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11 de outubro de 2012

Take you home

Mais uma noite, não consegui dormir. Talvez por medo do que os sonhos vão me trazer de volta dessa vez, talvez receio de lembrar de algo bom que já passou e saber que ainda vai levar um tempo pra matar essa saudade. 

Cruel, desfaço tudo que for preciso, te entrego tudo que quiseres de mim. Um vício, um tipo de maldade incontrolável comigo mesma, desde o sub consciente, até meu estado mais acordado. Cada fôlego teu me desarma.

E as palavras seguem ecoando no vazio da minha mente a cada instante, me dizendo pra continuar, me dizendo pra levantar os olhos e enxergar coisas que ninguém mais poderia ver. Seco minhas lágrimas e me esforço a ver, mas a névoa não se dissipa.

Sonhos nublados e confusos, pensamentos soltos vagantes por uma mente viajante e inquieta, que antes, tão facilmente encontrava a calma e a tranquilidade e agora, desperta e desfalece em preocupação, em receios, em vontades impossíveis de suprir.

Como queria uma troca de palavras doces, uma troca de olhares suaves, uma troca de carinhos afáveis. Tão difícil não ver, sentir-se perdida em um deserto conhecido, como se houvessem arrancado de você todo seu senso de direção.

Uma bela tentação! Nunca fora fácil. É um tipo de saudade que dói fisicamente. Dá pra consertar, doutor? Será que um transplante de coração ajuda? Ou quem sabe um cérebro novo... poderia me fazer bem. Me perdi, amigo.

Acho que enlouqueci. 

Tudo que sinto vem envolto numa nuvem de pesadelos e você é a atriz principal em todos eles. Pesadelos, digo, por melhores que sejam os sonhos, me fazem acordar triste. Triste por olhar para o lado e não te ver aqui comigo.

Os atos mais simbólicos que poderia imaginar, colocando em prática cada detalhe de uma ideia remotamente plausível, me fiz de novo frágil. Fraca. A esperança veio junto ao vento e bateu de novo nas minhas costas.

Maldita!

E quando o vento passou, percebo que talvez não tenha sido grande marco, grande feito. Ou quem sabe, nem deveria ter dado ouvidos às minhas ideias mirabolantes, ter apenas ignorado minha mente inquieta que pede por ti a cada instante.

Não pude. Sou poeta, lembra? Sou romantismo, sou paixão. Tudo em mim é sentimento. Talvez tenhas razão, talvez eu seja em vão. Rimas, poesias, estrofes incaláveis no interior da minha alma, requisitando tua presença em cada linha.

Agora, sim, me encontro completamente dependente. Vulnerável. Cada pedaço de mim é teu. Talvez fora esse o erro, estar entregue. Meditar me tem sido útil, mas se torna cada vez mais difícil atingir a concentração enquanto o teu nome martela por entre meu vazio.

É um tipo de fome, um desejo, uma vontade. É uma paixão. Uma fogueira que foi deixada de lado. E continua acesa, queimando. Lembro do tempo que mantínhamos duas fogueiras acesas, uma ao lado da outra. Uma sua, outra minha.

Sei que a minha continua acesa, de chama brilhante. Mas faz tempo que não me permito olhar ao lado e conferir como tens cuidado da sua fogueira. Da última vez que o fiz, você a escondeu de mim, não quis me deixar ver.

Como queria ter a graça de saber o que se passa em sua mente. No que penso, faço ou falo, espero que haja alguma diferença. Espero que traga melhoras. Espero todos os dias por isso. Em determinados momentos, me encontro banhada em confiança, em coragem.

Mas afinal, na maior parte do tempo, o que me toma pelos pés é o medo, me vira de cabeça pra baixo e revira tudo que tinha de bom em mim antes. Um pedaço de papel queimado é tudo que tenho da minha esperança.

Um doce, uma rosa, um cheiro e uma frase. É tudo que tive pra demonstrar quanto tenho sentido sua falta. Queria tanto um lenço teu agora... queria algo com que pudesse dormir abraçada, pra não me sentir tão só, tão... desamparada. 

Eu sei, tenho soado cada vez mais como um "por favor, não me deixe". Talvez sejam essas as exatas palavras que gostaria de dizer. Então, por favor, não me deixe. Quero tanto te lembrar de todas as coisas boas, te fazer sentí-las mais uma vez...

Porque, sabe, elas vêm à tona em minha mente a cada segundo, me atordoando por entre memórias, diante de situações e momentos que passei ao teu lado, me lembrando que você não está aqui. Nem aqui, nem comigo, de certa forma.

Mais uma vez, me sinto inútil, impotente. E, claro, desesperadamente vazia. Ah, baby, tenho sentido tanto a tua falta... não há texto gigantesco que possa descrever como. Nada do que eu tentar organizar numa frase vai demonstrar sequer um pedaço do que eu sinto.

Onde está a paixão? Onde está aquele velho fogo que nos queimava instantaneamente com apenas uma troca de olhares? Onde foi parar o magnetismo inquietante que não nos deixava distanciar? Quero saber pra onde foi o "teu cheiro me enlouquece"...

"Te amo mais que a vida". E espero, com todas as minhas forças, que possa ouvir essa frase dos teus lábios em breve mais uma vez.

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