Havia muito o que dizer naquela sala, mas ninguém pronunciava uma palavra sequer. Os motivos? Estavam todos ocupados demais criando piadas em suas mentes pra pensar em discutir a situação.
Eram quatro jovens quase destemidos que faziam tudo pela diversão e desconheciam o significado de comodidade. Esses eram os caras que, em tudo que faziam, colocavam um pouco de si e sabiam tirar algo bom disso.
No momento, eles estavam com um sério problema financeiro. Como os quatro dividiam uma casa e apenas dois deles se mantinham em seus empregos, tornava-se complicado pagar todas as contas que acumulavam.
Certo, eles não viviam com muito, mas sempre haveria o problema "aluguel atrasado". A casa era simples, dois quartos grandes (que eles improvisaram pra virarem quatro), dois banheiros, cozinha, lavanderia e sala.
Embora fosse fácil se perder lá dentro, isso não se devia ao tamanho da casa, mas ao acúmulo de coisas. Também conhecido como "bagunça interminável", se assim preferir. Quatro jovens calados encaravam-se.
Talvez fosse difícil colocar "as contas na mesa" e decidir se era a janta ou o almoço que não existiria mais na casa, mas eles teriam que fazê-lo uma hora ou outra. Estavam adiando a conversa há semanas e se tornava cada vez pior.
- Ok, precisamos dar um jeito nisso... Não dá pra continuar ignorando que já temos pouquíssimas contas e nem isso conseguimos pagar!
- O Kratos tá certo, eu não quero voltar pra casa da minha mãe!
- Calma, Mosquito, ninguém vai ter que voltar, cara... A gente só precisa economizar.
- Mais? A gente mal come nessa casa, tomamos banho duas vezes por semana... estamos em recessão de gastos e tu me diz que isso pode piorar?
- Mosquitinho, fica na boa, a gente resolve!
- Cê diz isso porque teus pais mandam grana, Lana... Sério, fazem oito meses que eu procuro um emprego e ninguém se acusa pra mim, tô perdendo esperança já.
- Também, com essa cara de morador de rua vira-lixo não é tão fácil conseguir emprego, né...
- Desculpa se eu não sou bonito, Fred.
- Mosquito, Lana, Fred, calem a boca! Não adianta a gente começar a conversa pra desviar o assunto como sempre fazemos. Vamos manter o foco, beleza?
Kratos fazia jus ao apelido ao tomar a frente nas situações complicadas. Lana e Kratos se conheciam desde pequenos, eram vizinhos e costumavam jogar videogame juntos. Nada mudou, pelo visto.
Mosquito foi colega de escola de Lana, ele era o que dá pra se chamar de "desesperado". E não fazia caso quando se tratava de demonstrar seu desespero. Passaram a conviver e acabaram descobrindo uma grande amizade.
Ele e Fred eram irmãos, o que explica as brigas constantes e a implicância. Fred era dois anos mais velho, arduamente mais bonito e um tantinho mais inteligente. Mosquito costumava dizer que ele havia roubado o lado bom da família.
Os quatro estudavam na mesma universidade, que era a mais viável. Como nenhum deles vinha de uma família possuidora de muitos bens, tiveram que se virar financeiramente na capital. E, não, os preços não eram amigáveis.
Kratos e Fred eram os únicos que trabalhavam no momento. Kratos era vendedor auxiliar numa banca de camisetas, que ainda ajudava a divulgar a banda que eles mantinham, e Fred trabalhava como panfletista.
Nenhum dos dois ganhava muito bem e, quando Kratos vendia pouco, ficava ainda mais difícil comer durante o mês. Lana fazia artesanato e vendia sob pedidos, mas não gerava muito dinheiro com isso.
No momento, Mosquito conseguia uma aula particular aqui ou ali de alguma coisa que alguém precisasse de ajuda. As aulas rendiam bem, mas era raro que alguém o chamasse, principalmente porque tendiam a ter medo dele.
Kratos cursava História, Fred estava tirando Psicologia, Lana fazia Jornalismo e Mosquito, Filosofia. Todos os dias os quatro agradeciam a si mesmos por terem passado numa faculdade federal e terem um gasto a menos.
Lana sentia falta de tomar banho todos os dias, como fazia na casa de seus pais, assim como Kratos. Mosquito e Fred estavam mais acostumados à falta de banho, seus pais eram hippies.
Eram quatro jovens quase destemidos que faziam tudo pela diversão e desconheciam o significado de comodidade. Esses eram os caras que, em tudo que faziam, colocavam um pouco de si e sabiam tirar algo bom disso.
No momento, eles estavam com um sério problema financeiro. Como os quatro dividiam uma casa e apenas dois deles se mantinham em seus empregos, tornava-se complicado pagar todas as contas que acumulavam.
Certo, eles não viviam com muito, mas sempre haveria o problema "aluguel atrasado". A casa era simples, dois quartos grandes (que eles improvisaram pra virarem quatro), dois banheiros, cozinha, lavanderia e sala.
Embora fosse fácil se perder lá dentro, isso não se devia ao tamanho da casa, mas ao acúmulo de coisas. Também conhecido como "bagunça interminável", se assim preferir. Quatro jovens calados encaravam-se.
Talvez fosse difícil colocar "as contas na mesa" e decidir se era a janta ou o almoço que não existiria mais na casa, mas eles teriam que fazê-lo uma hora ou outra. Estavam adiando a conversa há semanas e se tornava cada vez pior.
- Ok, precisamos dar um jeito nisso... Não dá pra continuar ignorando que já temos pouquíssimas contas e nem isso conseguimos pagar!
- O Kratos tá certo, eu não quero voltar pra casa da minha mãe!
- Calma, Mosquito, ninguém vai ter que voltar, cara... A gente só precisa economizar.
- Mais? A gente mal come nessa casa, tomamos banho duas vezes por semana... estamos em recessão de gastos e tu me diz que isso pode piorar?
- Mosquitinho, fica na boa, a gente resolve!
- Cê diz isso porque teus pais mandam grana, Lana... Sério, fazem oito meses que eu procuro um emprego e ninguém se acusa pra mim, tô perdendo esperança já.
- Também, com essa cara de morador de rua vira-lixo não é tão fácil conseguir emprego, né...
- Desculpa se eu não sou bonito, Fred.
- Mosquito, Lana, Fred, calem a boca! Não adianta a gente começar a conversa pra desviar o assunto como sempre fazemos. Vamos manter o foco, beleza?
Kratos fazia jus ao apelido ao tomar a frente nas situações complicadas. Lana e Kratos se conheciam desde pequenos, eram vizinhos e costumavam jogar videogame juntos. Nada mudou, pelo visto.
Mosquito foi colega de escola de Lana, ele era o que dá pra se chamar de "desesperado". E não fazia caso quando se tratava de demonstrar seu desespero. Passaram a conviver e acabaram descobrindo uma grande amizade.
Ele e Fred eram irmãos, o que explica as brigas constantes e a implicância. Fred era dois anos mais velho, arduamente mais bonito e um tantinho mais inteligente. Mosquito costumava dizer que ele havia roubado o lado bom da família.
Os quatro estudavam na mesma universidade, que era a mais viável. Como nenhum deles vinha de uma família possuidora de muitos bens, tiveram que se virar financeiramente na capital. E, não, os preços não eram amigáveis.
Kratos e Fred eram os únicos que trabalhavam no momento. Kratos era vendedor auxiliar numa banca de camisetas, que ainda ajudava a divulgar a banda que eles mantinham, e Fred trabalhava como panfletista.
Nenhum dos dois ganhava muito bem e, quando Kratos vendia pouco, ficava ainda mais difícil comer durante o mês. Lana fazia artesanato e vendia sob pedidos, mas não gerava muito dinheiro com isso.
No momento, Mosquito conseguia uma aula particular aqui ou ali de alguma coisa que alguém precisasse de ajuda. As aulas rendiam bem, mas era raro que alguém o chamasse, principalmente porque tendiam a ter medo dele.
Kratos cursava História, Fred estava tirando Psicologia, Lana fazia Jornalismo e Mosquito, Filosofia. Todos os dias os quatro agradeciam a si mesmos por terem passado numa faculdade federal e terem um gasto a menos.
Lana sentia falta de tomar banho todos os dias, como fazia na casa de seus pais, assim como Kratos. Mosquito e Fred estavam mais acostumados à falta de banho, seus pais eram hippies.
E naquele tempo, enquanto dois lutavam pra conseguir um emprego e outros dois pra se manterem onde estavam, ainda assim se sentiam estagnados. Conseguiam poucos shows ultimamente, mas a cidade também parecia bem parada.
Acho que não mencionei, mas os shows que eles conseguiam, por mais que pequenos, eram ainda a melhor forma de ganhar dinheiro. Quando a agenda de shows lotava, eles sabiam que comeriam chocolate naquele mês.
Muitas vezes Lana se pegava sentindo saudade de casa, lembrando da sua falta de tarefas, comida à vontade e banho sempre que quisesse. Sempre que seus pais ligavam, ela achava mais difícil mentir que estava tudo bem.
Tiveram de se mudar há alguns meses, o aluguel da casa anterior (que era menor, mas mais bem localizada) estava muito alto e chegaram ao ponto de não saber qual seria a próxima refeição.
Kratos talvez fosse o que mais sentia falta da fartura. Era o cara que mais comia, o que a mãe de Lana chamava de "saco sem fundo". Muitas vezes seus amigos deixaram de comer porque sabiam que ele sentiria mais falta.
Apesar de todas as dificuldades, os quatro se mantinham juntos e de pé, fiéis e sempre disponíveis pra apoiar um ao outro. Venderam eletrodomésticos desnecessários, móveis, objetos pessoais, tudo que pudessem.
E ainda assim, era difícil ver uma saída. Aquele era um problema que estava parecendo eterno. Mas eles ainda não haviam tentado uma coisa. E era exatamente disso que eles precisavam.
Nenhum comentário:
Postar um comentário