Sentada no quintal, cheiro de mel proveniente do incenso. Calmante. O vento bate nos meus membros expostos deixando claro que estou com frio. Mas não importa. Enquanto Nina Simone canta, meus pensamentos correm de um lado a outro.
Busco inspiração, busco liberdade. Busco silêncio nessa cidade monstruosa, perturbadora. Busco tranquilidade e paz. Me encontro em constante e inquieta busca. Hoje é lua cheia, véspera de Samhain. Noite importante, amanhã o Deus pagão morre e começa o novo ano.
Enquanto isso, a Deusa chora sua morte até que ele seja nascido de novo. Mas não é de paganismo que vim falar. Na verdade, não vim falar, vim buscar. Buscar um grito contido dentro de mim, a revolta dentro do meu auto controle.
Estou aqui esperando a noite cair pra consagrar teu Muiraquitã, querida. Apresentá-lo à Iaci, deusa dos índios da Amazônia. E espero que quando te entregar, te traga sorte, além dos benefícios que possui, segundo a lenda.
Vai ficando cada vez mais escuro e mais frio, o vento ainda não cessou. Tem um pássaro cantando logo acima do meu assento, que acontece de ser a escada de trás da minha casa. Meu retiro de meditação improvisado e breve.
Desculpem-me, deuses, mas não encontrei nenhuma flor no meu jardim hoje... estão em falta por aqui. Só tenho um arbusto, brinco-de-princesa. São lindas, não posso negar, mas nem sequer sei distinguir quais são suas pétalas, se as rosas ou as roxas.
Foram as duas, porque o que mais vale é deixar clara a vontade. Não sei o que se passa às vezes, não sei o que acontece que deixa tudo tão estranho. Queria que tudo fosse tão mais simples... porque a mim cabem as coisas simples.
Ou talvez, não. Talvez eu continue sem saber... à medida que esse incenso queima, meu espírito volta a sua paz natural, volto a sentir cada palavra que a Nina está cantando. "A liberdade é minha e eu sei como eu me sinto, é um novo amanhecer, é uma nova vida, e eu estou me sentindo bem!"
Portanto, guardo em mim o que é bom, dispenso o que não o for. A noite ainda não caiu por completo, ainda tenho que esperar alguns minutos. Enquanto isso, vou escrevendo e passando frio. Cada canto do meu corpo se arrepia diante dessa brisa.
Meus braços estão engraçados, como se eu tivesse levado um choque. E sabe, sinto falta de quando era você que causava isso. Saudade desse tempo, querida. Era sobre isso que me referia. Quando não dava tempo de suspirar, porque você já havia tomado meu fôlego por completo.
E afinal, o incenso segue queimando enquanto a noite chega. O céu hoje está coberto de nuvens, não sei se vou conseguir ver a lua. Mas sei que ela está lá em cima e sei que ela pode me ver. Então lá me vou, consagrar teu amuleto pra que te traga coisas boas.
Farei antes que chova, hoje está frio demais pra banhos de chuva, ainda mais se acompanhada de pedras como ontem. Fico com o restante desse incenso, com essas "pétalas" de brinco-de-princesa, com essa brisa gelada nos meus braços à mostra.
E fique com a minha paz.
Busco inspiração, busco liberdade. Busco silêncio nessa cidade monstruosa, perturbadora. Busco tranquilidade e paz. Me encontro em constante e inquieta busca. Hoje é lua cheia, véspera de Samhain. Noite importante, amanhã o Deus pagão morre e começa o novo ano.
Enquanto isso, a Deusa chora sua morte até que ele seja nascido de novo. Mas não é de paganismo que vim falar. Na verdade, não vim falar, vim buscar. Buscar um grito contido dentro de mim, a revolta dentro do meu auto controle.
Estou aqui esperando a noite cair pra consagrar teu Muiraquitã, querida. Apresentá-lo à Iaci, deusa dos índios da Amazônia. E espero que quando te entregar, te traga sorte, além dos benefícios que possui, segundo a lenda.
Vai ficando cada vez mais escuro e mais frio, o vento ainda não cessou. Tem um pássaro cantando logo acima do meu assento, que acontece de ser a escada de trás da minha casa. Meu retiro de meditação improvisado e breve.
Desculpem-me, deuses, mas não encontrei nenhuma flor no meu jardim hoje... estão em falta por aqui. Só tenho um arbusto, brinco-de-princesa. São lindas, não posso negar, mas nem sequer sei distinguir quais são suas pétalas, se as rosas ou as roxas.
Foram as duas, porque o que mais vale é deixar clara a vontade. Não sei o que se passa às vezes, não sei o que acontece que deixa tudo tão estranho. Queria que tudo fosse tão mais simples... porque a mim cabem as coisas simples.
Ou talvez, não. Talvez eu continue sem saber... à medida que esse incenso queima, meu espírito volta a sua paz natural, volto a sentir cada palavra que a Nina está cantando. "A liberdade é minha e eu sei como eu me sinto, é um novo amanhecer, é uma nova vida, e eu estou me sentindo bem!"
Portanto, guardo em mim o que é bom, dispenso o que não o for. A noite ainda não caiu por completo, ainda tenho que esperar alguns minutos. Enquanto isso, vou escrevendo e passando frio. Cada canto do meu corpo se arrepia diante dessa brisa.
Meus braços estão engraçados, como se eu tivesse levado um choque. E sabe, sinto falta de quando era você que causava isso. Saudade desse tempo, querida. Era sobre isso que me referia. Quando não dava tempo de suspirar, porque você já havia tomado meu fôlego por completo.
E afinal, o incenso segue queimando enquanto a noite chega. O céu hoje está coberto de nuvens, não sei se vou conseguir ver a lua. Mas sei que ela está lá em cima e sei que ela pode me ver. Então lá me vou, consagrar teu amuleto pra que te traga coisas boas.
Farei antes que chova, hoje está frio demais pra banhos de chuva, ainda mais se acompanhada de pedras como ontem. Fico com o restante desse incenso, com essas "pétalas" de brinco-de-princesa, com essa brisa gelada nos meus braços à mostra.
E fique com a minha paz.
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