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30 de outubro de 2012

Devaneios ao vento

Sentada no quintal, cheiro de mel proveniente do incenso. Calmante. O vento bate nos meus membros expostos deixando claro que estou com frio. Mas não importa. Enquanto Nina Simone canta, meus pensamentos correm de um lado a outro.

Busco inspiração, busco liberdade. Busco silêncio nessa cidade monstruosa, perturbadora. Busco tranquilidade e paz. Me encontro em constante e inquieta busca. Hoje é lua cheia, véspera de Samhain. Noite importante, amanhã o Deus pagão morre e começa o novo ano.

Enquanto isso, a Deusa chora sua morte até que ele seja nascido de novo. Mas não é de paganismo que vim falar. Na verdade, não vim falar, vim buscar. Buscar um grito contido dentro de mim, a revolta dentro do meu auto controle.

Estou aqui esperando a noite cair pra consagrar teu Muiraquitã, querida. Apresentá-lo à Iaci, deusa dos índios da Amazônia. E espero que quando te entregar, te traga sorte, além dos benefícios que possui, segundo a lenda.

Vai ficando cada vez mais escuro e mais frio, o vento ainda não cessou. Tem um pássaro cantando logo acima do meu assento, que acontece de ser a escada de trás da minha casa. Meu retiro de meditação improvisado e breve.

Desculpem-me, deuses, mas não encontrei nenhuma flor no meu jardim hoje... estão em falta por aqui. Só tenho um arbusto, brinco-de-princesa. São lindas, não posso negar, mas nem sequer sei distinguir quais são suas pétalas, se as rosas ou as roxas.

Foram as duas, porque o que mais vale é deixar clara a vontade. Não sei o que se passa às vezes, não sei o que acontece que deixa tudo tão estranho. Queria que tudo fosse tão mais simples... porque a mim cabem as coisas simples.

Ou talvez, não. Talvez eu continue sem saber... à medida que esse incenso queima, meu espírito volta a sua paz natural, volto a sentir cada palavra que a Nina está cantando. "A liberdade é minha e eu sei como eu me sinto, é um novo amanhecer, é uma nova vida, e eu estou me sentindo bem!"

Portanto, guardo em mim o que é bom, dispenso o que não o for. A noite ainda não caiu por completo, ainda tenho que esperar alguns minutos. Enquanto isso, vou escrevendo e passando frio. Cada canto do meu corpo se arrepia diante dessa brisa.

Meus braços estão engraçados, como se eu tivesse levado um choque. E sabe, sinto falta de quando era você que causava isso. Saudade desse tempo, querida. Era sobre isso que me referia. Quando não dava tempo de suspirar, porque você já havia tomado meu fôlego por completo.

E afinal, o incenso segue queimando enquanto a noite chega. O céu hoje está coberto de nuvens, não sei se vou conseguir ver a lua. Mas sei que ela está lá em cima e sei que ela pode me ver. Então lá me vou, consagrar teu amuleto pra que te traga coisas boas.

Farei antes que chova, hoje está frio demais pra banhos de chuva, ainda mais se acompanhada de pedras como ontem. Fico com o restante desse incenso, com essas "pétalas" de brinco-de-princesa, com essa brisa gelada nos meus braços à mostra.

E fique com a minha paz.

23 de outubro de 2012

Inconstância

Na intersecção dos pólos, no quente e no frio, no ardor e no sobrevivente, na ausência do foco; na luz; no brilho; na escuridão. No que foi passado, no que é, no eco e no vácuo, na sombra fresca de uma árvore de beira de estrada.

No que vale a pena pensar, pelo que vale a pena lutar. Provas de inutilidade, demonstrações de desafeto, falta de persistência, intolerância, falta de compreensão; inconstância. No mover de um lado a outro, nas idas e nas vindas.

Na insistência no inexistente. No nada. Perdido no espaço, enterrado no meio do deserto, derrubado suavemente dentro de uma fonte dos desejos. Perdão, mas este não se realizará. Querer demais. Fazer de menos. Como mamãe diria, "não é assim que a banda toca".

Te valha do pouco pra ter o muito. Sobe, então, até o topo. E de lá, te joga. Coloca o coringa na manga, pra caso precise. Segura um para-quedas fechado, pra caso desista e queira fingir amenizar a queda. Respira bem fundo, já que será a última vez.

Deixa livre pra voar. Toda preocupação, toda negatividade. Tudo vai se afundar contigo. Quanto mais alto subir, mais eficaz será. Pra dar tempo de chegar no chão e gritar bem alto, gritar que finalmente acabou. Puxa contigo todas as coisas que te levaram abaixo.

Toda a tua liberdade se encontra num voo com prazo de validade.

22 de outubro de 2012

Fluxo Intenso de Hominídeos

Mal pude me mover para o lado quando senti uma sombra atrás de mim, foi quando ele esbarrou na minha mochila. Um senhor de talvez uns 65 anos... ou mais, quem sou eu pra julgar? Ele tinha cabelos grisalhos, olhos profundos e azuis, um tanto quanto caídos.

- Perdão, menina! - Olhei pra ele de forma saudosa e deixei claro que não estava incomodada.

Ele tinha poucas rugas, mas seu rosto marcava seu riso. Foi quando ele olhou pra mim e sorriu. Deixei um sorriso escapar quando percebi que estávamos vestidos de forma bem parecida. Se pôs ao meu lado em frente àquela sessão de livros.

- Confessa, menina, você não veio comprar livros, veio? 

- Não, senhor! Eu vim ter uma epifania!

- Quer revolucionar a mente? 

- Exatamente! Alguma sugestão?

- Eu! - Dito isso, ele sorriu mostrando todos os dentes, estufou o peito e soltou uma gargalhada. Não pude evitar rir de volta. A sugestão de que ele poderia me causar uma epifania se tornou um tanto quanto tentadora.

- Mas que audácia! E como é que o senhor pretende causar uma epifania na minha mente?

- Sentemos por alguns minutos, quero lhe contar uma história. - Terminou a frase dirigindo-se à uma mesinha redonda no canto da livraria e me convidando com um gesto. Parecia convicto de sua capacidade, então o segui.

Sentei em frente à cadeira que ele escolheu, demonstrando que estaria atenta ao que ele teria pra me dizer. Ele me olhou e sorriu. Será que ele tinha alguém que o escutasse? Esperava que sim, ele parecia sábio e divertido.

- Menina... posso te chamar assim? - Fiz sinal positivo com a cabeça e ele prosseguiu - Olhe quantas pessoas passam por aquela porta a cada dois minutos. Apenas observe.

Observei a cena, realmente era muita gente! Aquela loja era gigantesca - talvez a maior da cidade - e, em momento algum se encontrava "vazia". Sempre, no mínimo três pessoas disputavam o lugar na frente de uma estante. Ele me observou pensativo e prosseguiu:

- A cada instante, as pessoas se esbarram nessa porta sem nem sequer olhar pra cima. Aqui dentro, os gostos em comum fazem que pisem nos pés umas das outras, mas elas nunca olham nos olhos. Elas procuram pelas mesmas coisas, muitas vezes dividem as mesmas ideias... mas nenhuma delas parece se importar com isso. 

Ele olhou ao redor, como se procurasse por alguém pra servir de exemplo ao seu pensamento. Olhou cuidadosamente pelas estantes de Ficção Científica, olhou ao redor dos livros biográficos, religiosos e baseados em fatos reais. Percebi seu olhar se demorando na estante de Auto-Ajuda.

- Olhe aqueles dois... - ele disse, apontando pra um senhor de uns trinta e poucos anos e uma garota que parecia ter a minha idade, mais ou menos uns vinte e três - ele segura um livro sobre como ser o homem dos sonhos de uma mulher. Ela segura um sobre dificuldades sociais.

Parei pra olhar bem e, realmente, aquele senhor tinha uma ótima visão. A garota parecia bastante tímida, retraída. O rapaz era o tipo que provavelmente nunca esteve num relacionamento. Olhar pra eles e pra forma que agiam e se distanciavam deixara óbvio.

- Preste atenção, menina, eles vão se esbarrar, abaixar a cabeça, pedir desculpas e se distanciar... olhe só, observe! - realmente, ele tinha razão, foi exatamente isso o que aconteceu nos próximos quatro segundos. Nem ao menos trocaram um olhar.

- Me diga, menina, me diga por que as pessoas são tão individuais, mesmo quando buscam ser mais sociais? Olhe, os dois procuram por espontaneidade, por conversas interessantes... seja como um amigo ou como um parceiro. Eles procuram uma mudança pra eles mesmos. Então, por que não começaram agora?

Ok, ele tinha um ótimo argumento. Estava começando a me tornar fã daquele senhor de olhos azuis, vestido da mesma forma que eu. Ele realmente era sábio. Ainda olhávamos aquela dupla de hominídeos. Talvez ele imaginasse o mesmo que eu, talvez ele se perguntasse quantas pessoas já fizeram o mesmo.

- E agora, menina, o que você vê? 

- Eu os vejo olhando um para o outro discretamente, certificando-se de que o outro não percebeu.

- Exatamente... enquanto isso, eles poderiam estar ensinando um ao outro o que eles estão buscando num livro, no que alguma terceira pessoa colocou em algumas páginas. Estão depositando sua confiança no desconhecido, ao invés de olhar ao lado.

- Acho que entendi o ponto...

- Isso, menina. Olhe ao lado, pare de contar com o desconhecido. Se quiseres uma epifania, olhe ao lado que ela estará ali. O que você não conhece não pode fazer muito mais por você. Procure pelas respostas curtas, pelo breve. 

- Acabei de encontrar minha epifania.

Trocamos um olhar satisfeito, como se aquilo tivesse feito um milagre pra ambos de nós. Sorrimos um para o outro e continuamos a observar aquele fluxo intenso de hominídeos, selvagens, tentando ser discretos quanto ao que procuravam ou sobre sua visão das coisas.

Ah, a mente humana... tão engraçada, tão simples, tão... estranha.


21 de outubro de 2012

O cachorro é mais esperto, o Retorno - Parte 2

Quando acordei, tive aquela sensação inexplicável de nostalgia. De matar saudade, de voltar ao velho conhecido esquema. E sentindo aquele cheiro delicioso que só ela tem, me aconcheguei no seu abraço.

Murmurei algumas palavras, mas ela não pareceu ter escutado. Me joguei por cima dela, a olhei fixo nos olhos e disse quanto senti sua falta. Sorri ao ver que ela sentia o mesmo.

Voltei a me aconchegar naquele corpo macio, cochilei naquele conforto. Fomos brutalmente acordadas por Darla, que nos lembrava do show da Julia... teríamos de correr.

"Pra economizar tempo" (ou pra dar desculpa mesmo), tomamos um banho juntas, nos arrumamos correndo e esperamos as garotas estarem prontas também pra descermos todas juntas até a garagem com as coisas da Julia.

A viagem até a cidade onde seria o show foi uma delícia. Paramos no caminho pra buscar alguns amigos da Ju, dois garotos e uma garota. Um dos garotos, ao que eu entendi, era guitarrista da banda dela também.

Chegamos no show e escolhemos o lugar mais próximo do palco possível, Darla foi comprar as cervejas com os garotos. Julia e a outra garota desapareceram. Marina... é, acho que era esse o nome dela.

Olhei pro lado do corredor que leva aos banheiros e avistei Julia e a Marina quase arrancando as roupas uma da outra com os olhos. Fui bem indiscreta ao comunicar Paula sobre o ocorrido.

As duas pareciam tão envolvidas no flerte que nem notaram a namorada de Julia com alguns amigos, procurando um bom lugar pra ficar. Claro, ela não perderia o show da banda da namorada!

"A cara da Julia isso", pensei comigo. Paula não quis colocar a mão no fogo, preferiu deixar que ela se virasse sozinha. E bom, em todo caso, a namorada dela saberia o que fazer.

Julia e a garota desapareceram, indo cada vez mais na direção do banheiro. Me preocupei por alguns instantes, mas não achei necessário intervir.

Paula me olhou com ar de desagrado, pediu que eu aguardasse onde estava e foi atrás de Julia. Logo Darla e os garotos chegaram com muita cerveja.

Visto que já estávamos um tanto quanto chapadas, esse show daria o que falar mais tarde.

Cobertor Verde-Escuro

Minhas memórias se enrolaram no teu cobertor verde-escuro, minhas ideias se sufocaram nos teus travesseiros, se perderam em meio a delírios do teu perfume. Tentei procurar as lágrimas que por lá deixei, mas há tempos já secaram.

Cada glândula do meu corpo implora pelo calor do teu corpo, cada célula de mim grita pra sentir tuas linhas, teus detalhes, cada um dos teus poros. Todos os meus neurônios se inquietam enquanto teu nome permanece ecoando nas curvas do meu cérebro.

Meus olhos se fecham cada vez que a tua imagem me volta à mente. Basta uma palavra pra que meus olhos brilhem, minhas mãos comecem a tremer e meus sentidos se agucem pra detalhar todas as coisas em ti. As cinzas dos meus poemas te trazem pra mim.

Hoje senti falta da tua cama. Senti falta de ouvir tuas músicas, de deitar no teu colo e assistir desenho animado, de fazer duetos. As palavras doces e o carinho suave permanecem me fazendo sonhar. A delicadeza inexistente da tua paixão por mim.

Teu toque, teu cheiro, teu gosto, tua boca, teus olhos, as linhas perfeitas do teu rosto. A forma como teus dedos se entrelaçam perfeitamente aos meus, como teu peito me serve de travesseiro. A tua voz doce, teu timbre marcante, as caretas que fazes enquanto canta.

Minha mente, meu corpo, minha alma e toda a minha essência anseiam por ti. Mesmo assim, me envolvo em paciência, acalmo meus instintos e disfarço a paixão com um pouco de revolta. Sinto tua falta. Distancio minha cabeça de qualquer pensamento nocivo.

Espero, anseio, imploro. 

Tudo é saudade, tudo é vontade. Sobre você, sobre mim. Sobre dois corpos envoltos no arder do desejo, da paixão desenfreada. Sobre o velho e o novo, sobre o ontem e o hoje. E no final, é tudo sobre seu cobertor verde-escuro.

17 de outubro de 2012

O cachorro é mais esperto, o Retorno - Parte 1

Quando eu acordei, olhei ao lado e tive um deja vu. Essa cena já havia acontecido antes tantas vezes e eu sentia tanta falta disso...

Finalmente, as coisas voltaram ao normal. Nosso relacionamento esquisito e distorcido estava de volta. Certo, Paula, marcou alguns pontos.

Alex se virou de frente pra mim, pousou a mão no meu peito e o rosto no meu ombro, fazendo carinho com a cabeça.

Eu estava no paraíso e queria continuar ali pra sempre. Percebi que ela estava acordada quando começou a brincar com os meus dedos, fazer teatrinhos sobre a minha barriga.

Não existia nada no mundo que fosse tão meigo e engraçado quanto essa garota, que eu mal podia acreditar que estava deitada no meu ombro mais uma vez, com o corpo colado ao meu.

Ela balbuciou algumas palavras que me soaram um tanto quanto estranhas, como se estivesse sonhando, falando dormindo.

Me aproximei dos lábios dela e pedi que repetisse o que havia dito, mas ela não dava mais sinal de que estava acordada. Ela ficou em silêncio.

Alguns segundos disso, ela se debruçou por cima de mim, me deu um beijo e se deitou próxima ao meu rosto, como se fosse me confidenciar um segredo.

- Senti tua falta - disse ela, cheia de satisfação.

- Eu sei... senti a sua também - e ela me olhou, sorriu e voltou a se deitar no meu ombro.

Pegamos no sono por alguns minutos mais e fomos acordadas por Darla, que batia na porta, avisando que estávamos atrasadas.

Hoje teríamos um show, a banda de Julia conseguiu abrir pra uma banda internacional e iríamos viajar pra uma cidade vizinha assistir.

Dividimos um banho e nos arrumamos, Julia já estava com o equipamento na porta enquanto Darla corria de um lado pro outro procurando por alguma coisa que não entendi muito bem o que era.

Logo que achou, nos pusemos a postos, descemos à garagem e carregamos a Kombi.

Julia pediu que passássemos na casa de uma garota, buscar ela e mais alguns amigos que iriam conosco pra lá.

Na casa da tal garota, embarcaram três pessoas com nós. Dois garotos e ela. Eram um pessoal bacana, o que tornou a viagem muito agradável e descontraída.

Em três horas e meia, estávamos lá. Pegamos os lugares mais a frente, o show não seria assim tão grande. Alex me olhou indiscretamente, fez um gesto indicando um canto do local.

Ao me virar pra conferir o que ela estava querendo me mostrar, vejo Julia e a garota flertando descaradamente.

- Devemos impedir? - disse Alex, esperando que fôssemos evitar que Julia se arrependesse amargamente mais tarde. Afinal, ela era comprometida. Pelo menos era o que imaginávamos.

- Não... ela sabe o que faz - por que nem eu mesma acreditava nas minhas palavras?

E lá se vai Julia, desaparecendo de vista com a garota, em direção ao banheiro.

16 de outubro de 2012

I'm Complete.

Não há nada pior do que ser incompleto. Sabe quando a vida te acende um holofote, te dá a ideia perfeita? Como disse anteriormente algumas vezes, as coisas não duram pra sempre.

O segredo, amigo, é aceitar quando elas acabam. Ah, claro, "a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar". Mas chore pouco. Veja o lado bom das coisas, pense que valeu a pena.

Claro, todo aprendizado vale a pena. E no final, compreensão e paciência são o que nos leva pra frente. Agora basta olhar pra si mesmo e perceber... nós somos completos!

E assim, quando as coisas chegam ao seu final, bom é olhar pro horizonte e entender que devemos caminhar em frente ao invés de ficarmos parados esperando pelo nada.

É disso que se faz a liberdade. Da compreensão, da facilidade de entender a complexidade infinita da vida, do destino. O segredo está em olhar pras coisas que são invisíveis aos olhos.

Fazer mais, andar em frente, seguir vivendo e esperando pelas próximas aventuras, estar sempre pronto pra que nenhuma oportunidade seja desperdiçada. O segredo está em equilibrar as emoções.

Não podemos deixar que sentimentos e problemas nos controlem, eles são passageiros. Diferentes de nós mesmos; somos tudo que temos. E não temos tempo suficiente pra nos preocupar com as pequenas coisas.

Ah, e o segredo, meu amigo, está em entender que cada minuto é precioso demais pra se perder de mau humor, triste ou preocupado. A vida é curta demais pra parar no meio do caminho. Seja pelo que for.

Tudo que te faz parar, te atrasa. E se te atrasa, não vai te levar a lugar nenhum, pois vai te fazer chegar só quando já for tarde demais. E nisso, o segredo reside na consciência, no auto conhecimento.

O que passou foi bom, mas o que há por vir será ainda melhor. E esse é o segredo.

11 de outubro de 2012

Take you home

Mais uma noite, não consegui dormir. Talvez por medo do que os sonhos vão me trazer de volta dessa vez, talvez receio de lembrar de algo bom que já passou e saber que ainda vai levar um tempo pra matar essa saudade. 

Cruel, desfaço tudo que for preciso, te entrego tudo que quiseres de mim. Um vício, um tipo de maldade incontrolável comigo mesma, desde o sub consciente, até meu estado mais acordado. Cada fôlego teu me desarma.

E as palavras seguem ecoando no vazio da minha mente a cada instante, me dizendo pra continuar, me dizendo pra levantar os olhos e enxergar coisas que ninguém mais poderia ver. Seco minhas lágrimas e me esforço a ver, mas a névoa não se dissipa.

Sonhos nublados e confusos, pensamentos soltos vagantes por uma mente viajante e inquieta, que antes, tão facilmente encontrava a calma e a tranquilidade e agora, desperta e desfalece em preocupação, em receios, em vontades impossíveis de suprir.

Como queria uma troca de palavras doces, uma troca de olhares suaves, uma troca de carinhos afáveis. Tão difícil não ver, sentir-se perdida em um deserto conhecido, como se houvessem arrancado de você todo seu senso de direção.

Uma bela tentação! Nunca fora fácil. É um tipo de saudade que dói fisicamente. Dá pra consertar, doutor? Será que um transplante de coração ajuda? Ou quem sabe um cérebro novo... poderia me fazer bem. Me perdi, amigo.

Acho que enlouqueci. 

Tudo que sinto vem envolto numa nuvem de pesadelos e você é a atriz principal em todos eles. Pesadelos, digo, por melhores que sejam os sonhos, me fazem acordar triste. Triste por olhar para o lado e não te ver aqui comigo.

Os atos mais simbólicos que poderia imaginar, colocando em prática cada detalhe de uma ideia remotamente plausível, me fiz de novo frágil. Fraca. A esperança veio junto ao vento e bateu de novo nas minhas costas.

Maldita!

E quando o vento passou, percebo que talvez não tenha sido grande marco, grande feito. Ou quem sabe, nem deveria ter dado ouvidos às minhas ideias mirabolantes, ter apenas ignorado minha mente inquieta que pede por ti a cada instante.

Não pude. Sou poeta, lembra? Sou romantismo, sou paixão. Tudo em mim é sentimento. Talvez tenhas razão, talvez eu seja em vão. Rimas, poesias, estrofes incaláveis no interior da minha alma, requisitando tua presença em cada linha.

Agora, sim, me encontro completamente dependente. Vulnerável. Cada pedaço de mim é teu. Talvez fora esse o erro, estar entregue. Meditar me tem sido útil, mas se torna cada vez mais difícil atingir a concentração enquanto o teu nome martela por entre meu vazio.

É um tipo de fome, um desejo, uma vontade. É uma paixão. Uma fogueira que foi deixada de lado. E continua acesa, queimando. Lembro do tempo que mantínhamos duas fogueiras acesas, uma ao lado da outra. Uma sua, outra minha.

Sei que a minha continua acesa, de chama brilhante. Mas faz tempo que não me permito olhar ao lado e conferir como tens cuidado da sua fogueira. Da última vez que o fiz, você a escondeu de mim, não quis me deixar ver.

Como queria ter a graça de saber o que se passa em sua mente. No que penso, faço ou falo, espero que haja alguma diferença. Espero que traga melhoras. Espero todos os dias por isso. Em determinados momentos, me encontro banhada em confiança, em coragem.

Mas afinal, na maior parte do tempo, o que me toma pelos pés é o medo, me vira de cabeça pra baixo e revira tudo que tinha de bom em mim antes. Um pedaço de papel queimado é tudo que tenho da minha esperança.

Um doce, uma rosa, um cheiro e uma frase. É tudo que tive pra demonstrar quanto tenho sentido sua falta. Queria tanto um lenço teu agora... queria algo com que pudesse dormir abraçada, pra não me sentir tão só, tão... desamparada. 

Eu sei, tenho soado cada vez mais como um "por favor, não me deixe". Talvez sejam essas as exatas palavras que gostaria de dizer. Então, por favor, não me deixe. Quero tanto te lembrar de todas as coisas boas, te fazer sentí-las mais uma vez...

Porque, sabe, elas vêm à tona em minha mente a cada segundo, me atordoando por entre memórias, diante de situações e momentos que passei ao teu lado, me lembrando que você não está aqui. Nem aqui, nem comigo, de certa forma.

Mais uma vez, me sinto inútil, impotente. E, claro, desesperadamente vazia. Ah, baby, tenho sentido tanto a tua falta... não há texto gigantesco que possa descrever como. Nada do que eu tentar organizar numa frase vai demonstrar sequer um pedaço do que eu sinto.

Onde está a paixão? Onde está aquele velho fogo que nos queimava instantaneamente com apenas uma troca de olhares? Onde foi parar o magnetismo inquietante que não nos deixava distanciar? Quero saber pra onde foi o "teu cheiro me enlouquece"...

"Te amo mais que a vida". E espero, com todas as minhas forças, que possa ouvir essa frase dos teus lábios em breve mais uma vez.

10 de outubro de 2012

C'mon, take my hand

Querida,

Queria ter o poder de mudar o presente, queria ao menos saber o que está acontecendo no momento. Mas eu não posso. Agora, o que me resta fazer é esperar e torcer. Torcer pra que as coisas mudem pra melhor, torcer pra que os bons momentos que tivemos tenham algum peso sobre o agora.

Queria que você confiasse em mim o suficiente pra me deixar te ajudar, me deixar te ensinar algumas coisas que eu sei que podem te fazer se sentir melhor. Queria que abrisse a cabeça, parasse de pensar "não dá" e passasse a pensar "eu quero, eu posso, eu consigo". 

Ah, queria tantas coisas, amor... 

Queria matar a saudade de segurar a tua mão, sentindo aquela mesma coisa da primeira vez que o fizemos, sentindo o frio na barriga e o pulsar do teu coração, sentir teus dedos entrelaçados aos meus. Queria tuas pernas enroscadas nas minhas, como da primeira vez.

Queria sentir teus lábios nos meus, criando aquela combustão que costumávamos conhecer. Ah, baby, queria tanto mudar o presente... Queria voltar ao tempo que você me dizia que me amava mais que a vida, queria ouvir tua voz suave cantando pra mim.

Queria poder te acalmar, alinhar tua respiração com a minha, como eu costumava fazer. Queria poder olhar nos teus olhos e me perder numa infinidade de paixões dentro deles. Queria, agora, mais do que tudo, acabar com o teu sofrimento, que acabaria com o meu.

Queria poder correr até a porta da tua casa, te levando rosas, queria poder sentir teu cheiro e delirar nos traços perfeitos do teu rosto. Queria que você ainda sentisse exatamente o mesmo que sentia uma vez. Queria que fosse como era, loucamente apaixonada por mim.

Queria dormir ao teu lado, queria ganhar teu carinho, queria teu colo, teu apoio, teu consolo. Queria que estivesse bem. Queria que estivéssemos bem. Queria um incenso aceso, boa música tocando e uma noite inteira a nossa disposição.

Queria tuas indiretas pra mim, queria tua forma louca de me amar, queria teu jeito bobo de olhar nos meus olhos e sorrir da forma que me faz derreter. Queria teu cabelo desarrumado e tua cara fofa de nove da manhã, queria teu pijama de porquinhos.

Queria tua risada, queria teu suspiro, queria tua zoação com a minha cara de "selvagem", queria cada milímetro, cada canto de ti. Queria teu vício em mim, queria tua despreocupação, queria teus olhos brilhantes, queria as sessões de foto contigo.

Mas principalmente, queria que tu quisesse o mesmo que eu.

9 de outubro de 2012

Stone Fields

Não há uma grande certeza do que é, quanto menos do que será. O que se sabe é que nada do que foi, será do jeito que já foi um dia. Um nó na garganta permanece me impedindo de proferir mais de cinco palavras sem soluçar e chorar como um bebê. 

Por isso, me mantenho calada, quem sabe dessa vez funcione. Todas as coisas que estavam ao meu alcance, todos os recursos que poderia utilizar, fiz "das tripas o coração". Não me pareceu adiantar de alguma coisa. Não, não estou bem. 

Tranquilidade é uma parte de mim, não significa que por estar tranquila estou ignorando o problema. Não significa que por estar tranquila, não pense nisso a cada instante e me sinta mal novamente. Fiz de tudo pra salvar e agora me sinto impotente por não ter conseguido.

Porque agora, nunca se sabe quando será o ponto final, se vai mesmo haver uma continuação. As coisas correram rápido e tomaram um rumo tanto quanto inesperado. Me mantive sempre exatamente no mesmo lugar, ao sol. Mas você se distanciou de mim e procurou pela sombra.

O que se passa em minha mente no momento é uma grande bola de uma energia estranha e quase que desconhecida. Não digo saudade, porque disso eu já morri há um tempo atrás. Quem sabe, uma esperança um pouco enferrujada, desgastada. 

Mas agora o foco é outro. O foco é meu. Agora as luzes viram em minha direção e me mostram um pedaço já esquecido da vida, me ensinam de novo a andar só. Confesso que, durante o paraíso, desacostumei dos problemas. Talvez por isso a dificuldade de lidar agora.

Tantas saídas fáceis, tantas vezes pintadas como árduas e longas jornadas. Não, não são. Como já disse, basta querer e as coisas acontecem. Quem acredita sempre alcança, não? Querer da forma certa, fazer com que as boas energias tragam as boas coisas.

Apostei, acreditei, investi, lutei. Ainda não desisti. Por um triz. Agora é tempo de mudar. Mudar de hábitos, de rotina, de vida. Esse é o tempo de escolher apenas as boas coisas pra manter e se desfazer de todas as coisas que fazem mal.

Não sei o que vai ser daqui pra frente, mas sei que restarão apenas as coisas que fazem bem, apenas o que gera positividade. Também não sei quanto tempo vai levar pra que esse nó se desfaça, mas enquanto isso, estamos aí, aguentando sempre.

Pra todos os efeitos, pra toda recaída, sempre há um ombro. Faz, sim, uma falta danada. Mas isso é apenas um detalhe. Pra chegar no paraíso de novo, sempre precisamos passar por uns bons campos lamacentos e cheios de armadilhas. 

O jeito é fechar os olhos, seguir os instintos e ir em frente. E é assim que se faz possível chegar ao outro lado, onde as coisas boas esperam novamente. Enquanto isso, o trabalho árduo de se desfazer por entre teias, lama, troncos, pedras e todo tipo de obstáculo.

É como sempre digo, coisas boas entram e saem das nossas vidas, mas não é porque se fizeram ausentes uma vez que jamais voltarão. As boas coisas estão sempre do lado de fora da porta, esperando que estejamos prontos.

E quando estivermos, basta agarrá-las pelo braço e levá-las pra um longo passeio, desfrutando de cada segundo que essas coisas boas se fizerem presentes ao nosso lado. E quando elas forem embora, não haverá arrependimento, porque cada mísero instante foi bem aproveitado.

Assim, estamos na espera das coisas boas. E enquanto isso, vestiremos a armadura, nos faremos prontos pra qualquer tipo de aventura que a vida nos permitir viver. É chegado o tempo da preparação, agora vem o treinamento de guerra.

Esse era o aquecimento. A luta ainda está por vir.

7 de outubro de 2012

One and Only

Te senti distante de mim, como se houvesse uma barreira que impedisse teu coração de chegar ao meu. Quis saber o que se passava, mas sabia que não me agradaria com isso. Chateada, dormi ao teu lado encharcando teu travesseiro com as minhas lágrimas.

Acordei da mesma forma e te assisti dormindo por incontáveis minutos. Deixei algumas das minhas lágrimas caírem no teu rosto sem querer, já que estava virada pro outro lado e não conseguia ver teu rosto se não me debruçasse por cima de ti.

Uma onda de medo repôs a felicidade que antes atingia cada nervo meu. Escrevi enquanto olhava teus traços perfeitos, teu jeito fofo de dormir enrolada em si mesma. Te acordei, não foi por querer. Você se virou pro meu lado e fechou os olhos de novo.

Quis que tivesse me abraçado, pararia de escrever na hora. Mas logo abriu os olhos de novo e pediu pelo controle da televisão. Daí pra frente, fui tomada por insegurança e desejo de possuir o poder necessário pra fazer tudo voltar ao normal, ao nosso paraíso.

Tudo que já fizemos, todos os olhares que já trocamos, todos os teus beijos que me causaram frio na barriga... não dá pra não querer isso de volta. E de qualquer forma, descobrimos nossa doença cedo o suficiente pra encontrar a cura e continuarmos bem.

Alguns desabafos me fizeram sentir melhor, parar de chorar de desespero, morrendo de medo de te perder. Mas eu não te perdi ainda, certo? E sei exatamente o que devo fazer agora. Cada segundo nosso até agora valeu a pena. E vai continuar valendo.

Como ouvi hoje, "quando se encontra uma pessoa assim, não precisamos de mais nada na vida". E eu não preciso e nem quero mais nada. Tudo que eu quero agora está em ti. Cada milímetro, cada canto e cada pedaço de ti, quero da forma que eu tinha antes.

Não me importo se as coisas nem sempre chegam na vida da gente pra ficar, mas você é uma das pouquíssimas coisas que eu vou bater o pé pra manter comigo. Não vai ser dessa vez, nem tão fácil assim que vou aceitar que as circunstâncias te afastem de mim.

Eu te amo até a lua; só ida, porque lá de cima a vista é mais bonita (e porque né, I haven't got the funds to pay this).