Pokémon me enchendo o saco pra postar aqui; então resolvi falar sobre o dia de hoje. 29 de agosto. Dia nacional da visibilidade lésbica. Ah, você não sabia? Bem-vinda ao universo sapatão.
Dia nacional da visibilidade lésbica porque quando se fala de homossexualidade, geralmente a palavra “lésbica” não é pronunciada, sendo substituída por gay ou homossexual, termos que abrigam tanto a homossexualidade feminina como a masculina.
Usando termos gerais, apaga-se as especificidades da sexualidade lésbica, tão pouco falada (mal-falada) e cai-se novamente na invisibilidade do feminino, isto é, apaga-se a história das mulheres como protagonistas de sua própria vida e volta-se para o senso comum de que os grandes heróis são sempre os homens, mesmo dentro do movimento LGBT. Os sujeitos femininos continuariam relegados ao silêncio e ao esquecimento, como foram durante boa parte da história da humanidade.
Assim, ao lado da já tradicional Parada Gay, temos agora também a Marcha Lésbica, que vem com o propósito de ser mais politizada na defesa dos direitos tanto das mulheres – dentro de uma abordagem feminista – como das mulheres homossexuais, quebrando barreiras de gênero, de sexo ou de identidades.
Portanto, longe de ser exclusório, o dia da visibilidade lésbica se propõe a ser mais uma data de reivindicação, de luta – lembrando que a luta é diária, e não deve ser marcada no calendário -, mas principalmente para ajudar na construção de uma sociedade mais justa, sem preconceitos, onde prevaleçam verdadeiramente as liberdades de escolha, principalmente em relação a gênero e sexualidade.
May the light guide you through the way, but don't let it blind you. May the Gods be with you.
29 de agosto de 2011
Sobre o que é verdadeiro.
Lealdade, cumplicidade, fidelidade.
Deixando um pouco de lado a parte óbvia, onde não posso nem sequer tentar reclamar dos meus amigos, essa é uma reflexão sobre o que é real. Sobre o que vale a pena.
Amigos que arriscam tudo uns pelos outros. Amigos que não se valem de um par de palavras, mas um olhar apenas é o suficiente pra saber tudo que se passa em sua mente. Se magoam entre si, mas percebem facilmente. Amigos capazes de deixar o orgulho de lado e perder a razão pra desviar brigas.
Aqueles que sabem exatamente o que se passa na sua vida sem que você tenha que expressar verbalmente. Amigos que esquecem de si mesmos, adiam compromissos, esquecem coisas importantes de seu próprio interesse pra estar do seu lado, te apoiando sempre que você precisar.
Acredito arduamente que ninguém é feliz sozinho. E, se você não tem um amigo, um ombro, aquele que realmente é a outra metade de você, aquele que divide com você uma boa dose de transmissão de pensamentos e amor ágape (diferente do post anterior).
Afinal, quem nunca deu um voto de confiança pra alguém uma vez e descobriu que aquela ligação iria muito mais além do que se imaginava? Eu sei que eu dei. Pessoas maravilhosas que entram na nossa vida praticamente do nada e logo de início já nos mostram que podemos contar com eles.
São motivos bobos que nos aproximam, coisas fúteis, geralmente. Ou apresentados por terceiros. Uma coisa é certa: não é possível encher uma mão inteira de amigos. Porque amigos são aqueles que dariam a própria vida por nós se preciso fosse. E no fundo, sabemos quem realmente faria isso por nós.
Nós sabemos porque nos conhecemos além das palavras. Amigos sabem ler olhares, sabem interpretar gestos que costumam passar despercebidos, pegam frases soltas no ar e sabem o que você quer dizer com isso. Amigos brigam, amigos discutem, amigos argumentam. Amigos perdoam, amam, choram juntos.
São as únicas pessoas no mundo capazes de nos fazer vencer um medo. Porque eles são tão importantes? Alguém que eu admiro muito me disse uma vez que amigos são, sim, mais importantes do que a família. Por mais que a família diga que vai estar sempre lá, eles nos contrariam. E nós não os escolhemos.
Já os amigos, nós descobrimos afinidade aos poucos, encontramos gostos em comum, características e até esquisitices parecidas. Amigos não são aqueles que estão do seu lado pra te avisar que algo vai te fazer mal. Amigos são as pessoas que vão testar com você, quebrar a cara com você, só pra que você não se sinta sozinho diante de algo novo a enfrentar.
Amigos são aqueles que, por mais que você queira se fechar no seu mundo e ficar ali sozinho, mantendo toda a dor dentro de si mesmo, eles invadem quebrando tudo e obrigam você a se abrir, tomam a sua tristeza pra si e te fazem melhorar de uma forma que ninguém mais faz.
São as pessoas raras na nossa vida que nós sabemos que pertencem a nós. E, bom, são os únicos que amamos e aceitamos acima de qualquer defeito, pois eles, sim, nós sabemos entender!
Eros, eros...
You don't know what love is, you just do as you're told.
Como já disse Jack White, você não sabe o que é amor, você só faz como te dizem... e somos todos assim. Alguém um dia definiu o amor. Talvez fora, esse, o maior erro do ser humano. Sentimentos são coisas abstratas, ou seja, não podem ser definidas. E essa definição causa expectativas. E como causa!
Apesar de doloroso, apesar de todas as pistas que esse sentimento nos dá pra sabermos que é "amor", insistimos em nos enganar. Confundimos pequenas paixões com grandes amores. Quebramos a cara e alguns corações. E não aprendemos.
Porque nos dizem que o amor deve ser isso e aquilo, o rotulam. E nós vamos em busca do que está escrito no rótulo pra preenchermos esse lado do coração. Quando foge do rótulo, negamos até que as circunstâncias não mais nos permitam. E como isso nos afeta, não? Amor Eros.
Maldito amor. Ele se mascara, ele disfarça, mas quando aparece, explode. E todas as alegrias explodem com ele. Às vezes o amor se mostra só aos não orgulhosos, às vezes, aos mais sortudos. Porque talvez só aquele que é feliz por completo conseguiu atingir esse sentimento e fazê-lo imortal.
Quem sabe, esse, Eros, quem sabe, aquele. Vale lembrar, Eros não permite escolhas. Não é rígido e gosta de escolher quem menos nos agrada, pois é, também, quem menos esperamos. Eros é cruel.
Ah, Eros.
23 de agosto de 2011
O cachorro é mais esperto - Parte 7 e Final(mente)
- Eu disse que elas iam se acertar!
- Ok, Julia, você sempre sabe. Eu já deveria ter aprendido que não se pode apostar contigo quando o assunto é o casal melosinho aí.
As duas paradas na porta da sala, rindo de Paula e Alexis que pareciam duas crianças que brigam o tempo todo e nem se sabe o porquê. Elas, por sua vez, saíram daquele abraço e sorriram juntas. Todas se olharam e caíram na risada. Parece que o humor de colegial não acabaria tão cedo, mesmo tendo acabado há tanto tempo.
- Certo, garotas. Que faremos hoje, então? - Essa era Paula, exalando felicidade.
Nuns minutos decisivos para o restante do dia, programam o almoço. E, num raio de uns dois segundos disso...
- E precisamos arrumar esse apartamento! - Depois de uns olhares com cara de "por que?", todas chegam à mesma conclusão: arrumariam o apartamento. Fora as coisas que poderiam encontrar, não tinham nada a temer... ou tinham.
Enfim, arrumam-se e deixam tudo pronto para o restante da programação, pegam as chaves e conferem as janelas. Duas voltas na fechadura do meio, uma na de cima e outra na de baixo.
E eu fiquei ali, observando... com o rabo entre as patas e com o meu osso roído. Garotas estranhas. Eu, hein!
Diferença e diversidade.
Eu, tu, ele, ela, nós. Eu gosto de arte, ele gosta de futebol. Ela é artista, eu sou arteira. Nós somos todos diferentes em busca de direitos iguais.
Todos nós temos algo em comum à mesma medida que todos nós somos tão opostos. E todos nós parecemos sufocar uns aos outros em meio as nossas diferenças. E, por mais que sejamos (supostamente) iguais perante a lei (e, como dizem os religiosos, Deus), ainda somos rejeitados de alguma forma por alguém.
Podemos ser tudo que a sociedade ama (mentalmente vazios, influenciáveis e distantes de qualquer ideologia política), mas se formos feios, seremos julgados. Podemos, por outro lado, ser lindos (fisicamente) e burros (e a sociedade não vai perder tempo em deixar claro).
Assim como podemos ser exatamente o contrário do que a sociedade espera de nós. Aí não é mais julgamento, se torna uma tortura. Nos escorraçam de tal forma, a fim de que (sei lá por que diabos pensam isso) nos moldem da forma que quiserem.
Sociedade odeia crentes, mas também odeia ateus. Sociedade odeia bruxos sem nem saber o que são. Assim como nos deixamos moldar pela sociedade, ela também foi moldada uma vez: era uma putaria feliz e insana, até que o cristianismo chegou e resolveu derrubar a diversão.
Mas afinal, queridos jovens, idosos, crianças (o que crianças estariam fazendo aqui?), travestis, extra terrestres, macacos, preguiças e pinguins, somos esquisitos mesmo! E daí? A gente junta a sua esquisitisse com a minha e a gente forma um ser muito louco.
Se vai agradar? Que diabos importa? O negócio é que nós vamos estar satisfeitos com isso e nos fará feliz.
Então viva a esquisitisse diversidade!
21 de agosto de 2011
O cachorro é mais esperto - Parte 6
Paula abriu a porta devagar com medo do que poderia encontrar. Viu Darla se voltar de frente para ela e balançar a cabeça em desaprovação. Bastou isso pra entender. Olhou para a sala e viu Alexis escorada no ombro de Julia, que, por sua vez, parecia consolar a amiga. Paula entendeu: tudo aquilo era culpa dela.
Ela voltou pra fora, enconstou a cabeça na porta e deixou algumas lágrimas escorrerem enquanto tomava apenas cinco segundos pra pensar no que havia feito. Recapitulou em sua cabeça todos os acontecimentos em ordem cronológica, desde o dia em que se conheceram.
Darla fora sua colega de escola há muito tempo atrás. Com o tempo a aproximação foi ficando mais forte, descobriram que compartilhavam de ideias parecidas. Darla se tornara tão sua amiga que era a única pessoa que conhecia todos seus medos e segredos e a conhecia como ninguém.
Alexis e Paula se conheceram do nada, nem amigos em comum tinham. Esbarraram numa festa, ficaram, e, depois disso, começaram a conversar frequentemente. E enquanto se conheciam, ia surgindo um sentimento forte que nem sequer elas sabiam que não passaria.
Julia era amiga em comum, Darla e Alexis já conheciam. Não demorou muito pra que Paula conhecesse também. Alexis e Paula tiveram um término feio e Julia se tornou o ombro de Paula. Daí pra diante, se tornaram tão próximas que quase começaram a namorar. Darla chegou logo pra avisar que isso nunca daria certo. E, bom, as poupou de outro término terrível.
Nisso, as quatro, que nunca deixaram de ser grandes amigas, resolveram dividir um apartamento. Todas elas tinham problemas de relacionamento com os pais e acharam que a ideia poderia funcionar. Logo que chegaram lá, deram uma pequena festa de inauguração. Convidaram alguns amigos e vizinhos, pensando que seria uma boa oportunidade de conhecer gente nova.
A tal vizinha logo chegou e começou a bagunçar a vida de Paula. Alexis e ela estavam num tempo complicado, quase não falavam sobre elas, como se fosse o assunto proibido. Estavam distantes e pareciam não estar buscando aproximação. Julia e Paula continuavam como sempre, mas agora Julia era o braço direito de Alexis, o que fazia com que, às vezes, ela estivesse contra Paula.
Darla continuou como sempre: neutra. Ser a mais velha já estava se tornando incômodo. Parecia que ela sempre teria de separar as brigas das crianças. Alexis e Julia também tiveram seus tempos de quase namoro, mas Julia sempre soube que Alexis nunca mudaria o que sentia sobre Paula. E Paula não mudaria o que sentia sobre Alexis. Só que ela não sabia.
A vizinha se aproximou de Paula, que achou uma boa oportunidade de tentar superar Alexis. Nunca funcionou, só deu certo pra machucar as três. Enquanto Paula tentava esquecer Alex com a tal vizinha, ambas se sentiam sem conexão, o que não fazia nada bem. E dois andares acima, a "ex" tentava pensar em uma solução que não envolvesse as duas juntas.
Paula secou as lágrimas e pensou: "eu amo Alexis e só tenho machucado ela. Eu me importo com a garota que estou usando pra esquecer Alex e continuo machucando ela, mesmo sabendo que nunca vou me apaixonar por ela. Certo, Paula, hora de crescer".
Respirou fundo e abriu a porta novamente. Caminhou até o sofá, sentou ao lado de Alexis e abaixou a cabeça. Julia se levantou e saiu sem falar nada. Alexis olhou pra Paula.
- Não sei por que diabos fiz essa bagunça toda com nós. Me perdoa? - Pela primeira vez, Alexis viu Paula chorar. Garota durona, não deixava transparecer fraqueza alguma. Mas agora valia a pena.
Tudo que Alexis conseguiu fazer diante daquilo foi segurar o rosto de Paula, secar suas lágrimas e abraçá-la. Enquanto as duas desabavam, perceberam sem palavra alguma que agora estava tudo resolvido entre elas. Depois de incontáveis minutos naquele abraço, as duas se entre olham.
- A vizinha terminou tudo comigo hoje. Ela disse que sabe o que eu sinto por ti e mandou eu me resolver. Até ela, que nem me conhece direito, sabe melhor o que eu devo fazer do que eu mesma. E, bom, tome o tempo que precisar pra decidir isso, mas eu te quero de volta pra mim. - Paula sempre fora boba com palavras. Ela tremia cada vez que precisava falar algo que sentia e sempre dizia besteira.
- Poderia ter deixado a parte da vizinha de fora... mas sim, eu te perdô e quero essa coisa toda resolvida o mais rápido possível. Não aguento mais ficar distante de ti assim. E fica ainda mais difícil quando eu percebo que você também não aguenta, mas continua fazendo tudo pra nos manter assim. - É, Alexis sim sabia o que dizer.
Paula tomou alguns segundos pra captar o que Alexis estava pensando. Elas tinham essa capacidade incrível de falar em silêncio. Uma conexão que só se via nelas. Naquele olhar, estavam em transe.
16 de agosto de 2011
O cachorro é mais esperto - Parte 5
Estava pensando nela desde o primeiro segundo que acordei. Mal abri os olhos e Paula inundava minha mente. O que essa garota tinha pra que eu me apegasse tanto a ela? E o mais importante: o que essa garota fazia com a minha cabeça?
Sabia que ela estaria em casa e pensei em ligar. Sem me importar com o que ela diria, fui procurar meu celular e... ótimo, tinha deixado na casa dela no dia anterior. O fato de meu celular e eu não termos um longo relacionamento de afetividade me faz esquecê-lo em qualquer lugar. Principalmente quando ele cai do meu bolso enquanto a vizinha me distrai.
Me arrumei rápida e cuidadosamente e subi as escadas. Respirei fundo umas cinco vezes e toquei a campainha. De repente ela aparece na minha frente com aquele cabelo todo bagunçado, cara de "usei todas as drogas possíveis ontem e bebi até o suco pancreático", a mesma roupa que eu a tinha visto sair ontem à noite, suspensório caído e camiseta preta.
Ela conseguia ficar linda mesmo da forma mais deplorável possível. Estava apenas de meias nos pés, o que era engraçado e fofo. E esse último pensamento me fez perceber: eu estava muito apaixonada. Ela me olhou, escorou a cabeça na porta e meio que se encolheu de dor. Era a ressaca.
- Bom dia. - Que sorriso!
- Desculpa te acordar, mas percebi que deixei meu celular aqui ontem e, como você saiu... - Por que diabos eu não disse que só percebi pela manhã? Talvez agora fosse ficar mais estranho do que se eu tivesse dito a verdade.
- Ah, ok, entra aí, vamos procurar! Vou pegar o meu pra ligar pro seu. Pode ir procurando por aí, fica a vontade. - Tinha um certo medo de procurar meu celular por ali, até porque não sabia nem por onde começar. E, bom, elas não eram as garotas mais organizadas...
- Han... que isso? - Coisinha curiosa aquela... poderia ser um super pregador de roupas ou alguma outra coisa estranha que eu não fazia ideia pra que servia. Mas me fez rir bem de canto.
- É um capotraste, se usa pra mudar a tonalidade da guitarra... um dia te mostro como. - Ela sorriu. O que será que ela estava pensando? - Estou ouvindo seu celular! - Que droga, poderia demorar mais, não?
Ela parecia incomodada comigo estando ali. Bom, o apartamento estava uma bagunça inexplicável mesmo. Tinha cinzeiros por toda parte, um cheiro de cigarro bastante notável e alguns incensos acesos em vários cantos do apartamento. Será que elas realmente achavam que funcionava pra disfarçar o cheiro de álcool e maconha?
- Achei... - bom, legal que eu tinha encontrado meu celular dentro do pote de maconha... mas ruim que agora eu não teria outra desculpa pra ficar.
- Eu meio que não lembro de ter visto seu celular ontem. Acho que as garotas perceberam que era seu e resolveram armar pra mim... desculpa por isso. - Ela não pareceu querer se desculpar.
- Já imaginava que vocês queimavam. Gosto também. - Achei melhor deixar claro que elas não estavam em problemas e podiam confiar em mim. - Uma hora dessas podemos fazer um bolo se vocês quiserem. - Meu sonho com maconha. E adoraria que fosse com Paula.
- Quer queimar um agora? - UAU! Me sentei ao lado dela no sofá, que bolou um pastelzão em tipo... dois minutos. Deu os primeiros pegas e me passou o baseado, sorrindo. Em silêncio, queimamos aquele beck até chegar quase na metade, que foi quando nos olhamos e, bom, ela me beijou.
Cinzeiro ao lado, que sorte! Apaguei num movimento e deixei por ali. O trajeto foi o de sempre: o sofá onde estávamos, corredor, e... ok, não sei quando isso aconteceu, mas a porta do quarto estava fechada. Com nós dentro dele.
Foram alguns bons e longos "minutos" até que alguém chegasse. Claro que alguém chegaria. Foram duas batidas e Paula levanta tão rápido que me fez rir. E muito.
- Não entra! Han... quem é? - Ela disse toda encabulada e fez uma cara de dúvida que precisei segurar pra não agarrá-la de novo.
- É a Julia, fica tranquila aí, mas só aviso que as gurias vão chegar logo. - Ah, ótimo, já acabou a diversão.
- Ah, ok... - Ela me olhou com cara de criança que fez besteira. Como o papo com a Julia já tinha acabado, nem tentei me segurar.
Depois de algum tempo, acendemos uns cigarros e ficamos por ali conversando. As circunstâncias indicavam que seria melhor nos arrumarmos antes que as outras garotas chegassem. E, já que Alexis era apaixonada por Paula, achei que seria mesmo melhor se ela não nos visse juntas. Porque eu sei quanto dói quando elas resolvem voltar aos velhos tempos e eu vejo.
Nos vestimos e fomos até a sala, onde Julia estava sentada re-acendendo nosso baseado.
- Bom dia pra vocês. - Ela sorriu. Pareceu sarcástica.
- Bom dia, Julia - dissemos juntas. Seria algo importante se não fosse comum. - Já volto. Se as gurias chegarem, me esperem pra decidirmos o que faremos hoje, certo? - Paula disse pra Julia, soando séria, talvez não muito confortável com a situação. Bom, sabendo que elas já tiveram rolos, daria pra imaginar o por quê do desconforto.
- Sim, sim, te esperamos. Mas não demore, ok? Esteja de volta aí por 11hs, no máximo. Pretendemos sair cedo. - Ela e Darla eram quem colocava ordem no lugar. Claro, Alexis e Paula eram duas crianças que só consideravam a diversão.
- Perfeito! - Paula sorria quase tentando disfarçar algo. Fez sinal pra que saíssemos e nos despedimos "de cabeça" de Julia.
Estávamos descendo as escadas quando Alexis passou por nós. Nos cumprimentamos "de cabeça" também e continuamos descendo. Ela abaixou a cabeça e subiu. Nada bom.
Continua
A Little Bit Of Hope
Toda vez que você conhece alguém, você olha para o seu passado. Você pensa que talvez, já que você já ferrou tanta coisa no passado, não é agora que você vai conseguir fazer isso direito. Mas no fundo, existe aquela esperança.
Aquela única lágrima de esperança que faz você refletir que não é em você que está o erro, mas em esperar demais das pessoas, esperar que fosse alguém pra sempre, definitivo. Mas não é. Essas pessoas serviram pra nos ensinar, nos guiar e nos preparar pra pessoa certa.
E hoje eu olho pro meu passado, eu vejo que vale a pena tentar de novo. Mas existe aquele medo. Então eu conheci alguém. E ela é... indescritível. Cada mania dela, cada jeito engraçado, cada defeito, também, gosto de tudo sobre ela.
As coisas que eu costumava criticar, não consigo mais, se tratando dela. E talvez o fato de apenas essa vez ser... intenso e ter um outro fundo de esperança, talvez assim dê certo. Eu espero. Vale muito a pena pra algo incerto, assim como vale muito a pena tentar.
E, como nos disseram nos contos de fada que nós não estamos sozinhos e no final não estaremos sozinhos, nós vamos seguindo essa ideia, tentamos encontrar alguém pra amarmos pela vida toda. Assim, eu sigo a mesma ideia.
Vale a pena de todas as formas e eu estou disposta. Se vai dar certo? Se vai ser dessa vez que vamos encontrar quem vai andar com nós pelo resto da vida? Não sei. Mas estou bastante ansiosa pra descobrir. Talvez eu não seja exatamente a pessoa que ela quer pra vida toda, mas também estou bem disposta a me tornar essa pessoa.
Mas no final, eu sei que nunca será em vão, que, qualquer destino que nos espere, tudo isso, todos esses sentimentos confusos e intensos terão servido pra nos fazer crescer e nos ensinar o que precisamos saber pra conseguir alcançar nossos sonhos, aprender persistência.
Aprendi anteriormente algumas coisas e vou aplicá-las agora. E lá vou eu, investir nesse possivelmente feliz futuro. A gente espera, a gente sonha, a gente segura as mãos e só... vive.
(Esse texto foi postado em maio e, de alguma forma, quando fui editar a formatação do texto, veio parar no topo. Enfim, estamos resgatando textos. Mas que deu vontade de excluir, deu!)
(Esse texto foi postado em maio e, de alguma forma, quando fui editar a formatação do texto, veio parar no topo. Enfim, estamos resgatando textos. Mas que deu vontade de excluir, deu!)
15 de agosto de 2011
Da Janela
Ela se levanta cedo todas as manhãs. Depois de escolher cuidadosamente a roupa que vai vestir, senta no sofá da sala e acende um cigarro, toma um café e lê o jornal. Sempre passa rapidamente até a parte das palavras cruzadas, que parece ser a única parte que interessa. Como criança, senta no chão e resolve cuidadosamente à caneta, consciente de que não vá errar.
Ela trabalha em alguns fins de semana. Arruma-se de uma forma cuidadosamente desajeitada, proposital. Ela sempre esquece a chave do lado de dentro. Então ela lembra que esqueceu mais alguma coisa e volta até seu quarto pra buscar. Ela dá uma segunda conferida nas janelas e deixa um bilhete sobre o braço do sofá. Ela não tem mesa em sua cozinha nem cama em seu quarto. Um colchão, apenas. Sempre arrumado.
Ao meio dia ela volta, seu turno de sábado acaba ali. Entra calmamente e vai se despedaçando, largando um pouco de acessórios em cada parte da casa. Ela é organizada e cuidadosa, garota única e cheia de manias engraçadas. São vícios que nem sequer ela percebe.
Sempre traz comida de algum restaurante nos fins de semana. Nunca cozinha quando está sozinha em casa e quando o faz, são comidas fáceis ou algo congelado e pronto. Senta-se no sofá e mantém a TV desligada, mas rapidamente liga seu notebook no braço do sofá. Enquanto come, vê uns episódios de seriados aleatórios.
Assim ela passa uma tarde, alternando entre um livro modernista de poesias que já lera trocentas vezes e seu notebook. Parece constantemente buscar uma inspiração. Escritora, garota intrigante.
E da janela, eu, minha cadeira de balanço, meu telescópio e minha obsessão.
12 de agosto de 2011
O cachorro é mais esperto - Parte 4
O cigarro acabou a dois centímetros da maçaneta do portão. O sindico abriu antes que eu pudesse encontrar minhas chaves e me cumprimentou.
- Bom dia, guria! - Senhor bem humorado, sempre sorridente a ponto de passar boas vibes pra quem convive com ele.
- Ótimo dia, Seu Jorge! Como estão as meninas? Não destruíram a casa enquanto eu estava fora, certo? - Sorri ao me referir as minhas colegas de apartamento como crianças. O que elas eram, de qualquer forma.
- Não ouvi reclamações de barulho do 402 desde... - Brincou comigo e fez a piada de sempre, sobre a primeira festa que demos no prédio. Nós acidentalmente derrubamos um microfone... ou melhor, jogamos pela sacada. O ruído não foi nada legal. Quase levamos uma multa por isso. - bem, desde o incidente com os cabos.
- Bem lembrado, Seu Jorge. Elas ainda estão me devendo explicações sobre como aquele microfone foi parar na minha mão...
- Essa não me compra mais, guria. - Ele sorria quase orgulhoso de suas palavras. - A propósito, como estão vocês. Já conseguiram mobiliar tudo? Se precisarem de uma mãozinha, sabe o apartamento!
- Obrigada, Seu Jorge! Conseguimos quase tudo, falta só o que não é prioridade. Espero que as garotas não quebrem nada antes de conseguirmos tudo! - Em meio as nossas risadas, nos despedimos e seguimos em nossos caminhos.
No segundo andar, dou de cara com Paula e... a vizinha. De novo. Estava ficando estranho... será que Paula estava se apaixonando? Ah, não, claro que não! Ela só não percebeu que Alexis gosta dela. Mas como? Ela nem fazia questão de disfarçar!
- Bom dia, garotas! Linda manhã, não? - Sarcasmo. Sempre funciona!
- Bom dia, Darla! - disseram juntinhas. Que lindo... não não, nada de lindo! - Como foi sua noite ontem? - Paula sempre muda de assunto e não responde minhas perguntas.
- Uma maravilha. Você está subindo? - Nem sequer se confundia meu sentimento pela tal vizinha. Era só apatia, aquela de fácil distinção. Falei e continuei andando.
- Mais tarde eu subo! - Ok, Paula estava se apaixonando. Ou tentando muito.
Apenas subi, pensativa. Abri a porta e encontrei as outras duas. Fumando.
Continua.
8 de agosto de 2011
O cachorro é mais esperto - Parte 3
Alguém tinha dado duas voltas ao chavear o portão do prédio. E só uma pessoa faria isso na manhã de um sábado: Julia. Ela tinha me ligado há alguns minutos avisando que chegaria em casa cedo, mas não imaginei que seria tão cedo. No terceiro lance de escadas, passei por Paula e logo atrás dela vi a vizinha do 201 descendo. De novo, Paula? Será que ela realmente não se liga ou faz isso pra me provocar?
Milhões de pensamentos começaram a gritar na minha cabeça. Era uma festa de possibilidades. Talvez a garota tivesse dormido lá, talvez tivesse ido pela manhã... ou talvez Paula tenha voltado do show tão cedo por causa dela. Mas aí o caso seria sério. E seria pior ainda se ela tivesse voltado pela garota e esta tivesse passado a noite lá. Todo mundo sabe o quanto Paula odeia que as garotas que ela fica passem a noite lá.
Entrei em casa um tanto distraída, imersa em pensamentos dos quais eu queria me livrar de todas as formas. Julia estava sentada no sofá mais próximo à porta e, como sempre, mexendo no notebook. Talvez ela fosse a única de nós que não perdeu o vício em internet depois que se mudou pra cá. Claro, ela também foi a única que não adquiriu nenhum outro vício.
Passei por ela de cabeça baixa, apenas cumprimentei. Sabia que ela estava tão chocada quanto eu, mas ela sabia disfarçar. Pela forma como ela me olhou, pude perceber que ela sabia exatamente o que eu havia visto alguns minutos atrás. Apenas andei até meu quarto e me joguei na cama. Involuntariamente, senti algumas lágrimas começarem a escorrer. Isso, Alexis, chora pela Paula de novo.
Eu havia conhecido essa garota fazia um bom tempo, sabia todas as manias dela e a conhecia como a mim mesma. Ela não muda, mas às vezes parece que ela tem outra personalidade. Paula sempre fora gentil e preocupada com os sentimentos dos outros, mas porque diabos ela estava fazendo isso agora? Não poderia ser pra me machucar, mas era impossível que ela não tivesse percebido as minhas intenções.
Talvez ela realmente estivesse muito afundada na sua própria vida e limitada demais pra perceber o que tanta gente ao seu redor sentia por ela. Mas, caramba, precisa ser muito desligada! Tudo bem, eu conseguiria me recuperar daquilo, assim como estava me recuperando das milhares de garotas que ela sempre traz pra casa. O que é que essa garota tem?
Ela nunca faz nada pra encontrar alguém e em todo lugar que ela vá, sempre tem milhares de garotas que a queiram mesmo conhecendo a reputação dela. Dispensa quem quer, escolhe a dedo. Ainda assim, sempre tem as garotas que fazem seu gosto. Não consigo entender essa coisa que faz todo mundo gostar tanto dela. Canalha, descomprometida, indiferente na maior parte das vezes. Não faz o tipo "amor de pessoa".
Seria melhor pra mim se eu ocupasse minha mente com algo que não começasse com "P" e terminasse com "aula". Me levantei e fui até a sala, onde Julia estava ainda fumando... e claro que eu fumaria também. Seria ótimo me sentir bem agora. Quem sabe chapada eu conseguisse pensar mais claramente e elaborar minhas críticas e argumentos.
Desde que fossem concretos, Paula teria de concordar. E claro que eu teria razão.
Continua
7 de agosto de 2011
O cachorro é mais esperto - Parte 2
A porta estava aberta. Incrível como a Paula sempre esquecia algo fora do lugar. Meu dia estava sendo cheio demais pra que eu me preocupasse com isso. Apenas entrei e encontrei a porta do quarto de Paula fechada. Como diabos ela teria deixado a porta aberta e ainda estava dormindo? Isso poderia ser preocupante. Bati na porta e ouvi Paula gritando.
- Não entra! Han... quem é? - Tive de rir disso. O apartamento estava com um cheiro quase insuportável de incenso misturado com maconha. Era óbvio que ela não estava sozinha. Como de costume.
- É a Julia, fica tranquila aí, mas só aviso que as gurias vão chegar logo. - Quando se mora com três garotas e todas elas sabem que sua vizinha é perdidamente apaixonada por você, menos você mesma, você ganha três colegas de quarto zoando com a sua cara.
- Ah, ok... - Depois disso não ouvi mais nada (no possível sentido de nada).
A sala estava uma bagunça desgraçada, tinha roupas jogadas pra todo lado e aquele cheiro forte de incenso tentando sobrepor o cheiro mais forte ainda de maconha. Encontrei um baseado pela metade recém apagado no braço do sofá e reacendi. Putz, aquilo estava o tipo "pastel", extremamente mal bolado. Paula desligada, sempre deixa toda a situação óbvia.
Ela provavelmente não me esperava chegando tão cedo numa manhã de sábado. Nem eu. Agora estava apenas esperando Quando Alexis e Darla chegariam pra almoçarmos. E, caramba, dessa vez a ressaca foi cruel. Acho que foi pelo fato de termos feito um aquece e bebido demais no show, já que era a coisa mais estranha que já presenciamos naquele bar.
Perdi a conta do tempo que fiquei mexendo no notebook e terminando aquele beck quando Paula passou por mim. E não era de se impressionar que a vizinha do 201 estava com ela. A pobre garota ainda se prestava subir dois lances de escada por uma garota desligada que só se importava realmente com a diversão.
- Bom dia pra vocês. - Sorri um tanto sarcástica.
- Bom dia, Julia - Quase em uníssono... uau! Isso estava começando a ficar interessante. - Já volto. Se as gurias chegarem, me esperem pra decidirmos o que faremos hoje, certo? - Não parecia muito confortável. Outro fato que não era de se admirar. Eu e Paula tivemos nosso tempo de diversão também, mas do tipo que se chama "amigas com benefícios". Agora eu estava comprometida e ela continuava da mesma forma.
- Sim, sim, te esperamos. Mas não demore, ok? Esteja de volta aí por 11hs, no máximo. Pretendemos sair cedo. - E como sempre, eu era a mais responsável.
- Perfeito! - Exclamou sorrindo, parecia tentar disfarçar a parte onde havia ficado sem jeito comigo por ali. Elas saíram e fecharam a porta atrás de mim. Ontem Paula havia sido a única a voltar pra casa. Até achei estranho que ela tivesse voltado sozinha. Com essa cena pela manhã, pude julgar que ela tivesse parado no apartamento 2 andares abaixo e a vizinha teria, assim, dormido aqui. Mas isso não explicaria a porta aberta.
Além do mais, Paula não faz o tipo que gosta que as garotas que ela fica passem a noite por aqui, então isso poderia indicar que ela estava se apegando. O que também não seria o caso, já que ela negava que a tal garota era perdidamente apaixonada por ela e insistia que nunca seria recíproco, algo que Paula nunca fala apenas por falar.
Alexis abriu a porta e me cumprimentou. Andou direto até seu quarto... acho que ela havia visto Paula ao subir. Isso não seria nada bom.
Continua
Arteando
A arte me salvando.
A arte me amando.
Me afogando, me esbofeteando.
A arte me sabotando!
Quando estou desmoronando,
ela me puxa de volta,
me aperta, me sufoca
e eu grito.
Sensibilidade,
sensível habilidade,
transformar dor em arte.
Vida e morte,
morte e vida,
paz e amor,
guerra e dor.
Duas faces,
duas fases do mesmo...
resgate!
A arte me amando.
Me afogando, me esbofeteando.
A arte me sabotando!
Quando estou desmoronando,
ela me puxa de volta,
me aperta, me sufoca
e eu grito.
Sensibilidade,
sensível habilidade,
transformar dor em arte.
Vida e morte,
morte e vida,
paz e amor,
guerra e dor.
Duas faces,
duas fases do mesmo...
resgate!
Cruel Intentions (Segundas Intenções)
E finalmente alguém contribuiu pra minha página. Thanks, Carol!
Eis minha indicação para a página “Coffee, Cigarettes, TV and Good Music”: o filme Cruel Intentions (Segundas Intenções – 1999).
Foram poucos os filmes que realmente prenderam minha atenção do início ao fim e este é um deles. Trata da relação conflituosa entre Sebastian Valmont (Ryan Phillipe) e Kathryn Merteuil (interpretada pela ótima Sarah Michelle Gellar), uma disputa levada a sério envolvendo manipulações, apostas e muita tensão sexual entre os dois personagens. Digamos que Kathryn é o objetivo de Sebastian e para tê-la ele terá que passar por diversas tarefas impostas, e também dificultadas, por ela. Envolvidas nesse joguinho temos Cecile Caldwell (Selma Blair) e Annette Hargrove (interpretada pela então desconhecida Reese Witherspoon). Ao decorrer do filme vamos acompanhando como essa disputa entre Kathryn e Sebastian cresce e gera conseqüências sérias para todos os envolvidos.
Diversos assuntos são tratados no enredo, tais como: virgindade, drogas, homossexualidade, racismo e ainda outros que qualquer um pode se identificar, o que acaba tornando o filme bem mais interessante do que qualquer outro enredo geralmente cheio de clichês norte-americanos. Não que Cruel Intentions não tenha clichês, é praticamente impossível fugir deles. Porém o jeito que foram tratados na história torna o que vimos mais real, mais próximo a uma situação que pode acontecer com qualquer um de nós.
Resolvi fazer esta indicação pois sei que, mesmo tendo mais de dez anos, algumas pessoas não conhecem este ótimo filme (aka Pokémon) e também porque é uma produção tão completa que não só o filme é bom, mas também a trilha sonora é maravilhosa. Placebo, Fatboy Slim, The Verve e Blur são algumas das bandas que participam, se tiverem interesse podem baixar o álbum aqui
Assitam o trailer abaixo e digam se ele não te convida a ver o filme tipo, AGORA!
4 de agosto de 2011
O cachorro é mais esperto - Parte 1
Acordei com o barulho da campainha. Manhã de sábado, ressaca e muito sono. Quais as chances de ser importante? Nenhuma, nunca é importante. Mas e... é, melhor atender. Não dá tempo de me vestir, dá? Não, não dá. Olhei pra mim e... camiseta de banda do tipo bem-velha-que-só-serve-pra-pijama e cuecas. Ok, dá tempo pra vestir as calças. Foi o tempo de lavar o rosto daquele jeito "meia-boca" e correr.
- Bom dia - disse sorrindo com a maior cara de sono e vontade de me encolher no chão do apartamento pra ver se meu fígado parava de reclamar. E quando abri os olhos de verdade, percebi que era a vizinha. Ops, aquela vizinha. Lasquei.
- Desculpa te acordar, mas percebi que deixei meu celular aqui ontem e, como você saiu... - ela parecia um tanto desapontada enquanto falava essa última parte. E, putz, não tinha percebido que ela esqueceu o celular aqui. E agora? E procurar naquele apartamento tipo aqui-só-mora-gente-bagunceira?
- Ah, ok, entra aí, vamos procurar! - Ê vontade de procurar um celular, né? - Vou pegar o meu pra ligar pro seu. Pode ir procurando por aí, fica a vontade. - Quando terminei de falar isso percebi a enrascada que eu tinha me metido: o que diabos ela poderia encontrar por lá? Pensando nisso, refiz na minha cabeça todas as coisas que as garotas que moram comigo poderiam ter deixado por lá e... porra.
- Han... que isso? - Quando me virei, percebi ela segurando um capotraste. Ufa! Meu coração já tinha disparado. Encontrei meu celular e fui voltando pra sala enquanto ligava pro número dela.
- É um capotraste, se usa pra mudar a tonalidade da guitarra... um dia te mostro como. - Sorri com a sugestão. - Estou ouvindo seu celular! - Ansiedade louca pra encontrar o tal celular e ela sumir do apartamento? Talvez.
Pelo menos a presença dela me fez perceber que precisávamos limpar urgentemente esse lugar. Tinha cheiro de cigarro pelo apartamento inteiro misturado com cheiro de álcool... claro, ontem tivemos um aquece praquele show estranho que nenhuma de nós aguentou até a metade.
- Achei... - não parecia estar muito feliz em ter encontrado o dito celular. Ok, eu também não ficaria feliz se encontrasse no pote "Starbucks Coffee" onde guardamos maconha... mentira, eu ficaria extremamente feliz.
- Eu meio que não lembro de ter visto seu celular ontem. Acho que as garotas perceberam que era seu e resolveram armar pra mim... desculpa por isso. - E essa desculpa não foi nada sincera.
- Já imaginava que vocês queimavam. Gosto também. - Ferrou. - Uma hora dessas podemos fazer um bolo se vocês quiserem. - Ok, "desferrou".
- Quer queimar um agora? - Tarde demais pra arrependimentos, ela já tinha sorrido afirmando. Sentei pra bolar um e fiz sinal pra que ela se sentisse à vontade pra sentar também. Ela se pôs ao meu lado, um tanto próximo. Sorte que consegui selar em dois minutos. Acendi e dei o primeiro pega. Bombando! Passei pra ela e sorri, um tanto sugestivamente.
Continua no próximo tédio.
1 de agosto de 2011
Haikai?
Perdi o sono pensando nela
Entrou no ônibus, sentou na janela
Por um minuto, eu temi
Pois vi meu mundo partir....
Entrou no ônibus, sentou na janela
Por um minuto, eu temi
Pois vi meu mundo partir....
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