Cheguei na rodoviária pronta pra pegar o ônibus, apenas com um cartão de débito, no qual eu contava com dezesseis reais (na minha imaginação). Não aceitava cartão. Saque mínimo, vinte reais. Corri ao banco mais próximo, meu saldo era de TRÊS MALDITOS REAIS.
Por algum milagre divino, tinha saque de dois reais no banco. Com meus setenta e cinco centavos, só faltariam cinquenta centavos pra pagar a passagem. Pensei em parar cada pessoa que passava por mim pra pedir uma moeda, mas lembrei de uma loja próxima ao banco.
Entrei na loja e pedi pra uma das vendedoras, que me deu um real. Corri pra uma parada onde passaria o ônibus depois da rodoviária e já estava em cima da hora. Por algum outro milagre, quando cheguei na parada, o ônibus estava exatamente ali, parado na minha frente.
Uma viagem infinita e cheguei ao meu destino, liguei pro mundo pra conseguir o favor de mandarem uma sms pra mim, que foi concedido pela Lara e logo após, pelo Johnny (e isso é meu agradecimento gigantesco pra vocês, seus lindos!).
E ela chegou pra me buscar. Como se fosse um sonho, eu estava ali, exatamente como havia prometido. Só que de verdade. Cada segundo valeu a pena. E os próximos valeriam ainda mais. Fomos pro ensaio da banda dela, que por sinal, é fodástica (e só de garotas, o que torna ainda melhor).
Jantamos, brincamos com os instrumentos, fizemos dinâmicas bobas, nos divertimos o mundo. Começou a chover e nos entocamos na sala, rimos até o pulmão doer. Vou poupá-los dos detalhes a frente e pular logo pra parte que acordamos.
Tirando a parte dos meus pais terem pirado quando liguei pra avisar onde estava e que não voltaria pra casa no mesmo dia, tudo foi demais. Almoçamos com as garotas, rimos até a vesícula biliar doer mais que o pulmão e peguei o ônibus de volta pra casa.
Aguentei um pequeno tremor de terra dentro de casa, mas todo fôlego (ou a falta do mesmo) valeu por uma vida inteira. E todos os dias eu vou lembrar dessas vinte e quatro horas que passaram como se fossem minutos e sentir que correr, mendigar uma moeda, tudo valeu a pena.
Sem esquecer de conjugar novamente o verbo, I smurf you.
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