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28 de setembro de 2011

New life, old memories - Capítulo 7

Eu tinha mania de sempre deixar uma lista de músicas rodando o tempo inteiro. Antes de dormir estávamos escrevendo uns textos pra faculdade e estudando com alguns livros, quando começa a tocar uma música do The White Stripes, a tal onde diz "you don't know what love is, you just do as you're told".

Bruna me olhou e cantou essa frase com cara de "essa te descreve". Mas era pra ela também. E pra Mila.

- Exatamente isso, Ana. Nós não sabemos o que o amor é, mas vemos ele ao nosso redor e fazemos igual. Se tu nunca viu duas gurias juntas, tu não sabe que é possível essa forma de amor e tu não tenta arriscar... nós somos de cidades pequenas onde isso é tão criticado que quem é gay é super discreto, fazendo com que a gente pense que eles não existem.

- Aí nós não temos um exemplo pra seguir... só nos filmes e internet. Mas em tanto tempo, como poderia eu nunca ter sequer imaginado que estava apaixonada por ela?

- Porque talvez você tivesse sua mente fechada pra isso...

- É, eu sempre achei estranho, como se não funcionasse.

- Mas é amor, Aninha... acontece em qualquer forma.

- E se fosse tu?

- Hm, eu acho que também esconderia. Mas por medo de não ser aceita pela minha amiga depois de contar a ela...

- E nem nisso eu tinha pensado. Será que ela sente o mesmo por mim?

- Ela quase se matou por um garoto!

- Respondido... 

- Mas não se matou... porque você estava lá!

- Ih, agora piorou tudo. Mas ela não quis que eu ficasse lá...

- ... pra que tu seguisse teu sonho!

- Ok, agora não sei de mais nada! Nem sobre ela, nem sobre eu mesma.

- Mas ainda dá pra descobrir.

- Não vou arriscar perder a amizade dela. Como eu disse, vai passar. Acho que desde que ela saiu do hospital, isso mudou um pouco.

- Em que sentido?

- No sentido "eu sou lésbica e estou apaixonada pela minha melhor amiga"...?

- Hm, finalmente admitiu? - Sarcástica igual Mila.

- Não! 

Ambas de nós caímos na risada. Bruna queria que eu admitisse, mesmo que fosse brincando. Mas eu não achava que isso fizesse o menor sentido, afinal. E eu não alimentava esperanças de que pudesse "dar certo", caso fosse real.

- O que tu acha? - Bruna sempre parecia querer que eu entendesse tudo sem que ela precisasse explicar.

- Sobre o que?

- Sobre tu ser lésbica, oras!

- Acho que não sou, não...

- Já pôde dizer que amava um cara?

- Não.

- Ahá!

- O que?

- Mas tu ama a Mila...

- E o que tem isso? 

- Nunca amou um cara, ama uma guria... isso diz muito!

- Pra mim não diz nada.

- E pra mim, diz que você é lésbica, Ana!

- E como eu vou saber disso?

- Testando!

- Tu quer dizer, ficando com uma guria?

- Exato!

- Eu não!

- Por quê?

- Não vou correr o risco... vai que eu acabo gostando? Não é fácil ser gay, nem hoje em dia!

- E ser feliz, é fácil?

Continua...

Um comentário:

  1. Muito legal essas pontinhas de comédia ali pelo meio rs.
    Esta maravilhoso to gostando.

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