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31 de julho de 2011

Buffy, The Vampire Slayer

Como prometido na página Coffee, Cigarettes, TV and Good Music, aqui está a primeira resenha de um seriado maravilhoso. Enjoy it!

Buffy é uma garota de 16 anos que descobre ser a mais nova representante de uma linhagem de caçadoras de vampiros, depois dos eventos do filme Buffy muda-se com sua mãe para outra cidade, Sunnydale na Califórnia, onde ela conhece novos amigos e planeja viver uma vida normal, sem ter a mínima idéia dos perigos que irá encontrar. Na escola ela conhece Giles, seu novo sentinela, que lhe apresenta os demônios que habitam a cidade. Agora Buffy e seus amigos defendem a cidade de Sunnydale contra vampiros e outras criaturas sobrenaturais.

Opinião pessoal: um dos melhores seriados já criados. Não tem muito pra falar sobre isso além da frase "vale muito a pena". Só confiar e clicar no link que não vai haver arrependimento pelos esperados minutos de download!

Download de todas as temporadas

Assistam, comentem e aproveitem!

27 de julho de 2011

Every Single Thing.

Você já foi criança um dia, já sonhou com todas as coisas mais simples e já soube que essas poderiam te fazer feliz. Coisas singelas, singulares e individualmente maravilhosas.

E à medida que nos tornamos maiores, vamos perdendo cada um dos valores que tínhamos. Perdemos primeiro o gosto pelas coisas simples, perdemos a despreocupação, perdemos, aos poucos, a alegria de criança. Mas, principalmente, perdemos a percepção das coisas lindas ao nosso redor, as coisas que demoramos a descobrir, mas nos tornamos breves em aproveitá-las.

Nunca mais tiramos o máximo de um dia de sol jogados na grama observando o formato das nuvens, nunca mais nos engrenhamos em meio às árvores sem saber pra onde íamos, nunca mais somos destemidos e valentões apenas pelo fato de não conhecermos o perigo. Nunca mais saímos sem rumo em busca de um vagalume, nunca mais ficamos horas à espreita pra observar aquela lagarta sair do casulo.

Nunca mais escalamos o pé de amora e ficamos com os dedos (e boca, roupa, pés) todos sujos de vermelho e, só pra provocar, nunca mais falamos pra mãe que aquela meleca toda é sangue, só pra ver o desespero da coroa, porque é a coisa mais engraçada. E por falar em coroa, nunca mais caminhamos milhas pra encontrar a flor mais bonita e depois correr mais milhas por outra flor, porque precisamos levar uma pra mãe e outra pra avó.

Nunca mais desenhamos uma coisa ridícula e colamos na geladeira alegando que é nossa obra prima e que um dia ficaremos famosos com ela. Nunca mais misturamos danoninho com yakult, porque agora não é mais um experimento científico pra aprimorar a culinária. Nunca mais sentamos nas costas do nosso cachorro gigantesco porque ele é nosso cavalo. Afinal, agora somos bem maiores que nosso cachorro que um dia foi gigantesco.

As coisas mudam, as pessoas crescem. Aquele ursinho que nos protegeu dos monstros durante longas noites escuras agora está jogado no guarda-roupas. As brincadeiras, os brinquedos que detonamos pra criar novos, toda criatividade que tínhamos, a disposição, a animação, tudo é substituído. E nós culpamos o tempo.

Porque agora estamos grandes e não podemos perder tempo com coisas simples. Agora o tempo passou e não somos mais os mesmos. E provavelmente, todas as coisas que vão nos fazer feliz no futuro são todas as coisas que nos fizerem sorrir como sorríamos quando éramos pequenos. Aquelas que vão nos trazer uma alegria incondicional, por mais simples que sejam.

E não são a grandes conquistas que nos fazem sorrir assim. São as pequenas coisas. Cada pequena coisa que fazemos que nos traz satisfação, que nos faz sentir como heróis. Aqueles heróis que esqueçemos que éramos. Nossos super personagens, quando éramos os melhores atores do nosso próprio filme. Esses que ficam guardados dentro de nós, que nos construíram.

É aquela velha história onde as coisas que éramos são as coisas que vamos levar eternamente. Podemos passar por várias mudanças, podemos amadurecer, crescer, ganhar responsabilidades. Mas sempre que nos lembrarmos de tudo que brincávamos, que personagens gostávamos mais de interpretar, com o que nos identificávamos, aí sim sabemos quem somos.

Porque afinal, quando formos velhos, voltaremos a ser as mesmas crianças bobas que fomos um dia. E isso vai, mesmo assim, nos fazer sorrir.

União Homoafetiva

Como me propus anteriormente a escrever sobre esse tema tão polêmico no nosso país atualmente, lá vou eu matar "dois coelhos com uma cajadada só", já que também é o tema do meu trabalho de Sociologia. Escolhi esse tema por ser algo que está acontecendo agora no Brasil e por ser algo que afeta o meio político e social da nação.

Enfim, encontrei algumas notícias sobre o assunto, que estão linkadas abaixo:

Ilustrado - Um site de notícias, neutro. Essa foi a notícia que utilizei como base pra esse trabalho. Logo mais, temos o mesmo assunto publicado pelo site Gospel Notícias - E, obviamente esse artigo se posicionou contra a união homoafetiva. Porquê? Acho que não preciso explicar. Temos, então, dois outros artigos que se posicionam a favor. O Blog Levante Popular da Juventude e o Parada Lésbica.

Então, temos aí uma visão geral de algumas opiniões sobre a legalização do casamento gay. São diferentes perspectivas que mostram bastante dos princípios de quem se posicionou sobre o assunto. Temos, no Ilustrado, um veículo de comunicação não tendencioso, visto que este se manteve neutro perante o assunto, não se colocando a favor nem contra a liberação do casamento.

Já no Gospel Notícias, podemos reparar que os "valores bíblicos" pesam mais e os fazem ser tendenciosos, indo contra tal fato. Queria saber o que estes dizem sobre não fazer acepção de pessoas, como está escrito na bíblia, já que eles são tão contra homossexuais terem direitos, como se fossem "menos pessoa" do que eles. Hipócrita? Claro que não (encontre a ironia).

No Levante Popular da Juventude, vemos uma posição a favor, levando em conta que homossexuais não são "menos pessoa", como estava citado subliminarmente no Gospel Notícias. Então, obviamente que no quarto link, o Parada Lésbica, veríamos uma posição favorável também. Nesses dois, posso comparar a ideia de um geral, onde o blog não fala estritamente sobre homossexuais e nem é regido (abertamente, ao menos) por eles. Já o PL é um site criado pra comunidade lésbica.

Assim, podemos concluir que essas posições levam em conta, de fato, princípios. Se foi colocado na sua cabeça que homossexuais são sujos, pecadores e vão pro inferno (porque acepção, como dito anteriormente, não é pecado e não é sujo e não leva pro inferno, certo, alienados?), certamente você não vai querer que eles se casem pra atormentar ainda mais a sua vida.

E de um outro ponto de vista, se você é jovem e tem amigos gays que são "super normais", você os quer bem e quer que eles tenham seus direitos também, que possam constituir família assim como você pode. E ainda mais se você é gay, você vai querer que seus direitos sejam iguais aos heterossexuais, que pelo único motivo de estarem na maldita bíblia, têm hoje todos os direitos sem nem sequer precisarem lutar por isso.

Afinal, se você prega igualdade, você tem de praticá-la. E isso é só uma dica.

24 de julho de 2011

O Telefone

Entrei no ônibus de volta pra casa depois de um dia idêntico aos passados – cheio de trabalho e mais trabalho. Fila pra entrar. Fila pra passar na catraca. Fila, fila, fila. Parece que todo mundo adora uma fila.
Consegui me sentar. Ainda não tinha ninguém do meu lado. Ainda. Entrou um rapaz meio esquisito, cabelo na cara, caveirinha tatuada no dedo do meio. Olhou pros lados, resolveu sentar do meu lado. Ótimo. Espero que fique de boca fechada, não banque o engraçadinho e queira puxar conversa. Estou lendo um livro e não posso me distrair.

Eis que o celular do moleque toca. Ele atende:

- Não, não, eu não vou discutir isso no ônibus. Não, sério. Beibe, o ônibus todo vai ouvir. Eu quero falar em um lugar onde eu me sinta mais confortável.

Tímido. Ou fazido. Tá inventando uma desculpinha pra não dar satisfação pra pobre menina do outro lado da linha.

- Beibe, eu te avisei que eu precisava fazer aquilo. Tu me disse que tava mal e daí eu pensei melhor e resolvi não ir aí. COMO É QUE EU IA ADIVINHAR, não, escuta, COMO É QUE EU IA ADIVINHAR que tu ias melhorar de uma hora pra outra? Não, olha só, o que que tu queria que eu fizesse? Eu já te expliquei!

Namorada mala. Deve ser menor de idade. Tá enchendo o saco do cara pra algum compromisso bobo que ele já disse que não teria como ir. Desencana aí garotinha. Estou sentindo que a minha leitura se foi. Ah, o livro nem era tão bom assim. Posso continuar fingindo que estou lendo e ouvir toda a DR aqui do lado.

- Como eu ia saber que tu chamou uma comida cara dessas pra gente jantar juntos? COMO?

Agora já era. Envolveu dinheiro. Meu amigo, se eu fosse você...corria pra lá agora, jantava tudinho e depois acabava o namoro.

- Não, eu te disse que tinha que imprimir os panfletos do show da minha banda! Tinha que passar lá no cara depois do ensaio e...

Iiiiihh. O cara é músico. Deve ser daquele tipo que se a casa tá pegando fogo, ele prefere salvar a guitarra do que a namorada. Porque a música é eterna, a namorada não! Agora as páginas em frente aos meus olhos definitivamente se transformaram em várias letrinhas embaralhadas que não fazem o mínimo sentido.

- Não, beibe, me ESCUTA! Não dá pra falar disso aqui, eu to no ônibus lotado, to falando alto, já tá todo mundo me olhando...

Mentiroso. NINGUÉM está te olhando. No mínimo estavam fingindo estar concentrados nas suas próprias vidinhas medíocres enquanto, na verdade, acompanhavam toda a novela. Assim como eu estava fazendo. Fingindo ler.

- Tá, a gente conversa quando eu chegar, entendeu?

Desligou. Não sem antes proferir algumas palavras de raiva. Pegou os fones, começou a ouvir uma música dor-de-cotovelo. Aí sim que eu não conseguia ler mais nada.

Desci do ônibus, cheguei em casa, o telefone tocando. Atendo. Era a Ritinha. Queria me ver, o namorado brigou com ela pelo celular.

Autoafirmação

Se funciona pra você, funciona pra mim também!

Pessoas inseguras de si que precisam repetir constantemente os traços de uma personalidade que não é delas e insistir em algo que elas não são. Se importam com imagem e "o que os outros vão pensar", precisam imitar uma multidão pra não chamar muita atenção. Precisam criticar constantemente a personalidade de alguém e deixar claro que não é assim também.

Necessidade de status pra provar pra si mesmo que o que pensa de si é verdade. Quando não é. Status não indica qualidade de caráter, exatamente. Ter mais bens materias não diz nada sobre a sua personalidade. E é incrível observar como as pessoas sentem necessidade de autoafirmação. Cruéis, esmagam uns aos outros pra poder ter em sua mente que são melhores.

Mas em sua mente, são vazios, influenciáveis e fracos. Pessoas que se autoafirmam demais são aqueles que seguem as modas por medo de ser diferente. Porque na verdade, eles odeiam as roupas ridículas que usam e queriam mesmo era vestir uma roupa larga e confortável e um All Star no lugar de um salto desconfortável. Mas elas precisam criar status, elas precisam se autoafirmar.

E há o caso dos que não têm tantos bens materiais e gostam da simplicidade. Mas são criticados por isso, então, eles gastam o dinheiro que não têm pra investir em uma roupa de marca. E, no final, a autoafirmação não vem "dentro" de nós, num pacote, quando nascemos. A sociedade cria ela em nós. Porque quando somos crianças, somos nós mesmos e não nos importamos para o que as pessoas falam sobre isso.

Crianças indiferentes e seguras de si. Aí crescemos em meio à sociedade de ideias fúteis e consumistas esmagadoras e nos tornamos inseguros. Precisamos saber que nos encaixamos nessa sociedade. Nisso, ela usa do seu melhor truque, a mídia, e faz com que nos sintamos "de fora" quando não seguimos os altos padrões da sociedade. E nós nos rendemos.

Nos tornamos seres autoafirmáveis, cabeça fraca. Presos num sistema imposto à nós. E o que mais vemos são pessoas que necessitam cruelmente de autoafirmação e nem sequer percebem isso. Mas afinal, ainda temos uma saída disso, podemos conquistar nossa liberdade nisso tudo. Uma liberdade mental, psicológica, que nos faz seguros de novo, autosuficientes. Nada mais em nós precisa ser mudado.

Os moldes da sociedade são todos iguais. Ela quer que nos percamos em meio à multidão de robôs e sejamos incapazes de pensar por nós mesmos. O sistema odeia gente "pensante", gosta horrores de todos que se autoafirmam diferentes, mas no fundo são iguais à todo o resto.

Então pense, liberte, crie, seja diferente da multidão. E pare de se autoafirmar, porque todos nós um dia o fizemos.

23 de julho de 2011

Monstruosity

Somos todos monstros presos na nossa individualidade insana. Num mundo de jaulas que não queremos quebrar, dentro de uma infinidade de regras e limites que não queremos ultrapassar. Deveríamos, podemos, mas somos fracos demais pra suportar o medo das consequências que quase nunca se mostram fortes, mas são, de certa forma, horrivelmente intimidantes.

Somos diferentes e nos estranhamos por essas diferenças. Fomos criados pra um mundo com gente igual a nós. Não há ninguém igual a nós. E aí está a raiz da maior parte de nossos problemas: as diferenças. Somos todos completamente diferentes uns dos outros, mesmo em toda nossa igualdade. Quando somos criados pra esse tal mundo inexistente povoado por pessoas iguais à nós e nos deparamos com as diferenças, ficamos sem reação.

Todas essas diferenças que são difícies de aceitar e às vezes até difíceis de conviver são o que nos isola e cria nossa monstruosidade. Onde nos infiltramos na nossa própria personalidade e esquecemos que devemos ser únicos e não nos moldar conforme a maioria. Devemos ser monstros, de qualquer forma. Mas essa monstruosidade deve-se limitar ao ponto onde estamos sós, onde não podemos viver com outros "monstros".

Quanto mais diferenças conhecermos, mais monstruosos devemos nos tornar, porque esse é um mundo ameaçador que precisa de monstros como nós. Por isso pessoas iguais a todos, que se deixam levar por uma multidão de "falta-de-ideias-e-criatividade", são tão não destacáveis no meio da sociedade. Esse lugar requer monstros, pessoas cheias de experiência com todos os tipos de diferenças, destemidos e prontos pra iniciar uma mudança.

Todos nós somos monstruosos, todos temos algo a compartilhar que nos "condena" ou faz com que sejamos julgados pelo meio de convivência. E é aquela velha história de respeito que ninguém mais pratica. Tomar limites e criar um código de convivência nos faz aprender que diferenças são positivas e nos fazem crescer.

Monstruosidade tamanha que nos fortalece. Quanto mais monstros somos, mais valentes nos tornamos pra enfrentar todos os problemas que a sociedade nos propõe.

22 de julho de 2011

Desire

Queima como inferno, até que te consuma por inteiro e te faça agir. Em prol de puro... desejo!

Se três coisas te fizerem hesitar, o desejo te dará, pra cada uma delas, outras três que te façam ir em frente. Se seis passos é o necessário pra correr pra longe, fugir, apenas um é o que te leva pro fundo do desejo. É mais fácil, mais rápido e... bom, mais divertido.

É como aquela história do gênio da lâmpada que concede três desejos e algum deles sempre dá errado. É um risco que se corre... e riscos são bons! A adrenalina do arriscado, o gosto bom do incorreto e a realização de um desejo que não poderia ser tão facilmente saciado nos movem. Pode causar arrependimento, pode causar dúvida, pode causar felicidade, satisfação, vontade de mais.

E, não me entenda mal, não falo sobre grandes desejos. Coisas singelas como quebrar a dieta com uma barra de chocolates também vale. Coisas pequenas e básicas que podem nos trazer tantas sensações diferentes que, num todo, chegam a ser confusas. Mas basta um momento de "deslize" ou "escolha" pra nos afundarmos em desejo. Tal desejo que, enquanto não saciado, arde até que não aguentemos mais e realmente não possamos fazer nada sobre isso.

E é exatamente aí que nos rendemos ao desejo.

Não precisa de muito pra dizer que o desejo saciado é a melhor sensação que experimentamos naquele momento. Sendo esse um desejo ruim, pode nos trazer muitos arrependimentos e consequências. Mas, bom, consequência, qualquer coisa traz! Como eu já disse algumas vezes, "está errado, é arriscado, é escondido e estranho, é pra mim".

Enquanto for algo que traga um desejo consigo, é exatamente isso que vamos escolher como "melhor". Porque não é seguro, porque não é certo, porque dá uma adrenalina louca, nos tira do comum e quebra a rotina, assim como quebra nossa sanidade. Nada importa quando um desejo está sendo saciado, toda a vontade está sendo libertada e canalizada pra um mesmo ponto onde tudo é desejo.

E o desejo, mais que toda satisfação, traz todas as boas e más vibes que temos em nós. Todas as sensações vão pra um mesmo ato, onde tudo é errado e secreto. Tudo se vale pela adrenalina de alguns instantes de "erro". E, nisso, todas as coisas se tornam extremamente foscas perante nosso desejo. Afinal, nenhuma delas importa.

E o brilho está em quebrar as regras.

21 de julho de 2011

From beneath you

Uma infinidade de muros derrubados um por vez e essa fortaleza é minha.

Armadura, espada e escudo, colocados, prontos, em ordem. Três toques pra meia noite, algumas cicatrizes e arranhões propositais, "foi só uma cerca no caminho...", umas desculpas pra criar o humor. Enquanto um não o fez, apenas, dois jamais o fariam. Um muro a menos, menos uma pedra no caminho. Uma explosão apenas e se vão dois muros de uma vez.

São mais dois e vira-se o dia, poucos sobraram pra ouvir agora. É intencional, levemente arriscado. Se o muro cair, se fizer estragos demais, nos valemos pelos gritos. Enquanto esses forem audíveis, estaremos a salvo. Dura uma lua inteira, mas passa tão rápido quando a luz, no seu movimento incompreensível, uma batida e um muro abaixo.


Foram intensos momentos de luta pra chegar até ali, onde só restam dinamites e ruínas de muros ainda em pé, que dali jamais sairão. Enquanto uns saem, outros entram. Saem em fuga pra deixar a multidão entrar. Correndo em volta de um objetivo que parecia improvável e hoje é possível. Por cima ou por baixo, por frente, ataques incansáveis que buscam derrubar a última cerca feita de arame farpado.


A cerca que envolve a fortaleza, caiu. Agora, todas as possibilidades abertas, é só uma questão de estratégia. E, bom, um pouco de dom não faria nada mal. Toda culpa desaparece ao mesmo tempo que toda euforia toma conta de um fôlego máximo, extremo. E, numa hesitação pra admirar a beleza dos feitos, pra perceber quanto longe fora e quanto forte e persistente fora.


São dois fôlegos, agora. E esse segundo, um início da próxima base.

17 de julho de 2011

No Twitter do reino dos sonhos, onde, como num filme americano em que os ETs falam inglês, aqui todo mundo fala brasilês!

No Twitter do reino dos sonhos, onde, como num filme americano em que os ETs falam inglês, aqui todo mundo fala brasilês!

@pokemonatalia: visitem meu blog galerinha!

@courtneyloveUK: wtf? Mas que insistência hein.

@pokemonatalia: OH! Courtney! Que surpresa, você por aqui mano!

@courtneyloveUK: Huh. Cheirei e bebi todo meu dinheiro, entediei, vim parar aqui.


@pokemonatalia: que demais! Posso te entrevistar pra aumentar os acessos do blog?

@courtneyloveUK: PORRA.

@pokemonatalia: isso foi um sim?

@courtneyloveUK: Tanto faz, to aqui mesmo. Mas tem o contrato, eu só falo sob certas condições.

@pokemonatalia: .....quais?

@courtneyloveUK: sem perguntas sobre KC, Edward Norton, Marilyn Manson, Scott Weiland...

@pokemonatalia: assim não dá! Acabou meu repertório de perguntas!

@courtneyloveUK: problema seu.

@pokemonatalia: =( dá uma forcinha aí Love.

@courtneyloveUK: vou tomar meu rivotril, espera aí

@pokemonatalia: !!!! já era.

Indefinido - Parte 3

Uma colega minha morreu. Rápido assim. Sem ninguém ver. Parece que ela pegou uma meningite forte na sexta, foi internada no sábado e morreu de domingo pra segunda...

Só fiquei sabendo quando cheguei na escola na segunda. Tinha uma placa lá na grade, escrito “Giovana, sentimos saudades”, aí pensei que ela tinha tirado férias, mudado de cidade, sei lá. Quando eu ia entrar, o porteiro disse pra eu voltar porque não teríamos aula, porque a Giovana morreu. Mas aquilo não me chocou. Eu não era amiga dela. Aliás, ninguém era.

Voltei pra casa pensando nisso o caminho todo. Quando cheguei, minha mãe me olhou com uma cara de espanto e proferiu apenas um “ué?” Corri pros braços dela e comecei a chorar sem parar. Por quê? Se eu troquei três palavras com a Giovana foi muito.

Daí em diante começou um mês de paranóia na escola. De repente todo mundo tinha que se vacinar, tomar remédio, nos trocaram de sala, foi tudo muito rápido e esquisito. Começou também uma curiosidade esquisita das outras turmas, que queriam muito saber quem era a “aluna morta”.

Quem era? Ninguém sabia. A Giovana sempre sentou no fundo da sala, calada, muito na dela, sempre com a cara enfiada em algum caderno. Acho que não tinha nenhum amigo. Tava sempre falando de coisas da escola e o pessoal meio que ria dela por causa disso. Mas eu acho que ninguém desejava que ela morresse, ou algo assim.

Ninguém nunca se importou em perguntar pra qual time ela torcia. Ou descobrir qual a cor que ela mais gostava. Ou qual sua matéria favorita. Ou qualquer coisa assim. Aí agora tá todo mundo lamentando, mas a verdade é que ninguém nunca prestou muita atenção nela.

Aí um dia a professora de português resolveu falar sobre ela. E pediu as opiniões da turma. Desastre total. Ninguém sabia o que falar, os que sabiam não queriam. Tipo eu. O desastre ia se encaminhando pro seu fim, quando a Kayenne resolveu abrir a boca pra dizer que “a Mariazinha da 62 perguntou quem era a menina que tinha morrido. Ela perguntou pra mim se era aquela pequena de cabelo curto, e eu tive que dizer HAHAHAHAHAHAHA (acho que ela teve uma diarréia cerebral nessa hora) não, não foi a Duda que morreu!”.

Ok, olhares constrangedores vindos de toda a parte; por que o chão não se abre e nos engole quando precisamos disso? COMO ASSIM A DUDA TINHA MORRIDO? Era tudo que eu precisava pra animar mais o meu dia super emocionante. Eu era tão insignificante quanto a Giovana era?

Alguém estava sentindo falta da Giovana? Não, sério. Alguém além dos pais dela? Comecei a trocar os personagens da história... alguém sentiria a minha falta? Alguém além dos meus pais? Até mesmo a Val tava meio estranha naquela semana louca. Talvez por causa do campeonato de futebol que estava se aproximando.

Na aula de educação física, começamos a montar o time que ia jogar no campeonato, o campeonato que a Giovana nunca iria ver. Se ela tivesse viva, provavelmente nós que não veríamos ela... a garota invisível. Ela era tão invisível que sumiu de uma vez por todas... e, pensando bem, AI!

- Acorda aí muleca!! Tá viajando na maionese?

- Poxa Val, não precisava me bater... –

- Corre pra lá, te botei pra ser zagueira.


Corri pro campo, meio sem prestar atenção. Prestando atenção na Giovana sumida, provavelmente.

Indiferença

Nunca andei e já cansei
Cansei dos preconceitos
Quero os imperfeitos

Fujo da ignorância
Ela é contagiosa
Venenosa
Perigosa
Destrói a mais bela flor
Tornando-a invejosa
medrosa

Medo do diferente?
Não.
Eu tenho medo do indiferente.
Pra ele tanto faz, tanto fez
Quanta insensatez!
Se os muros têm ouvidos,
seus ouvidos têm muros
E essa indiferença só começa
quando acaba a consciência.

(muita gente vai se enfurecer com esse poema. Que se foda. É pra causar uma reação mesmo!)

16 de julho de 2011

I'm feeling good

- Cigarro?
- Parei.
- Vodka?
- Parei. Mas, pensando bem, quero um copo e um cigarro.
- Não tinha parado?
- Esquece o parar. Essa noite quero me sentir bem. Que tem pra hoje?
- Um: barril de chopp, dois: vinho barato, três: Velho Barreiro, quatro: vodka e cinco: uma puta ressaca pela manhã. Fechou todas?
- Com direito à misturas? Black?
- Estou topando.
- Perfeito!

Começo de noite, sábado, chuva. Dia de ver gente, reunir amigos, beber e esquecer de todas as coisas que a preocupavam. Era a noite do jogo, quando todos se reuniam em sua casa com objetivos: encher a cara, perturbar a paz dos vizinhos e rir. Eram em oito.

- Alguém já tem garrafa vazia? Precisamos de uma roleta.

Sentavam todos no chão, em uma roda. Velhos conhecidos, parte deles, grandes amigos. Por mais que fizessem isso o tempo todo e soubessem os segredos mais loucos uns dos outros, sempre era, de qualquer forma, extremamente divertido. Ela vê aquela garrafa a encarando e, num gole, seca-a.

- Ok, agora temos uma roleta! - diz sorridente, como se tivesse feito algo de grande importância. E, de fato, era. Pra eles. Porque tudo que importaria ali era a diversão da noite. Ela senta, colocando a garrafa no meio da roda, com certa ênfase em seus movimentos. - Certo, podemos começar.

O primeiro jogo da noite, tradicional, se chamava "eu nunca". Estavam acostumados com o tal jogo, mas assim seria a primeira rodada. Depois que todos estivessem um tanto bêbados, seria "verdade ou consequência". Jovens inconsequentes, bobos, crianças. Amigos de colegial que agiam como se ainda o frequentassem. Todos universitários, vidas feitas. Não gostavam muito de lembrar dessa parte.

A noite servia pra esquecer que eram "gente grande", deixar as responsabilidades de lado. E isso era tudo que conseguiriam. A garrafa pára, indicando quem inicia o jogo e assim segue, de um em um, todos tinham algo pra dizer. Pregando peças, fazendo amigos ficarem mais bêbados, já que conheciam os segredos uns dos outros.

- Eu nunca confundi um poste com uma pessoa! - Acusando, olhavam-se, riam. Apenas um no grupo bebia, alegando que estivera alto demais pra perceber que aquele era um objeto inanimado.

- E eu nunca caí do palco. - Retrucava o amigo que confundira o poste, fazendo com que seu acusador bebesse, indicando que aquele feito era seu.

O jogo corria assim pelas longas horas que tinham pra aproveitar. Bêbados, cheios de cinzeiros ao redor, quase numa sauna. "Que trabalhão terei limpando isso amanhã", pensava ela, que nem bêbada esquecia de ser responsável. Haviam ali tantos segredos compartilhados, coisa que só eles sabiam. Oito corações que se gostavam como ninguém jamais havia visto, oito mentes que se conheciam a ponto de o silêncio falar mais do que as palavras.

E o tempo corria, os jogos mudavam, os físicos sofriam o efeito do álcool, mas os risos permaneciam. A diversão, numa forma de eternizar o bom humor infantil que ainda carregavam. Eram crianças presas em corpos de adultos, jovens que queriam voltar o tempo e aproveitar tudo de novo, jovens que não se arrependiam de uma palha sequer do que já haviam feito.

Eram os oito jovens que se viram crescer, mudar, amadurecer. Os oito que passaram por dificuldades e alegrias juntos, sempre assim. Fiéis uns aos outros, leais. Esses eram os jovens que poderiam um dia dizer que a vida nunca os desapontou. Sempre tiveram suas alegrias, sempre puderam apoiar-se uns nos outros. À sua maneira, se faziam os jovens mais felizes que poderiam ser.

E quando a noite acaba, a única coisa que pode ser ouvida vem dela, como de costume:

- E, cara, eu me sinto bem!

14 de julho de 2011

Liberta-te

Cada um carrega sua cruz
Mesmo que não acredite em Jesus
Cruzes!
Carrega-se muitas cruzes...
Cruzes!

Nem que tu cruzes meu caminho
Nunca entenderás meu carinho
Por ti, por tuas iguais
Iguais em desgraça, descrença
Não importa quem pensa
Que somos troféu, recompensa

Eu só quero tua companhia amena,
Doce, serena
Descansar meus lábios sob os teus
Teus sob os meus
E encontrar a felicidade
Em tua liberta feminilidade.

12 de julho de 2011

O céu é o limite.

Onde nós éramos o céu.

Tarde de sexta-feira, sol, temperatura amena, clima gostoso e vento razoavelmente fresco. Uma brisa deliciosa, marcante. E, de alguma forma, ainda não lembro bem como, eu estava lá, olhando pro nada, pra tudo. "Que vista, que lugar!", lembro de ter pensado algumas vezes. Nós nos sentamos. Éramos quatro. Dois garotos, pareciam bons amigos. Eu os havia conhecido naquele dia. Uma velha amiga minha, grande amiga. Essa, amiga de um desses garotos.

Não sei bem o nível de ligação, mas de alguma forma, fomos, os quatro, parar no terraço de um prédio. Céu limpo, nuvem alguma pra nos trazer sombra. Ao longe, nos era possível ver algum lugar em chamas, parecia um tanto engraçado. As músicas, as falas, as piadas, as idiotices... tudo nos parecia o mundo.

Porque, afinal, pra nós, ali, nós éramos o mundo. E crescíamos em ignorância, inocência e felicidade dentro de nós próprios. Onde o céu nos parecia pequeno, os carros, tartarugas, o infinito, o Acre. Nós éramos tudo que importava e estávamos felizes com isso. Quatro sorrisos largos, estampados em nossas caras adolescentes. Tanto pra viver, tão pouco vividos. Tanta história pra contar.

Enquanto a fumaça subia de um lado, mandávamos nossos sinais. Aviões e prédios gigantescos, tão próximos de nós. Nossas mãos, tocando a lua que já começava a se mostrar. Quatro horas da tarde, lua subindo, sol querendo começar a descer. E nós, lá, sem pensar no futuro, apenas no presente. Nós, quatro desconhecidos. E a cidade, os prédios. Uma antena, uma escada, um buraco, o medo. E nós.

E assim se fez, louca, irresponsável, ridícula e maravilhosa, uma das tardes mais memoráveis. A tarde de desconhecidos, de risadas idiotas e sem motivo, a tarde em que quase morremos e continuamos rindo disso. Jovens estúpidos, cheios de sociedade, rebeldes... felizes!

E estou esperando a repetição.

Monogamia,

porque é impossível ser feliz sozinho.

Mas é possível ser feliz com uma pessoa só... pelo resto da sua vida?

Estava divagando, pensando sobre mim, sobre as minhas paixões passadas, sobre meu presente... cheguei à uma breve conclusão: ser feliz sozinho não é possível, mas, às vezes, uma pessoa só não parece o suficiente. Parei pra pensar sobre isso e a única coisa que me veio à cabeça: "porquê?". Então, criei minhas próprias respostas.

Pegando meu exemplo: nunca acreditei muito em amor, monogamia, paixão, sempre tendi ao lado descompromissado. Sempre reclamei de estar cercada de garotas complexadas, o que me fazia buscar uma certa distância de relacionamentos. As piores escolhas sempre foram as minhas. Hoje minhas ideias são um pouco diferentes...

Parei pra pensar e comparar minhas velhas paixões e tirei algumas conclusões sobre meus sentimentos, que pode servir de exemplo aqui: minha primeira "girl crush" foi também a minha primeira namorada. Vou me referir à ela como "Blondie". Aí, eu e a tal Blondie terminamos, hoje somos melhores amigas. Em virtude de ter sido recíproco o negócio da primeira girl crush, temos aquela "queda eterna" mas é só amizade. Ok.

Uns meses depois, conheci uma outra garota, a qual vou me referir como "Sapa". A Sapa era meio que a garota feita pra mim. Havia UM problema: ela morava a algumas milhas de distância de mim (lê-se: em outro estado e região do país). Não nos impediu de namorar por um tempo, mas como eu preciso de sinais físicos pra entender os emocionais (lê-se: idiota e incapaz de sentir), terminamos logo. Mas a consciência de que éramos o casal perfeito nunca desapareceu.

Outros meses depois, outra garota, de outro estado também, mas ela voltaria a morar na minha cidade. Vou me referir a ela como "Visconde". Então, a Visconde e eu nunca chegamos a ter nada sério, eram apenas proposições de um talvez futuro rolo. Que nunca rolou, já que ela nunca voltou. Essa foi a primeira garota que me fez sentir ciúmes. Se isso foi bom? Já chego nessa parte...

Então, houve outra garota que eu notava há mais de um ano. A essa, vou me referir como "Fúnebre". Depois de conhecer a Fúnebre, percebi que eu jamais poderia me apaixonar por ela. Mas o ciúmes eu também sentia. No final, nunca teve um início. Atração, rolo, mas nada demais.

Concluíndo todos os rolos, Blondie "quebrou" meu coração. Eu era fria, fiquei ainda mais. Sapa "consertou" e ainda me fez ser diferente, bem diferente. Pra melhor. Até a Blondie notou a diferença. Visconde não me fez mudar, mas com ela, percebi toda a minha mudança depois da Sapa. Aí, a Fúnebre me fez perceber uma outra cosa, que é a conclusão final, que está aí no próximo parágrafo.

De todas essas garotas, a única que nunca me fez chorar, sempre me dá 1512 motivos pra sorrir, a que não é nem um pouco complexada e cheia de manias loucas, que não muda de humor do nada, que não tem problemas em sentir e se apaixonar, a que me ensinou a ser mais leve, me sentir mais livre, é a Sapa. E, bom, dela eu nunca senti ciúmes. Lembro de crescer ouvindo que o amor não é ciumento...

Então, acho que isso é amor. Talvez de uma maneira diferente, de uma forma que eu nunca experiencei, mas acho que é esse sentimento de felicidade garantida que nos move à monogamia. Porque, nela, tudo que eu preciso pra ser feliz, eu encontro. "Me compreende e me completa", como alguns de nós já ouvimos por aí.

Nisso, concluí que pra sermos monógamos ou não, só depende da outra pessoa. Encontrando nela tudo que nos faz feliz, sabendo que você não precisa de mais nenhum sorriso pra sorrir também... acho que é isso que nos impulsiona num relacionamento. Fora o pensamento de "eu odiaria te dividir com alguém".

Porque eu sou extremamente egoísta. No mínimo quanto à isso, não a dividiria jamais.

Obs.: Apelidos meramente ilustrativos. Uns por piadas internas, características ou coisas que me lembram tais garotas. Só pra descontrair. 

9 de julho de 2011

Reflexos de uma bola de cristal

Sexta-feira, pôr do sol, uma cadeira, uma mesa, uma xícara de café e um maço de cigarros. Cinzeiro improvizado, eu que fiz. Trabalhando, escrevendo e estudando. Uns 8 anos daqui, a mesma cara, as mesmas roupas, as mesmas músicas. Casa vazia, só uma luminária e uns papéis sobre a mesa. Rascunhos, lápis, canetas e borracha. O necessário pra criar.

Cama de casal arrumada, um canto dobrado com um certo "toque de perfeição". Guitarras e violões por todo canto, letras de música, um piano antigo com cara de descuido meio proposital, caixas de som, uns pedaços de uma bateria. Um estúdio improvisado num quartinho vazio. Cozinha quieta, só um armário e uma geladeira pequena.

E ela sentada naquela cadeira, luminária acesa, na sala, notebook sob a mesa, trabalhando. Escrevendo. Pegava anotações, revirava fotos e buscava a música que a inspirasse perfeitamente. Uma câmera fotográfica ao lado, deixava claro sua paixão pelo jornalismo, pela fotografia. No interior de seu apartamento, era óbvio: aspirante a rockstar, compositora, escritora, jornalista, fotógrafa.

Fotos por todo canto, seu estúdio musical era também onde revelava suas fotos. Lugar pequeno, simples e bacana. Ela era minimalista. Abrindo o guarda-roupas, uma certa bagunça, mas organizado, à sua maneira. Vários pares de All Star colocados cuidadosamente ao lado da cama. No cabide, camisas, várias. Muitas camisetas, monocromático. Calças jeans, basicamente. Ela sempre se vestira da mesma forma.

Desde sempre fora minimalista. Música ligada, as mesmas bandas de sua adolescência, as mesmas que estavam estampadas em boa parte de suas camisetas. Aquela garota, adulta, com jeito de adolescente. Responsável e madura, mas ao mesmo tempo descontraída e brincalhona. Ali apenas esperando a noite chegar. Era dia de show. Equipamento organizado, tudo pronto, no canto, só esperando.

Ela ainda era aquela mesma garota ansiosa que arruma a mala três dias antes de viajar. Ela tinha arrumado o equipamento três horas antes de sair. Já estava pronta, contando os minutos. Aos poucos lembrava de alguma coisa que havia esquecido de colocar junto no equipamento e levantava providenciar isso.

A música de seu despertador ainda era a mesma, Good Morning Joan - The Cardigans. Ela ainda acordava pulando da cama, ansiosa e animada pra mais um dia. Ainda tinha os mesmos amigos, as mesmas bandas, fazia as mesmas coisas. Ainda tocava guitarra, mas agora também tocava baixo, piano e bateria. Ainda escrevia, ainda compunha, ainda sonhava. Ainda contava para o melhor amigo, em êxtase, sobre aquela garota por quem estava apaixonada.

Ainda dava conselhos, ainda ajudava os amigos, ainda era chata com quase todo tipo de comida. Ela nunca mudou, nunca mudaria. Mas agora ela tinha uma vida, morava sozinha, raramente visitava os pais, já que esses não aprovavam seu modo de vida. Agora ela tinha sua tão sonhada liberdade, era gente grande. Agora ela tinha shows marcados pra todos os fins de semana, ela tinha popularidade na cena musical, tinha realizado seus maiores sonhos.

Mas hoje, no banheiro, tinha duas escovas de dente. No armário do quarto tinha um espaço que não era dela. Debaixo da cama, dois pares de pantufas. Essa era a garota que aos 16 anos apenas sonhava com essa cena, apenas imaginava que assim seria. E ela sabia que estava certa.

Confere o relógio no canto da tela, hora de sair. Ela levanta, coloca o notebook no modo "hibernar", como sempre fez. Apaga a luminária e logo corre acender outra luz. Sempre medrosa. Ela pega o equipamento. A campainha toca. Bem na hora. Elas apenas sorriem uma pra outra, sua garota pega outra parte do equipamento e caminha até o corredor.

Ela coloca a guitarra nas costas, o amplificador na mão, chave na outra. Dá uma última olhada, percebe que esqueceu a luz do quarto acesa. Corre apagar, refaz a última olhada. Tudo certo, fecha a porta, duas voltas na chave, duas fechaduras. Essa era a mesma garota que um dia foi desacreditada pelos próprios pais. Hoje ela tinha sua vida, hoje ela era a mesma garota feliz, sorridente.

Mas agora auto-suficiente.

7 de julho de 2011

Mind Blackout - Uma reflexão de utilidade pública

Por algumas horas, fiquei procurando algo sobre o que escrever, mas nada surgia em minha mente. Recebi sugestões, mas em nenhuma delas consegui colocar um foco criativo que desenvolvesse uma história. Busquei um assunto onde eu pudesse "poetizar" sem opinar; nada encontrei.

Minha falta de voz, nesse frio, trouxe junto um bloqueio criativo. Não tenho nada em mente que satisfaça meu "eu poético" e isso é quase como se eu não pudesse mais pensar. É terrível!

Mas tenho visto coisas que me fizeram refletir e isso me ajudou. Uma delas foi hoje pela manhã, quando minha mãe me pediu que eu fosse até a janela da cozinha e confirmasse pra ela se, jogado em frente a um prédio do outro lado da rua, era alguém dormindo. Sim, era.

Quando meu pai viu aquilo, tudo que disse foi "anestesiado de álcool" (o que obviamente desencadeou uma discução breve, mas não vem ao caso), já julgando e condenando quem dormia lá. Minha mãe estava indignada, por que "como pode alguém dormir na rua se existem albergues?".

Tudo que eu consegui ver foi a indiferença de quem passava. Alguns olhavam, outros nem sequer isso. Aí lembro de ouvir todos os dias muitos reclamarem de frio, dizendo que tudo fica ruim, que não conseguem se esquentar de forma alguma. Mas no fim do dia, esses têm comida quente, cobertas, estufa, roupas e todo o necessário para que o frio não os atinja.

Afinal, os únicos que realmente podem reclamar disso, são esses que a vida castigou por algum motivo injusto e não têm de vestir. Esses que, literalmente, morrem de frio nas ruas. E no fundo do teu armário tem tanta roupa que nunca vai ser usada... não adianta dizer que não tem, porque sempre tem!

Agora, querido leitor quentinho, vai lá, coloca essas roupas numa sacola e dá um jeito pra que isso chegue nas mãos de alguém que realmente precisa delas. Faça sua parte e ajude a diminuir o número de pessoas que podem reclamar do frio.

Doa, contribui, colabora com o bem do teu próximo. Se não faz por solidariedade, pensa que não se sabe do amanhã. E poderia ser você!

5 de julho de 2011

Conto - O Amor É Cego, Capítulo 6

Enquanto os dias se passavam, tudo que eu sentia pela Sarah só aumentava. Cada dia que eu passava com ela, eu a conhecia mais, eu me apaixonava mais. Eu a amava mais. Todos os dias, cada vez mais.

Num desses dias, ela me disse que seu mundo era meu...

- Meu? Então eu posso me tornar a única garota dentro dele? Posso fazer o seu mundo o melhor que já existiu? - eu dizia sorrindo, com ternura.

- Você pode fazer o que quiser com o meu mundo! - ela sorriu e me beijou.

- Sarah, eu tenho algo pra você. - eu disse, tirando um par de alianças do bolso. - O anel que eu colocarei no meu dedo, tão apertado até ficar azul, pra me lembrar constantemente que eu vou passar o resto da minha vida contigo.

Segurei sua mão com carinho, coloquei o anel na palma de sua mão e a fiz sentir, ver sua forma. Quando vi que ela tinha pressa em ter o anel em seu dedo, coloquei-o lentamente.

- Como se não bastasse você ser a garota mais linda, especial e inteligente que eu conheço, você também é amável, atenciosa, doce, sutil, carinhosa, gentil, tens bom coração e és inocente. Não há parte de ti que eu não esteja apaixonada. E assim, eu tenho toda certeza de que eu quero passar o resto dos meus dias contigo, te fazendo feliz como ninguém jamais faria. Sarah, oficialmente, você quer ser minha namorada? - meus olhos se enchiam de lágrimas, assim como os dela.

- Rafaela, de todas as garotas perfeitas no mundo, a minha é a melhor. É óbvio que eu quero! A ideia de passar a vida inteira contigo só me faz sorrir mais do que eu normalmente sorrio quando penso em você. - ela pegou o outro anel da minha mão e colocou em meu dedo enquanto acariciava meu rosto.

Era noite de sábado e eu havia ido até a casa dela, convidada para um jantar com os pais dela. Fui mais cedo, logo que saí do Instituto, pra que pudesse conversar um pouco com ela antes disso. Os pais dela sabiam sobre ela, sobre nós e aceitavam completamente, pois a viam feliz e sabiam que ela não se apaixonava por formas, mas por corações.

Nisso, passamos algum tempo sozinhas, levando a fundo e selando nosso agora oficializado relacionamento. Éramos, de fato, um casal. E, num lance inesperado, ela segura minha mão e pára.

- Vem, nós temos que preparar a janta pra hoje à noite. - ela dizia sorrindo. Me apavorei.

- COMO ASSIM, NÓS? - ela notou o espanto em minha voz e riu. Não era tão cômico quanto soava.

- Sim, eu cozinho, não se preocupa. - e eu continuava espantada.

- Quando é que você vai parar de me surpreender? - eu sorria. Essa garota não tinha muitas formas de se tornar mais maravilhosa, tinha?

- Espero que nunca! - a esse ponto, já desconfiava que ela não era cega. A forma como ela me abraçou, me guiando, me fez pensar que aquela garota tinha olhos reserva, de alguma forma. Eu nunca me locomovi tão bem. Sentia quase inveja. Ri da ideia.

A abracei, puxando-a pra mim pela cintura, segurei seu rosto com ternura e a fiz saber novamente que ela era minha. Ninguém me afastaria dela, de forma alguma. Ela era tudo que eu tinha e tudo que eu queria. Sarah me preenchia, me bastava.

- Ok, amor, desse jeito fica meio difícil cozinhar. - ela dizia sorrindo e continuando a me puxar pra cozinha.

Ela pegava os ingredientes como quem havia decorado cada posição de tudo dentro daquele lugar. Com destreza, parecia que nada atravessava seu caminho. E enquanto ela fazia isso, eu observava a forma como ela se movia. Fascinante.

Bom, eu estava fascinada.

(continua)

Sobre o foco que eu perdi

Comecei o texto anterior com um foco, onde eu falaria sobre uma verdade pessoal que traz felicidade, fazendo uma relação com sexualidade e união homoafetiva (que é o assunto do momento), mas lembrei de algumas coisas que eu disse ontem e não tive a chance de escrever e elas acabaram entrando aí no meio.

Resolvi me informar um pouco pra escrever algumas coisas diferentes, uns temas novos. Então, uma prévia dos próximos textos: 

Legalização da maconha e alienação, uma dissertação onde tentarei não expor minha opinião sobre o assunto e abordarei alguns prós e contras da legalização e porque de ainda vermos pessoas sendo contra.

"União homoafetiva", porque já que vamos pro inferno... pelo menos vamos casados!, num tom mais irônico e discontraído, falarei sobre os porquês de legalizar o casamento gay, enfocando fatores religiosos, políticos e colocando na mesa alguns dos interesses dos beneficiados pela lei.

Certo, errado, inferno.

Não há o que nos diga, hoje, ontem ou quando for, que nossa verdade é um erro. Não há quem mude na nossa cabeça que o que julgamos correto, é crime, é ilegal, é errado.

A vida te dá um presente, alguém pra amar, alguém que te ama. A vida te "devolve" aquele que você um dia chamou de "metade perdida", te entrega. E tudo que pede em troca: fidelidade, valor. Justiça não faz parte disso, se tornou obsoleto. Porque é uma questão de amar e sofrer ou se deixar amar e ser feliz.

Muitos sofrem por isso, por ter sua verdade reprimida. Muitos fecham os olhos pra si mesmos e esperam que a vida faça algo por eles. Mas a vida já os entregou um alguém. A vida os deu as verdades em que acreditar. A vida os deu seus acertos, seus pontos a mais. E eles negam, porque alguém lhe disse que é um erro.

Isso, meus caros, se chama ignorância. Se chama hipocrisia. Porque num mundo onde poucos são felizes, os infelizes os fazem engolir verdades cruéis que os faz sofrer, hesitar. Como já diz minha amiga, "pessoas mortas". Porque eles não vivem por medo do que a sociedade fará com a sua felicidade, por medo de ganhar rótulos, motivos pra voltar atrás.

Felizes que sabem que são felizes.

Eu não era feliz. Cresci vendo meus amigos dizerem que, quando Jesus entrou em suas vidas, eles mudaram, se tornaram pessoas incondicionalmente felizes. Mentirosos! Eu havia "convidado Jesus" pra entrar na minha vida algumas muitas vezes, mas tudo continuava na mesma mediocridade. Eu sabia que era infeliz. Eu vivi uma mentira, tentei ser alguém diferente do que eu queria, porque "era errado".

Por muito tempo, minha vida foi assim. Eu levei em conta um padrão de certo e errado que me fazia infeliz. Eu o segui e fiz daquilo a "minha verdade", escondendo quem eu realmente era. Até que um dia eu percebi que ninguém deve ditar a minha verdade, que eu devo fazê-la sozinha. Esse foi o dia que eu encontrei a mim mesma.

Jesus nunca fez nada pela minha felicidade, na minha vida. Eu o "encontrei" tantas vezes e nenhuma delas me fez feliz. Mas quando a máscara caiu e eu resolvi quais eram minhas verdades, ali eu fui feliz. Ali eu me tornei alguém melhor, alguém diferente. O meu certo é que não existe errado, se na sua mente isso é bom e te faz feliz.

Minha mãe diz que minhas verdades vão me levar pro inferno. Meu pai diz que prefere morrer a me ver assim. Eu digo que nunca, repito, NUNCA fui tão feliz. A minha verdade me trouxe até aqui, com compaixão pelas pessoas, um sentimento inexplicável de liberdade. Minha verdade, o meu certo, me fez sentir tão viva quanto me sinto hoje. Completa, inteira, feliz, livre e viva.

Tudo que sempre me disseram que eu deveria sentir, que Deus me faria sentir assim. E se Deus é amor, é felicidade incondicional, então EU encontrei a Deus, não eles. Isso tudo é o que me leva a desacreditar desse ser, propriamente dito. Essa é a minha verdade. Independente, só.

Talvez por essa verdade soar tão livre, talvez por ser tão confortável... talvez por isso eu queira que "pessoas mortas" conheçam suas verdades.

Soneto de dor e cura

Queimaram-me em brasa fria vivente
Fizeram de mim cinzas, mortas, em vão
Cinzas de uma paixão monovalente
Mortas no calor da frieza de um coração

Escritas em rocha, através do tempo,
Puseram em mim as verdades da ilusão
Mantida, bloqueada, sufocada num lamento,
Rocha fria e dura, aquela emoção

E as palavras que me trouxe o vento,
O choro que a música provocara em ti
Mostram-me que tens, vivo, um sentimento

Engana-te ao pensar no mundo aqui,
Enquanto cruel é o teu pensamento
Mas ainda jaz, vivo coração, dentro de ti


-Não tem um sentido, não tem um significado específico. Dor, cura, fala apenas sobre sentir. Não especificando o que ou como, apenas resolvi demonstrar brevemente algum tipo de dor que não se refere ao físico, mas ao emocional. Depois de tanto tempo, consegui, enfim, escrever um soneto. Enjoy it!