Onde nós éramos o céu.
Tarde de sexta-feira, sol, temperatura amena, clima gostoso e vento razoavelmente fresco. Uma brisa deliciosa, marcante. E, de alguma forma, ainda não lembro bem como, eu estava lá, olhando pro nada, pra tudo. "Que vista, que lugar!", lembro de ter pensado algumas vezes. Nós nos sentamos. Éramos quatro. Dois garotos, pareciam bons amigos. Eu os havia conhecido naquele dia. Uma velha amiga minha, grande amiga. Essa, amiga de um desses garotos.
Não sei bem o nível de ligação, mas de alguma forma, fomos, os quatro, parar no terraço de um prédio. Céu limpo, nuvem alguma pra nos trazer sombra. Ao longe, nos era possível ver algum lugar em chamas, parecia um tanto engraçado. As músicas, as falas, as piadas, as idiotices... tudo nos parecia o mundo.
Porque, afinal, pra nós, ali, nós éramos o mundo. E crescíamos em ignorância, inocência e felicidade dentro de nós próprios. Onde o céu nos parecia pequeno, os carros, tartarugas, o infinito, o Acre. Nós éramos tudo que importava e estávamos felizes com isso. Quatro sorrisos largos, estampados em nossas caras adolescentes. Tanto pra viver, tão pouco vividos. Tanta história pra contar.
Enquanto a fumaça subia de um lado, mandávamos nossos sinais. Aviões e prédios gigantescos, tão próximos de nós. Nossas mãos, tocando a lua que já começava a se mostrar. Quatro horas da tarde, lua subindo, sol querendo começar a descer. E nós, lá, sem pensar no futuro, apenas no presente. Nós, quatro desconhecidos. E a cidade, os prédios. Uma antena, uma escada, um buraco, o medo. E nós.
E assim se fez, louca, irresponsável, ridícula e maravilhosa, uma das tardes mais memoráveis. A tarde de desconhecidos, de risadas idiotas e sem motivo, a tarde em que quase morremos e continuamos rindo disso. Jovens estúpidos, cheios de sociedade, rebeldes... felizes!
E estou esperando a repetição.
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