi algo diferente do usual. 

E a conclusão de tudo isso foi que só correntes, só camisetas, só cores escuras e aparência grotesca não adiantam mais pra chocar a sociedade. Eles precisam sempre de um "algo a mais", de algo que realmente te dê um puta destaque no meio de uma multidão.

O tipo de coisa que te faz ser ponto de referência, digamos. Mas o mais engraçado de tudo foi que as pessoas que comentaram sobre ser legal nem sequer sabiam o que significava, qual era o motivo de usar um moicano.

Ou seja, quem sabe a que tribo isso pertence ou que ideologia defende acaba se chocando. Por quê? Porque a sociedade inteira segue o padrão do sistema que eles têm pra si mesmos. Enquanto nós o contestamos. 

Confesso que nunca havia visto um moicano como uma parte tão importante em alguém que defende o ideal e a política do punk até hoje. Não dessa forma, pelo menos. Esse cabelo não é novidade, é algo que vem dos índios americanos, que foram a última tribo resistindo à invasão inglesa.

"O Último dos Moicanos" (o filme favorito do meu pai) relata bem a história dessa tribo. Mas afinal, o moicano se tornou um símbolo de resistência e assim foi adotado pelo Movimento Punk muitos anos depois. Mas afinal, seria só isso?

Não, e hoje descobri o motivo. A finalidade de um moicano não é apenas demonstrar resistência, mas chamar uma atenção. Negativa ou positiva, foda-se, atenção é atenção. É demonstrar que ainda estamos aqui, que o Movimento não morreu.

Além disso, cada moicano é único, você coloca suas ideias nele, sua personalidade. Existem vários tipos de moicanos e cada um pode chamar uma atenção diferente. E é isso que queremos. Demonstrar em nosso visual as coisas que acreditamos e defendemos.

E não, não é um limite "apenas moicanos expressam essa cultura". São um extra, digamos. "Um choque a mais", se preferir. É uma das coisas que ainda guarda um pouquinho da essência do Movimento, que tem se perdido ao longo dos anos.

Mas o ponto de tudo isso é que há tantas coisas horrendas que vemos todos os dias por aí e ninguém se choca, mas alguém levanta o cabelo e anda de um jeito diferente e todo mundo olha torto e de olhos arregalados.

Em todo canto você vê mendigos jogados, gente que depende de uma única moeda pra sobreviver o dia, gente que precisa juntar o seu lixo pra conseguir comer. Isso sem contar as pessoas que você vê com a cabeça dentro da lixeira comendo os seus restos.

Isso não parece chocar, parece? E você já parou pra pensar por que ninguém mais se choca com isso? Porque se tornou "normal", são pessoas que nunca vão sair de lá, isso sempre vai existir no meio de uma sociedade injusta.

Fora o fato de aprendermos desde pequenos que nossa forma de agir e pensar é a correta e nenhuma outra importa ou se compara a sua. Somos ensinados a ter mania de desrespeito. Isso vem de escola, vem de casa. 

Eles criam uma "fôrma", um padrão pra cada um de nós. E quando alguém sai diferente desse padrão, isso choca as pessoas que saíram "no formato certo". Algo que é do ser humano, que todos temos na cabeça, nem que seja bem no fundo, é que a nossa ideia vale mais que a do próximo.

E o "choque" nada mais é que uma questão de respeito. Não é desconhecer a cultura do cara que está andando do seu lado, não. Quando você se choca é porque você acha nojento, estranho, mas não só "diferente" ou "novo". 

Choque é uma forma de discórdia, porque querendo ou não, se algo vai contra suas ideias e você desaprova isso, você tende a se chocar. Isso é uma questão de aprender a praticar a boa e velha arte do respeito.

E não, não estou falando de qualquer tipo de olhada que eu recebi hoje. Estou falando daquelas pessoas que me olharam com cara de "volta pro inferno, anti-cristo" ou "de onde diabos saiu esse punk vira-lixo?", daquelas que julgam com os olhos.

Ou também daquelas que param pra virar o rosto e comentar "que horror, essa sociedade anda cheia de parasitas" com a pessoa ao lado. Parasita é você, que se alimenta e se veste da desgraça do outro, querido passante. 

A propósito, um grande "GO FUCK YOURSELF REALLY HARD!" pra essas pessoas que não sabem respeitar o pensamento da cabeça do lado. E um "WAY TO GO, BRO!" praqueles que não importa quanto diferente pensem, sabem respeitar todo o tipo de ideia.

E sim, esse desrespeito acima foi necessário "respeite pra ser respeitado", certo? Você não me respeitou pra ter o meu respeito.

26 de junho de 2012

Can I try my self-defence?

Ultimamente minha criatividade tem me deixado só. Tenho estado numa seca mental, um vazio de ideias. Numa mente onde nunca houve um limite pra imaginação, agora existe um muro. Talvez eu precise de uma escada, de um impulso. Agora basta encontrar essa escada ou impulso.

Cada vez que eu sinto vontade de escrever, é quase inevitável a seguinte cena: sentar em frente ao notebook com uma página do Bloco de Notas aberto esperando pra ser utilizado, encarando-a durante vários pares de minutos. Geralmente, nenhuma palavra é escrita e eu chego à desistência. 

Quando consigo desenvolver alguma ideia, ao reler, acho a coisa mais idiota e inútil que eu poderia escrever. Onde está a minha mente? Onde foi parar o meu oceano interior? São poucas as coisas sobre as quais quero escrever nos últimos tempos. E são menos ainda as ideias que eu levo em frente.

Músicas, textos, contos, crônicas, qualquer coisa. Me encontro num tempo onde nada que eu escrever é bom o suficiente pra agradar a mim mesma, quem dirá a algum possível leitor. É um vazio, um bloqueio, um tempo onde nada mais flui como costumava.

Estagnação. Essa é a palavra. Minha mente está estagnada no mesmo lugar em todos os meus textos e músicas, não sai do mesmo assunto, das mesmas frases. É como um deja vu, você lê um texto ou uma música e quando ler os próximos, terá a impressão de que já leu tudo aquilo.

É sempre a mesma coisa, o tempo todo. E então eu acabo deixando isso pra trás, esquecendo de desenvolver meus pensamentos. Por quê? Porque me cansei de ficar em cima do mesmo assunto o tempo todo. Chega, não vou mais escrever sobre a mesma coisa.

Então, esse é o fim de uma série de textos, músicas e contos sobre exatamente a mesma situação. Agora eles são apenas arquivos salvos por aqui, no meio de muitas outras coisas que, juntas, escrevem basicamente a história da minha vida inteira.

Chega da subjetividade sobre esse assunto, agora é hora de tentar ser direta, de resolver tudo isso, virar o disco, mudar o discurso. É hora de criar coragem, de arriscar, de ir em frente, de largar a estagnação. Afinal, parado não se vai a lugar nenhum. 

E com isso, eu prometo, pra mim mesma, deixarei pra trás o posto do espectador.

16 de junho de 2012

Sinestesia - Pilot

Então, começou o novo vlog que eu não consegui de forma alguma colocar o vídeo aqui. Mas afinal, um dia eu dou um jeito. Cá estamos com o link, apoiem, comentem, curtam (ou não, vivemos num país livre), inscrevam-se no canal... qualquer coisa que quiserem.

Enfim, o Sinestesia é meu, é seu, é nosso -q Episódio 1, Pilot

Se cuidem!

15 de junho de 2012

The Basement - We got so close

Há um bom tempo eu não posto nessa sessão. E me arrependo disso. Houveram ensaios fantásticos sobre os quais eu nunca escrevi. E atualizando sobre a vida da Holy Cow, estamos quebrados. 

Começando por nós, integrantes, vacas e bezerro Johnny, tudo anda indo pelos ares. Sem emprego fixo pra nenhum de nós, sem estabilidade emocional e problemas pra todo lado. Pois é, e pensamos que seria o paraíso... 

Depois disso, como banda, perdemos uma guitarrista do caralho e não há quem possa repor a perda. Não por ter perdido a guitarrista, porque bons guitarristas não é lá tão difícil encontrar por aí, mas por ter perdido um membro da família.

Não é o mesmo sem a Nanda. E que tu saiba disso, sua bichona vadia! Não importa quem entrar no lugar, a Holy Cow não vai ser a mesma sem essa pirralha. 

Além desses empecilhos, temos também o porão, que o problema nisso é que não o temos mais. Estamos sem guitarrista, sem lugar pra ensaiar, sem cabeça pra banda... mas todos nós estamos enlouquecendo de saudade dessa banda.

É aquela coisa de chegar o sábado, acordar pensando "porra, finalmente" e se ligar que não tem nada de finalmente, porque o que você sempre esperava a semana inteira não vai mais acontecer. Por enquanto, bitches, por enquanto!

Logo menos, vocês verão, a Holy Cow estará de volta à ativa, com um novo local de ensaios (talvez não mais abertos aos amigos como costumava ser), com nova formação e novas músicas. Não é uma promessa, óbvio, já que não estamos em condições de prometer nem pra nós mesmos.

Mas isso são só mais alguns muros que teremos que escalar. Já fizemos isso antes, o máximo que pode acontecer é cair e nos machucarmos um pouquinho, mas pelo menos, vamos estar do outro lado do muro. Enfim, essa banda é importante demais pra todos nós.

E vamos conseguir ela de volta. É só uma questão de tempo... (e dinheiro, que, caso queiram fazer doações à banda, ninguém vai impedi-los). Torçam por nós, fellas! Espero vê-los em breve com uma guitarra nas mãos e enrolada em 1512 fios.

Sinto saudade, afinal.

14 de junho de 2012

Social Disaster

É engraçado quando você coloca o pé pra fora de casa e percebe que conhece todo mundo. Popular? Não, cidade-ervilha, mesmo! Quem mora em Caxias do Sul me entende e concorda comigo, obviamente. Ir até o centro durante semana à tarde é sinônimo de encontrar 1512 rostos conhecidos.

Mas o mais estranho nesse fato é que, se você encontra tantos conhecidos na rua no meio da tarde, o que diabos se faz da vida nessa cidade? Nada, exato! E até quem realmente faz alguma coisa encontra um tempo de topar com você no meio da rua completamente sem querer.

E qual é o ponto nisso tudo? Digamos que nenhum. Irrelevante, um assunto sem finalidade alguma, obviamente. Eu só não tinha sobre o que escrever mesmo. Mas afinal, já que estamos aqui, vamos falar de algo que tenha alguma importância...

Vamos falar sobre círculos. Sim, isso aí mesmo, círculos. Mas que tipo de círculo exatamente? Algo como uma ervilha em 1D, vamos falar sobre o círculo de Caxias. Há um tempo atrás, tínhamos alguns pequenos círculos e, se você não fazia parte de nenhum, provavelmente conhece todos.

Tínhamos o pessoal que passava tardes na frente da Catedral e o pessoal que estava sempre no Parque dos Macaquinhos. Esse, cheio de círculos espalhados pelos cantos. A escadinha dos metaleiros, a dos maconheiros, a pista dos skatistas, as quadras, a prefeitura e a casa da força geral do parque. 

Basicamente isso, temos nomeados nossos círculos. Contando que 90% desses, na época, frequentariam o Vagão Bar, havia uma pequena ligação entre boa parte desses grupos. Os trilhos, quando ainda tinham um público, eram o lugar pra que esses círculos socializassem.

Que atire a primeira pedra o jovem de Caxias que não cumprimenta milhares de pessoas na rua que conheceu nos trilhos e nem sequer lembra o nome! E afinal, essa era a forma mais divertida de conhecer gente.

Alguns lugares mais, de bar em bar, o pessoal que se vê sempre é aquele que você conheceu nos trilhos ou em algum bar por lá. Festivais, shows, festas, Vagão Classic, Aristos, Detroit, Fifty, a qualquer lugar que se vá hoje, se vê pessoas que estavam sempre nos trilhos.

E não importa pra onde você for, sempre vai ter alguém que vai passar por você e te fazer lembrar de alguma situação que você passou em alguma noite nos trilhos. E você vai sentir saudade. 

11 de junho de 2012

Like a Stone

Imaginava que seria assim, afinal, estava até um pouco preparada. Não digo que me conformo, não digo que não chorei e que não vou chorar. Mas ainda tem aquele mesmo algo dentro de mim que diz que tudo vai ficar bem e que as coisas vão ser como devem ser.

Espero muitas coisas disso tudo. Sinceramente eu espero que seja mesmo só pra ter certeza e mudar tudo isso, espero que você volte pra mim. Talvez seja um pensamento egoísta, não nego. O que eu mais espero é que tenhamos a nossa continuação em breve.

Porque, afinal, nossa história só foi pausada. Tivemos alguns tempos pra voltar um pouco no passado e outros tempos pra avançar um pouco e escrever mais alguns parágrafos de história, sim. Mas ainda não acabou. Tem muito mais pela frente.

E eu estarei esperando por isso. Aqui estou, com os pedaços de papel nas mãos, neles escritos detalhes nossos, coisas que ninguém nunca ouviu falar. Aguardando apenas pelo dia em que cada uma de nós vai pegar de novo as canetas e voltar a escrever isso juntas.

Sim, há o risco de isso não acontecer e eu acabar aqui com os fragmentos de tudo que vivemos nas mãos enquanto você segura o que falta no que eu tenho aqui escrito. Mas não é isso que eu acredito que vá acontecer.

"Você mudou toda minha vida", foi o que você me disse. E eu te digo o mesmo. Talvez eu nunca tivesse encontrado a minha própria liberdade se não fosse por você me mostrando o caminho até ela. Todos os dias que não estivermos juntas, estarei sentindo a sua falta.

Mas afinal, como eu já mencionei algumas vezes, o que é saudade se não apenas uma confirmação de que tudo que vivemos valeu a pena? É, valeu a pena todos os riscos que tomamos juntas, valeu a pena abrir mão de algumas coisas pra estar contigo, valeu a pena cada segundo.

Não, dessa vez eu não preferia nunca ter me apaixonado ou nunca ter me envolvido. Foram os melhores dias que eu já vivi e não me arrependo um segundo sequer de tudo isso. Pelo contrário, quero mais. Vou esperar pela continuação, vou aguardar o segundo capítulo.

Quem sabe esse seja o melhor pra nós, enfim. Quem sabe precisemos desse tempo "longe" pra percebermos que realmente era como pensávamos e ninguém mais nos faz tão feliz quanto nós fazemos uma a outra. Espero com todas as minhas forças por isso.

De qualquer forma, é isso, "the only one for me is you and you for me, so happy together". E mais uma vez, "I'll promise you this love will never die". E não morrerá. Estará aqui dentro de mim o tempo inteiro, guardadinho com o seu nome, esperando.

E enquanto esse dia não chegar, enquanto eu não puder te chamar de minha, lembre-se, "I'll wait for you there, like a stone, I'll wait for you there, alone".

10 de junho de 2012

Would you believe me when I tell you

You are the queen of my heart.

Há dias me assombra a ideia de te não te ter mais de volta só pra mim. Eu entendo a situação, eu sei que não deve ser fácil pra você ter que passar por isso e praticamente se obrigar a fazer tantas escolhas difíceis ao mesmo tempo. E eu não quero ser mais uma a confundir a sua mente.

Da mesma forma que você pensa, "quero te ver bem, mesmo que isso me destrua", eu penso também. Eu prefiro te ver sendo feliz ao lado de outra pessoa do que se sentindo obrigada a parecer feliz comigo pra não me magoar (porque eu sei que você faria isso se chegasse a esse ponto).

Durante esse tempo que passamos juntas, você me fez feliz como ninguém mais me fez. E o ciúmes que eu sinto de você é, na verdade, insegurança. Porque tem muita gente fazendo muita coisa por ti que eu não posso fazer ou apenas não pensei antes.

E eu tenho medo que alguma dessas coisas te faça escolher estar com alguma dessas outras pessoas. Quando eu durmo, eu tenho pesadelos com isso. Se demoro a receber notícias suas, 1512 coisas se passam pela minha cabeça e nenhuma delas é boa.

Mesmo que eu saiba que talvez não possamos continuar assim como estamos hoje por muito tempo, esse pensamento faz minha cabeça virar uma bagunça ainda maior do que já é. Por mais que eu entenda que talvez isso seja realmente o melhor, não é o que eu quero.

Meu coração está tranquilo num geral, mas em alguns momentos ele entra em pânico. Como agora, por exemplo. Não há nada no mundo que eu não faria pra ter certeza que eu te teria do meu lado pela vida inteira e que isso te faria tão feliz quanto faria a mim.

Entretanto, eu prometi que não o faria. Prometi a mim mesma, prometi aos céus. Jurei que não faria nada que confundisse ainda mais as tuas escolhas. Eu espero que as decisões que você tomar daqui pra frente sejam nada além de transparentes e boas o suficiente pra te fazerem feliz.

De qualquer maneira, é o que eu sempre disse: eu estarei bem se você estiver bem. Há a possibilidade de nunca mais vivermos juntas tudo que já passamos por mais uma ou duas vezes. E eu queria que essa possibilidade não existisse.

Não imaginei que houvesse essa forma de amor dentro de mim e acho que já mencionei isso algumas vezes. E no entanto, por mais que eu saiba que talvez não seja eu quem vai continuar ao teu lado dessa forma, por mais que eu já tenha imaginado tudo isso, ainda não acostumei com a ideia.

Na minha mente, você vai ser sempre minha. E no meu coração, bom, é como eu te falei... amor não acaba. Te amei ontem, te amo hoje e vou te amar amanhã. O mais engraçado é que desde que tudo isso começou, mesmo que eu tente evitar, o sentimento aqui só cresce.

Talvez eu tenha tentado esconder o quanto me preocupo com tudo isso, contigo... talvez uma forma de tentar me afastar um pouco, te deixar pensar sem mim, não interferir em nada, mas é difícil. Não o fato de me afastar, mas o fato de não saber o que se passa na sua mente.

O medo de te perder, o medo de não poder colocar em prática os planos que já fizemos, medo de entrar no mesmo poço de novo e sabe-se lá quanto tempo passar lá dentro. Eu prometi, de toda forma, que estaria ao seu lado não importando a situação.

E realmente estarei. Todos os dias da minha vida, de alguma forma, eu vou dar um jeito de estar sempre ao seu lado, cuidando de ti e te fazendo feliz, como um agradecimento a tudo que você já fez por mim. Eu te devo muito, garota! 

Apesar de eu agir como idiota muitas vezes, falar coisas toscas que poderiam ser deletadas e todo mundo seria mais feliz, isso não significa que eu te ame menos. É só algum traço esquisito da minha personalidade que eu sinceramente adoraria jogar no lixo...

Mas afinal, eu só precisava tirar esse sentimento de dentro de mim pra conseguir tentar dormir mais uma noite. Porque, de toda forma, não sou tão forte quanto você, ainda estou aprendendo, estou no início... e quero continuar aprendendo da melhor.

Não importa o que aconteça daqui pra diante, não importa a forma de "nós" que for haver daqui um tempo, eu estarei sempre contigo. Conforme prometido, serei sempre o seu apoio, o refúgio pra onde você vai poder correr sempre que quiser, porque estarei sempre no mesmo lugar.

Novamente, eu te amo demais. Muito mais do que eu esperava, como eu costumo dizer. E obrigada por me ensinar a viver de novo.

7 de junho de 2012

Sessenta dias no paraíso.


Ela ia se aproximando da porta enquanto eu a observava, pensando comigo, esperando que aqui fosse seu destino. Ela parou em frente à porta. Suspirei, abri a porta e a recepcionei, nada mais que procedimento padrão.

Cabelos escuros que criavam um contraste incrível com sua pele pálida, olhar castanho durão, mas um rosto delicado e suave que quebrava toda agressividade que a forma como ela me ignorava estivesse passando naquele momento.

Enquanto ela esperava que eu a ajudasse com o que ela precisava, eu imaginava de onde conhecia aquele rosto, aquele nome, aquela voz. Sondei minha mente por intermináveis minutos, mas não havia nenhum arquivo sobre ela ali.

O sorriso mais lindo que eu já havia visto. Ela e uma amiga (mal notei a amiga) adentravam a escola onde eu trabalhava, vestindo camisetas de duas das minhas bandas favoritas (uma delas estava tocando no local nesse exato momento).
               
Foi instantâneo. Eu a olhei pela primeira vez e soube que ela era minha. De alguma forma, ela era. Eu torci pra que minha colega obtivesse sucesso e realmente a matriculasse na escola. Desde então, nunca mais duvidei de suas habilidades.
               
Ela foi lá pela segunda vez acompanhada dos pais pra finalizar o contrato. Jamais me esqueço do colar anarquista que me tomou toda atenção. Nem notaria que ela tinha uma aliança ou uma corrente com um nome que obviamente não era o dela...
               
Prova inicial do curso, eu costumava corrigir. “O que você gosta de fazer no seu tempo livre? R.: Ficar com meu namorado”. Merda! Como é que aquela garota teria um namorado? Jurava pelo mundo inteiro que ela era super lésbica...
               
Mas não deixava de ir lá quase todas as tardes e passar um bom tempo conversando comigo, respondendo minhas piadas de peão de obra, brincando comigo e (mesmo que ela nem percebesse), me dando a maior moral do mundo.
               
Eu sabia todos os horários em que ela teria aula, sabia quem daria a aula, sabia exatamente que hora ela chegaria e tinha certeza de avisar a professora pra prestar atenção nela.  E elas realmente prestavam.
               
“Verdade, ela é realmente a garota mais linda e fofa”, era o que costumavam me dizer. Sempre soube que eu tinha toda razão em ter uma queda gigantesca por ela.  Ela gostava das mesmas bandas que eu e aos poucos começou a me contar muito sobre ela.
               
Até tentei procurar por ela em todas as redes sociais disponíveis, mas nem sinal. Enfim chegou o dia que ela comentou sobre voltar a usar Messenger. Pra falar comigo, obviamente. E foi naquele dia que tudo realmente começou.
               
As trovas já eram mais óbvias, as respostas, então, ainda mais. A forma como nos olhávamos (ou só parávamos uma em frente à outra) já deixava claríssimo que tinha alguma coisa ali que ainda não havíamos descoberto.
               
Sábado de ensaio, ela não apareceu. E eu, como toda pessoa-que-sempre-leva-bolo, deveria estar super acostumada com isso. O suficiente pra não me importar com isso. Mas eu me importei. Isso foi surpresa; inclusive pra mim.
               
E eu comecei a sonhar com ela. Passei a deixá-la determinar meus trajetos, pra onde eu ia e o que fazia, porque agora ela era a prioridade. Mesmo que ela nem fizesse ideia. Eu corria a cidade pra passar vinte minutos com ela.
               
Mas enfim, ela ainda tinha um namorado. Sábado seguinte ela apareceu. Com o namorado. Senti um nó se formando no meu estômago. Era realmente incômodo ver os dois juntos. E, bom, não é ciúmes (juro), mas eles não pareciam um casal.
               
Mesmo estilo, ok, mas ele era... um cara. E ela, lésbica. Enfim, eles não pareciam mais do que bons amigos. Minha banda tocava minhas bandas preferidas, que, casualmente, eram as dela também.
               
Não consegui parar de olhar pra ela um instante sequer naquele dia. Ela ali, ao meu lado, e eu não poderia nem sequer me sentir confortável de olhar pra ela (o medo de apanhar do namorado dela me consumiu por inteiro naquele tempo).
               
Nós duas sabíamos que não poderíamos ficar sozinhas por muito tempo, não queríamos (por um lado) que algo acontecesse. Afinal, ela tinha MESMO um namorado. Mas isso não impediu que nos aproximássemos o suficiente pra chegar no conforto.
               
Trocávamos mensagens no celular, passávamos o dia inteiro dando um jeito de estar sempre em contato. E por algum motivo, eu me deixei apaixonar por ela, mesmo que soubesse que havia muito no nosso caminho.
               
Mas afinal, eu sempre soube que ela era minha de alguma forma. Eu só não sabia como. Passamos uma manhã de sábado juntas. Era feriado, não precisei trabalhar; mesmo assim, acordei cedo só pra poder vê-la.
               
Já me sentia a vontade pra abraçá-la mais do que amigavelmente, mas ela ainda tinha um namorado. Quando nos despedimos, ela foi pra casa dele. Bom, não preciso deixar ainda mais claro que morri de ciúmes e medo o dia inteiro.
               
No final da tarde, logo depois que terminamos o ensaio, eu liguei pra ela. Ela disse que tinha uma surpresa pra mim. De certa forma, eu soube. Ou, pelo menos, imaginei e desejei que fosse verdade.
               
E realmente, era o que eu queria que fosse. Ela havia conversado com seu namorado, contado a ele o que estava acontecendo. Ganhei o bônus de ele nem querer me caçar por tentar roubar a namorada dele...
               
Domingo era dia de tocar violão no parque da cidade, sentar na grama, comer porcaria, falar besteira e fumar um baseado com uns amigos. Ela não pôde me ver nesse dia. Segunda-feira no final da manhã, ela foi até minha casa.
               
Nessa segunda, descobri que meu avô estava hospitalizado em estado grave no litoral. Como se não bastasse ele estar doente, eu ainda não poderia vê-lo. Meus pais viajaram de emergência na terça-feira e eu estava quase entrando em desespero.
               
Terça à tarde, no trabalho, não consegui me conter e chorei tudo que tinha pra chorar. Mandei uma mensagem pra ela, dizendo que não estava bem e que só queria um abraço dela. Recebei como resposta “em meia hora estou aí”.
               
E ela realmente foi. Meu chefe estava na cidade, então eu não poderia receber visitas no horário de trabalho. Ela foi até lá pra me dar um abraço e passar nem cinco minutos comigo.

Aquele foi o dia que eu tive certeza que eu a amava demais. E melhor, ela me amava de volta. Quarta-feira foi o primeiro dia do meu intervalo no trabalho e ela passaria comigo. Conseguimos passar alguns minutos juntas, até que minha mãe me ligou.

Estavam na cidade com meu avô, logo perto de onde eu estava. E queriam me ver. Nisso começa a chover e cair o mundo. Consegui vê-lo quase bem, o que foi um grande alívio. E aproveitamos pro banho de chuva.

Tivemos que passar na minha casa, trocamos de roupa correndo e voltamos para o meu trabalho. Era horário da aula dela, ela estava vestindo minhas roupas. A cara das pessoas que perceberam isso foi nada menos que impagável!

Estávamos juntas enfim. Na quinta-feira dessa mesma semana, meus pais tornaram a viajar. Sábado passamos o dia juntas; e cada vez eu tinha mais certeza que ela pertencia ao meu lado.

Ela trouxe consigo uma onda de coisas boas. Reaprendi o significado de valores, de amor fraternal, de família. Se tornou rotina passar meus intervalos com ela, mandar mensagens com trechos de músicas fofas...

Isso fazia parte do meu dia; fazer ela sorrir me fazia sorrir. E ela realmente fazia parte da minha vida, não só das partes boas, mas das merdas também. Dividíamos os bons momentos, os ótimos e os brigadeiros.

Eu a conhecia, eu estava próxima dela de uma forma que não estava de mais ninguém. Confiava nela pra tomar decisões importantes, pra dividir meus medos, meus anseios, minhas tristezas; mas principalmente, pra dividir tudo que eu tinha de melhor.

Algumas grandes merdas começaram a acontecer e tornar a situação um tanto quanto complicada. Um dia depois do meu aniversário ela disse que precisava conversar comigo. Não entendi a situação, mas aceitei de qualquer forma.

Afinal, minha intuição (a mesma que dizia que ela era minha) dizia que ela precisava desse tempo pra mente, sem se preocupar com um namoro. Chorei. Muito. Não sei se algum dia já havia chorado mais.

Três dias depois, num domingo à noite, agi da pior forma possível com ela, até que ela acabou me contando os motivos que levaram ao nosso término. Nesse dia, bati o recorde de choro.

Desde então, minha intuição volta a falar comigo; dessa vez, ela deixa claro que não há com que me preocupar, que as coisas vão se resolver, tudo vai voltar ao seu lugar. Assim como ela, que vai voltar a estar ao meu lado.

Mesmo que não estejamos oficialmente juntas, não nos deixamos distanciar. Houveram alguns altos e baixos, mas ainda conseguimos manter os altos em maioria. E enfim, não há como negar que dificilmente aguentamos a mini distância entre nós.

Aquela saudade que bate, aquela vontade de chorar, aquele sentimento “abstinência”, tudo isso é breve. Não inexistente.  Por mais que muitas coisas estejam acontecendo agora, muitas decisões a serem tomadas, ainda há a tranquilidade.

Por algum motivo ainda desconhecido, se tudo parece desabar agora, ainda tenho a calma de saber que as coisas vão mudar, vão voltar a nos favorecer. Não sei de onde vem essa certeza, não sei se posso confiar inteiramente nela.

Mas afinal, se essa certeza existe dentro de alguém tão desconfiada quanto eu, acho que não é assim tão impreciso. Ela está ainda ao meu lado, ainda comigo, mas de uma forma diferente. Talvez o que dá pra se chamar de “não por inteiro”.

Então, depois de amanhã completariam dois meses. Pois é, parece bem mais. E já tem algum tempo que eu precisava contar essa história, mesmo que sem muitos detalhes, pra que eu tivesse ela escrita também, minha. Eternizada.

Anseio pelo dia que as coisas voltem ao normal. Prometi a ela que estaria aqui o tempo inteiro, esperando por ela a cada segundo; e estarei. Maybe she’s really the one, and I’ll just lay here by her side and wait for it, so we can be happy together.

So happy together.

5 de junho de 2012

One more letter.

Querida,

Na minha história, quando começam essas cartas, todo o resto já acabou e só mais esse meio me resta pra expressar o que eu estou pensando ou sentindo há algum tempo. Parece proposital, às vezes meio sem querer parecer, que nos afastamos de uma forma que algum dia uma de nós some e a outra nem nota.

Não quero pensar que se eu passar um dia inteiro sem dar sinal de vida, você também não vai fazer nada. Eu prometi que iria esperar até que tudo passasse e pudéssemos voltar ao que éramos antes. Mas agora parece que estamos nos afastando cada vez mais.

Por mais que os tempos que passamos juntas ainda sejam o máximo, por mais que faça falta (pelo menos pra mim) os dias que não nos vemos, é como se agora não fizesse diferença se estamos ou não juntas. É como se um dia passasse e nenhuma devesse satisfação alguma à outra.

Afinal, o que eu quero saber por meio desta carta é... foi proposital isso acontecer? Já estava nos planos essa distância? Enfim, não vou me prolongar demais, portanto, seja direta comigo. Da forma como eu me mantenho transparente contigo, assim quero que tu seja comigo.

Já imagino há tempos que você deve estar reconsiderando tudo e voltando ao que estava acostumada a viver, tenho muito medo que isso aconteça. Mas, se for por isso ou por qualquer motivo, que seja, que estamos dessa forma, me deixe sabendo.

Sem mais, espero resposta.
Te amo.