- Boa tarde, eu quero os lírios brancos mais lindos que tiveres. - eu disse entusiasmada, com chocolates deliciosos e um cartão enorme nas mãos.
Saí de lá com os lírios mais lindos que eu já havia visto. Lembrei que um amigo me devia um favor e fui até a casa dele, já que estava perto.
- Rafa, que lindo. Não precisava me trazer flores... - ele sorria sarcástico, imaginando o que eu iria pedir.
- Haha, ótimo! André, preciso daquele favor que você estava me devendo, lembra? É, então, tem essa garota...
- EU SABIA! Vindo de você, só podia ser uma garota. Mas fala: quem?
- Então, o nome dela é Sarah, ela mora nesse endereço. - disse entregando um bilhete - Preciso que você entregue isso pra ela por mim. Não é muito longe. E ó, você não sabe quem mandou e está tudo no cartão. Você é um entregador. Aja como um. Ok? Podes fazer isso por mim?
- Claro que posso! Posso te levar no trabalho e passar lá agora? - ele soava quase tão entusiasmado quanto eu.
- Feito. Vamos?
Ele me deixou no Instituto, que também não era muito longe dali e foi até a casa de Sarah entregar meus presentes pra ela. Queria saber qual seria a reação dela e fiquei bastante nervosa com isso. Sentei-me na minha mesa agora já habitual e fiquei esperando que alguém me dissesse algo sobre isso. Fosse André, fosse Sarah, eu só queria saber o que ela teria achado.
Alguns minutos disso, André me ligou.
- Rafa, porque você não me falou? - fiquei assustada, pensando que ele não estivesse gostando do fato de Sarah ser cega, de ele se importar com isso. Realmente me deixaria muito triste se ele se importasse.
- Não falei o que, Dé? - tentei confirmar, com um certo desapontamento em minha voz.
- Que era a garota mais linda que eu iria ver! - quando ele disse isso, eu sorri de tal forma que até me demorei em diminuir o sorriso. - Eu nunca vi garota tão linda na minha vida. E simpática! E CARA, QUE SORRISO É AQUELE? Você tem toda razão em se apaixonar por ela!
- Eu sei. Ela é demais, mesmo! - e a parte que eu mais gostei da reação dele foi que ele não havia mencionado nada sobre ela ser cega. - Mas o que ela achou do presente? Ela gostou? Ela disse algo? Como foi? - eu estava claramente ansiosa.
- Rafa, fica tranquila, ela amou tudo. Reconheceu os lírios, me perguntou como eram, sorriu o tempo todo e acho que ela imaginava que você que havia mandado.
Eu sorria, aliviada. Agora era só esperar a resposta que ela me daria. Nisso eu a vejo segurando a maçaneta da porta, notei que ela respirou fundo e entrou. Ela trazia apenas o cartão nas mãos. Ela sorria. E eu sorria, instantaneamente, junto com ela.
Levantei-me e fui até a porta. Era bom que nessa hora da tarde, não havia ninguem ali comigo. Só eu e ela. Segurei sua mão e a fiz sentir que eu estava ali com ela. Não falei nada, só me certifiquei de que ela estava sentindo o mesmo que eu. Ela segurava meu rosto e, aos poucos, começava a traçar linhas ao redor dos meus lábios. Eu sorri, ela riu, eu ri. Paramos. Os sorrisos desapareceram.
E essa foi a deixa: ela segurava minha mão esquerda e sua mão esquerda ainda pairava sob meu rosto. Nisso, ela me beijou. Suavemente, seus lábios encontraram os meus e isso foi a melhor resposta que eu poderia receber. Ela era minha.
A eternidade estava naquele beijo. Tudo poderia acabar ali, eu não me importaria. Só a certeza de que ela estava envolta em meus braços e era minha, era tudo que me completaria. Naquele instante, eu e ela éramos uma só. Um coração, uma mente, um corpo.
(continua)
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