Não sei porque, mas o clima mal resolvido -agora resolvido, finalmente- me deu vontade de escrever sobre essa garota. A garota que tem medo de sentir.
Me pergunto que fizeram com seu coração, que tem medo de tudo que envolva sentimentos alheios. Por um momento me deu uma certa vontade de cuidar desse coração, curá-lo, fazê-lo ver tudo que eu vi quando foi minha vez de experimentar isso. Mas assim como ela tem medo de sentir, envolvimentos desse patamar se tornam quase impossíveis. Boicote.
Reciprocidade, afeto, relacionamentos, tudo é complicado. Mas pra ela, mais complicado ainda. Psicólogos diriam tantas coisas sobre isso... das quais todas discordo. Causas, motivos, razões, ela tem as dela. Eu tinha as minhas. Sim, são ótimas razões. Por algum motivo, construímos uma muralha ao nosso redor. Ninguém entrando, não temos problemas e não corremos riscos de sair com machucados.
Essa garota, tão diferente, teima em ser indiferente. Isso já se tornou tão normal pra ela que é involuntário, ela É indiferente, não tenta ser. Lembro de quando todas as coisas boas foram mantidas longe de mim por essa muralha que eu mesma construí. Lembro de precisar de ajuda pra remover a minha armadura, pra me deixar levar por alguma emoção, só sentir. Foi difícil, trabalho duro.
Depois de alguns retoques no meu velho coração e eu estava pronta pra ser diferente. E eu me sinto melhor assim. Pensando nisso, quis que ela soubesse como é sentir assim. Talvez o mundo seja mais cruel com quem sente do que com quem se fecha pra isso, mas tudo se torna tão bom, diferente, delicioso... quando você é capaz de sentir. Somos as únicas criaturas capazes de sentir e devemos nos aproveitar disso.
Engraçado como o medo nos reprime, nos coloca no meio de situações complicadas e nos intima. Forte o suficiente pra vencer esse medo. Eu me tornei. A sensação disso é maravilhosa e é algo que eu gostaria que todos fossem capazes de sentir também. Essa garota, em especial.
Não entendi porque ainda, mas talvez seja culpa da "filantropia", essa garota me dá vontade de mostrar pra ela todos esses sentimentos bons que a gente tem quando se solta, quando se deixa viver. Respeito que ela tenha receio em se deixar sentir, porque o mundo é mesmo cruel com quem sente. Altruístas, sem pensar em si, o mundo nos destrói. De alguma forma, sinto que ela é altruísta. Mas ela criou essa muralha que reverte tudo em egoísmo.
Quero que ela experimente esse mesmo sentimento que eu tenho. Simpatia. Que não importe como alguém te machuca, mas se você perceber que este tem estado mais machucado que você, esquecer os ressentimentos e abraçá-lo, consolá-lo. E quando ela é assim, durona, sem sentimentos, indiferente, me dá vontade de abraçar ela e tentar fazer ela sentir algo próximo do que eu sinto.
Felicidade incondicional, apreço e afeto por todos da mesma forma, carinho. Quero que ela consiga sentir isso o tempo todo, assim como eu sinto. Capacidade de esquecer um problema pequeno, torná-lo insignificante, capacidade de chorar quando necessário, de demonstrar amor não só quando ela está fazendo um trabalho voluntário.
Quero que ela consiga mostrar que ela realmente sabe o que é amor.
E tudo que a reprime é o medo de se machucar. Alguém um dia a machucou e suponho que não tenha sido superficial. Eu não quero exatamente saber o que aconteceu pra que ela reprimisse tanto sentimento bom dentro dela, mas eu quero ajudar a curar isso, mudar. Afinal, o mundo é cruel de qualquer forma. Vão nos esfolar de todas as maneiras possíveis, então, porque não sentir?
Porque as cores ficam mais nítidas, as pessoas, mais amáveis, a vida, mais suave, os problemas ficam menores. Sentimentos são tudo aquilo que precisamos pra nos manter sob uma rocha, pra nos levantar quando as coisas ficam feias, pra erguer a cabeça em meio à lagrimas e dizer que não importa, que somos fortes pra superar.
Será que, aos poucos, consigo ajudar esse medo todo sumir? Será que um dia ela vai provar dos bons sentimentos que eu provei? Já que amar é um verbo intransitivo, não precisamos de condições, motivos e complementos pra isso. Só amamos.
Será que esse coração é capaz de amar de novo?
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