- E se ela for esses tipos que usam e desprezam? E... É UMA GAROTA!
- Eu não preciso vê-la para que eu consiga sentí-la. Ela é extraordinária e não é seu gênero que determina isso. E... eu acho que a amo. - Sarah dizia quase chorando.
Ela tentava explicar para sua amiga os fatos sobre Rafa, mas parecia não haver sucesso. A garota estava perplexa pelo fato de sua amiga ter se apaixonado por alguém que havia conhecido há dois dias, mal haviam se falado e, ainda por cima, era uma garota.
- Mas Sarah, você mal a conhece! Ela pode não ser a boa pessoa que você acha que ela seja. E, você deu seu telefone pra ela? Sabe quanto perigoso isso pode ser?
Mas Sarah parecia não encontrar sentido nas palavras que sua amiga dizia. Eram apenas... sons. Sons vãos que realmente não faziam sentido nem em sua cabeça e muito menos em seu coração. Rafa realmente havia feito uma marca em Sarah.
- Rach, se você tivesse uma mínima ideia da forma como a Rafa me faz sentir, da maneira que a voz dela me conforta, me passa confiança, você conseguiria entender. - Sarah continuava tentando explicar.
- Ok, confio em você. Se você diz que sente algo forte por ela, só procure saber logo se ela pode te corresponder. Por mim. Não quero que ela te machuque, ok? - Rach dizia num tom protetor.
Rach não era cega. Ela via todas as coisas ruins que as pessoas faziam umas às outras e pensava que, por Sarah não poder ver, não soubesse quanta maldade alguém pode ter. Mas Sarah sentia. Sarah podia dizer que "confiava de olhos fechados", pois ela só precisava ouvir o tom de voz de alguém e saberia dizer tudo.
- Rach, se algum dia eu estive errada em confiar em alguém, te deixo se preocupar comigo. Mas eu confio na Rafa e eu sinto ela sorrindo enquanto fala comigo, mesmo que estejamos falando algo sério. Ela sorri o tempo todo. Só sorri. Ela é sincera e não consegue esconder o que sente nem sequer no tom de voz. A forma como ela fala comigo... é doce, é suave, é... apaixonante!
- Sarah, você está MUITO apaixonada por ela, né? - Rach abriu um sorriso
- É, acho que sim. - Sarah sorria, vendo que sua amiga finalmente havia entendido um pouco de como ela se sentia.
Sarah não conseguira parar de pensar em Rafa por um segundo sequer. Era exatamente uma e meia da tarde, hora que Sarah sabia que Rafa estaria sentando atrás daquela mesa robusta.
Rafa não tinha ligado para Sarah ainda e agora Sarah estava quase perdendo a esperança de que ela fosse ligar. Ela se perguntava se Rafa teria perdido seu número, esquecido de ligar ou algo grave teria acontecido.
A campainha tocou e Sarah foi atender.
- Boa tarde, moça. Essas são para Sarah, é aqui, certo? - disse um homem de voz grave que se estendia em frente à porta de Sarah.
- Sim, Sarah sou eu. E, o que é? - disse ela, apontando para sua auxiliar guerreira bengala.
- São flores maravilhosas, lindas. Foram muito bem escolhidas, por sinal. E também tem uma caixa de chocolates de vários recheios e um cartão em braile. - Ele soava estranhamente entusiasmado, como se estivesse fazendo uma boa ação e se agradasse muito com isso.
Sarah pegou as flores que o homem estendeu em suas mãos e levantou-as levemente para que pudesse sentir o odor que elas exalavam.
- Ah, lírios... podes me dizer que cor são, por favor? - ela sorria. Seu conhecimento sobre flores realmente havia sido útil.
- São brancos. São lindíssimos lírios brancos, moça.
- Obrigada, moço. Devem ser lindíssimos mesmo! Você sabe quem mandou? - ela ainda sorria. Pudesse Rafa ver esse sorriso, sentiria-se extasiada.
- Me disseram que tudo consta no cartão, moça. Eu não sei ler braile, mas me disseram que está aí.
- Então está certo. Muito obrigada, novamente.
- Por nada, moça. E, quem quer que tenha mandado, gosta muito de você. E dou-lhe razão. Tenha uma boa tarde. - ele sorria. Moço simpático.
Sarah sorriu e sentiu o homem se afastando. Fechou a porta e logo foi conferir o cartão.
Era extenso, o que parecia ser bom.
"Sarah,
Talvez tudo que eu tenha pra te dizer esteja contido numa frase muda ou talvez tudo que você precise saber esteja latejando dentro da minha mente tão forte a cada vez que te vejo, que você já deve ter percebido.
Essa é a décima terceira vez que tento escrever esse cartão pra você.
Entre tantos rabiscos, tantas coisas que eu escrevi e achei que não seriam o suficiente, pensei em algo grande pra te dizer isso e não encontrei maneira melhor do que isso:
Há dois dias atrás você entrou na minha vida. Mas entrou mesmo, numa forma de entrar que ninguém havia entrado antes. Você me fez entender tanta coisa sobre a vida, me ensinou tanto e talvez nem imagine isso.
Você foi a única garota que não fez meu coração bater na garganta, mas o arrancou de mim. Agora, meu coração bate onde o seu bate. E, talvez por eu poder dizer isso com a certeza de que não estou falando besteira é que, em dois dias, absolutamente tudo que eu faço me lembra você.
Então, Sarah, por mais que seja apressado e irresponsável que eu diga isso em tão pouco tempo que nos conhecemos, tenho de deixar claro que eu não quero ser sua amiga.
Eu quero ocupar cara pedaço do seu coração, cada parte da sua mente, eu quero ser tudo que você pensa. Eu quero que você seja minha.
Porque no mundo inteiro, não há nada além da música que me faça sentir como você faz, nada fez. E em mil anos, agora, sem você, eu não passaria de um pedaço macio de tecido vivo, porque eu encontrei em você toda a vida que faltava em mim.
Em toda minha vida, a única coisa que fez sentido foi você. Enquanto eu flutuava pelas facetas estranhas dos meus pensamentos, enquanto eu imergia em frases densas e sem nexo, você começava a me mostrar o que a vida significa.
Você deu sentido a tudo isso. E eu não posso gastar mais um minuto sequer sem saber que você é minha.
Então, você aceita ser minha?
Com amor,
Rafa"
Sarah terminou o cartão com o sorriso que Rafa tanto amava estampado em seu rosto e uma lágrima escorrendo sobre ele. Ela sorria e chorava ao mesmo tempo.
- SIM, EU QUERO SER SUA! - exclamou Sarah no seu momento de euforia.
Nisso, arrumou suas coisas e saiu em direção ao Instituto. Tinha pressa em ser de Rafa. E com razão.
(continua)
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