Hoje, 28 de junho, é dia do Orgulho LGBT. Hoje nos valemos de direitos que começaram a ser conquistados à muitos anos atrás, quando pessoas como nós lutaram pra que passássemos a ser reconhecidos como normais.
Com sentimentos, com angústias, com medos, receios, mas também com coragem, com alegria, com força, positividade, assim como todo o restante do mundo. Não somos diferentes de ninguém, e não é nossa sexualidade que vai mudar nosso caráter. Assim como eu passei, acredito que muitos de nós tenham sofrido, dentro da própria casa, julgamentos, piadas de mal gosto, preconceito.
Meu objetivo aqui não é criticar entidades ou religiões, mas se um cristão afirma com fôlego que na bíblia diz que não devemos fazer acepção de pessoas (Atos 10:34, Romanos 2:11, Tiago 2:9, I Pedro 1:17) será que ele deve mesmo ser contra a legalização do casamento gay?
Amor não tem gênero, não tem sexualidade. Algo que ouvi muito durante minha infância, devido ao
fato de ter crescido numa igreja evangélica, foi a frase "se Deus me fez assim, assim vou louvar". Deus (pra quem acredita em Deus, diferente de mim), nos fez homo, bi, hetero ou seja o que for. Somos assim e não é algo que possamos lutar contra. É uma questão de aceitar sua própria felicidade
ou decidir ser infeliz pra seguir um padrão que "vai te levar pro céu".
Quando nossos pais descobrem (de qualquer forma que seja), geralmente ficam chocados de morte, mesmo que saibamos que eles sempre souberam disso (porque pai sempre sabe). No meu caso, meus pais tentaram me isolar do mundo, como se eu estivesse sofrendo alguma influência pra ser assim. Claro que não funcionou. Convocaram pastor, papa, igreja inteira intercedendo, mas nada, ainda sou lésbica. E, bom, mesmo sendo só uma adolescente, posso dizer com convicção que isso não vai mudar.
Lembro de ter 8 anos, ser inocente e ver tudo isso como normal. Sempre foi extremamente familiar pra mim que duas garotas gostassem uma da outra, embora eu tivesse que esconder pra que não sofresse dentro do ambiente religioso que me encontrava. Já hoje em dia, livre de rótulos de "fiéis", não tenho medo de assumir quem eu sou. Não foi sexualidade que moldou meu caráter e não é a sociedade que vai me impedir de ser exatamente quem eu quero ser.
Homens, mulheres, transexuais, gays, lésbicas, bissexuais, brancos, negros, amarelos, pardos, olhos puxados, grandes ou pequenos, TODOS serão a mesma coisa perante uma cova. Todos nós somos iguais e diferentes e ninguém nesse mundo tem direito de nos julgar por isso. Acreditem no que for, acreditar em nossas verdades sempre será o mais importante, porque é isso que vai nos fazer pessoas felizes.
Cada um faz as escolhas necessárias pra seguir a sua vida e satisfazer as vontades do seu coração. Sexualidade não é uma delas. É algo que nasce conosco. Agora, você pode escolher se reprimir e ser infeliz ou bater de frente com a sociedade e fazer sua vida valer a pena. Afinal, ninguém tem certeza de quantas vidas teremos e essa pode ser a última!
Em alguma parte da vida, não importa o que somos, sempre seremos discriminados por algum motivo. Por quê? Porque o objetivo da sociedade é nos moldar e pra isso utiliza da opressão, que nos obriga a buscar um caminho mais "fácil" e seguir exatamente o que a sociedade quer de nós.
Quebre essa regra, mude o seu padrão, seja diferente à sua maneira. Mas o mais importante, sendo feliz como você é.

Nenhum comentário:
Postar um comentário