É engraçado quando você coloca o pé pra fora de casa e percebe que conhece todo mundo. Popular? Não, cidade-ervilha, mesmo! Quem mora em Caxias do Sul me entende e concorda comigo, obviamente. Ir até o centro durante semana à tarde é sinônimo de encontrar 1512 rostos conhecidos.
Mas o mais estranho nesse fato é que, se você encontra tantos conhecidos na rua no meio da tarde, o que diabos se faz da vida nessa cidade? Nada, exato! E até quem realmente faz alguma coisa encontra um tempo de topar com você no meio da rua completamente sem querer.
E qual é o ponto nisso tudo? Digamos que nenhum. Irrelevante, um assunto sem finalidade alguma, obviamente. Eu só não tinha sobre o que escrever mesmo. Mas afinal, já que estamos aqui, vamos falar de algo que tenha alguma importância...
Vamos falar sobre círculos. Sim, isso aí mesmo, círculos. Mas que tipo de círculo exatamente? Algo como uma ervilha em 1D, vamos falar sobre o círculo de Caxias. Há um tempo atrás, tínhamos alguns pequenos círculos e, se você não fazia parte de nenhum, provavelmente conhece todos.
Tínhamos o pessoal que passava tardes na frente da Catedral e o pessoal que estava sempre no Parque dos Macaquinhos. Esse, cheio de círculos espalhados pelos cantos. A escadinha dos metaleiros, a dos maconheiros, a pista dos skatistas, as quadras, a prefeitura e a casa da força geral do parque.
Basicamente isso, temos nomeados nossos círculos. Contando que 90% desses, na época, frequentariam o Vagão Bar, havia uma pequena ligação entre boa parte desses grupos. Os trilhos, quando ainda tinham um público, eram o lugar pra que esses círculos socializassem.
Que atire a primeira pedra o jovem de Caxias que não cumprimenta milhares de pessoas na rua que conheceu nos trilhos e nem sequer lembra o nome! E afinal, essa era a forma mais divertida de conhecer gente.
Alguns lugares mais, de bar em bar, o pessoal que se vê sempre é aquele que você conheceu nos trilhos ou em algum bar por lá. Festivais, shows, festas, Vagão Classic, Aristos, Detroit, Fifty, a qualquer lugar que se vá hoje, se vê pessoas que estavam sempre nos trilhos.
E não importa pra onde você for, sempre vai ter alguém que vai passar por você e te fazer lembrar de alguma situação que você passou em alguma noite nos trilhos. E você vai sentir saudade.
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