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4 de agosto de 2011

O cachorro é mais esperto - Parte 1

Acordei com o barulho da campainha. Manhã de sábado, ressaca e muito sono. Quais as chances de ser importante? Nenhuma, nunca é importante. Mas e... é, melhor atender. Não dá tempo de me vestir, dá? Não, não dá. Olhei pra mim e... camiseta de banda do tipo bem-velha-que-só-serve-pra-pijama e cuecas. Ok, dá tempo pra vestir as calças. Foi o tempo de lavar o rosto daquele jeito "meia-boca" e correr.

- Bom dia - disse sorrindo com a maior cara de sono e vontade de me encolher no chão do apartamento pra ver se meu fígado parava de reclamar. E quando abri os olhos de verdade, percebi que era a vizinha. Ops, aquela vizinha. Lasquei.

- Desculpa te acordar, mas percebi que deixei meu celular aqui ontem e, como você saiu... - ela parecia um tanto desapontada enquanto falava essa última parte. E, putz, não tinha percebido que ela esqueceu o celular aqui. E agora? E procurar naquele apartamento tipo aqui-só-mora-gente-bagunceira?

- Ah, ok, entra aí, vamos procurar! - Ê vontade de procurar um celular, né? - Vou pegar o meu pra ligar pro seu. Pode ir procurando por aí, fica a vontade. - Quando terminei de falar isso percebi a enrascada que eu tinha me metido: o que diabos ela poderia encontrar por lá? Pensando nisso, refiz na minha cabeça todas as coisas que as garotas que moram comigo poderiam ter deixado por lá e... porra.

- Han... que isso? - Quando me virei, percebi ela segurando um capotraste. Ufa! Meu coração já tinha disparado. Encontrei meu celular e fui voltando pra sala enquanto ligava pro número dela.


- É um capotraste, se usa pra mudar a tonalidade da guitarra... um dia te mostro como. - Sorri com a sugestão. - Estou ouvindo seu celular! - Ansiedade louca pra encontrar o tal celular e ela sumir do apartamento? Talvez.

Pelo menos a presença dela me fez perceber que precisávamos limpar urgentemente esse lugar. Tinha cheiro de cigarro pelo apartamento inteiro misturado com cheiro de álcool... claro, ontem tivemos um aquece praquele show estranho que nenhuma de nós aguentou até a metade.

- Achei... - não parecia estar muito feliz em ter encontrado o dito celular. Ok, eu também não ficaria feliz se encontrasse no pote "Starbucks Coffee" onde guardamos maconha... mentira, eu ficaria extremamente feliz.

- Eu meio que não lembro de ter visto seu celular ontem. Acho que as garotas perceberam que era seu e resolveram armar pra mim... desculpa por isso. - E essa desculpa não foi nada sincera.

- Já imaginava que vocês queimavam. Gosto também. - Ferrou. - Uma hora dessas podemos fazer um bolo se vocês quiserem. - Ok, "desferrou".

- Quer queimar um agora? - Tarde demais pra arrependimentos, ela já tinha sorrido afirmando. Sentei pra bolar um e fiz sinal pra que ela se sentisse à vontade pra sentar também. Ela se pôs ao meu lado, um tanto próximo. Sorte que consegui selar em dois minutos. Acendi e dei o primeiro pega. Bombando! Passei pra ela e sorri, um tanto sugestivamente.

Continua no próximo tédio.

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