Em filmes, o mocinho sempre salva a mocinha e eles sempre vivem felizes pra sempre. Filmes. São apenas histórias do que nós, reais, gostaríamos de viver. Eles infelizmente não existem e raramente alguma história dessas se torna real.
Num mundo onde "cão come cão", a lei do mais forte é o que prevalece. Nesse mundo não há espaço pra você ser "alguém que presta", porque a sociedade vai pegar seu coração, arrebentá-lo, reduzí-lo a pedaços e às vezes nunca mais te devolver.
Quantas vezes tivemos nossos corações despedaçados por nos importar demais? Ou por confiar demais? O tempo todo, o mundo tende a nos machucar, nos devorar e nos massacrar. Bons corações são facilmente machucados, então, não devemos construir bons corações dentro de nós, mas corações fortes.
E que são corações fortes? São aqueles que se acostumam com a dor, aqueles que, por mais que em sofrimento, ainda sabem ser bondosos, gentis, generosos. Diferentes dos maldosos, que não se atingem com a dor do próximo, não se sensibilizam, corações fortes são sensíveis, amistosos, mas são resistentes. Resistentes às pressões diárias da sociedade, às provocações.
Meu coração não é forte. Nos tempos de mudança, ganhei um coração bondoso, gentil, suave, amistoso e sensível. Mas forte... não. Eu me afeto com absolutamente tudo, busco a dor alheia e a trago pra mim. É difícil ver isso todos os dias e não poder fazer muito pra mudar.
Minha alegria depende de pessoas, minha tristeza é criada por elas. Meu coração nas mãos das pessoas que me cercam. Doloroso, porque de vez em quando eles deixam cair, pisam em cima. Mas sempre tem alguém que pega, limpa, cuida, melhora.
E eu sorrio sim o tempo inteiro. Por dentro? É uma bagunça. Ainda não encontrei meus próprios sentimentos lá dentro, então escolho os sorrisos que eu mais gosto e os reflito em mim. Uma palavra me destrói, mas um sorriso me reconstrói. Enquanto isso, eu me mantenho reprimindo atitudes que me afetam pra que a dor que eu sinto não se torne maior do que a dor que eu deveria sentir.
Sobre isso, me revisto na minha velha armadura, fingindo que estou bem pra que ninguém se preocupe comigo. Porque quando pensei que havia encontrado exatamente o que faltava pra um sorriso constante, dependendo do sorriso que eu provoco, descobri que pessoas geralmente são imprestáveis. Ou que as que prestam estão bem longe de mim.
Dói ter tanto guardado pra dividir com alguém que não quer. Um, três, quatro, cinco. E o dois foi o que eu desperdicei. Ainda sinto a culpa.
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