Páginas

26 de dezembro de 2012

I'll be coming home next year

E já começaram as perguntas sobre o que quero pro ano que vem, o que espero desse ano que vai entrar daqui uns dias, como foi o ano que passou, o que eu fiz de bom, quem eu fui durante esse ano. E cá estão as minhas respostas pra essas questões:

Começando do mais importante, o ano que passou foi altamente produtivo. Nota-se pela minha ausência por aqui, que deixa claro que eu tive uma vida. Numa retrospectiva breve, contarei mais ou menos o que aconteceu na minha vida esse ano.

Logo nos primeiros dias do ano, eu tinha uma banda nova e um relacionamento não tão novo. Nos mesmos primeiros dias, eu já não tinha mais esse relacionamento. Isso me destruiu, mas a banda foi algo que me ajudou a ficar de pé. 

No segundo mês, eu era um trapo de ser humano. Me entorpecia até não poder mais, procurava diversão em lugares que certamente não encontraria, pensava e esperava demais de quem eu sabia que não deveria esperar. Foi aí que decidi parar de beber. Desde então, mantive minha decisão.

A pior festa da minha vida me rendeu algo que eu nunca esperaria, algo que me fez entender porque eu queria tanto ir naquela festa, mesmo sabendo que lá não teria nada pra mim. Mas eu só entendi isso bem mais tarde... por enquanto, eu me mantinha na minha próxima paixão, seguindo com um bom emprego e uma banda.

Em abril, eu não tinha mais um emprego. Em maio eu não tinha mais uma banda. Em junho eu não tinha mais outro relacionamento. Em julho eu tinha outro relacionamento de novo. Em setembro eu morava em Farroupilha. Em outubro, voltei pra Caxias. E houve uma turbulência.

Essa turbulência me desconcertou. Eu caí e me ergui majestosamente, me tornei forte e corajosa. Enfim, eu mudei, me tornei alguém de verdade. No final de novembro, tudo estava resolvido de novo e eu tinha outro emprego. Não tão bom, mas um emprego. E outra banda. Outras, na verdade.

No início de dezembro, eu tinha show marcado, aprendi a fazer artesanato (e descobri que é um ótimo negócio), havia voltado a ler, começado a treinar artes marciais, corrigido a postura da minha coluna, superado traumas e criado forças.

Evoluí, me vi crescendo extremamente rápido. E as coisas começaram a melhorar consideravelmente. Detalhes à parte, esse é o resumo do meu ano. Conheci pessoas, participei de eventos insanos, me arrisquei, vivi e amei. Foi, definitivamente, um ano marcante.

E agora, o que espero do ano que vem? Que me surpreenda! Não crio expectativas sobre nada, então está garantido que esse próximo ano vai me surpreender. Com o que tenho agora, as chances de esse ano começar ótimo são gigantescas!

O que eu quero? Primeiro, quero muitos shows, quero minha banda se tornando conhecida aos ouvidos de "all the young punks", e todos os outros "young kinds". Mas nisso, digo jovens de alma, não de corpo, obviamente. Falando em corpo, pretendo desenvolver minha mobilidade, voltar a andar de bicicleta de vez, criar resistência física e aprender muito mais sobre artes marciais.

Quero trabalhar, juntar uma grana, comprar minha próxima guitarra, voltar a compor fluentemente, conseguir um emprego melhor, começar a escrever o livro que tenho em mente, continuar com o artesanato e aprender formas novas, melhorar na guitarra, voltar a fazer camisetas e sair mais nos fins de semana.

Assim que puder, quero resolver essa coisa de semi-relacionamento esquisito. Espero fazer isso ainda na primeira semana do ano, na verdade. Fora isso, pretendo me equipar com bússola, canivetes, facas, coturno, lanternas e derivados, pra quando resolver me enfiar no meio do mato (que ultimamente não tem sido algo muito raro de ocorrer).

E de espírito, busco apenas evolução. Venha o aprendizado que vier, é pra isso que estamos vivos.

25 de dezembro de 2012

Skin on skin

Era um olhar violento, cheio de desejo. Uma troca de pensamentos e fantasias completamente silenciosas. Entre quatro paredes; ainda, cheio de riscos. Pedia por violência, implorava por prazer. Absolutamente válido. Selvagem e cruel. O literal "nu e cru". 

Um festival de sons e cheiros, uma mistura de essências externas e internas. Naquele calor, um toque era o suficiente pra criar uma combustão; daquele tipo que você torce pra que queime por completo, só deixe suas cinzas. E realmente queima. E volta ao normal. Aí queima de novo.

Paixão, luxúria, desejo, perdição. Um corpo completamente à mercê, apenas esperando que o fogo se iniciasse. Dois corpos envoltos em movimento e calor, criando uma energia tão forte que quase torna-se visível aos olhos humanos. 

De sua melhor característica, do seu maior devaneio, do motivo dos seus sonhos obscenos, sem pudor algum. Tudo que está ali é tudo o que realmente importa. O passado e o futuro não existem. Só o prazer do agora. Varre todo e qualquer pensamento, deixa apenas o prazer.

Roçar de corpos, de fragmentos. Roçar de lábios, quase-beijos. Intermináveis jogos de sedução, provocações. Sadismo. Dominação. Liberta as mãos que estão presas e entrega-se ao tato. Se demora e sente cada canto, cada centímetro de pele, de corpo.

E assim continua, pele na pele, olho no olho. Uma briga de imposições, uma luta dançada, uma dança sincronizada. O ritmo que segue é o mesmo que faz corpos voarem pelos ares, se jogarem no chão, se prenderem contra paredes. Ou, se preferir, subirem nelas.

A dança pela qual o corpo mais anseia, a carne mais sofre. A entrega, a criação de uma energia intensa, cheia de força e autonomia. Tanta autonomia que a mente fica ao léu, não manda mais. Agora, quem manda é o corpo. E somente ele.

Combustão hormonal, insanidade mental. Now cut the crap and let's have sex.

22 de dezembro de 2012

Disguise

Parei dentro daquele lugar e me sufoquei. Olhares pairam sobre mim. Nervosos, tornam-se meus juízes, examinam de cima abaixo, em busca de algo ainda mais chocante pra poder incluir na sua crítica. Tive problemas em segurar o riso.

Como as pessoas são engraçadas, te olham tão assustadas em um dos dias que você mais se sente "normal". Dá pra entender esse povo? Eles dizem que querem gente diferente, que admiram a quebra de padrões; aí olham com essa cara pra alguém que realmente destrói a rotina...

Não pude evitar algumas gargalhadas enquanto era examinada por tantos olhares críticos. "Eu deveria ter exagerado no visual hoje", pensei. E quanto mais eu ria, pareciam me julgar ainda mais. Gente, calma, meu sangue é O+ também!

Mas qual o problema? Já estava prestes a perguntar pra alguém se eu tinha um alface no dente ou se estava usando plumas de pavão na cabeça pra chamar tanta atenção... Se eu estivesse num salto 15 amarelo-gema e com umas plumas rosa-chiclete no pescoço seria bem mais justo me olhar assim.

Meus olhos pequenos e vermelhos não ajudam muito, cada lado que olho tem alguém me encarando com um olhar "MAS PUTA QUE PARIU, O QUE QUE É AQUILO LÁ?" que me deixa até com vontade de andar com uma plaquinha "DEZ REAIS POR ENCARADA", quem sabe eu ganho uma grana.

Aí eu paro pra pensar, sou tão estranha assim? Sério, sejam sinceros comigo, eu tenho algum problema que só eu não perceba ou alguma coisa do tipo? Eu realmente não me importo com esses olhares furtivamente engraçados, na verdade, me divirto bastante com eles...

Mas queria entender o que há de tão estranho e diferente em mim pra que todo olhar que eu atraio seja tão agressivo e cheio de julgamentos. Eu não perco nada, quem precisa tirar o disfarce e aprender a ser o que realmente é, definitivamente não sou eu. 

Olho pra qualquer lado e estou cercada por um exército de tochas, foices e enxadas. Fecho meus olhos, encontro minha invisibilidade; e saio de mansinho, sem sequer ser notada. Quando voltarem às suas realidades, não será notável meu desaparecimento. 

E mais uma vez, tive a chance de ser uma presença incômoda num ambiente perturbador e fedido. Obrigada a todos vocês que contribuiram pra que eu me sentisse uma aberração da natureza e pudesse rir da cara de cada um. 

Nota de rodapé: vocês são todos feios e tão fedidos quanto aquele lugar.

13 de dezembro de 2012

Ch ch ch ch ch changes

Tudo tem mudado. O espírito, a atmosfera, as energias, tudo. Tão pouca coisa permaneceu nos últimos tempos, que mal posso dizer que sou a mesma pessoa. As coisas mudaram, e não posso dizer que pra melhor ou pra pior. Apenas mudaram.

Crescemos, aprendemos, sofremos e choramos. Mas também rimos, brincamos, acontecemos e amamos. Eu sei que não é fácil viver nesse mundo, mas que outra escolha temos? Já que estamos aqui, olhemos pro lado positivo, façamos o que nos dá prazer.

Não há nada pior do que estagnar. Então, sigamos em frente, nos adaptemos às mudanças... afinal, nada nessa vida é fixo, tudo é mutável. Se você está vivo, está sujeito a mudar também. 

Sabe quando você coloca aquela música pra tocar e te traz de volta todas aquelas lembranças, todos os sentimentos que tinham sido depositados em meio àqueles versos? E sabe quando você ouve a si mesmo cantar essa música com a voz tropeçando em lágrimas?

A melhor parte disso é perceber como você soube se erguer das cinzas e se tornar alguém melhor, mais forte. E acima de tudo, mais compreensivo, tolerante e sábio.

Nesse meio tempo, aprendi o que é, literalmente, o equilíbrio do espírito. A imparcialidade e neutralidade diante das coisas do mundo, das coisas carnais. É quase impossível ao ser humano não se afetar com os sentimentos mortais, mas é esse equilíbrio que o permite fazê-lo.

Cada vez que me ponho diante de uma tela ou um pedaço de papel em branco, o que surge pra mim é o mesmo: o equilíbrio. Tenho focado muito de mim em conseguir atingir esse estado pleno de paz, de tranquilidade.

O estado em que por mais que as coisas afetem, não incomodam mais. Um sentimento é só um sentimento, é passageiro, é mutável. Deixa que o tempo leve-o ou molde-o da forma que o destino quiser, o importante disso é ser imparcial, manter-se no mesmo lugar.

Tantas mazelas, tantas tristezas... no entanto, tanta coisa boa pra desfrutarmos.

Mas por algum motivo, as palavras andam fugindo de mim ultimamente. Não componho mais, não escrevo, não crio. Tem sido difícil encontrar uma inspiração ou sequer um tempo pra isso, mas logo voltaremos à ativa. Por enquanto, é isso, meu novo devaneio sobre a mudança. 

Algum tempo daqui, terei mais o que dizer. Enquanto isso, as mudanças continuam acontecendo...

30 de novembro de 2012

It's been forever

Vem aqui comigo, vamos lembrar de tudo...

Já faz um tempo, as mudanças foram e vieram, não somos mais os mesmos. Nos afastamos, talvez hoje mal nos reconhecemos, crescemos e aprendemos, hoje somos gente grande. Hoje mal temos coragem de dizer metade do que dizíamos anos atrás.

Tanta coisa pra contar... ah, eu vou te impressionar, eu sei disso! Mas esse encontro não é sobre mim, nem sobre você e, menos ainda, sobre nós. É sobre o tempo, é sobre mudança. Isso tudo é sobre os nossos desencontros. 

Mas no final, nossos desencontros foram o que nos fez crescer. Posso falar sobre amigos, sobre família, sobre eu mesma, até, mas você é mais importante que tudo isso junto. Senti tua falta, vida! Deu voltas e voltas, sumiu e apareceu de novo, fez nós na minha cabeça.

Fez e desfez. Me confundiu, me torturou, me fez correr, fez de gato-e-sapato. Vida, cê me deixa louca! Me apaixona e desapaixona num raio de meio minuto, me faz ver as melhores coisas que pode me oferecer e aí tira todas elas de mim num piscar de olhos.

Me faz sonhar, planejar, correr atrás do que eu sempre quis, me faz desejar e delirar no meu próprio desejo. Mulher, você não sabe o que faz comigo! Eu me humilho, me faço tua, deixo que me guie, sigo teus devaneios insanos, faço o que quiseres.

Joga pra mim todas as oportunidades do mundo, me mostra uma infinidade de formas e caminhos pra seguir, me deixa matutando e imaginando o tempo inteiro. Mas sabe, gosto tanto quando me faz te obedecer, fazer do teu jeito, quando me leva pra lugares desconhecidos.

Gosto quando me apresenta o novo, quando me coloca uma venda e me guia até um lugar diferente, que eu nunca estive antes, um lugar gostoso, que dá vontade de ficar pra sempre. E gosto também quando me diz que eu sou a única pessoa que te faz tão louca.

Vida, sou perdidamente apaixonada por ti!

Por ti eu corro até o oriente de pés descalços, por ti encontro a flor mais linda do Saara, por ti eu planto uma bananeira na beira do mar e espero a maré subir, por ti eu faço uma casa na árvore e renuncio o meu presente e meu futuro.

Por ti, vida, eu até morro.

29 de novembro de 2012

Dammit, I changed again.

O texto abaixo será apenas um desabafo, então, caso não queira saber dos meus problemas, favor, não leia!

Consegui um emprego. Menor aprendiz, envolve cinco semanas de curso no CIEE (que começou essa segunda-feira) e depois começa o trabalho em si. Tenho duas bandas fodásticas no momento (ativas, porque se contar a Holy Cow, tem três) e conseguimos show pras duas bandas nesse mês de dezembro.

Resumindo, estou correndo atrás de tirar músicas e arrumar equipamento pra esses shows, virando o mundo pra subir meu nível como guitarrista. Entre emprego e bandas e correrias pra lá e pra cá, não me sobra tempo pra nada.

Não consigo mais ir pra Farroupilha (tempo e dinheiro não colaboram), não consigo tempo pra meditar, não saio mais com alguns amigos que costumava sair todos os dias... minha vida se resumiu em ensaios, curso, um pouco de artesanato pra aliviar a mente e correria.

E parece que tudo colabora para o caos, né? O mais engraçado é que tudo acontece junto; quando se está mal, todas as coisas ruins acontecem; quando se está bem, todas as boas. E quando se está com pressa, parece que o mundo ativa um slow motion.

Tempo pra nada, vontade de muita coisa. Pelo visto, até o ano que vem as coisas vão ser assim mesmo, uma corrida contra o tempo. Estou precisando de calmaria, de incensos, de mar, de brisa, de sol, de árvores, de grama e morgadeira.

Te contar, tá complicado, hein! Os compromissos não param de surgir, mas meu dia só tem vinte e quatro horas e acabo me obrigando a encaixar afazeres que precisariam do dobro disso num dia só. Ou em metade de um, até. Fazia tempo que não me cansava tanto.

Quis que minha vida fosse pra frente, mas a sensação é de que eu entrei num foguete e saí em disparada e agora não sei mais como parar essa coisa... e o pior, também não sei pilotar foguetes. Mas o problema não é o foguete, são os asteróides, cometas e palhaçadas no meu caminho.

E enfim, já perdi a linha de raciocínio, muitas coisas na mente ao mesmo tempo... Hoje saberei mais sobre os shows e postarei por aqui. Por enquanto, só sei que faremos bonito e vai ser demais! Torçam pra que saia no sábado, dia 15, que aí poderemos ter mais um ensaio.

Como eu já disse algumas vezes, só falta uma coisa pra tudo se acertar por agora, mas como o tempo é pouco e necessário, provável que não vá acontecer em breve. Pessimista? Não, não, só não estou criando expectativas. 

Embora esteja bem chateada com isso, são coisas da vida. O que importa é que o resto está dando certo e indo pra frente, por mais que agora pareça uma bagunça. Quero ver as coisas mudando pra mim, quero ver o interesse, quero ver se vale a pena correr os riscos.

Fiz o que pude em todos os lados. Em alguns, tive retorno. Em outros, ainda aguardo. Então vou me deitar numa grama macia, sentir a brisa bater e assistir as nuvens brincarem no céu enquanto a minha calma não volta. 

Afinal, nada é permanente, então me deixe aproveitar o caos.

21 de novembro de 2012

Ao nosso espírito!

Saudando que a morte parcial é a morte carnal, o que nos resta é o espírito; que é, de codenome, a vida. Então a vida, em si, é eterna. Pudera, viemos todos da mesma coisa: da energia plena, ou, se preferir, da plenitude.

Te dizer, rapaz!, não é fácil. A carne é, em si, uma crueldade. O corpo, o homem, a mente. A limitação do espírito é uma crueldade. Mas sabe, essa crueldade é completamente finita. Pra uns, ao menos. Pra esses, quando descobrem a plenitude, o espírito ausente da carne.

Há quem conheça os limites da carne e a distinção entre tais e tais são os limites do espírito. Imutável, intransponível, o espírito é o limite máximo de tudo, ele pode tudo, ele faz tudo. Por quê? Porque esse é parte de uma energia plena, é parte da plenitude. Há quem conheça a liberdade do espírito.

Nada pode substituir essa energia, porque tudo faz parte dela, tudo é ela. Às vezes o homem até a sente, mas não sabe muito bem pra onde direcionar e acaba direcionando pra qualquer lugar que os faça sentir seguros. Que pena, porque de seguro, essa energia não tem nada.

Ela te coloca no ringue, te puxa pra uma briga dando tapa na cara, te faz perder as estribeiras; mas no fundo, essa energia só quer te ensinar a ser forte. Mas por si mesmo, sozinho. Ela quer é te mostrar que não existem limites, te mostrar que você pode fazer tudo, que você é pleno.

Sabe quando você entende que o que tem em você tem em tudo? Se você não sabe, trate de entender! Do que você é feito, cada pequena molécula desse universo e dos outros universos é feito também. Tudo é feito de tudo, que é a tudo a mesma coisa. Entendeu? 

No final, você só tem que entender o que é finito e o que não é, entender que o agora é só uma das tuas milésimas tentativas pro acerto. Pode não ter persistido no erro, pode estar só aprendendo alguma coisa mais, fazendo uma "pós" em vida carnal, pra ser alguém ainda melhor. Ou pode que não.

Pode que tenha tentado tantas vezes insistindo na mesmice e acabou entrando num looping que é infinito até que sua capacidade permita-se quebrá-lo. Depois que a viagem seja completa e o conhecimento seja absoluto, nos tornamos plenos. Quando tal evento acontece, podemos chamar de "compreensão absoluta do espírito" - acabei de inventar o termo, agradeço a apreciação.

E chamaremos o próximo passo de "ciclo da vida". Esse você acha que conhece, né? Nascer, crescer, morrer. Isso? Na verdade, não. Nessa visão, vamos considerar que o ciclo da vida seja a plenitude. Você faz parte dela. Ela sai da sua consciência por algum tempo, enquanto você mora numa forma corpórea, porém, no final, você faz parte do tudo, do todo.

Quando você sai do todo pra compor um ser vivo e dotado de "consciência própria" (o que seria basicamente um estado de "inconsciência" nessa visão), você muda de dimensão. Faz parte, agora, do mundano e do carnal. E disso deve se desprender.

Pra voltar pra plenitude deve conhecer-se parte de um todo, aquele que é eterno. E ao que puder criticar daqui, vai em frente, critica. Mas entenda que não precisa afetar teu espírito. Quando este for inabalável, quando este for plenamente forte e poderoso, conhecedor de sua liberdade, da sua imortalidade; aí é que se alcança a sabedoria máxima. 

E a sabedoria máxima, nada mais é do que a plenitude.

P.S.: Medusa, sentia saudade de ti, deusa dos meus devaneios mais profundos.

13 de novembro de 2012

Shake It Out

Não tenho aparecido muito por aqui ultimamente, mas é como dizem, o drama inspira, mas a felicidade ocupa demais a mente, não deixa espaço pro ócio, pro tédio e, como consequência, pra criatividade. Discordando. Na verdade, só não tive sobre o que escrever.

Ou tive, mas não quis. Enfim, as coisas ficaram bem estranhas pra mim e digamos que ainda não voltaram ao normal. Como um resumo, o texto anterior diz muito. Certo, isso e mais alguns detalhes. Indo em frente, explicarei alguns desses detalhes...

Sempre disse que sou uma pessoa de muita sorte por poder confiar com a minha vida em quase duas mãos cheias. Um a menos. E era um dos que eu mais confiava... quem diria? Não eu, certamente. Gente mentirosa, dissimulada, falsa e "vida dupla" ao estilo 007-amigo-pau-no-cu, dispenso!

Estive lendo alguns dos meus textos dos últimos dois meses, lembrando de como ficou minha vida durante uma das últimas crises, passando pelo tempo que as coisas melhoraram pra mim e voltando ao bom e velho drama. Certo que não voltei ao drama por completo, o equilíbrio se manteve.

Fora tudo isso, a volta à leitura e a falta de coisas pra fazer trouxeram minha criatividade de volta. Em partes. No momento, a garota que inspirou os quatro últimos meses das minhas paixonites desenfreadas por esse blog está num hospital se recuperando de uma cirurgia.

Como eu disse, num dia acordo e tudo está normal, no dia seguinte minha namorada tem uma trompa só. Parece piada, mas eu não estou rindo. Não foi nem remotamente divertido, na verdade. No texto anterior, expressei um desapontamento que logo passou.

Não por completo, claro, mas passou. Diante da situação, me conformei que seria "pai" (ou pãe, como sugeriu uma amiga) e até passei a gostar da ideia, imaginar como seria daqui oito meses e alguns dias. E pasmem, nem a tragédia deu certo pra mim.

Na verdade, saberei se deu certo quando o futuro me mostrar os motivos. Por enquanto, só imagino mesmo. Depois de ser traída de todas as formas possíveis pelo cara que se dizia meu melhor amigo, meu irmão, lidei com a situação melhor do que o imaginado e mesmo assim não "fluiu".

Enfim, não serei mais "pãe" por enquanto. No futuro, certamente, já que agora meu senso paternal está todo afloradinho e "pronto pra uso" (dentro de 9 meses). Mas a novidade da vez é outra: eu a amo demais! Ok, ok, não tem nada de novidade, mas só pra deixar claro que eu nem sabia que a amava tanto assim...

Agora, cada vez que olho pra ela, sinto vontade de escrever poemas sobre os traços do seu rosto, sobre a forma como ela dorme com a boca entreaberta e os lábios dela se movem, sobre a minha tentativa balbuciante de admirar mulher tão linda.

Por assim ficamos sobre ela, antes que eu comece a me contorcer de saudade e vontade de vê-la, o que se dificultou ainda mais pelo fato de ela estar hospitalizada. Amanhã, quem sabe, conseguirei cuidar dela até que receba alta na quinta-feira.

E por fim, quero contar-lhes sobre uma mudança... Em Stone Fields, escrevi que havia entendido que eu teria de mudar. Em I'm Complete, comecei a deixar claro o início da mudança. Muitas coisas aconteceram desde então e eu tenho enfrentado meus medos.

Medo de insetos voadores já está quase abolido da minha vida. Medo de ficar sozinha, check! E o último, que perdi nesse sábado, foi o medo de me perder em uma festa. Explicarei: depois de muito tempo sem sair à noite, prometi que assistiria ao show de uma banda de amigos meus (mind blowing, a propósito).

Cheguei lá sozinha e já vi quem não queria ver (o tal amigo que me traiu). Era a banda dele que estava no palco quando entrei (e já não estava mais sozinha), curti algumas músicas e percebi que o desgraçado deu uma de covarde, tocou e deu no pé. Pf, que maricas, fugindo de mim!

Ou quem sabe ele tenha percebido a muralha de amigos fortões que eu encontrei por lá e resolveu ser sensato e manter uma distância confortável de mim. Covarde, porém razoavelmente esperto, já que não ia sobrar muito dele e não se resumiria ao esbarrão brutal que ele levou.

Tinha conhecidos por toda parte. Não fui com ninguém até lá, cheguei sozinha e saí da mesma forma, mas pude andar por todo o bar sem que me incomodasse com a falta de alguém sempre do lado. Foi uma superação e tanto pra alguém que não suportava passar um segundo sozinha em shows.

Rammstein cover, eu nem sei as letras de cor! Mas gritei junto, pulei, cantei enrolando a língua (é só alemão, tenho esse direito), suei naquele calor infernal (mas isso acho que todo mundo também fez), fiz daquele o melhor show que já assisti nessa cidade. Era uma infinidade de gente!

E no final, medos superados, desafios enfrentados, muros derrubados. Agora é caminhar pelos destroços, juntar o que ainda é útil e colocar na próxima construção. Mas essa, queridos, vai ser bem melhor! Aprendi a dizer que a vida nos esbofeteia quando não entendemos a lição da forma fácil. Estou ainda com as marcas dos dedos nas minhas bochechas.

Assim pretendo continuar. Cada vez que vejo essas marcas no espelho, percebo que fui forte o suficiente pra encontrar a saída mais fácil antes que minha vida desmoronasse. O pior já passou, isso eu sei. Por mais que as coisas ruins batam à porta agora, sou mais forte e mais durona, vão se assustar e sair correndo.

Mas isso é de agora, isso é do último aprendizado, é de enfrentar os medos e conhecer a si mesmo. Não tem nada mais forte que eu nesse mundo agora, não tem problema nenhum que vai conseguir me derrubar. Vão precisar de algumas toneladas de concreto pra me calar dessa vez, terão de me enterrar viva se quiserem minha desistência.

Me livrei do que é ruim (isso inclui um certo "amigo", pra que fique claro) e agora só tenho a ganhar. Que venham as boas coisas, então! Que essa cicatriz cure logo, que tiremos logo os pontos e sigamos em frente com o que a vida tem de bom guardado pra nós. Estou aqui, preparada pra tudo que vier, esperando todas as chances que me forem dadas.

E do fôlego que é feito o meu interior, que dele se componha cada molécula do meu ser. Invencível. Ah, eu sou, sim, e não me diga que não (modéstia à parte).

7 de novembro de 2012

Ah, Martha!

Me encontrava sentada na sala de espera da maternidade de um hospital, aguardando ansiosamente quando me diriam que eu não seria "pai". É, me disseram que não seria. E aí refizeram a fala pra um ponto de interrogação. Há a possibilidade.

Quem diria, hein? Eu, "pai" do filho do meu melhor amigo. Não saber o que pensar, muito menos o que sentir. É muita crueldade torcer pra que tivesse sido abortado? O que também é uma possibilidade. E aí jaz o problema: a falta de certeza.

Falta de certeza em tanta coisa... não saber se conseguiria olhar pro rosto da criança e sentir apenas coisas boas, não saber se aguentaria o tranco da paternidade; e a única certeza: agora não! Assim, muito menos!

Fazem dois dias que a dúvida surgiu (pra mim) e não sei como reagir. Talvez a ideia fosse ótima... mas não no meu ponto de vista. Enfim, vou estar sempre do lado, sempre por perto, sempre apoiando. Mas torço que não.

Certo, sou cruel. Ok, essa é a verdade que eu aceito. A outra, não.

E, Martha, estava lendo teu livro enquanto aguardava o resultado do primeiro exame... li tua crônica "Espírito Aberto", que fala sobre ter o senso do bom humor, aceitar os acontecimentos numa boa. Mas não isso.

Ei, qual é? Eu,"pai"? Quase pulei quando no primeiro exame disseram que não havia feto nenhum, me segurei pra não gritar de alívio. E aí me pregam outra peça, como se já não bastasse o primeiro palito com dois risquinhos.

Ah, Martha, concorde comigo, não dá pra abrir o espírito assim tão fácil... absorvi todo o resto do mundo à minha volta. Só faltou um possível feto. Esse não consigo absorver. Na verdade, nem consigo assimilar os fatos.

Ainda acho que isso não aconteceu.

Fiz um amigo na sala de espera, futuro pai. Ah, mas é dele! Vitor, o feto, já tem oito meses. Daqui a pouco está aí, entrando pras pesquisas do IBGE. E àquele casal, os desejo sorte, amor e tudo de bom que poderiam ter. 

Que esse garoto os una ainda mais, por outros cinco e outros cinco anos, e aí outros cinco e outros cinco. Que sejam felizes, que sejam bons pais, que criem um bom Vitor! E enquanto isso, eu agonizo.

Se eu quero matar o pai? Que pergunta! E sim, considero muito menos cruel do que esperar que tenha havido aborto. É, cara, tu me mostraste o sentido de "até tu, Brutus?". Meu amigo, quem diria!

Acredito estar em transe no momento, não consigo desfazer a mesma cara de raiva/choro desde que saímos do hospital. Não, eu não me importo com as possibilidades, só sei que não quero!

No hospital, escrevi um texto chamado "quase-pai" quando recebi a notícia de que não havia feto algum, aliviada. Realmente espero que seja só um quase, só um susto. Não é dessa escória de homem que quero MEU (com ênfase) filho.

Não de um erro, não de um acidente e, muito menos, da raiva que ocasionou o fato (ou feto). Chame de cruel o quanto quiser, eu não me importo.

4 de novembro de 2012

Under Your Skin

E cá temos um final de feriado de finados realmente produtivo! O que passei fazendo? Na visão de muitos, nada, mas na minha, tudo. Sexta-feira foi um dia ensolarado e de clima ameno, uma brisa gostosa pra refrescar o sol quase escaldante.

Surgiu uma banda nova no pedaço, o que traz consigo muitas oportunidades e novas perspectivas, mais uma sugestão pra minha quebra de rotina. Foi um tempo de "retração", talvez, mas um tempo de um ótimo contato com o que reside debaixo da minha pele.

Com a alma, se preferir. No sábado comecei a ler Doidas e Santas, da Martha Medeiros. Depois de parar de babar em cima do livro, entendi que agora tenho mais uma paixão. Ela escreve de uma forma tão simples, tão crua, mas ao mesmo tempo, tão criativa...

O livro soa pra mim como um blog que fala sobre o cotidiano da autora, contando fatos engraçados e um tanto quanto "normais" numa forma reflexiva e poética. Pra mim, cada uma de suas crônicas nada mais é do que a reflexão aprofundada de alguma situação do dia-a-dia.

Certo, não posso dizer muito, mal comecei a ler o livro; estou me entretendo bastante com o dito cujo, por sinal. Estou divagando por entre as linhas, viajando, lendo e relendo, curtindo, aproveitando cada sílaba. É questão de abrir o livro e cair na história.

Bom, a leitura do dia me provocou risos que fizeram doer a barriga, as bochechas, sair lágrima dos olhos. Não sei como essa mulher consegue ser tão genial, mas sei que quando eu crescer, quero escrever como ela! Genial, Martha, genial!

Saindo do assunto, rolou um clima entre meu violão e eu nesse domingo que foi absolutamente inexplicável. Composições improvisadas, covers completamente bem feitos, uma delícia! Não me arrependi em nenhum segundo sequer de ter carregado o violão comigo.

No final, até deu pra fazer uns bolinhos com a minha mãe! Talvez essa parada mais interna tenha me ensinado algumas coisas novas, tenha me dado o direito de refletir sobre algumas coisas... e algum tempo mais pra desenvolver e compartilharei minha reflexão.

Ainda temos mais algumas horas pela frente, pra terminar esse feriado de vez. Que cada segundo restante valha a pena, então! Isso se eu não morrer com o inseticida que meu pai acabou de passar all over me. Ao menos não morro sugada por mosquitos...

E depois de passar dias a fio ouvindo The Creepshow, passar pra Audioslave e uns minutos de The Kills, agora vamos terminar o dia ao som de Hole, pra pensar na vida. Boa noite, tenham um ótimo final de feriado e não esqueçam de passar a goma!

30 de outubro de 2012

Devaneios ao vento

Sentada no quintal, cheiro de mel proveniente do incenso. Calmante. O vento bate nos meus membros expostos deixando claro que estou com frio. Mas não importa. Enquanto Nina Simone canta, meus pensamentos correm de um lado a outro.

Busco inspiração, busco liberdade. Busco silêncio nessa cidade monstruosa, perturbadora. Busco tranquilidade e paz. Me encontro em constante e inquieta busca. Hoje é lua cheia, véspera de Samhain. Noite importante, amanhã o Deus pagão morre e começa o novo ano.

Enquanto isso, a Deusa chora sua morte até que ele seja nascido de novo. Mas não é de paganismo que vim falar. Na verdade, não vim falar, vim buscar. Buscar um grito contido dentro de mim, a revolta dentro do meu auto controle.

Estou aqui esperando a noite cair pra consagrar teu Muiraquitã, querida. Apresentá-lo à Iaci, deusa dos índios da Amazônia. E espero que quando te entregar, te traga sorte, além dos benefícios que possui, segundo a lenda.

Vai ficando cada vez mais escuro e mais frio, o vento ainda não cessou. Tem um pássaro cantando logo acima do meu assento, que acontece de ser a escada de trás da minha casa. Meu retiro de meditação improvisado e breve.

Desculpem-me, deuses, mas não encontrei nenhuma flor no meu jardim hoje... estão em falta por aqui. Só tenho um arbusto, brinco-de-princesa. São lindas, não posso negar, mas nem sequer sei distinguir quais são suas pétalas, se as rosas ou as roxas.

Foram as duas, porque o que mais vale é deixar clara a vontade. Não sei o que se passa às vezes, não sei o que acontece que deixa tudo tão estranho. Queria que tudo fosse tão mais simples... porque a mim cabem as coisas simples.

Ou talvez, não. Talvez eu continue sem saber... à medida que esse incenso queima, meu espírito volta a sua paz natural, volto a sentir cada palavra que a Nina está cantando. "A liberdade é minha e eu sei como eu me sinto, é um novo amanhecer, é uma nova vida, e eu estou me sentindo bem!"

Portanto, guardo em mim o que é bom, dispenso o que não o for. A noite ainda não caiu por completo, ainda tenho que esperar alguns minutos. Enquanto isso, vou escrevendo e passando frio. Cada canto do meu corpo se arrepia diante dessa brisa.

Meus braços estão engraçados, como se eu tivesse levado um choque. E sabe, sinto falta de quando era você que causava isso. Saudade desse tempo, querida. Era sobre isso que me referia. Quando não dava tempo de suspirar, porque você já havia tomado meu fôlego por completo.

E afinal, o incenso segue queimando enquanto a noite chega. O céu hoje está coberto de nuvens, não sei se vou conseguir ver a lua. Mas sei que ela está lá em cima e sei que ela pode me ver. Então lá me vou, consagrar teu amuleto pra que te traga coisas boas.

Farei antes que chova, hoje está frio demais pra banhos de chuva, ainda mais se acompanhada de pedras como ontem. Fico com o restante desse incenso, com essas "pétalas" de brinco-de-princesa, com essa brisa gelada nos meus braços à mostra.

E fique com a minha paz.

23 de outubro de 2012

Inconstância

Na intersecção dos pólos, no quente e no frio, no ardor e no sobrevivente, na ausência do foco; na luz; no brilho; na escuridão. No que foi passado, no que é, no eco e no vácuo, na sombra fresca de uma árvore de beira de estrada.

No que vale a pena pensar, pelo que vale a pena lutar. Provas de inutilidade, demonstrações de desafeto, falta de persistência, intolerância, falta de compreensão; inconstância. No mover de um lado a outro, nas idas e nas vindas.

Na insistência no inexistente. No nada. Perdido no espaço, enterrado no meio do deserto, derrubado suavemente dentro de uma fonte dos desejos. Perdão, mas este não se realizará. Querer demais. Fazer de menos. Como mamãe diria, "não é assim que a banda toca".

Te valha do pouco pra ter o muito. Sobe, então, até o topo. E de lá, te joga. Coloca o coringa na manga, pra caso precise. Segura um para-quedas fechado, pra caso desista e queira fingir amenizar a queda. Respira bem fundo, já que será a última vez.

Deixa livre pra voar. Toda preocupação, toda negatividade. Tudo vai se afundar contigo. Quanto mais alto subir, mais eficaz será. Pra dar tempo de chegar no chão e gritar bem alto, gritar que finalmente acabou. Puxa contigo todas as coisas que te levaram abaixo.

Toda a tua liberdade se encontra num voo com prazo de validade.

22 de outubro de 2012

Fluxo Intenso de Hominídeos

Mal pude me mover para o lado quando senti uma sombra atrás de mim, foi quando ele esbarrou na minha mochila. Um senhor de talvez uns 65 anos... ou mais, quem sou eu pra julgar? Ele tinha cabelos grisalhos, olhos profundos e azuis, um tanto quanto caídos.

- Perdão, menina! - Olhei pra ele de forma saudosa e deixei claro que não estava incomodada.

Ele tinha poucas rugas, mas seu rosto marcava seu riso. Foi quando ele olhou pra mim e sorriu. Deixei um sorriso escapar quando percebi que estávamos vestidos de forma bem parecida. Se pôs ao meu lado em frente àquela sessão de livros.

- Confessa, menina, você não veio comprar livros, veio? 

- Não, senhor! Eu vim ter uma epifania!

- Quer revolucionar a mente? 

- Exatamente! Alguma sugestão?

- Eu! - Dito isso, ele sorriu mostrando todos os dentes, estufou o peito e soltou uma gargalhada. Não pude evitar rir de volta. A sugestão de que ele poderia me causar uma epifania se tornou um tanto quanto tentadora.

- Mas que audácia! E como é que o senhor pretende causar uma epifania na minha mente?

- Sentemos por alguns minutos, quero lhe contar uma história. - Terminou a frase dirigindo-se à uma mesinha redonda no canto da livraria e me convidando com um gesto. Parecia convicto de sua capacidade, então o segui.

Sentei em frente à cadeira que ele escolheu, demonstrando que estaria atenta ao que ele teria pra me dizer. Ele me olhou e sorriu. Será que ele tinha alguém que o escutasse? Esperava que sim, ele parecia sábio e divertido.

- Menina... posso te chamar assim? - Fiz sinal positivo com a cabeça e ele prosseguiu - Olhe quantas pessoas passam por aquela porta a cada dois minutos. Apenas observe.

Observei a cena, realmente era muita gente! Aquela loja era gigantesca - talvez a maior da cidade - e, em momento algum se encontrava "vazia". Sempre, no mínimo três pessoas disputavam o lugar na frente de uma estante. Ele me observou pensativo e prosseguiu:

- A cada instante, as pessoas se esbarram nessa porta sem nem sequer olhar pra cima. Aqui dentro, os gostos em comum fazem que pisem nos pés umas das outras, mas elas nunca olham nos olhos. Elas procuram pelas mesmas coisas, muitas vezes dividem as mesmas ideias... mas nenhuma delas parece se importar com isso. 

Ele olhou ao redor, como se procurasse por alguém pra servir de exemplo ao seu pensamento. Olhou cuidadosamente pelas estantes de Ficção Científica, olhou ao redor dos livros biográficos, religiosos e baseados em fatos reais. Percebi seu olhar se demorando na estante de Auto-Ajuda.

- Olhe aqueles dois... - ele disse, apontando pra um senhor de uns trinta e poucos anos e uma garota que parecia ter a minha idade, mais ou menos uns vinte e três - ele segura um livro sobre como ser o homem dos sonhos de uma mulher. Ela segura um sobre dificuldades sociais.

Parei pra olhar bem e, realmente, aquele senhor tinha uma ótima visão. A garota parecia bastante tímida, retraída. O rapaz era o tipo que provavelmente nunca esteve num relacionamento. Olhar pra eles e pra forma que agiam e se distanciavam deixara óbvio.

- Preste atenção, menina, eles vão se esbarrar, abaixar a cabeça, pedir desculpas e se distanciar... olhe só, observe! - realmente, ele tinha razão, foi exatamente isso o que aconteceu nos próximos quatro segundos. Nem ao menos trocaram um olhar.

- Me diga, menina, me diga por que as pessoas são tão individuais, mesmo quando buscam ser mais sociais? Olhe, os dois procuram por espontaneidade, por conversas interessantes... seja como um amigo ou como um parceiro. Eles procuram uma mudança pra eles mesmos. Então, por que não começaram agora?

Ok, ele tinha um ótimo argumento. Estava começando a me tornar fã daquele senhor de olhos azuis, vestido da mesma forma que eu. Ele realmente era sábio. Ainda olhávamos aquela dupla de hominídeos. Talvez ele imaginasse o mesmo que eu, talvez ele se perguntasse quantas pessoas já fizeram o mesmo.

- E agora, menina, o que você vê? 

- Eu os vejo olhando um para o outro discretamente, certificando-se de que o outro não percebeu.

- Exatamente... enquanto isso, eles poderiam estar ensinando um ao outro o que eles estão buscando num livro, no que alguma terceira pessoa colocou em algumas páginas. Estão depositando sua confiança no desconhecido, ao invés de olhar ao lado.

- Acho que entendi o ponto...

- Isso, menina. Olhe ao lado, pare de contar com o desconhecido. Se quiseres uma epifania, olhe ao lado que ela estará ali. O que você não conhece não pode fazer muito mais por você. Procure pelas respostas curtas, pelo breve. 

- Acabei de encontrar minha epifania.

Trocamos um olhar satisfeito, como se aquilo tivesse feito um milagre pra ambos de nós. Sorrimos um para o outro e continuamos a observar aquele fluxo intenso de hominídeos, selvagens, tentando ser discretos quanto ao que procuravam ou sobre sua visão das coisas.

Ah, a mente humana... tão engraçada, tão simples, tão... estranha.


21 de outubro de 2012

O cachorro é mais esperto, o Retorno - Parte 2

Quando acordei, tive aquela sensação inexplicável de nostalgia. De matar saudade, de voltar ao velho conhecido esquema. E sentindo aquele cheiro delicioso que só ela tem, me aconcheguei no seu abraço.

Murmurei algumas palavras, mas ela não pareceu ter escutado. Me joguei por cima dela, a olhei fixo nos olhos e disse quanto senti sua falta. Sorri ao ver que ela sentia o mesmo.

Voltei a me aconchegar naquele corpo macio, cochilei naquele conforto. Fomos brutalmente acordadas por Darla, que nos lembrava do show da Julia... teríamos de correr.

"Pra economizar tempo" (ou pra dar desculpa mesmo), tomamos um banho juntas, nos arrumamos correndo e esperamos as garotas estarem prontas também pra descermos todas juntas até a garagem com as coisas da Julia.

A viagem até a cidade onde seria o show foi uma delícia. Paramos no caminho pra buscar alguns amigos da Ju, dois garotos e uma garota. Um dos garotos, ao que eu entendi, era guitarrista da banda dela também.

Chegamos no show e escolhemos o lugar mais próximo do palco possível, Darla foi comprar as cervejas com os garotos. Julia e a outra garota desapareceram. Marina... é, acho que era esse o nome dela.

Olhei pro lado do corredor que leva aos banheiros e avistei Julia e a Marina quase arrancando as roupas uma da outra com os olhos. Fui bem indiscreta ao comunicar Paula sobre o ocorrido.

As duas pareciam tão envolvidas no flerte que nem notaram a namorada de Julia com alguns amigos, procurando um bom lugar pra ficar. Claro, ela não perderia o show da banda da namorada!

"A cara da Julia isso", pensei comigo. Paula não quis colocar a mão no fogo, preferiu deixar que ela se virasse sozinha. E bom, em todo caso, a namorada dela saberia o que fazer.

Julia e a garota desapareceram, indo cada vez mais na direção do banheiro. Me preocupei por alguns instantes, mas não achei necessário intervir.

Paula me olhou com ar de desagrado, pediu que eu aguardasse onde estava e foi atrás de Julia. Logo Darla e os garotos chegaram com muita cerveja.

Visto que já estávamos um tanto quanto chapadas, esse show daria o que falar mais tarde.

Cobertor Verde-Escuro

Minhas memórias se enrolaram no teu cobertor verde-escuro, minhas ideias se sufocaram nos teus travesseiros, se perderam em meio a delírios do teu perfume. Tentei procurar as lágrimas que por lá deixei, mas há tempos já secaram.

Cada glândula do meu corpo implora pelo calor do teu corpo, cada célula de mim grita pra sentir tuas linhas, teus detalhes, cada um dos teus poros. Todos os meus neurônios se inquietam enquanto teu nome permanece ecoando nas curvas do meu cérebro.

Meus olhos se fecham cada vez que a tua imagem me volta à mente. Basta uma palavra pra que meus olhos brilhem, minhas mãos comecem a tremer e meus sentidos se agucem pra detalhar todas as coisas em ti. As cinzas dos meus poemas te trazem pra mim.

Hoje senti falta da tua cama. Senti falta de ouvir tuas músicas, de deitar no teu colo e assistir desenho animado, de fazer duetos. As palavras doces e o carinho suave permanecem me fazendo sonhar. A delicadeza inexistente da tua paixão por mim.

Teu toque, teu cheiro, teu gosto, tua boca, teus olhos, as linhas perfeitas do teu rosto. A forma como teus dedos se entrelaçam perfeitamente aos meus, como teu peito me serve de travesseiro. A tua voz doce, teu timbre marcante, as caretas que fazes enquanto canta.

Minha mente, meu corpo, minha alma e toda a minha essência anseiam por ti. Mesmo assim, me envolvo em paciência, acalmo meus instintos e disfarço a paixão com um pouco de revolta. Sinto tua falta. Distancio minha cabeça de qualquer pensamento nocivo.

Espero, anseio, imploro. 

Tudo é saudade, tudo é vontade. Sobre você, sobre mim. Sobre dois corpos envoltos no arder do desejo, da paixão desenfreada. Sobre o velho e o novo, sobre o ontem e o hoje. E no final, é tudo sobre seu cobertor verde-escuro.

17 de outubro de 2012

O cachorro é mais esperto, o Retorno - Parte 1

Quando eu acordei, olhei ao lado e tive um deja vu. Essa cena já havia acontecido antes tantas vezes e eu sentia tanta falta disso...

Finalmente, as coisas voltaram ao normal. Nosso relacionamento esquisito e distorcido estava de volta. Certo, Paula, marcou alguns pontos.

Alex se virou de frente pra mim, pousou a mão no meu peito e o rosto no meu ombro, fazendo carinho com a cabeça.

Eu estava no paraíso e queria continuar ali pra sempre. Percebi que ela estava acordada quando começou a brincar com os meus dedos, fazer teatrinhos sobre a minha barriga.

Não existia nada no mundo que fosse tão meigo e engraçado quanto essa garota, que eu mal podia acreditar que estava deitada no meu ombro mais uma vez, com o corpo colado ao meu.

Ela balbuciou algumas palavras que me soaram um tanto quanto estranhas, como se estivesse sonhando, falando dormindo.

Me aproximei dos lábios dela e pedi que repetisse o que havia dito, mas ela não dava mais sinal de que estava acordada. Ela ficou em silêncio.

Alguns segundos disso, ela se debruçou por cima de mim, me deu um beijo e se deitou próxima ao meu rosto, como se fosse me confidenciar um segredo.

- Senti tua falta - disse ela, cheia de satisfação.

- Eu sei... senti a sua também - e ela me olhou, sorriu e voltou a se deitar no meu ombro.

Pegamos no sono por alguns minutos mais e fomos acordadas por Darla, que batia na porta, avisando que estávamos atrasadas.

Hoje teríamos um show, a banda de Julia conseguiu abrir pra uma banda internacional e iríamos viajar pra uma cidade vizinha assistir.

Dividimos um banho e nos arrumamos, Julia já estava com o equipamento na porta enquanto Darla corria de um lado pro outro procurando por alguma coisa que não entendi muito bem o que era.

Logo que achou, nos pusemos a postos, descemos à garagem e carregamos a Kombi.

Julia pediu que passássemos na casa de uma garota, buscar ela e mais alguns amigos que iriam conosco pra lá.

Na casa da tal garota, embarcaram três pessoas com nós. Dois garotos e ela. Eram um pessoal bacana, o que tornou a viagem muito agradável e descontraída.

Em três horas e meia, estávamos lá. Pegamos os lugares mais a frente, o show não seria assim tão grande. Alex me olhou indiscretamente, fez um gesto indicando um canto do local.

Ao me virar pra conferir o que ela estava querendo me mostrar, vejo Julia e a garota flertando descaradamente.

- Devemos impedir? - disse Alex, esperando que fôssemos evitar que Julia se arrependesse amargamente mais tarde. Afinal, ela era comprometida. Pelo menos era o que imaginávamos.

- Não... ela sabe o que faz - por que nem eu mesma acreditava nas minhas palavras?

E lá se vai Julia, desaparecendo de vista com a garota, em direção ao banheiro.

16 de outubro de 2012

I'm Complete.

Não há nada pior do que ser incompleto. Sabe quando a vida te acende um holofote, te dá a ideia perfeita? Como disse anteriormente algumas vezes, as coisas não duram pra sempre.

O segredo, amigo, é aceitar quando elas acabam. Ah, claro, "a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar". Mas chore pouco. Veja o lado bom das coisas, pense que valeu a pena.

Claro, todo aprendizado vale a pena. E no final, compreensão e paciência são o que nos leva pra frente. Agora basta olhar pra si mesmo e perceber... nós somos completos!

E assim, quando as coisas chegam ao seu final, bom é olhar pro horizonte e entender que devemos caminhar em frente ao invés de ficarmos parados esperando pelo nada.

É disso que se faz a liberdade. Da compreensão, da facilidade de entender a complexidade infinita da vida, do destino. O segredo está em olhar pras coisas que são invisíveis aos olhos.

Fazer mais, andar em frente, seguir vivendo e esperando pelas próximas aventuras, estar sempre pronto pra que nenhuma oportunidade seja desperdiçada. O segredo está em equilibrar as emoções.

Não podemos deixar que sentimentos e problemas nos controlem, eles são passageiros. Diferentes de nós mesmos; somos tudo que temos. E não temos tempo suficiente pra nos preocupar com as pequenas coisas.

Ah, e o segredo, meu amigo, está em entender que cada minuto é precioso demais pra se perder de mau humor, triste ou preocupado. A vida é curta demais pra parar no meio do caminho. Seja pelo que for.

Tudo que te faz parar, te atrasa. E se te atrasa, não vai te levar a lugar nenhum, pois vai te fazer chegar só quando já for tarde demais. E nisso, o segredo reside na consciência, no auto conhecimento.

O que passou foi bom, mas o que há por vir será ainda melhor. E esse é o segredo.

11 de outubro de 2012

Take you home

Mais uma noite, não consegui dormir. Talvez por medo do que os sonhos vão me trazer de volta dessa vez, talvez receio de lembrar de algo bom que já passou e saber que ainda vai levar um tempo pra matar essa saudade. 

Cruel, desfaço tudo que for preciso, te entrego tudo que quiseres de mim. Um vício, um tipo de maldade incontrolável comigo mesma, desde o sub consciente, até meu estado mais acordado. Cada fôlego teu me desarma.

E as palavras seguem ecoando no vazio da minha mente a cada instante, me dizendo pra continuar, me dizendo pra levantar os olhos e enxergar coisas que ninguém mais poderia ver. Seco minhas lágrimas e me esforço a ver, mas a névoa não se dissipa.

Sonhos nublados e confusos, pensamentos soltos vagantes por uma mente viajante e inquieta, que antes, tão facilmente encontrava a calma e a tranquilidade e agora, desperta e desfalece em preocupação, em receios, em vontades impossíveis de suprir.

Como queria uma troca de palavras doces, uma troca de olhares suaves, uma troca de carinhos afáveis. Tão difícil não ver, sentir-se perdida em um deserto conhecido, como se houvessem arrancado de você todo seu senso de direção.

Uma bela tentação! Nunca fora fácil. É um tipo de saudade que dói fisicamente. Dá pra consertar, doutor? Será que um transplante de coração ajuda? Ou quem sabe um cérebro novo... poderia me fazer bem. Me perdi, amigo.

Acho que enlouqueci. 

Tudo que sinto vem envolto numa nuvem de pesadelos e você é a atriz principal em todos eles. Pesadelos, digo, por melhores que sejam os sonhos, me fazem acordar triste. Triste por olhar para o lado e não te ver aqui comigo.

Os atos mais simbólicos que poderia imaginar, colocando em prática cada detalhe de uma ideia remotamente plausível, me fiz de novo frágil. Fraca. A esperança veio junto ao vento e bateu de novo nas minhas costas.

Maldita!

E quando o vento passou, percebo que talvez não tenha sido grande marco, grande feito. Ou quem sabe, nem deveria ter dado ouvidos às minhas ideias mirabolantes, ter apenas ignorado minha mente inquieta que pede por ti a cada instante.

Não pude. Sou poeta, lembra? Sou romantismo, sou paixão. Tudo em mim é sentimento. Talvez tenhas razão, talvez eu seja em vão. Rimas, poesias, estrofes incaláveis no interior da minha alma, requisitando tua presença em cada linha.

Agora, sim, me encontro completamente dependente. Vulnerável. Cada pedaço de mim é teu. Talvez fora esse o erro, estar entregue. Meditar me tem sido útil, mas se torna cada vez mais difícil atingir a concentração enquanto o teu nome martela por entre meu vazio.

É um tipo de fome, um desejo, uma vontade. É uma paixão. Uma fogueira que foi deixada de lado. E continua acesa, queimando. Lembro do tempo que mantínhamos duas fogueiras acesas, uma ao lado da outra. Uma sua, outra minha.

Sei que a minha continua acesa, de chama brilhante. Mas faz tempo que não me permito olhar ao lado e conferir como tens cuidado da sua fogueira. Da última vez que o fiz, você a escondeu de mim, não quis me deixar ver.

Como queria ter a graça de saber o que se passa em sua mente. No que penso, faço ou falo, espero que haja alguma diferença. Espero que traga melhoras. Espero todos os dias por isso. Em determinados momentos, me encontro banhada em confiança, em coragem.

Mas afinal, na maior parte do tempo, o que me toma pelos pés é o medo, me vira de cabeça pra baixo e revira tudo que tinha de bom em mim antes. Um pedaço de papel queimado é tudo que tenho da minha esperança.

Um doce, uma rosa, um cheiro e uma frase. É tudo que tive pra demonstrar quanto tenho sentido sua falta. Queria tanto um lenço teu agora... queria algo com que pudesse dormir abraçada, pra não me sentir tão só, tão... desamparada. 

Eu sei, tenho soado cada vez mais como um "por favor, não me deixe". Talvez sejam essas as exatas palavras que gostaria de dizer. Então, por favor, não me deixe. Quero tanto te lembrar de todas as coisas boas, te fazer sentí-las mais uma vez...

Porque, sabe, elas vêm à tona em minha mente a cada segundo, me atordoando por entre memórias, diante de situações e momentos que passei ao teu lado, me lembrando que você não está aqui. Nem aqui, nem comigo, de certa forma.

Mais uma vez, me sinto inútil, impotente. E, claro, desesperadamente vazia. Ah, baby, tenho sentido tanto a tua falta... não há texto gigantesco que possa descrever como. Nada do que eu tentar organizar numa frase vai demonstrar sequer um pedaço do que eu sinto.

Onde está a paixão? Onde está aquele velho fogo que nos queimava instantaneamente com apenas uma troca de olhares? Onde foi parar o magnetismo inquietante que não nos deixava distanciar? Quero saber pra onde foi o "teu cheiro me enlouquece"...

"Te amo mais que a vida". E espero, com todas as minhas forças, que possa ouvir essa frase dos teus lábios em breve mais uma vez.

10 de outubro de 2012

C'mon, take my hand

Querida,

Queria ter o poder de mudar o presente, queria ao menos saber o que está acontecendo no momento. Mas eu não posso. Agora, o que me resta fazer é esperar e torcer. Torcer pra que as coisas mudem pra melhor, torcer pra que os bons momentos que tivemos tenham algum peso sobre o agora.

Queria que você confiasse em mim o suficiente pra me deixar te ajudar, me deixar te ensinar algumas coisas que eu sei que podem te fazer se sentir melhor. Queria que abrisse a cabeça, parasse de pensar "não dá" e passasse a pensar "eu quero, eu posso, eu consigo". 

Ah, queria tantas coisas, amor... 

Queria matar a saudade de segurar a tua mão, sentindo aquela mesma coisa da primeira vez que o fizemos, sentindo o frio na barriga e o pulsar do teu coração, sentir teus dedos entrelaçados aos meus. Queria tuas pernas enroscadas nas minhas, como da primeira vez.

Queria sentir teus lábios nos meus, criando aquela combustão que costumávamos conhecer. Ah, baby, queria tanto mudar o presente... Queria voltar ao tempo que você me dizia que me amava mais que a vida, queria ouvir tua voz suave cantando pra mim.

Queria poder te acalmar, alinhar tua respiração com a minha, como eu costumava fazer. Queria poder olhar nos teus olhos e me perder numa infinidade de paixões dentro deles. Queria, agora, mais do que tudo, acabar com o teu sofrimento, que acabaria com o meu.

Queria poder correr até a porta da tua casa, te levando rosas, queria poder sentir teu cheiro e delirar nos traços perfeitos do teu rosto. Queria que você ainda sentisse exatamente o mesmo que sentia uma vez. Queria que fosse como era, loucamente apaixonada por mim.

Queria dormir ao teu lado, queria ganhar teu carinho, queria teu colo, teu apoio, teu consolo. Queria que estivesse bem. Queria que estivéssemos bem. Queria um incenso aceso, boa música tocando e uma noite inteira a nossa disposição.

Queria tuas indiretas pra mim, queria tua forma louca de me amar, queria teu jeito bobo de olhar nos meus olhos e sorrir da forma que me faz derreter. Queria teu cabelo desarrumado e tua cara fofa de nove da manhã, queria teu pijama de porquinhos.

Queria tua risada, queria teu suspiro, queria tua zoação com a minha cara de "selvagem", queria cada milímetro, cada canto de ti. Queria teu vício em mim, queria tua despreocupação, queria teus olhos brilhantes, queria as sessões de foto contigo.

Mas principalmente, queria que tu quisesse o mesmo que eu.

9 de outubro de 2012

Stone Fields

Não há uma grande certeza do que é, quanto menos do que será. O que se sabe é que nada do que foi, será do jeito que já foi um dia. Um nó na garganta permanece me impedindo de proferir mais de cinco palavras sem soluçar e chorar como um bebê. 

Por isso, me mantenho calada, quem sabe dessa vez funcione. Todas as coisas que estavam ao meu alcance, todos os recursos que poderia utilizar, fiz "das tripas o coração". Não me pareceu adiantar de alguma coisa. Não, não estou bem. 

Tranquilidade é uma parte de mim, não significa que por estar tranquila estou ignorando o problema. Não significa que por estar tranquila, não pense nisso a cada instante e me sinta mal novamente. Fiz de tudo pra salvar e agora me sinto impotente por não ter conseguido.

Porque agora, nunca se sabe quando será o ponto final, se vai mesmo haver uma continuação. As coisas correram rápido e tomaram um rumo tanto quanto inesperado. Me mantive sempre exatamente no mesmo lugar, ao sol. Mas você se distanciou de mim e procurou pela sombra.

O que se passa em minha mente no momento é uma grande bola de uma energia estranha e quase que desconhecida. Não digo saudade, porque disso eu já morri há um tempo atrás. Quem sabe, uma esperança um pouco enferrujada, desgastada. 

Mas agora o foco é outro. O foco é meu. Agora as luzes viram em minha direção e me mostram um pedaço já esquecido da vida, me ensinam de novo a andar só. Confesso que, durante o paraíso, desacostumei dos problemas. Talvez por isso a dificuldade de lidar agora.

Tantas saídas fáceis, tantas vezes pintadas como árduas e longas jornadas. Não, não são. Como já disse, basta querer e as coisas acontecem. Quem acredita sempre alcança, não? Querer da forma certa, fazer com que as boas energias tragam as boas coisas.

Apostei, acreditei, investi, lutei. Ainda não desisti. Por um triz. Agora é tempo de mudar. Mudar de hábitos, de rotina, de vida. Esse é o tempo de escolher apenas as boas coisas pra manter e se desfazer de todas as coisas que fazem mal.

Não sei o que vai ser daqui pra frente, mas sei que restarão apenas as coisas que fazem bem, apenas o que gera positividade. Também não sei quanto tempo vai levar pra que esse nó se desfaça, mas enquanto isso, estamos aí, aguentando sempre.

Pra todos os efeitos, pra toda recaída, sempre há um ombro. Faz, sim, uma falta danada. Mas isso é apenas um detalhe. Pra chegar no paraíso de novo, sempre precisamos passar por uns bons campos lamacentos e cheios de armadilhas. 

O jeito é fechar os olhos, seguir os instintos e ir em frente. E é assim que se faz possível chegar ao outro lado, onde as coisas boas esperam novamente. Enquanto isso, o trabalho árduo de se desfazer por entre teias, lama, troncos, pedras e todo tipo de obstáculo.

É como sempre digo, coisas boas entram e saem das nossas vidas, mas não é porque se fizeram ausentes uma vez que jamais voltarão. As boas coisas estão sempre do lado de fora da porta, esperando que estejamos prontos.

E quando estivermos, basta agarrá-las pelo braço e levá-las pra um longo passeio, desfrutando de cada segundo que essas coisas boas se fizerem presentes ao nosso lado. E quando elas forem embora, não haverá arrependimento, porque cada mísero instante foi bem aproveitado.

Assim, estamos na espera das coisas boas. E enquanto isso, vestiremos a armadura, nos faremos prontos pra qualquer tipo de aventura que a vida nos permitir viver. É chegado o tempo da preparação, agora vem o treinamento de guerra.

Esse era o aquecimento. A luta ainda está por vir.

7 de outubro de 2012

One and Only

Te senti distante de mim, como se houvesse uma barreira que impedisse teu coração de chegar ao meu. Quis saber o que se passava, mas sabia que não me agradaria com isso. Chateada, dormi ao teu lado encharcando teu travesseiro com as minhas lágrimas.

Acordei da mesma forma e te assisti dormindo por incontáveis minutos. Deixei algumas das minhas lágrimas caírem no teu rosto sem querer, já que estava virada pro outro lado e não conseguia ver teu rosto se não me debruçasse por cima de ti.

Uma onda de medo repôs a felicidade que antes atingia cada nervo meu. Escrevi enquanto olhava teus traços perfeitos, teu jeito fofo de dormir enrolada em si mesma. Te acordei, não foi por querer. Você se virou pro meu lado e fechou os olhos de novo.

Quis que tivesse me abraçado, pararia de escrever na hora. Mas logo abriu os olhos de novo e pediu pelo controle da televisão. Daí pra frente, fui tomada por insegurança e desejo de possuir o poder necessário pra fazer tudo voltar ao normal, ao nosso paraíso.

Tudo que já fizemos, todos os olhares que já trocamos, todos os teus beijos que me causaram frio na barriga... não dá pra não querer isso de volta. E de qualquer forma, descobrimos nossa doença cedo o suficiente pra encontrar a cura e continuarmos bem.

Alguns desabafos me fizeram sentir melhor, parar de chorar de desespero, morrendo de medo de te perder. Mas eu não te perdi ainda, certo? E sei exatamente o que devo fazer agora. Cada segundo nosso até agora valeu a pena. E vai continuar valendo.

Como ouvi hoje, "quando se encontra uma pessoa assim, não precisamos de mais nada na vida". E eu não preciso e nem quero mais nada. Tudo que eu quero agora está em ti. Cada milímetro, cada canto e cada pedaço de ti, quero da forma que eu tinha antes.

Não me importo se as coisas nem sempre chegam na vida da gente pra ficar, mas você é uma das pouquíssimas coisas que eu vou bater o pé pra manter comigo. Não vai ser dessa vez, nem tão fácil assim que vou aceitar que as circunstâncias te afastem de mim.

Eu te amo até a lua; só ida, porque lá de cima a vista é mais bonita (e porque né, I haven't got the funds to pay this).

30 de setembro de 2012

Steady, As She Goes

"Find yourself a girl and settle down, live a simple life in a quiet town, steady as she goes." (Engraçado como sempre volto a citar alguma música do Jack White, né? Bons motivos, bons motivos...)

Ela pousou seus olhos nos meus e me causou um arrepio, eu mal podia ficar ao seu lado, mal conseguia lutar contra aquela força que me mandava segurar sua mão. Cada vez que me olhava nos olhos, dizia "como seus olhos brilham". É, pra você eles realmente brilham!

Um tanto quanto inocente, aquele beijo de canto causou outro arrepio, implorando por mais. Mas não podia, certo? Ah, àquelas alturas eu já nem estava mais ligando se podia ou não. De um jeito ou de outro, essa garota seria minha e não haviam outras escolhas.

Seu cheiro me entorpeceu no primeiro segundo que se fez presente no ar e, desde então, me entorpece novamente cada vez que o sinto. Seus olhos nos meus ainda me causam arrepios, assim como seus lábios nos meus, seu carinho pelo meu corpo.

Me causa uma vontade incontrolável de estar ao lado dela, suga meu fôlego, vende a minha alma, toma toda minha vida, qualquer coisa que seja, mas seja ela. E dessa forma se faz, eu perco o fôlego, entrego minha alma a ela e ela se faz minha vida.

Essa é a garota que me faz sofrer na cara dura, porque sabe que me tem. Mas um sofrer bom, num jogo que só ela sabe jogar. Ela me testa até encontrar meu limite, depois me puxa de volta pra baixo e me faz uma marionete, me deixa vulnerável.

Muito mais do que luxúria ou perdição, vai além do que sensações conseguem explicar. É um tornado de sentimentos e uma erupção de deslumbres. Nada que algumas sílabas misturadas possam demonstrar, nada que um poema qualquer descreva.

Tanto que os dou razão que a amem. Não os julgo nem os odeio, menos ainda, condeno-os. Entendo cada um de seus motivos, mas peço desculpas, porque tenho bem mais. Sinto poder dizer que posso amá-la quase que por completo, por conhecê-la quase que por completo.

Portanto, que se façam ausentes, porque esses direitos todos são apenas meus. E de toda forma, conhecê-la só me faz amá-la ainda mais e cada vez mais forte. Se nossos olhares se cruzarem três vezes num minutos, me apaixonarei por ela novamente, três vezes no mesmo minuto.

Ainda não suficiente, tem sua própria performance. E eu sou a pessoa de sorte que pode assistir o tempo inteiro e ainda seguir seus tempos, conhecer seus trejeitos e manias. Não há nenhuma parte dela pela qual eu não esteja apaixonada.

"Well, birds can fly so high, and they can shit on your head, they can almost fly into your eye and make you feel so scared, but when you look at them and you see that they're beautiful, that's how I feel about you."

20 de setembro de 2012

Miles and miles of perfect sin

Um milhão de sentimentos em um milhão de corações. Agora, restava apenas um coração pra suportar o mesmo milhão de sentimentos.

Quis hesitar, mas fechei os olhos e fui em frente. Nada impediria, nada o fez. Sempre soube que essa hora chegaria, mas jamais pensei que fosse tão cedo. O destino apenas corre, não podemos pará-lo, por mais que tentemos de toda forma.

E eu tentei. E como tentei. Mas não era inesperado, aquilo aconteceria a qualquer instante, só faltavam algumas gotas de coragem pra que o passo fosse dado. Um passo a frente de olhos fechados, nunca se sabe quando cairemos no precipício à frente.

Subi e desci numa escada de cogitações, longos e demorados diálogos comigo mesma, mas nada me fez mudar de ideia. E algumas semanas depois, cá estou, me reerguendo. Sinto não poder dizer "por minhas próprias pernas", mas as muletas me estão sendo muito úteis.

Provações, testes, surtos, transbordando de medo e vontade de voltar atrás. "Dê tempo ao tempo", me diziam. E esse tempo ensina, esse tempo desgasta e maltrata, mas também te faz levantar mais forte. Agora sim, a vida volta a ter o gosto doce de sempre.

Sim, as dificuldades parecem gigantescas e às vezes parece que não tem nenhum lugar por perto onde possamos nos apoiar. Mas olhando mais pra frente, sempre tem uma placa mostrando o apoio mais próximo. E, bom, por mais que este seja distante, ele ainda existe.

E está lá, só aguardando pra ser utilizado.  Esse apoio, um avanço, mais alguns passos e um objetivo é alcançado. Por mais que antes tudo parecesse opaco e escuro, alguns metros à frente, seu apoio era um poste, uma lâmpada. 

A mesma que te mostrou que logo debaixo do seu nariz havia um banco. E atrás desse banco, o seu objetivo. Seu descanso e seu abrigo, todos num só avanço. Toda vontade de desistir, toda tristeza e saudade, tudo é revertido em euforia.

Tal que dá mais um impulso, leva um pouco mais pra frente. E assim, um objetivo levando a outro, avanço após avanço. Tudo começa a se encaixar, as coisas vão pra seus devidos lugares. Mas o melhor de tudo, nos lugares certos, não nos que elas estavam antes.

Espera-se a vida, sonha-se o mundo. Recebe-se o mundo e acorda-se pra viver a vida que faltava antes.

11 de setembro de 2012

Update

Faz um tempo que ando desaparecida da vida e do mundo. Mas bem pelo contrário, querido leitor, isso só acontece por minha vida estar muito mais movimentada nos últimos dias. Como já citei no texto anterior, que também foi só um update, foi uma breve mudança de ares.

Assim, falta tempo pra banda, falta tempo pra ensaiar sozinha, pra escrever, pra compor, criar... falta tempo pra tudo que exige criatividade, já que a mesma nasce do ócio. Sinto saudade de gastar tardes e adentrar madrugadas escrevendo contos infinitos que eu jamais acabaria.

Tenho algumas breves ideias, mas todas um tanto quanto oblíquas, já que basicamente seriam uma autobiografia dos fatos vividos nesse novo tempo. Drama de novela mexicana, digamos. E bom, realmente daria um ótimo roteiro!

Estou doente, ~muito~ doente (mentira, é tudo drama). Acho que descobri algumas alergias, já que a casa da minha namorada só tem oito gatos... nada demais. Ainda nada de um emprego e nada da minha casa também. Ah, meu quarto será todo reciclado, já que não tenho grana pra comprar móveis.

No momento, estou observando minha namorada se arrumar (porque alguém tem que trabalhar e sustentar a casa) enquanto vos escrevo. Ao lado, uma caixa de pétalas de um tecido que acredito ser cetim (não entendo de tecidos, mas ok) e velas.

Não pergunte por quê.

Mentira, esse é meu trabalho, por enquanto. São coisas pequenas, mas ajudar a sogra é uma mão na roda pra mim. Eu sei, esse blog nunca foi tão pessoal quanto agora. Afinal, eu nem deveria falar sobre a minha vida particular por aqui, mas sinto que estou devendo entretenimento, então aí vai!

A grana tá curta, mas pelo menos não estou mais zerada. Como eu disse, ajudar a sogra é uma mão na roda! Ainda falta muito pra um equilíbrio financeiro, mental e emocional. Mas ao menos estamos zerando Mortal Kombat Armageddon, yay!

Por hoje é isso, quando surgirem as boas ideias, prometo "dar um dez" por aqui. Se cuidem, vão pela sombra e não esqueçam de dar um RT no link.

Peace!

1 de setembro de 2012

The Huge

Bom dia ao sol nascente, eu vim pra contar minha triste história... 

Não, minha garota não me abandonou numa estação de trem sob um céu de blues, mas o drama foi bacana. O que aconteceu foi bem menos... melancólico, digamos. 

Nesse exato momento, estou sentada na cama da minha namorada enquanto a mesma está trabalhando enquanto a ex namorada dela está na casa do vizinho ou, muito provavelmente, conversando com a minha sogra.

Daqui a pouco vou tirar um cochilo porque ninguém aguenta duas noites seguidas dormindo mal. Hoje tem ensaio da banda das garotas, que ontem surpreenderam o pessoal com uma jam fodástica, da qual me vi parte e matei um pouco a saudade de tocar com uma banda.

A Holy Cow está em tempo de recesso, não estamos ensaiando desde que a Nanda saiu e perdemos o porão. Estamos quase chorando de saudade já. Me mudei pra Farroupilha, estou morando temporariamente na casa da namorada.

Essa semana pretendo fazer minha mudança definitiva pra "república" das garotas e pagar meu próprio aluguel. Estou na busca desenfreada por um emprego, vivendo umas coisas insanas, fazendo festas e bagunças memoráveis.

A sequela está se fazendo mais presente nesse momento, me bateu uma morgadeira do caralho. Ainda não tive uma noite inteira de sono por aqui. Estou aqui há mais ou menos uma semana, se contarmos que fiquei o fim de semana passado aqui também.

Preciso falar com a sogra pra pedir a chave da casa que minha namorada graciosamente esqueceu de deixar comigo e não sei se vou lembrar de fazer isso. Resumindo, corro um grande risco de ficar trancada por aqui mesmo. 

E a vida mudou... e como! Adeus casa dos pais, o que liberta muitas coisas. No momento, as coisas estão bastante estranhas e talvez até um tanto assustadoras. Mas quando isso tudo for pro lugar, tudo pare de ser tão assustador.

Enfim, esse post foi apenas pra atualizá-los na minha vida, mesmo que vocês não queiram saber sobre isso. Eu sei, é uma bosta, mas fodam-se vocês. E afinal, você leu mesmo até aqui, então nem reclame. Caso queiram me visitar aqui em Farroupilha, me liguem! Sério!

A companhia é ótima, a vibe é a melhor e a diversão é certa! Assim mesmo, bem slogan de bar da esquina.

12 de agosto de 2012

Imagine - Reflexões de longos momentos de ócio.

Imagine se o cara que inventou o telefone tivesse sido o único a pensar nessa possibilidade. Agora imagine se ele não tivesse existido. Imagine um mundo atual sem telefones. De nenhum tipo. Imagine se o cara que descobriu o fogo tivesse sido o único a imaginar que fogo pudesse ser útil. 

Pensando dessa forma, nos é possível concluir que o mundo foi salvo diversas vezes por pessoas "pequenas" que talvez até desconheçamos a origem ou ignoramos a existência. Pensando dessa forma, então, seríamos todos "farinha do mesmo saco", já que são esses pequenos feitos que nos destacam diante do restante das pessoas.

E talvez, por esse lado, possamos incluir mais um pensamento ridículo (repito, foram coisas que pensei num momento nada são), onde pessoas "insignificantes" valem algo que poderíamos comprar numa mercearia. Como um exemplo, utilizo a frase "você vale um suco Tang". Mas veja pelo lado positivo, ao menos é Tang...

Assim, criaríamos uma escala mental pro valor que damos às pessoas, sendo tudo relativo à estima. Desconhecidos partem de um valor zero. Dessa forma, não superestimamos ou subestimamos ninguém. Como um exemplo, pense no seu melhor amigo. O que essa pessoa valeria?

Se você entrasse num mercado e fosse comprar algo que valesse o mesmo que seu melhor amigo, o que você compraria? Eu compraria três quilos de filé mignon. O motivo é óbvio: provavelmente eu consumiria nem um quinto desses três quilos e me renderia muito. Assim como me custaria caro também.

Agora, pensando em alguém que mal trocou algumas palavras com você, casualmente, no sinal, pedindo alguma informação. O que você compraria? Considerando, eu provavelmente compraria um Chiclets. Motivo: são dois, sempre podemos deixar um pra depois ou comer os dois ao mesmo tempo.

Da mesma forma que alguém casual. Podemos continuar conversando ou nunca mais falar com essa pessoa na vida. Podemos desenvolver um diálogo, como podemos ignorar e falar nada mais que o necessário com tal indivíduo.

Por esse raciocínio, é de se imaginar uma classificação constante. Como pessoas podem ser insignificantes e, mesmo assim, muito importantes. Pensemos pelo lado de que, o que às vezes não nos apresenta valor algum, pode ter muito valor pra alguma outra pessoa.

Em todas as hipóteses, é o que nós fazemos muito frequentemente. Mas colocando dessa forma é que percebemos como a visão pessoal é fútil. O tempo todo nos pegamos classificando as pessoas pela nossa própria visão delas, enquanto não consideramos a visão alheia.

Talvez ridicularizar a história, comparando pessoas com formigas, ou com produtos de mercado, talvez assim dê pra entender que cada um é um ser único. Não pertencemos a lotes, não andamos em fila colhendo folhas, flores, sementes dez vezes mais pesados que nós.

E é essa autenticidade que move o mundo. Porque se todas as cabeças pensassem da mesma forma, talvez o mundo nunca tivesse saído das cavernas, talvez vivêssemos a la Flinstones, talvez pudéssemos comprar pessoas em refrigeradores, prateleiras, com etiquetas e códigos de barra.

Eu sei, talvez essa tenha sido uma reflexão ridícula, mas é só uma forma de imaginar um lado um pouco diferente do costume, ironizar algumas histórias, fazer algumas piadas de coisas que não deveríamos brincar e rir de fatos que deveríamos chorar.

Mas afinal, é isso que fazemos a vida inteira, certo?

5 de agosto de 2012

Creio que sim

Ah, eu a quero, sim!
De todas as formas que se possa querer
E, ah, eu a amo, enfim
Daquela forma louca que mal se pode crer

Dos pingos escorridos na janela
No balanço do ônibus em movimento
Entre gotas de saudades dela
Mal pude me manter no pensamento

No canto da mente me gritam
Por sussurros de célula inquieta
Que meu raciocínio limitam
"Sou só musicista e poeta"

Voz doce que ecoa no vazio profundo
Dos olhos suaves, "janelas da alma"
Resgata da lama meu corpo imundo
Provoca em mim a mais densa calma

Arranca do peito, fôlego fulgaz
Retira a covardia irrevogável
Destrói o velho vocábulo "incapaz"
Torna o medo imperdoável

Ah, se cada palavra minha
Se valesse todo bem que me faz
Então assim me bastaria uma linha
Pra que pudesse desfalecer em paz.

29 de julho de 2012

To Smurf

Cheguei na rodoviária pronta pra pegar o ônibus, apenas com um cartão de débito, no qual eu contava com dezesseis reais (na minha imaginação). Não aceitava cartão. Saque mínimo, vinte reais. Corri ao banco mais próximo, meu saldo era de TRÊS MALDITOS REAIS.

Por algum milagre divino, tinha saque de dois reais no banco. Com meus setenta e cinco centavos, só faltariam cinquenta centavos pra pagar a passagem. Pensei em parar cada pessoa que passava por mim pra pedir uma moeda, mas lembrei de uma loja próxima ao banco.

Entrei na loja e pedi pra uma das vendedoras, que me deu um real. Corri pra uma parada onde passaria o ônibus depois da rodoviária e já estava em cima da hora. Por algum outro milagre, quando cheguei na parada, o ônibus estava exatamente ali, parado na minha frente.

Uma viagem infinita e cheguei ao meu destino, liguei pro mundo pra conseguir o favor de mandarem uma sms pra mim, que foi concedido pela Lara e logo após, pelo Johnny (e isso é meu agradecimento gigantesco pra vocês, seus lindos!). 

E ela chegou pra me buscar. Como se fosse um sonho, eu estava ali, exatamente como havia prometido. Só que de verdade. Cada segundo valeu a pena. E os próximos valeriam ainda mais. Fomos pro ensaio da banda dela, que por sinal, é fodástica (e só de garotas, o que torna ainda melhor).

Jantamos, brincamos com os instrumentos, fizemos dinâmicas bobas, nos divertimos o mundo. Começou a chover e nos entocamos na sala, rimos até o pulmão doer. Vou poupá-los dos detalhes a frente e pular logo pra parte que acordamos.

Tirando a parte dos meus pais terem pirado quando liguei pra avisar onde estava e que não voltaria pra casa no mesmo dia, tudo foi demais. Almoçamos com as garotas, rimos até a vesícula biliar doer mais que o pulmão e peguei o ônibus de volta pra casa.

Aguentei um pequeno tremor de terra dentro de casa, mas todo fôlego (ou a falta do mesmo) valeu por uma vida inteira. E todos os dias eu vou lembrar dessas vinte e quatro horas que passaram como se fossem minutos e sentir que correr, mendigar uma moeda, tudo valeu a pena.

Sem esquecer de conjugar novamente o verbo, I smurf you.