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4 de julho de 2012

Back On Memories

Hoje resolvi reler alguns textos que escrevi mais ou menos a essa altura do ano passado. Queria entender como eu conseguia aquela tranquilidade constante. 

Alguns dos meus textos eram tão subjetivos que hoje quando os reli, nem eu mesma consegui encontrar o significado que havia inscrito ali. Alguns eram tão profundos que eu mal consegui entender o motivo da escolha das palavras, muitas delas inúteis.

Eu certamente conseguia me expressar de uma forma muito mais "clara", numa visão artística. Comparado ao que escrevo atualmente, que mais parece um diário. E uma bosta, também, convenhamos. Acho que perdi a paixão pelas palavras.

Talvez não a paixão em si, mas aquela perdição, aquele desejo de buscar a fundo e encontrar dentro de mim o sentimento mais indescritível e colocá-lo em meia dúzia de palavras, fazer poesia com o coração e com tudo que eu tivesse.

O tempo em que eu não escrevia tão abertamente sobre os meus próprios sentimentos, apenas mascarava tudo em um monte de subjetividades loucas e frases sem nexo algum, isso me provoca saudade. E eu nem sequer tinha motivos pra ser assim.

Agora que tenho muito mais sobre o que escrever, as ideias apenas desaparecem. Na minha visão, parece que meu cérebro passou a ter medo de mim e se calou. Ou talvez eu só esteja queimando neurônios demais, ou tomando pouco café.

Música agora só me causa saudade dos tempos de porão ou me lembra de algo que eu não gostaria de lembrar. De todas as formas, só me deixa pior. Não inspira. Há muito que não componho, faltam rimas, faltam melodias.

Não entendo mais o que é aquele sentimento constante de uma brisa envolvente que não me permitia estar mal. Fazem alguns dias que não acordo e vou dormir com o mesmo sentimento bom como nos velhos tempos. Um sentimento vazio é o que me acompanha agora.

Uma preocupação. Esse é meu sentimento constante. Me livrei de uma ansiedade, mas talvez seja isso que me livrou de inspiração também. Tenho andado sempre em espera de algo que nunca parece chegar. E eu também pareço cansada de correr atrás disso.

Nesse momento, não tenho grandes motivos pra viver. As coisas que eram o máximo há alguns dois meses agora não são mais o mesmo. E a minha preocupação constante é que a última esperança de que esses bons tempos voltem se perca em meio aos meus deslizes.

Ou talvez eu nem precise deslizar pra que isso se perca. Mas afinal, não escrevo agora para falar do presente, mas do passado. O passado que eu nunca pensei que fosse querer de volta. Não me entenda errado, não quero trazer tudo de volta.

Só quero lembrar dos meus sentimentos e carregá-los pra dentro de mim de novo. Como se eles nunca tivessem saido daqui. Só quero conseguir de volta a paz que eu carregava naquele tempo e a inspiração que não me deixava um segundo sequer.



E tudo volta à tona com uma dose de nostalgia.

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