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15 de agosto de 2011

Da Janela

Ela se levanta cedo todas as manhãs. Depois de escolher cuidadosamente a roupa que vai vestir, senta no sofá da sala e acende um cigarro, toma um café e lê o jornal. Sempre passa rapidamente até a parte das palavras cruzadas, que parece ser a única parte que interessa. Como criança, senta no chão e resolve cuidadosamente à caneta, consciente de que não vá errar.

Ela trabalha em alguns fins de semana. Arruma-se de uma forma cuidadosamente desajeitada, proposital. Ela sempre esquece a chave do lado de dentro. Então ela lembra que esqueceu mais alguma coisa e volta até seu quarto pra buscar. Ela dá uma segunda conferida nas janelas e deixa um bilhete sobre o braço do sofá. Ela não tem mesa em sua cozinha nem cama em seu quarto. Um colchão, apenas. Sempre arrumado.

Ao meio dia ela volta, seu turno de sábado acaba ali. Entra calmamente e vai se despedaçando, largando um pouco de acessórios em cada parte da casa. Ela é organizada e cuidadosa, garota única e cheia de manias engraçadas. São vícios que nem sequer ela percebe. 

Sempre traz comida de algum restaurante nos fins de semana. Nunca cozinha quando está sozinha em casa e quando o faz, são comidas fáceis ou algo congelado e pronto. Senta-se no sofá e mantém a TV desligada, mas rapidamente liga seu notebook no braço do sofá. Enquanto come, vê uns episódios de seriados aleatórios. 

Assim ela passa uma tarde, alternando entre um livro modernista de poesias que já lera trocentas vezes e seu notebook. Parece constantemente buscar uma inspiração. Escritora, garota intrigante.

E da janela, eu, minha cadeira de balanço, meu telescópio e minha obsessão.

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